Enchanted

1 Baile de Verão


Notas iniciais
Olá, pessoas!

Vamos terminar o dia dos namorados aqui no BR com uma one fofura?

Ela é baseada na música de mesmo nome da Taylor Swift.

Boa leitura ♥

Baile de Verão

Mais um baile, mais um grande evento de gala que eu deveria comparecer mesmo sem querer, afinal os detestava. Tudo que queria para aquela sexta-feira era apenas estar em New York, no meu confortável — certo, não tão confortável assim, mas meu — dormitório em Juilliard, assistindo qualquer filme de ação e comendo besteiras, somente isso.

Entretanto, meu dever como filha do presidente dos Estados Unidos era comparecer a muito desses bailes que não suportava. Além do mais, ainda era verão, ou seja, eu continuava de férias da faculdade.

— Calma, Bella — falei comigo mesma, enquanto examinava as joias que minha mãe tinha me dado no começo daquele dia para compor meu visual. — É somente um baile, vai ser indolor e você poderá dançar um pouquinho, pode acabar sendo muito bom.

Eu sabia, bem lá no fundo, que no final o baile seria tão ruim quanto os outros. Todos só falariam de politica, guerras, dinheiro e meu pai acabaria me apresentando a um monte de caras que ele julgava serem bons pretendentes para mim.

Não, Charlie Swan nunca me forçaria a casar com ninguém, mas ele adorava me dar sugestões. Porém, eu não estava colocando a ideia de arranjar um namorado, muito menos um noivo, em primeiro plano. O balé ainda era minha prioridade e, era a única coisa que vinha me fazendo sentir as ditas borboletas no estômago, o resto do mundo parecia muito sem graça, ou comum demais.

— Olhe só meu vestido! — Alice entrou, gritando, no meu quarto na Casa Branca, fazendo com que meus ouvidos doessem. Era muito difícil acompanhar toda a energia da minha irmã caçula, eu me esforçava, mas parecia que ela tinha uma bateria inacabável.

Olhei para Alice pelo espelho da penteadeira de onde estava sentada, vendo-a em um longo vestido rosa. Não estava surpresa com a cor escolhida por minha irmã, Alice tinha verdadeira adoração por rosa e aquela altura o país inteiro já sabia disso.

— Ele é lindo, Alice — falei, lhe lançando um sorriso, aquilo só fez minha irmã de dezessete anos ficar ainda mais empolgada.

Sem ligar para o fato de estar em saltos altos, Alice correu até mim, sentando ao meu lado no banquinho da penteadeira.

— Eu irei beijar o Mike hoje — ela disse em um tom de conspiração para mim, fazendo com que parecesse que tínhamos de novo sete e nove anos, quando aprontávamos de tudo.

O que mais sentia falta da infância eram as viagens para a fazenda em Forks, uma cidadezinha em Washington, próxima de Seattle, sempre era maravilhoso ir para lá com meus pais e irmãos. Se eu me concentrasse poderia lembrar com exatidão do cheiro de terra molhada, ou de como o sol nascendo e refletindo no lago era uma das visões mais lindas do mundo. Nós iriamos para lá no dia seguinte, toda a família, para aproveitar os últimos dias das férias antes da minha volta para New York, foi o que me convenceu a ir aquele baile.

— Mike de Michael Newton? — perguntei a ela, surpresa, colocando os brincos de perola.

Eu usava um vestido azul, também longo e obviamente de gala. Por cima dele um casaquinho de tecido leve bege, que mamãe tinha detestado, mas que eu afirmei que iria usar, pois me sentiria mais confortável com ele. Os maquiadores e os cabelereiros tinham acabado de ir, me deixando com uma maquiagem simples, mas bem feita e os cabelos soltos em sua maioria, com algumas mechas presas e todo ondulado.

— Qual outro Michael conhecemos, Bella? — Alice riu, ajudando-me a colocar a pulseira.

— Vários, na verdade. Você sabe, Michael é um nome bem comum.

— Okay, certo, mas o Michael que estou me referindo é o Mike filho do vice presidente — Alice disse, mais empolgada do que antes, suspirando. — Ele é tão lindo, eu estou apaixonada, Bella.

Não falei nada, achei melhor assim. Eu não entendia como Alice podia estar apaixonada por Mike Newton, ele era tão chato. Tive de viajar com ele pelo país, durante a campanha eleitoral dos nossos pais e por vezes senti uma grande vontade de me jogar do avião para parar de ouvi-lo falar.

— Na verdade. — Alice suspirou mais uma vez. — Eu acho que o amo.

Eu a encarei de olhos arregalados, sem conseguir crer no que tinha acabado de ouvir.

— Você o que, Alice?

— O amo — repetiu com a voz confiante. — Você já amou, não? Eu te vi com Jacob, você gostava muito dele.

— É, sei lá. — Dei de ombros. — Ele era legal.

Foi a vez de Alice me encarar em choque.

— Bella, como pode simplesmente dizer que ele era só legal? Ele foi seu namorado por três anos! — exclamou horrorizada.

Dos quinze aos dezoito, eu terminei nosso namoro quando me mudei para New York por conta de Juilliard, uma vez que não estava pronta para manter um relacionamento à distância com Jacob que vivia em Seattle de onde éramos naturais. E, minha resposta para Alice talvez fosse mais um motivo de eu ter terminado aquele namoro, eu não gostava tanto assim de Jacob Black para enfrentar qualquer obstáculo junto dele.

Quer dizer, ele era divertido, um grande amigo e nós tínhamos tido três anos muito bons, mas ele não mexia com meu coração como eu achava que deveria. Apesar de toda a rotina exigente de papai, eu via como ele e mamãe, mesmo com anos de casamento, continuavam apaixonados um pelo outro e via como meu irmão e sua noiva eram loucos um pelo outro.

Eu não me sentia daquele jeito por Jacob e, achei justo terminar tudo antes que acabasse levando o relacionamento para um nível mais elevado. Okay, não era como se estivesse buscando pelo meu príncipe encantado, mas não reclamaria se ele aparecesse e Jacob provavelmente era o príncipe de outra garota, era melhor deixá-lo livre.

— É, ele era legal — repeti para Alice, que continuava indignada com minha resposta.

— Você precisa de um namorado, Bella — ela declarou, fazendo com que eu risse. — É sério.

— Estou bem, não é como se estivesse totalmente sozinha desde que terminei com Jacob.

Alice me lançou um sorrisinho malicioso.

— Nem pensar, eu não contarei sobre os caras com quem sai em New York — fui logo cortando seu barato. — Você ainda é minha irmãzinha caçula, não vou ficar falando sobre essas coisas com você.

— Eu já tenho dezessete. — Ela bufou. — Não é como se eu não soubesse o que é sexo, Bella.

— Deus, que conversa é essa? — Emmett gritou, aparecendo na porta do meu quarto. — Vocês são crianças, não deveriam estar falando sobre Barbies e unicórnios?

— Emm, eu lamento informá-lo, mas eu já tenho dezenove anos e Alice dezessete, não somos mais crianças — falei para meu irmão mais velho.

— É, além do mais a criança aqui é você, mesmo com vinte e cinco — Alice disse sorrindo travessamente para Emmett, que a encarou irritado. — Sabemos que seu desenvolvimento foi prejudicado por todas as vezes que papai e mamãe te deixaram cair no chão quando bebê, irmão, tudo bem.

— Você é muito chata, Alice — ele reclamou, cruzando os braços e fazendo um biquinho. — Bella, venha morar com a gente, eu sinto sua falta, nós podemos nos livrar da anã de jardim ai e ter a Casa Branca só pra gente. — Gesticulou para Alice, que resmungou por conta do apelido.

— Não, muito obrigada — agradeci, colocando-me de pé, com muito cuidado para não amassar o vestido. — Estou indo muito bem em New York, mesmo tendo que lidar com aqueles seguranças me seguindo para todo lado ainda é mais fácil do que estar aqui no meio do furacão.

— Eu amo a Casa Branca — Alice falou, suspirando pela terceira vez só naquela última meia hora. — Não quero ter de sair daqui.

— Ei, calma ai, anã — Emm pediu. — Ainda estamos no começo do primeiro mandato de papai, temos mais alguns anos pela frente e quem sabe ele é reeleito.

— A popularidade dele está indo bem, não? — perguntei para meu irmão, seguindo com ele e Alice para fora do meu quarto, antes que nos atrasássemos para o baile de verão que o senador Cullen e sua esposa estavam oferecendo.

