Cada ser nascido naquele mundo tinha um elemento como seu dom, algumas crianças no entanto nasciam com um poder especial de controlar dois elementos de uma vez só, elas eram chamadas de tamers, eram consideradas superiores, crianças extremamente poderosas e perigosas, por isso sempre que uma criança nascia com dois elementos era mandada para uma escola onde aprenderia a controlar seus lados opostos e não ser alguma ameaça. A escola abrigava cerca de vinte crianças, os tamers eram raros, porém seus números vinham aumentando com o tempo, alguns acreditavam que era porque os mesmos só aceitavam ter gerações futuras com os de mesmo nível que eles, outros que os deuses estavam lhe proporcionando forças maiores, já alguns acreditavam que era um castigo divino, onde aqueles com mais de um dom iriam descontar todo ódio nos mais fracos e domina-los, por isso os perseguiam. O ódio contra os tamers crescia cada vez mais, por isso a escola tomou as providencias de só deixa-los saírem do internato que os abrigava quando estivessem com idade o suficiente para serem mandados à guerras e missões para que o povo os vissem como seres bondosos.

Clarita era uma aluna que vivia no internato junto aos demais, podia controlar o fogo e a terra, a menina de cabelos negros era uma excelente aluna, apesar de viver parando em suspensões pelo colégio por causa das diversas brigas que se metia. Não tinha muitos amigos, achava a maioria dos alunos babacas, com complexo de superioridade, óbvio que havia algumas exceções, mas nenhuma que se tornasse uma grande amizade.

Um dia sentada em frente a diretoria aguardando mais uma das broncas rotineiras ouviu sussurros dentro da sala, se pos para perto da porta para que pudesse ouvir mais sobre o que diziam.

—Bem, nossa escola tem regras como todas as outras, no entanto somos mais severos com nosso ensinamento e modo de punição, mantenha-se na linha e tudo seguirá bem, eu lhe acompanharei até seu dormitório, você terá uma colega de classe como a maioria dos estudantes, terá a lista de horários para cada refeição e aula. Me acompanhe.

A porta foi aberta de imediato fazendo com que Clarita caísse aos pés da diretora. Senhora Golub era uma mulher de meia idade muito grande, com cabelos sempre preso em um coque perfeito, que andava com um vestido abaixo dos joelhos. Seus olhos de serpente encararam a pequena menina caída.

—Senhorita Clarita, qual o motivo de estar escorada em minha porta ouvindo conversas particulares?

—Foi sem querer, eu jurava que tinha visto uma aranha e cheguei mais perto para observá-la.

—Eu não vejo aranha nenhuma, mas já que está aqui levará a Senhorita Elle, para o dormitório, e assim conhecerá sua nova colega de quarto, de novo.

Elle era alta, branca, com cabelos ruivos, um tanto vampiresca, sinistra demais, o que para Clarita combinava perfeitamente com o clima da escola.

—Quais são seus elementos? Seus pais te mandaram para cá por que você é rebelde e precisa ser colocada na linha? Você é a filha rebelde? Seu cabelo é ruivo natural? -Perguntou pulando.

—Você fala demais, sabia? -Disse calmamente.

—Bem, meus poderes são de Fogo e Terra, O que é muito massa, porque são os melhores poderes é óbvio, então, quais são os seus? -Ignorando completamente o comentário da outra.

—Água e ar. -Respondeu revirando os olhos.

—Seu sarcasmo é irritante.

—Não só ele pelo jeito...-Disse mais para si mesma que para outra que apenas bufou em frustração.

—Venha, você vai amar odiar essa lugar.

De principio a menina não entendeu bem o que a menor quis dizer, apenas balançou a cabeça. Assim que foram andando pelos corredores imaginou como os alunos não se perdiam, muros de concretos cinza mortos, como um cemitério, algumas rachaduras nas paredes e uma grande escadaria que levava a mais cinza. A pequena garota que cantava e saltitava ao seu lado sorriu como se entendesse o que passava em sua mente.

—Eu te arrumo um mapa. -Continuou sorrindo com a cara de boba. —Bem esse é nosso quarto. Entrou se jogando em sua cama.

Um dos lados do quarto era perfeitamente arrumado, parecia nunca ter sido usado, o cinza usual da escola na parede, com uma pequena comoda e uma cama com alguns lençóis perfeitamente dobrados. Já o outro lado tinha pinturas nas paredes, replicas de grandes artistas, era bagunçado como se mil trolls tivessem passado por ali, a morena apenas deu de ombros quando recebeu uma arqueada de sobrancelha em sua direção.

—A diretora disse "Sua nova colega de quarto, de novo", o que houve com a outra, não aguentou sua bagunça e se mudou? -Olhou debochada.

—Não, eu a matei. -Fechou os olhos enquanto balbuciava outra música.

—C-como assim? -Gaguejou a ruiva.

—Estou brincando, ela se formou. -Disse sorrindo.

—Ah, entendo. -Concordou com a cabeça sentando na própria cama.

—Sabe Ellen, acho que seremos grandes amigas, parece até que eu já te conheço à anos.

—Meu nome é Elle. -Disse revirando seus olhos.