— Está indo sim — Emm respondeu, deixando com que eu enlaçasse meu braço ao seu, enquanto Alice seguia atrás da gente falando sozinha sobre seu vestido. — Como papai não seria popular? Ele tem a mim, todos me amam! — Emmett proclamou cheio de si.

— Hum, quem tem te amado tanto assim, Swan? — Rosalie questionou, enciumada, quando nos juntamos a ela em uma das salas da Casa Branca. Emmett conheceu Rose na faculdade, desde então os dois estavam em um relacionamento, que logo virou um noivado, o casamento ainda não tinha uma data marcada, pois ambos estavam primeiro mergulhando de cabeça em seus trabalhos como advogados.

— Não importa, Ursinha, só tenho olhos para você. — Ele me soltou, indo até sua noiva e lhe dando um grande beijo.

Emm e Rose eram perfeitos rei e rainha do baile da escola, se eles tivessem cursado o colegial juntos com certeza acabariam tendo ganhado os títulos em conjunto, já que separadamente tinham os vencidos de qualquer forma. Minha cunhada era alta e loira, dona de olhos azuis que quase eram violetas e de um sorriso brilhante, isso sem mencionar seu corpo com todas as curvas que faziam os homens enlouquecer, Emm não tinha muito filtro e dizia mesmo que tinha se apaixonado primeiro pelo corpo de Rose, mas ela era inteligente e divertida, não só um corpinho bonito.

Enquanto isso, meu irmão mais velho era mais parecido comigo e com nosso pai, o grande presidente Swan. Olhos e cabelos castanhos, o tom capilar de mogno herdado de Renée, nossa mãe, assim como eu, mas nossos olhos cor de chocolate era uma herança de Charlie. Emmett era muito alto, com uma aparência assustadora se você visse seus muitos músculos de quem adorava pegar pesado na academia, mas ele ainda era como uma criança, nada ameaçador.

Alice, por sua vez, foi a geneticamente sorteada com os olhos claros de Renée, enquanto seus cabelos eram negros como os do nosso pai. Mas, ela era muito, muito baixa.

— Excelente, estão todos aqui! — Mamãe se reuniu a gente na sala, ela usava um vestido dourado, assim como Rose tinha um vermelho, ambas os vestindo muito bem por terem corpos mais altos e longilíneos.

— Menos o presidente — Alice disse o óbvio.

— Ele está vindo. — Mamãe mexeu em meu casaquinho, com um olhar nada bom sobre ele. — O que você quer para se livrar dessa coisa feia, filha?

— Estou bem com ele — afirmei, afastando sua mão.

Eu amava minha mãe, mas ela muita vezes me deixava louca. Renée tinha passado oito anos de sua infância na Casa Branca, seu pai foi um presidente como meu pai, ela cresceu sendo a primeira filha, cercada por uma educação rigorosa e sempre tendo de representar a perfeição que era exigida a família de um presidente.

Claro que tal perfeição não existia, mas o país gostava de ter pelo menos a falsa ilusão de que todos ocupando a Casa Branca eram imunes a erros. Então, um passo fora da linha e todos ali eram julgados. Minha mãe, desde sempre acostumada a ter tudo o mais próximo da perfeição possível, ficava louca quando qualquer um de nós fazia algo que ela não aprovava.

— Todos prontos? — Eu apenas ouvi a voz do meu pai, vendo uns três seguranças do serviço secreto na porta da sala onde estávamos, bloqueando a visão de Charlie Swan. Considerando que meu pai não era muito alto, a herança da baixa estatura de Alice tinha vindo justamente de lá, era fácil escondê-lo.

— Pai, cadê você? — Emmett perguntou em uma gargalhada.

O presidente ergueu a mão, afastando o segurança muralha da sua frente.

— O papai é tão baixinho quanto Napoleão — Alice disse rindo.

— Claro, porque você é muito alta — Emmett rebateu, Rosalie pendurada em seu braço não conseguiu esconder uma risada.

— Seu... — Alice começou, mas papai rapidamente a interrompeu.

— Chega, não temos tempo para isso, crianças — falou, mexendo em seu espesso bigode.

Durante a campanha de papai, alguns jornalistas começaram a chamá-lo de Bigodão e o apelido pegou. Levou pelo menos dois meses para que ele conseguisse fazer com que Alice, Emmett, eu e até mesmo Rosalie parássemos de chamá-lo daquele jeito.

Todos foram conduzidos para as limusines que já estavam prontas para nos levar para o salão de festas onde o baile dos Cullen aconteceria, sempre era um grande protocolo sair com papai desde que ele tinha se tornado um presidente. Antes disso, durante sua época como governador e senador, já não era uma missão fácil, mas ela só se tornou mais cheia de regras com a presidência.

Papai era um presidente, um alvo, então, ele não gostava que fizéssemos viagens de carro com ele. Por isso, apenas mamãe iria na limusine com ele, Emm, Alice e eu tínhamos de ir em outra, para o que papai chamava de “missão manter as crianças seguras”.

Como era de se esperar, o baile estava cheio de políticos e empresários, aparentemente todos de alto escalão estavam ali. E, fotógrafos oficiais, como jornalistas previamente selecionados.

Eu era uma artista, uma bailarina, estava acostumada a ser olhada quando estava no palco dançando. Ainda assim, era profundamente estranho ter de lidar com a imprensa, ou com um monte de gente querendo me cercar para conversas furadas.

— Senhor Presidente! — Carlisle Cullen, o senador oferecendo aquele baile, exclamou com empolgação quando chegamos à festa.

Tanto Charlie quanto Carlisle eram democratas, o Cullen tinha sido um fiel apoiador durante a campanha do meu pai. Eu não os conhecia muito, mas gostava dos Cullen, Carlisle, sua esposa e seu único filho eram pessoas que transpareciam boas energias, o que não era muito fácil quando se estava em Washington D.C, vendo muita briga por poder e interesses próprios.

Carlisle e Esme, a esposa do senador, cumprimentaram toda minha família até por fim chegarem em mim. Ela me lançou um sorriso empolgado, apertando-me contra si em um abraço que me pegou de surpresa.

— Bella, querida, sempre é maravilhoso vê-la.

— Também é muito bom vê-la, Esme. — Sorri de volta para ela.

— Eu não sei onde meu filho está — Esme falou quando desfez nosso abraço, conversando diretamente com papai ao meu lado. — Mas, tenho certeza de que ele e Isabella irão adorar por a conversa em dia.

— Eu gosto de como isso soa, Esme — meu pai disse, com uma expressão entusiasmada.

Eu mal tinha acabado de chegar e ele já estava querendo me arranjar um par. E, Esme podia ser legal, seu filho também, mas ninguém merecia ser jogada no colo de alguém.

Logo meu pai foi requisitado para conversas, mas mamãe assumiu o posto de me levar para conversar com outras pessoas. Minha irmã já estava batendo papo com Mike Newton, que tinha uma boa camada de gel no cabelo loiro e meu irmão e sua noiva bailavam elegantemente pela pista de dança.

Meu rosto já doía por conta dos sorrisos falsos que tinha de dar, aquilo tudo era cansativo. A maior parte das pessoas ali eu não suportava de jeito nenhum, tinha crescido em meio politico, então nunca tolerei uma porção de coisas que envolviam aquele mundo.

Tinha muita falsidade, meus irmãos e meus pais pareciam imunes aquilo, porém eu não. Era difícil não perder a cabeça para as coisas que ouvia os políticos e empresários falarem, ou complicado demais lidar com os olhares julgadores deles que não concordavam com a minha visão.

Muitos diziam coisas como:

— Você é nova demais, não sabe nada do mundo ainda.

Ou, o que parecia ser ainda pior:

— Você é apenas uma bailarina, Isabella, não entende nada de negócios ou política.

Deus, como se ser uma bailarina fizesse de mim alguém estúpido. Eu tinha professores e professoras em Juilliard que eram muito melhores, que se importavam muito mais com o próximo, do que muitos daqueles naquele baile de verão.

— Você não acha, Bella? — mamãe perguntou a mim, enquanto conversávamos com o filho de um senador qualquer, apenas forcei mais um sorriso, enquanto acenava positivamente com a cabeça.

Do outro lado do salão, parado junto ao bar, o avistei. Ele conversava com uma garota de feições nativas americanas, ela era alta e bonita. Os dois riam e, ele beijou a bochecha dela, fazendo a garota sorrir ainda mais.

— Deveria ir falar com ele — mamãe disse aos cochichos para mim, quando o filho do senador que conversava com a gente se afastou para conversar com seu pai.

— Não, melhor não. Eu não falo com ele desde a posse do papai em janeiro — murmurei, bebericando um pouco do champanhe da taça que tinha em mãos.

— Vocês formavam um casal maravilhoso, ele era tão bom para você, Isabella — mamãe insistiu, ainda olhando para Jacob.

— Eu não o amava.

Ela suspirou, parecendo muito irritada.

— Okay, eu vou ir conversar com outras pessoas, fique ai vendo Jacob se agarrar com outra garota.

Evitei falar qualquer coisa, era difícil demais debater com a primeira dama também. E, mesmo que fosse bom não ter mamãe me azucrinando sobre Jacob, ou qualquer outro cara, assim que ela me deixou eu me senti solitária no meio de todas aquelas pessoas na mansão em Washington que servia de salão de festas, era como se ninguém de fato me visse ali.

— Hey, Bella! — Jasper chegou até mim, parecendo muito apressado.

— Ei, oi — o cumprimentei de volta, ganhando um rápido beijo dele na bochecha. — Como vai você?

— Bem e você? — ele perguntou, sem parar de olhar para um canto especifico do salão, onde uma garota morena se encontrava.

— Maria Garcia, não? — Lembrei o nome dela, filha de algum deputado, ou algo assim.

— É. — Jasper me deu um sorriso amarelo, parecendo culpado.

— Por que não está lá com ela? Já que claramente quer isso.

Outro sorriso sem graça dele.

— Sua mãe te obrigou a vir falar comigo, não?

— É, foi isso — ele confessou.

Jasper era filho dos Cullen, ele tinha vinte e um anos e estudava em Berkeley na Califórnia, até onde eu lembrava. Seus cabelos eram loiros e encalorados, seus olhos cor de mel e ele era uma pessoa legal, pelo pouco que conhecia dele.

— Tudo bem, Jasper, você pode ir até Maria — falei para ele.

— Ma-Mas, eu devia conversar com você.

Eu ri, bebendo mais um pouco do champanhe.

— Jasper, vá até Maria, eu estou mesmo bem, não precisa ficar aqui perdendo tempo comigo.

— Sério? Aleluia! — exclamou aliviado. — Quer dizer, problema nenhum em conversar com você — se corrigiu rapidamente. — É que Maria e eu...

— Jasper, vá! — ordenei.

— Certo, até depois, Bella! — Mal tinha acabado de falar e já se afastava de mim, com pressa para chegar até Maria.

Terminei meu champanhe, descartando a taça em uma bandeja. Logo comecei a planejar minha própria fuga, eu já tinha estado naquele salão de festas outras dezenas de vezes antes, ele era cheio de salas menores que antes eram antigos cômodos da mansão, eu podia me esconder em um deles.

Claro, eu teria de ser discreta, afinal por todos lugares estava alguém do serviço secreto, já que toda a família do presidente estava ali. Eu ainda pensava em como fugir, quando fui abordada pelo governador do Texas.

— Isabella, minha cara, é um prazer vê-la. — Ele me abordou tão rapidamente que não tive tempo de impedir que depositasse um beijo no canto da minha boca, o que me deu muita vontade de vomitar.

— Governador Harris — o cumprimentei de volta.

— Você está tão linda, Isabella — elogiou, para meu total desconforto.

Eu só tinha dezenove anos, aquele velho deveria ter pelo menos cinquenta. Era nojento, ele tinha idade para ser meu pai, se bobear meu avô.

— Obrigada — agradeci, ainda muito constrangida.

— E ainda está solteira, minha cara? — Apenas assenti, olhando ao redor a procura de alguém da minha família que pudesse me livrar daquela conversa. Claro que eu podia chamar por alguém do serviço secreto para me tirar de lá, mas isso causaria um caos desnecessário. — Oh, eu também estou solteiro.

— Viúvo, não? — O corrigi. — Até onde me recordo sua esposa morreu ano passado, eu fui ao enterro com meus pais.

— É, isso. — Fez um gesto de pouco caso com a mão.

O governador logo estava falando sobre o Texas, eu odiava o Texas e aparentemente o governador de lá também, já que o estado não estava indo nada bem. Voltei a procurar por alguém da minha família, mas meus pais estavam cercados de pessoas, Rose e Emm continuavam dançando como se o resto do mundo não existisse e Alice tinha sumido, provavelmente indo beijar Mike Newton como tanto queria.

Eu queria tanto achar alguém legal para escapar do irritante governador, que por um segundo desejei ir até Jacob, mas ele e a garota de antes se beijavam e seria muito vergonhoso ir atrás dele naquele momento. Meu olhar se perdeu a pessoa parada perto do casal, era um garoto, devia ter por volta dos vinte anos.

Alto, ombros largos, ele usava um terno simples, diferente de todos os outros homens em seus smokings caros. Seus cabelos tinham um tom de cobre, era ruivo e estava totalmente bagunçado. E, eu não podia dizer — graças à distância — qual era a cor de seus olhos, mas seu olhar sobre mim era intenso e senti até mesmo minhas bochechas corarem por ter ele olhando tão fixamente para mim.

— O que acha de irmos para um lugar mais sossegado, Isabella? — o governador perguntou.

— O quê? — Eu desviei o olhar do caro ruivo no bar, encarando o governador.

— Podemos conversar melhor em um ambiente mais sossegado, minha cara. — O governador afagou meu rosto, causando-me mais repulsa ainda.

Voltei a olhar o cara no bar, daquela vez em um pedido de socorro. Eu não achava que o governador pudesse ir muito mais longe, mas estava começando a ficar de fato assustada. E, sabia que não conhecia o ruivo ali, mas precisava de apenas uma escapatória.

Ele pareceu entender meu pedido mudo de resgate, pediu mais uma taça de champanhe ao barmen antes de cruzar o salão rapidamente até mim. Enquanto isso, eu tive de continuar ouvindo o papo furado do governador.

— Acho que temos muito em comum. — Deu um sorriso nojento. — Podemos ir até...

— Hey, desculpe a demora, babe. — O ruivo parou ao meu lado, entregando-me uma das taças de champanhe que carregava parando bem ao meu lado, segurando minha mão livre.

Seu toque era quente e seguro, fez com que eu me arrepiasse involuntariamente. Sua voz suave, como se ele estivesse cantando cada palavra, carregava um forte sotaque britânico.

— Quem é você? — o governador inquiriu, nada contente.

— Meu par para este baile — falei triunfante, feliz e aliviada por estar me livrando do texano, mas também estranhamente empolgada com a presença do desconhecido ao meu lado.

Verdes, os olhos dele eram verdes.

— Eu pensei que estivesse solteira — o governador resmungou.

— Somos apenas bons amigos — falei sobre o cara que eu sequer sabia o nome.

— Aliás, você me prometeu uma dança — o desconhecido disse, fazendo com que eu o encarasse em pânico.

Eu amava dançar, obviamente, mas não sabia se devia dançar com um completo desconhecido.

— É, e-eu — gaguejei.

— Obrigado por ter a mantido entretida enquanto estive fora, senhor — agradeceu ao governador, passando a minha e sua taça de champanhe para o homem, que não pareceu nada contente com aquilo.

Voltando a segurar em minha mão, o cara de sotaque britânico me puxou para longe. Eu olhei para trás uma vez, verificando o olhar furioso do governador.

— Não olhe para trás, babe — o desconhecido sugeriu, um sorriso involuntário brincou em meus lábios ao ouvi-lo me chamar daquela forma.

— O quê? Por quê? — perguntei confusa.

— Ele vai pensar que se importa de tê-lo deixado para trás. — Parou de andar ao dizer aquilo, olhando-me com uma expressão questionadora, sua mão soltando-se da minha. — Desculpe, você não estava gostando de estar lá com ele, não é? Eu pensei que pelo modo como olhou para mim que precisava de ajuda, eu...

— Você me salvou de um velho repulsivo — o interrompi, para que ele parasse de se sentir culpado. — Obrigada por isso. — Estendi minha mão para um cumprimento. — Posso saber seu nome, cavalheiro? — Sorri gentilmente para ele.

— Edward. — Apertou minha mão, sorrindo também. Um sorriso pequeno, de lado, meio envergonhado, devo dizer. — O quê? — perguntou confuso quando continuei muda, esperando por seu sobrenome.

— Desculpe, qual seu sobrenome? — indaguei.

Eu não conseguia o reconhecer de lugar algum, mas tinha uma memória muito boa, então aquilo estava errado. Se ele era um convidado naquela festa, eu certamente deveria conhecê-lo, ou pelo menos já ter o visto em algum lugar por Washington D.C.

— Masen — esclareceu. — Edward Masen.

— Espera, você é filho do deputado George...Ah não, o sobrenome dele é Mason, não Masen — me corrigi.

— Eu não sou americano — ele falou, o que era óbvio por conta de seu sotaque. — Nem sou filho de ninguém que está aqui essa noite — completou, fazendo com que fosse minha vez de ficar confusa.

— Um jornalista? — Eu assumi uma postura rígida, odiava a maioria dos jornalistas, não me sentia confortável com eles.

— Não, estou aqui como convidado de Jasper Cullen — comentou, dando de ombros. — E você? É filha de quem?

Eu gargalhei, achando sua pergunta realmente engraçada, mas ele não riu e me olhou como se eu fosse louca.

— Por que está rindo? — perguntou.

— Sério? Foi uma boa piada, Edward!

— Uma piada?

— Sim e olha que não sou muito fã do humor inglês.

— Somente perguntei de quem você era filha.

— Sim e isso que foi engraçado! — Ri mais um pouco, ele continuou encarando-me como se eu tivesse acabado de fumar maconha e estivesse doidona.

— Realmente não sei quem é seu pai, garota.

Parei de rir, o encarando incrédula, ele não fazia ideia de quem eu era mesmo.

— Charlie Swan — murmurei, envergonhada por ter me portado como um idiota deduzindo que qualquer pessoa do mundo já era capaz de reconhecer a filha do presidente dos Estados Unidos da América. — Sou filha de Charlie Swan, me chamo Isabella.

Foi a vez de Edward encarar-me com incredulidade, certamente reconhecendo quem meu pai era. Ele engoliu em seco, ajeitando a gravata azul escura que usava.

— Desculpe se a desrespeitei em algum momento, senhorita Swan — pediu educadamente, cruzando suas mãos atrás do corpo, assumindo uma postura formal.

— Não, não, você não me desrespeitou mesmo — afirmei prontamente. — Lembre-se, você me salvou de um governador idiota.

Edward arregalou os olhos, desviando a atenção para onde o governador Harris estava anteriormente.

— Ele era um governador? Porra. Quer dizer, merda, desculpe chamar palavrão na sua frente, senhorita Swan.

Voltei a rir, a expressão nervosa em seu rosto era impagável.

— Não se preocupe, Edward, está tudo bem — garanti.

— Mas, ele era um governador. — Passou a mão pelos cabelos, aparentando mais nervosismo ainda. — E você é a filha do presidente, eu sou só um imigrante, não deveria...

— Não deveria o que? Você por acaso está ilegal no país?

— Não, claro que não.

— Então, se acalme. Eu, meu pai, muito menos o governador do Texas te colocarão para fora dos Estados Unidos, Edward. Além do mais, eu já disse, o governador estava sendo um babaca invasivo, estou muito grata por ter me resgatado dele.

— Certo, que bom que pude ajudá-la, senhorita Swan. Tenha uma boa noite. — Acenou para mim com a cabeça, fazendo menção de se afastar, mas consegui ser mais rápida, segurando em seu braço, o mantendo próximo de mim.

— Por que está se afastando? — questionei, minha mão se manteve em seu braço. Ele não parecia o tipo de cara que morava em uma academia, mas também não era extremamente magro.

— E-Eu — gaguejou, limpando a garganta em sequência. — Pensei que deveria me afastar de você.

— Por eu ser filha do presidente? — Ele apenas assentiu, parecendo mais envergonhado do que antes. — Não, você não deve se afastar de mim por eu ser filha do presidente! — declarei séria. — Digo, afaste-se de mim se quiser, mas eu ser filha de quem sou fazer alguém correr para longe de mim é algo bem estúpido.

— Não precisa perder tempo comigo, senhorita...

— Bella, pode me chamar só de Bella — o interrompi. — E, acredite, você não apenas me salvou de um governador babaca, como foi a primeira pessoa que me chamou para dançar. Então, acho que podemos ter ir aquela dança agora, senhor Masen.

— Sério? — perguntou surpreso. — Na verdade, só disse aquilo para te tirar de lá, Bella. — Meu nome parecia uma música em sua voz cheia de sotaque britânico, eu não sabia que gostava de sotaque inglês até aquele instante. — Eu sequer sei dançar.

Deslizei minha mão que ainda estava em seu braço para sua mão, quente e confortável. Seus dedos se entrelaçaram nos meus e nós dois olhamos em direção as nossas mãos unidas, eu sorri um pouquinho, assim como vi Edward sorrindo também.

— Acaba de tirar a sorte grande, Edward Masen, eu sou uma bailarina, posso ensiná-lo muito bem a grande arte de dançar.

— Convencida também, não? — ele perguntou bem humorado, seguindo comigo até a pista de dança.

— Um pouquinho, mas eu tento camuflar esse defeito — falei, colocando sua mão direita no meio das minhas costas, segurando a sua esquerda em minha direita, deixando nossos braços no ângulo certo. Ainda que eu usasse salto alto, Edward era bem mais alto do que eu.

— Não acho que seja um defeito — ele falou, encarando nossos pés, parecendo assustado com a ideia de dançar. — Quero dizer, ser egoísta é um defeito, mas se é você é realmente boa em algo e sabe disso não vejo mal algum em se gabar um pouquinho.

— No que você é bom? — eu indaguei, nós dois ainda parados no meio da pista de dança, fazendo com que ele me olhasse com seus brilhantes olhos verdes.

— Em admitir que sou um péssimo dançarino — disse. — Eu vou pisar nos seus pés, Bella.

— Faz parte. — Dei de ombros. — Meu irmão também era um péssimo dançarino, mas tivemos de dançar no baile de inauguração e ele teve um intensivo de dança para não pagar um vexame, agora ele seria até aceito no Bolshoi se quisesse. Apenas me siga, você vai se sair bem.

— Não é o homem que deve guiar?

— Século XXI, babe — retribui seu apelido, fazendo com que Edward sorrisse de lado, parecendo malditamente fofo daquela forma. — Mas, se isso é importante demais para sua masculinidade eu o deixarei guiar.

— Obrigado, senhorita, eu realmente preciso disso para minha masculinidade não ir para o ralo — falou brincando.

— Primeira lição, sinta a música — instrui, fechando os olhos e absorvendo o som tocando ali. Era Tchaikovsky, não sabia quem era a pessoa que preparou a lista de músicas daquele baile, mas ela ou ele com certeza tinha um excelente gosto.

Quando reabri meus olhos, o olhar de Edward estava voltado para meu rosto. Eu corei um pouco, a intensidade de seus olhos verdes sobre mim fazendo com que eu me sentisse intimidada.

— Tchaikovsky, não? — perguntou, a voz enrouquecida.

— Sim — sussurrei, meio chocada por ele reconhecer. — Você está pronto?

— Não. — Ele sorriu novamente. — Mas, podemos começar, senhorita.

— Vamos lá, senhor. — Sorri de volta. — Você pode começar movendo seu pé direito para a direita, unindo seu esquerdo a ele, então moverá o esquerdo para a esquerda e seu direito em seguida. Entendeu?

— Aprender a dirigir foi incrivelmente mais fácil — ele disse, com o cenho franzido.

Edward se moveu como o ensinei, foi fácil, mas nós ainda estávamos no básico e ele encarava seus pés.

— Olhos para cima, Edward. — Ergui seu queixo, sentindo a pele macia de seu rosto. — Nunca olhe para baixo enquanto estiver dançando.

— Certo. E agora?

— Você irá desenhar uma caixa no chão.

— Eu não tenho uma caneta. — Ele estava brincando, claro, o que foi realmente engraçado.

— Com seus pés. — Revirei os olhos, ainda rindo. — No fim da segunda contagem de três a caixa já deve estar desenhada.

— Okay, uma caixa, eu consigo.

— Vamos ver, tente não desenhar um circulo. — Ele me encarou, revirando os olhos também. — Um — comecei a contar.

Ele iniciou os movimentos, movendo-se meio desengonçado, o que me fez sorrir. Não por achá-lo idiota fazendo aquilo, mas sim por o achar encantador dando o melhor de si para dançar.

— Deus, Bella, desculpe! — pediu quando pisou no meu pé.

— Não, tudo bem — falei contra uma respiração mais pesada, ele não parecia um cara de academia, mas era forte e seu pé chocando-se no meu realmente doeu. — Vamos de novo — insisti.

Daquela vez, outro casal dançando entrou no caminho de Edward. Okay, ele cruzou o casal, esbarrando no homem.

— Desculpe, governador Martin! — pedi ao governador da Califórnia. — Edward é um principiante.

— Até o fim da noite eu irei encrencar-me com todos os governadores desse país — ele resmungou, voltando a olhar para seus pés quando voltamos à dança.

— Edward, olhe para mim — exigi, ele rapidamente o fez, lançando-me um olhar culpado. — Então, você é de Londres? — perguntei, deixando com que ele me guiasse, esbarramos novamente no governador da Califórnia, mas não paramos para pedir desculpas daquela vez, nós dois escondendo sorrisos travessos por aquilo.

— Não, Liverpool — respondeu minha pergunta.

— Ah, eu amo Liverpool! — declamei, soltando um suspiro. — O que está fazendo aqui?

— Dançando com você?

— Nos Estados Unidos.

— Ah, claro. — Riu baixinho. — Eu me formei na faculdade no fim do semestre, consegui um curso de verão em Berkeley e fiz o intercâmbio. Volto para Liverpool amanhã, ou a imigração iria me expulsar de qualquer jeito.

— Não seja tão duro com a imigração. No que se formou?

— Literatura Inglesa — respondeu. — Fiz um curso sobre o mesmo tema, mas com especifico em lecionar, em Berkeley — contou.

— Um professor, em? — Assobiei, ganhando mais um pisão no pé, que fez meu rosto se contorcer de dor, Edward afagou minhas costas a ver a dor em mim. Eu gostei daquilo, da forma gentil que me tratou.

— É, mas eu ainda não pretendo começar a lecionar. Estou tentando uma bolsa em pós graduação em Oxford ou Columbia, antes de enfrentar uma sala de aula.

— Columbia em New York? — perguntei, mordendo o lábio hesitante.

— Sim — confirmou. — Eles possuem um bom programa em Literatura Inglesa.

— É sua primeira opção?

— Não, Oxford ainda é muito melhor. — Ele suspirou, parecendo triste. — Mas duvido que consiga a bolsa, eles são exigentes demais.

— Entendo.

Eu não entendia, não de verdade. Juilliard abriu suas portas para mim facilmente, eu tinha me saído bem nos meus testes, mas se não tivesse dinheiro dos meus pais para pagar pelas anuidades eu nunca estaria lá, pois conseguir uma bolsa era algo realmente complicado e muito exigente.

— E você, senhorita?

— Juilliard — contei. — Eu me formarei em dança.

— Primeira bailarina do teatro de Washington D.C, em? — Sorriu para mim. — Eu vou girá-la agora, me perdoe se te deixar cair.

Edward me girou, mas na volta se atrapalhou um pouco, tendo de segurar minha cintura com ambas as mãos, impedindo que eu acabasse indo de encontro ao chão.

— Você é um dançarino ousado. — Retomei nossa posição, mesmo que fosse muito bom tê-lo segurando em minha cintura. Suas mãos fortes e quentes pareciam me deixar perdida, eu me sentia como se estivesse entorpecida por algo, apenas Edward e eu, tudo que podia ver e sentir. — E não, por incrível que pareça eu não pretendo trabalhar em uma companhia de dança. Desde que era uma garotinha queria ser uma professa de ballet, principalmente para turmas mais novas — contei, Edward novamente ficou surpreso com minhas palavras.

— Eu não esperava por essa.

— Você também é um professor, deveria entender.

— Sim, mas eu não esperava que a filha de um presidente quisesse ser uma professora — confessou.

— Eu gosto de ensinar, como pode ver — falei, seu pé quase entrou em contato com o meu novamente, mas nós conseguimos impedir aquilo. — Além do mais, mesmo com a glória que vemos as bailarinas em suas companhias, eu não me vejo ali, sabe? E, se um dia acabar em uma companhia não iria querer o posto de primeira bailarina. Acredite, já sou a primeira filha e isso não é tão legal quanto parece. Estar no topo é chato e solitário.

Edward assentiu, ele com certeza não entendia aquilo, como eu não entendia sobre bolsas de universidade.

— Como conheceu Jasper? — Mudei de assunto.

Edward conteve uma gargalhada.

— Ele estava fugindo de uma garota em Berkeley — Edward começou a contar. — Eu estava entrando em um táxi para fazer turismo pela cidade e ele invadiu o carro, pedindo que eu o tirasse de lá.

— Deus. — Contive uma gargalhada também.

— Ele estava lá fazendo algum curso de química de verão, então nós meio que viramos amigos — Edward disse incerto. — Ele é um cara legal, mas...

— Meio agitado?

— Sim, isso!

— Minha irmã caçula também é assim, eu compreendo, é difícil acompanhar o ritmo. Ele te arrastou até D.C para o baile?

— Mais ou menos, ele não queria vir, tinha planos de ir para Ibiza ou algo assim pelo resto de suas férias. A mãe e o pai dele insistiram muito e ele falou que só viria se pudesse trazer um amigo, então eu acabei envolvido no dilema dos Cullen. Mas, tem sido bom, pude conhecer um pouco de Washington D.C nos dois dias que estive aqui e, os pais de Jasper são bem legais.

— Eles são mesmo. — Eu me calei quando vi mamãe caminhando entre a pista de dança até mim, sabendo o que aquilo queria dizer, meu tempo com Edward tinha chegado ao fim.

— Olá! — Renée parou junto da gente, lançando um olhar curioso para Edward. — Isabella, por que não me apresenta seu amigo?

Edward e eu nos soltamos, ele deve ter a reconhecido, pois seu olhar ficou sério e respeitoso, não mais brincalhão. Meus pais e meus irmãos davam mais entrevistas, iam a mais eventos, sendo assim sempre apareciam mais do que eu, era justificável Edward não ter me reconhecido, já que nem era um americano vendo frequentemente a família do presidente.

— Mamãe, este é Edward Masen. Edward, essa é minha mãe, a primeira dama, Renée. — Eu não precisava incluir o título, mas já tinha me acostumado a ele.

— Senhora. — Edward a cumprimentou com um aceno de cabeça.

— Com quem você veio, senhor Masen? — ela indagou, certamente também sem reconhecer o sobrenome dele.

— Mamãe — chamei sua atenção.

— Com Jasper Cullen, senhora.

— Ele e Jasper se conheceram nesse verão em Berkeley — completei por Edward.

— Oh, excelente! — Renée não parecia tão empolgada com aquilo. — Londres?

— Liverpool — Edward corrigiu prontamente.

— Ótimo. — Mamãe lançou um de seus sorrisos programados para ele. — Bella, preciso que venha comigo, temos algumas fotos a serem tiradas antes do jantar ser servido, querida.

— Claro — concordei, mesmo querendo dispensar as fotos e continuar ali dançando com Edward.

— Até mais, senhor Masen — mamãe falou para ele, estendendo sua mão para mim.

— Até — falou para ela. — Bella, obrigada pela aula.

— Você foi um bom aluno. — Não pude deixar de sorrir para ele, segurando na mão de mamãe, deixando com que ela me levasse para longe de Edward.

— Ele é bonito — foi tudo que ela disse.

Muito bonito, eu disse em minha mente.

Eu tive de passar um longo tempo com minha família, muitas pessoas queriam fotos e eu tinha de participar daquele momento. Quando não estava forçando sorriso para as câmeras, procurava Edward entre os outros convidados ali, vendo-o apenas duas vezes, uma sozinho perto do bar novamente e outra conversando com Jasper e Maria.

— Ei, você conheceu Edward, não é? — Jasper me perguntou aos sussurros, enquanto esperávamos nossa vez de tirar fotos com os pais dele, que estavam posando junto do meu irmão e sua noiva.

Estava pronta para respondê-lo, quando o fotografo nos chamou. Esme fez com que Jasper e eu posássemos lado a lado, sem perder tempo em elogiar como éramos bonitos juntos.

— Desculpe por isso, Bella — Jasper pediu quando nos afastamos dos seus pais, deixando os meus e Alice irem posar com eles. — Mamãe tem estado impossível nos últimos tempos, ela acha que já devia estar no mínimo namorando minha futura esposa. — Bufou.

— Acho que por papai e mamãe eu já estaria casada — contei, pegando a taça que Jasper estendeu para mim depois que um garçom passou pela gente. — E, sim, conheci Edward, parece um cara bacana.

— Ele é. — Jasper assentiu. — Muito melhor do que todos que estão aqui essa noite, acredite.

— Por não ser do meio?

— Sim. — Jasper piscou para mim. — Ele não está corrompido, é puro, tente não levá-lo para o mal caminho, primeira filha — falou com clara insinuação sexual em sua fala.

— Jasper!

Ele apenas riu.

— Estou brincando, Edward é legal... — Ele se distraiu com Maria acenando para ele. — Bom, deixe-me ir dar atenção para a senhorita Garcia, quem sabe ela não se torna a futura senhora Cullen.

— Boa sorte — desejei.

— Não preciso de sorte — falou cheio de si, indo até Maria.

Ao longe vi Edward, ele acenou para mim e quando tentei andar até ele fui chamada para mais fotos. Lancei um sorriso de desculpas a ele, que assentiu, então voltei ao ensaio fotográfico que tinha se transformado o baile.

Algum tempo depois, Carlisle Cullen fez um longo discurso. Eu sequer parei para prestar atenção, já cansada demais daquilo tudo para ouvir sua fala. Mas, pelo menos logo depois disso o jantar foi anunciado e todos começaram a convergir para o segundo maior salão da mansão, onde as mesas tinham sido dispostas para que a refeição pudesse ser realizada.

— Eu o beijei! — Alice exclamou, cheia de entusiasmo, quando entrelaçou seu braço ao meu, enquanto caminhávamos até a mesa principal onde ficaríamos sentadas. Não via Edward, sequer tinha ideia de qual mesa ele ocuparia.

— Quem? — perguntei, olhando ao redor, procurando pelo inglês.

— Mike, Bella — Alice sussurrou. — Onde sua mente está?

Em Edward, eu pensei.

— Oh, espere! — exclamei, encarando Alice ao meu lado. — Você e Mike realmente aconteceu?

Ela assentiu, sorrindo apaixonadamente.

— Ele é maravilhoso, Bella — cochichou para mim. — Um dia eu me casarei com ele.

— Oh Deus, Alice — resmunguei. — Você é sonhadora demais.

— Isso é um erro? — ela indagou em um tom acusatório, seus olhos claros se encontrando com os meus. — Mike pode ser meu príncipe encantado, eu posso afirmar que ele é incrivelmente encantador.

Eu achava Edward encantador.

Corei um pouco com a linha de pensamentos que estava seguindo.

— Eu pedi que Esme fizesse um favor para mim — Alice continuou cochichando em meu ouvido. — Ela disse que não teria problema em colocar Mike em um lugar junto ao meu, não é o máximo?

Acenei positivamente com a cabeça, sem me atentar muito ao que ela dizia.

A mesa que ficaríamos, por ser a principal era imensa. Retangular e comprida, ela comportaria umas vinte pessoas, então não foi uma surpresa ver ao redor dela o secretário do estado, por exemplo. Entretanto, foi de grande surpresa quando vi Edward aproximando-se da mesa junto de Jasper.

Eu sorri para ele, sem conseguir esconder minha alegria pelo fato de que sentaríamos juntos. Ele sorriu de volta para mim, fazendo um discreto sinal de positivo com o polegar, continuando a conversar com o Cullen.

— Vamos, sentem-se todos — Esme pediu educadamente quando todos os ocupantes da mesa chegaram ali.

Como era de se esperar, meu pai ocupou a cabeceira principal da longa mesa. À sua direita, minha mãe, então junto a ela Emmett, seguido por sua noiva, eu, Alice e Mike. Ao lado de Mike o secretário de estado, sua esposa, a vice primeira dama e na outra cabeceira, o vice presidente.

À esquerda do meu pai, Carlisle Cullen, prosseguido de Esme, Jasper e Edward, que para minha alegria maior estava sentado bem à minha frente. Então, ao lado dele Jessica — filha do secretário do tesouro —, junto dela sua cunhada e seu irmão mais velho James, fechando a mesa estava o pai deles, Caius e sua esposa.

— Quem é o carinha do outro lado da mesa que não tira os olhos de você? — Rosalie perguntou aos sussurros para mim, enquanto todos terminavam de se acomodar a mesa.

— Edward — sussurrei de volta.

— Eu vi vocês dançando mais cedo. — Vi o sorriso malicioso de Rosalie. — Ele é quente!

— Rosalie! — Senti o sangue em minhas bochechas, morrendo de vergonha de sua fala.

— O quê? — O sorriso dela mudou para um inocente. — Ele é mesmo quente, se você não percebeu isso é uma tola, Swan.

— Ele é bonito — falei, olhando rapidamente para Edward do outro lado da mesa, que era apresentado a todos ali por Jasper.

— Quente — Rosalie me corrigiu, piscando para mim. — Rosalie Hale — ela cantou seu nome, no tempo certo quando Jasper voltou-se para apresentar Edward a ela.

— Então, você é de Londres, Edward? — meu pai perguntou, enquanto éramos servidos, eu fiz cara feia quando vi escargot ser colocado a minha frente, ninguém merecia comer aquela coisa ruim.

— Liverpool, senhor — Edward respondeu polidamente, visivelmente desconcertado em falar com meu pai.

O que era muito engraçado, diga-se de passagem, se colocássemos os dois de pé, frente a frente, Edward seria pelo menos trinta centímetros mais alto que papai.

— É uma boa cidade, Isabella ama Liverpool, não é? — papai falou comigo, eu concordei com um aceno de cabeça, sorrindo novamente para Edward.

— Eu os invejo, vocês tiveram os Beatles — Jasper falou.

— E tem uma monarquia — Alice disse sonhadora.

— Por Deus, Alice, uma monarquia que não serve para absolutamente nada — mamãe disse de seu lugar.

— Mas, ainda é uma monarquia, eu amaria ser uma princesa.

Deus, minha irmã ainda era mesmo uma adolescente presa em contos de fadas.

— Bom, ser a filha do presidente por aqui não é o equivalente a ser uma princesa? — Edward perguntou a ela, com um tom de ironia na voz, seu olhar se perdeu em mim por um segundo.

— O título não é usado para nós, senhor Masen — respondi, começando a lidar com o maldito escargot. — E, em quatro anos, perderemos nossa coroa — debochei.

— Oito, seu pai com certeza será reeleito — mamãe falou confiante. — O que você faz nos Estados Unidos, Edward?

— Passei boa parte do verão fazendo um curso em Berkeley.

— De? — mamãe não se contentaria com poucas palavras.

— Literatura inglesa, para professores — ele respondeu, lançando um olhar de nojo para os escargots em seu prato.

— Ah, um professor, isso é excelente! — Jessica ao lado de Edward cantou, o olhando com um sorrisinho provocante.

— Se você gosta de salários baixos, eu não sei porque alguém se torna professor sabendo que vai ganhar pouco. — Ouvi James dizer, o que fez Edward e eu o encararmos com raiva.

Ele seria um professor de inglês, eu uma professora de balé. Nós dois sabíamos como querer ser professor era, não precisávamos de James dando palpites estúpidos sobre nossas escolhas profissionais.

— Bom, algumas pessoas preferem ganhar baixo e repassar um pouco de educação e arte aos jovens, do que ficar em um clube o dia inteiro jogando conversa fora — alfinetei James, sabendo que ele não fazia nada de sua vidinha de filho do secretário do tesouro.

— Depois estão por ai manifestando por conta do salário, quando já entram nessa sabendo que vão ser mal pagos — James rebateu, sendo mais idiota a cada palavra.

— Eu pensei que aqui fosse um país livre, com direito a manifestações — Edward comentou, olhando para James do seu lado da mesa.

— É uma pena que você tenha de ouvir tais barbaridades, Edward. Mas, posso afirmar que nem todos os norte americanos tem tal pensamento ultrapassado — falei, desejando enfiar uma faca em James e cortar para fora dele toda sua idiotice.

— Bella, vamos acalmar os ânimos, por favor — meu pai pediu, mas me lançou sorrisinho orgulhoso.

As pessoas à mesa começaram a falar sobre assuntos mais ‘leves’, fugindo de qualquer tema que pudesse gerar discussões calorosas como a que Edward e eu estávamos tendo com James a pouco. Mas, não pude deixar de sorrir para meu companheiro de debate, Edward com certeza era um cara legal.

Ele sorriu de volta para mim, apontando para os escargots em seu prato com uma expressão confusa. Logo entendi que ele não sabia o que fazer com aquilo, então em silêncio, do outro lado da mesa, comecei a demonstrar como ele deveria comer aquilo.

Foi preciso muito autocontrole para não rir da expressão de horror no rosto de Edward quando ele provou o primeiro escargot, eu realmente achei que ele acabaria vomitando ali mesmo, mas tirou forças de não sei onde e conseguiu se manter firme. Mas, ele tomou toda a água de sua taça, ingerindo o vinho em seguida.

— Eu sei, é horrível — mexi minha boca para ele, sem emitir som algum, Edward pareceu entender cada palavra.

— Não sei nem... — Ele falou algo mais, mas eu fui uma péssima leitora de lábios e não entendi o resto de sua frase.

— Desculpe, eu não entendi — falei, mas, Edward claramente entendeu.

Ele era bom, muito bom naquilo.

O vi remexer em seu bolso do terno, tirando o que pareceu se um bloquinho de post-it e uma caneta. Eu o vi inclinar-se sobre a mesa, rabiscando alguma coisa ali, deixando-me profundamente curiosa.

Olhou ao redor, chamando discretamente um dos garçons a postos para servir todos da mesa principal, sussurrou algo para o homem, que concordou, pegando o papel e a caneta das mãos de Edward. Eu vi o garçom contornar a mesa, todos distraídos com suas comidas e com seus assuntos banais pareceram não notar o deslocamento dele até mim.

— Senhorita, desculpe-me a interrupção, mas o senhor do outro lado da mesa lhe enviou isso. — O mais discretamente que pode entregou-me os envios de Edward.

— Muito obrigada — agradeci ao garçom, abaixando o bilhete na altura do meu colo, podendo ler o que Edward tinha me enviado.

Não foi uma surpresa deparar-me com uma caligrafia linda, ele certamente teria uma letra bonita.

“Escargot é terrível, eu não sei nem definir o gosto que essa coisa tem.”

Sorri para o bilhete, levantei meu rosto e sorri para Edward sentado diante de mim também, ele me lançou um sorriso tímido. Pegando sua caneta que tinha ido junto, eu escrevi no verso do post-it.

“Eu também não suporto. Agora, por que você anda por ai com post-it?”

O garçom rapidamente foi até mim quando o chamei, entreguei o bilhete e a caneta de volta para ele, deixando-o levar tudo para Edward.

— Eu vejo o que está fazendo — Alice cochichou para mim. — Ele é bem bonitinho — falou olhando para Edward do outro lado da mesa, que já escrevia novamente.

— Bella arranjou um namoradinho — Rosalie cantarolou do meu outro lado, fazendo com que eu corasse.

Não falei nada para elas, mas interessada em esperar o meu bilhete de volta, que logo chegou. Abri o novo post-it com rapidez, vendo o que Edward tinha escrito para mim.

“Gosto de escrever algumas frases de vez em quando, coisa de estudante de literatura que lê muito e acaba se achando o próximo escritor.”

— Hum, vocês estão trocando palavras sujas, Bella? Eu sei vários sinônimos para pênis.

— Rosalie! — exclamei, aparentemente alto demais, pois várias cabeças se viraram para mim. Eu tentei disfarçar meu constrangimento comendo um pouco do escargot, deixando o bilhete de Edward de lado por um instante.

Quando todos se dispersaram de mim, recuperei o bilhete, escrevendo ali.

“Eu lerei um livro seu algum dia, senhor Masen?”

O garçom, Edward e eu parecíamos na sincronia perfeita, pois sem precisar de muito ele pegou o bilhete e levou para Edward. Trazendo de volta para mim com a resposta.

“Acredito que não, sou um leitor muito melhor do que sou como escritor.”

“Gostaria de tirar a prova, escreva-me algo agora.”

Edward levou um bom tempo para mandar outro bilhete depois de ver meu pedido, por um instante até pensei que nossa conversa tinha chegado ao fim. Porém, nosso fiel garçom retornou com o post-it novo.

“Teus pés possuem a fluência na língua da dança

Teus olhos possuem a fluência na língua da doçura

Teu sorriso possui a fluência na língua do encantamento”

Olhei para Edward, do outro lado da mesa, parecendo muito longe de mim com aquela grande peça de madeira entre a gente. O que ele tinha escrito era tão...encantador.

“Isso é lindo, Edward! Se você escrever um livro qualquer dia, eu adoraria receber uma cópia com uma bela dedicatória.”

A resposta veio rápida.

“Pode deixar, você receberia o exemplar número dois.”

“Quem receberia o primeiro exemplar?”

A resposta demorou, pois o nosso garçom preferido se ocupou ajudando os outros a retirar os pratos de entrada, mas eu tive minha resposta.

“Meu pai, ele me dá muito apoio sobre eu ser um escritor. Diz que eu tenho futuro.”

“Ele está certo.”

Nós precisamos interromper a conversa de bilhetes por um tempo, já que o prato principal foi servido e como Edward e eu mal tínhamos tocado em nossas entradas, parecíamos esfomeados para comer. Assim como eu, ele tinha pedido por peixe, enquanto a maioria a mesa comia carne bovina ou peru.

Edward e eu fomos inclusos em algumas conversas, meu pai falou bastante com ele, perguntando coisas sobre o sistema de educação no reino unido e coisas do tipo. E, mesmo que o Masen estivesse visivelmente desconfortável no começo em ficar batendo papo com o presidente, não demorou muito para relaxar e seguir o assunto com Charlie.

— Vocês combinam — Alice falou para mim, bebendo da minha taça de vinho.

Certo, nem ela nem eu tínhamos a idade de licença para beber, mas ela era muito nova para aquilo, então tirei a taça de sua mão.

— Do que está falando?

— Você e Edward, combinam, muuuuito — esticou a última palavra, parecendo já ter sido influenciada pelo álcool consumido.

— Senhorita. — O garçom chegou com mais um bilhete de Edward para mim.

“Qual seu filme favorito?”

Ele me perguntou, não precisei de muito para responder.

“Busca Implacável.”

Edward tinha desenhado uma carinha de espanto no bilhete de volta e escrito.

“Isso é sério?”

“Sim, eu adoro filmes de ação! Qual seu filme favorito?”

Eu o vi corar um pouco enquanto escrevia minha resposta.

“Não ria, por favor. Meu filme favorito é Orgulho e Preconceito.”

“Por que eu riria? Você tem cara de ser fã da Austen, sabe, com essa coisa toda da Literatura Inglesa. Inclusive, Orgulho e Preconceito só não é meu livro favorito por eu estar ocupada demais amando O Morro dos Ventos Uivantes.”

“Você é boa com os clássicos, não?”

“Eu tento ser, mas confesso que não tenho muita paciência para clássicos quanto a filmes e séries, prefiro meus filmes de ação com carros velozes e locais explodindo a cada cena.”

“Falando sobre Busca Implacável, aquele pessoal nunca vai entender que não devem mexer com a família daquele homem?”

“Exato, ele é o melhor!”

Nós passamos o resto do jantar nos dividindo entre a comida, as conversas em voz alta com os outros e as trocas de bilhetes, que aquela altura já parecia claro para todos o que estávamos fazendo. Conversamos por ali sobre filmes, livros, séries, sobre como eu achava James um idiota, Edward concordou, sobre ele não entender quase nada de balé e assuntos leves, muitos deles me fazendo rir, ou soltar suspiros.

Quando o jantar acabou e todos começaram a se dispersar, Edward e eu finalmente pudemos dispensar os bilhetes. Eu estava prestes a levá-lo de volta a pista de dança, pois tinha prometido a ele mais uma dança para ajudá-lo a praticar, quando papai me roubou para dançar.

— Eu a devolverei depois, Edward — prometeu. — Ele parece um cara legal — papai falou, enquanto eu via mamãe chamando Edward para dançar, o que realmente me pegou de surpresa.

— É, ele parece — murmurei, chateada em pensar que no dia seguinte Edward voltaria para a Inglaterra e nós dois provavelmente nunca mais nos reencontraríamos.

— Eu sinto que não tenho sido muito presente com você, filha — papai falou, enquanto nos movíamos com facilidade pela pista de dança.

— O senhor tem estado muito ocupado, papai, eu entendo isso.

— Você está feliz? Em New York, quero dizer, com o balé e tudo mais — quis saber.

— Eu garanto que estou feliz, papai — prometi, beijando sua bochecha.

— Amo você, primeira filha — brincou, afagando meu rosto, olhando para mamãe e Edward, que conversavam aparentemente tranquilamente — Ele parece mesmo um cara legal, por isso vou deixá-los terem uma última dança essa noite, nós teremos de ir embora em seguida, para não estendermos muito a noite e perdemos nossa viagem para Forks amanhã.

— Tudo bem — concordei.

Papai me guiou até onde Edward e mamãe estavam, chamando por ela.

— Renée, querida, vamos deixar as crianças terem uma dança. Além do mais, eu adoraria dançar com a primeira dama outra vez essa noite, você está encantadora.

Mamãe sorriu largamente para papai.

— Obrigada pela dança, senhor Masen — ela agradeceu a Edward.

— Foi uma honra, primeira dama — ele falou para ela. — Desculpe por pisar em seus pés.

— Bella com certeza irá lhe ensinar melhor do que eu — mamãe falou, nós duas trocamos os pares, mas antes ela sussurrou para mim. — Eu surpreendentemente gosto dele.

Corei ao ouvir aquilo, vendo mamãe se afastar pela pista com papai.

— Pronto para sua última aula, senhor Masen? — Edward e eu nos posicionamos para dançar.

— Com certeza — concordou, acompanhando-me da melhor forma que pode. — Seus pais parecem bem felizes juntos.

— Pais divorciados? — Arrisquei, vendo seu olhar triste.

— É — concordou. — Eles se divorciaram quando fui para a faculdade, ela mora na França agora com o novo marido. Foi bem difícil para meu pai, mas eu recebi noticias dele durante o verão, ele aparentemente está saindo com uma colega de trabalho ou qualquer coisa assim, espero que dê certo.

— Você é próximo da sua mãe?

— Não tanto quanto eu deveria — admitiu. — Principalmente com ela morando em outro país, mas eu farei questão de deixa-la saber que agora eu posso dançar. — Um sorriso iluminou seu rosto.

— E está dançando muito bem, Edward — parabenizei, olhando para nossos pés em um ritmo acertado.

— Obrigado, babe...Quer dizer, desculpe por chamá-la assim.

— Sem problemas, eu acho adorável — admiti, ele sorriu ainda mais.

— Senhorita Swan, a comitiva do presidente está saindo. — Um segurança do serviço secreto parou junto a gente.

Cedo demais, rápido demais. Por mim eu passaria o resto da noite dançando nos braços de Edward, eu iria amar aquilo.

— Certo, tudo bem — concordei, mesmo contra minha vontade.

— Foi um prazer conhecê-la, Isabella Swan — Edward falou polidamente, beijando minha mão.

Nossos olhos se encontraram por um segundo, então ele depositou um beijo discreto na minha bochecha. Senti minha face pegar fogo com o toque de seus lábios em meu rosto, ainda assim era tão agradável.

Beijei seu rosto também, fazendo um grande esforço para me afastar dele. Meu coração batia tão alto. Edward sorriu carinhosamente para mim, deixando com que o agente do serviço secreto me conduzisse para longe dele.

Na limusine, de volta para a Casa Branca, com meus irmãos e Rosalie, eu me senti perplexa. Perplexa e surpresa, corando por todo o caminho, ainda sentindo o beijo de Edward em meu rosto.

Porém, também me senti frustrada, de não ter dito a ele que foi encantador conhecê-lo. Nós provavelmente nunca mais nos veríamos, eu gostaria de ter dito aquilo a ele.

Foi impossível dormir aquela noite, eu fiquei perambulando por meu quarto, pensando em Edward. Era simplesmente impossível tirá-lo da minha mente, as duas da manhã, só conseguia pensar se ele tinha alguém esperando por ele na Inglaterra.

Será que ele amava alguém? Ele poderia ter uma namorada, uma doce garota inglesa, que estaria morrendo de saudades dele.

Então, eu me sentia como Alice, uma adolescente mergulhada em contos de fadas. Pensei em como seria maravilhoso se Edward surgisse a minha porta, eu a abriria e diria o que não tinha dito.

— Estou encantada em conhecê-lo, Edward.

Ainda acordada, no escuro do meu quarto, eu valsava sozinha em meu vestido. O baile tinha sido incrível, eu devia isso a Edward.

Eu implorei que aquilo não fosse o fim para nós, implorei que se estivéssemos em um livro, aquela fosse somente a primeira página. Queria ver Edward de novo, então eu poderia dizer as palavras que não tinha dito no baile de verão.

— Estou encantada em conhecê-lo, Edward.

***

Era uma tarde fria de fevereiro, dia catorze para ser especifica, dia dos namorados. Eu deixei minha última aula do dia, sentindo-me bem cansada fisicamente, mas mentalmente relaxada depois de poder ter dançado e dançado.

Os seguranças sempre a postos, me seguiram para meu dormitório. No caminho, eu via todos os tipos de demonstrações de afetos dos namorados trocando presentes e alguns beijos.

Eu entrei em meu quarto, deixando os seguranças do lado de fora. Lá dentro tudo estava escuro, então liguei as luzes rapidamente para poder enxergar qualquer coisa, abrindo um grande sorriso quando o vi.

Os mesmos olhos por quais tinha me apaixonado estavam ali, fixos em mim. Ele tinha feito uma grande coisa no meu quarto, o chão estava recoberto por pétalas de rosas e segurava um grande buquê em mãos, sorria timidamente para mim.

— Como você entrou aqui? — perguntei, contendo a vontade de me atirar em cima dele e beijá-lo.

— Você sabe. — Ele deu um sorrisinho petulante. — Eu sou o genro do presidente, consigo uns favores e outros.

Andou até mim, estendendo o buquê em minha direção.

— Feliz dia dos namorados, Babe.

Sorri ao ouvir o apelido, pegando o buquê em mãos.

— Feliz dia dos namorados, Edward.

Ele tocou em meu rosto, unindo seus lábios aos meus.

Sim, a noite daquele baile de verão não foi a última página para nós dois, ela foi a primeira de várias outras páginas, de vários outros livros. Nossa história seria longa, eu sabia disso.

Na manhã seguinte ao baile, quando deixei meu quarto para ir encontrar a família para que pudéssemos viajar para Forks, eu topei com Jasper no corredores da Casa Branca. Então, Edward surgiu ali junto de meu pai, com o presidente Swan anunciando.

— Filha, espero que não se importe, eu tomei a liberdade de convidar mais duas pessoas para nossa viagem.

Não me importei, claro que não.

— Acho que você poderá me dar mais umas aulas de dança durante a viagem, Bella — Edward sugeriu, parecendo ainda tão em êxtase quanto eu com tudo aquilo.

— Você não deveria voltar para a Inglaterra hoje? — perguntei, temendo seu visto vencido, então me dei conta, nós estávamos na Casa Branca, sob custodia do presidente.

Ser a primeira filha nunca foi tão incrível.

Nós tivemos um fim de verão perfeito em Forks, começamos a namorar ali mesmo. E, a garota que um dia não quis entrar em um relacionamento a distância com Jacob, rapidamente entrou em um com Edward.

Até que, setembro chegou, junto com a noticia de que Edward tinha sido aceito para sua pós. Não só em Oxford, como em Columbia também. E, ele disse que seria uma honra largar Oxford de lado e pegou o primeiro voo para New York, assim que seu visto saiu.

— Eu vim por mais aulas de dança, Babe — ele falou quando o busquei no aeroporto aquele dia, animada, extasiada, encantada com o fato de que estaríamos morando na mesma cidade.

Então, lá estávamos nós, com meses de namoro, cheios de planos para o futuro. Com um amor crescendo a cada dia em nossos peitos, ligados pelo encantamento daquele baile de verão, que eu um dia pensei que seria terrível, mas que colocou em meu caminho meu príncipe encantado.

— Edward? — chamei por ele aquela tarde de fevereiro, após um de nossos muitos beijos.

— Sim?

— Eu me encanto com você mais a cada dia — proferi.

Ele me envolveu em seus braços, até eu perceber que estávamos valsando em meu quarto sobre as pétalas de rosa.

— Bella?

— Sim?

— É encantador dançar com você, Babe.

Eu voltei a beijá-lo.

Naquele verão, os Cullen estariam oferecendo outro baile, Edward e eu estaríamos lá. E, daquela vez ele seria meu par, ele seria meu par por todos os próximos bailes.

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Notas finais
Espero que tenham gostado!

Por enquanto a história fica como uma one mesmo, mas quem sabe no futuro não revistamos esses personagens.

Obrigada a todo mundo que leu! ♥

Beijos!

Lola Royal.

12.06.17
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!