Enchanted
2 1. Shifting eyes and vacancy
" Walls of insincerity, shifting eyes and vacancy "
–x-
Hoje seria mais um dia de tortura. A minha cabeça latejava, o cansaço era gritante e a única coisa que queria fazer era dormir até á manhã do dia seguinte. Mas não podia, porque ainda tinha aquelas horríveis aulas de inglês no colégio.
O vento de Novembro rodopiava contra a janela enquanto eu me calçava e olhava para o relógio, exclusivamente para descobrir que já estava dez minutos atrasada. Murmurei o quanto odiava aquele colégio horrível e segui para fora do confortável apartamento a que chamava casa. Estava um frio terrível e vi-me obrigada a encolher-me dentro do casaco que me abrigava, enquanto caminhava até ao colégio. Olhei uma última vez para o relógio e comecei a acelerar a passada, tentando encurtar o atraso. Os phones nos meus ouvidos tocavam alguma música country a que não prestava atenção, enquanto passava por pessoas conhecidas dando apenas um aceno com a cabeça e murmurando o quão atrasada eu já estava para um compromisso.
Ao virar a esquina e ver a já tão conhecida porta de vidro azul e preta, sorri. Não por estar feliz por lá estar mas por ter chegado a tempo, combatendo eficazmente o atraso com passadas grandes e rápidas… E sem cair! Cumprimentei a única pessoa que conhecia naquele colégio, sem ser o professor e a simpática rececionista – que uma semana após ter começado as aulas descobri chamar-se Jéssica — , um rapaz que eu pensava ter mais ou menos a minha idade e que havia se apresentado a mim logo no primeiro dia.
– Hey Embry! – Sorri-lhe, enquanto ele se aproximava para me dar dois beijos na face.
–Hey Bella! Como estás? – Disse com o seu jeito brincalhão de sempre. Conhecia-o á pouco tempo, mas ele sempre havia sido muito doce comigo e bastante preocupado.
–Bem e tu?
–Bem, também. Vamos?
Acenei-lhe e passei por Jéssica, sussurrando um “Oi!” , imediatamente retribuído com um “ Olá Isabella! “ . Dirigi-me á sala onde havia passado duas horas diárias nas duas últimas semanas. Para ser honesta, ainda não me sentia totalmente confortável naquela sala. Olhava em volta e já reconhecia muitas caras, embora houvesse sempre novas caras a aparecerem e muitas a desaparecerem. A turma nunca era a mesma, o que de certa forma ajudava a combater a monotonia das aulas.
Estava entretida a mandar uma mensagem a Emmett, quem eu esperava seriamente que se tornasse meu namorado em breve, com um sorriso muito bobo na cara, quando ouvi passos a entrarem na sala e reconheci logo de quem eram. Guardei o telemóvel, e olhei em frente , apercebendo-me do olhar de Edward sobre mim. Embora ele fosse professor, ele detestava que o tratássemos por Sr. Cullen, então todos o tratávamos por Edward. Não que eu costumasse falar com ele, ou dizer seja o que for em voz alta. Era demasiado tímida para o fazer e sentia-me desconfortável. Ele era doce, muito doce na verdade. Os olhos verde-esmeralda irradiavam bondade e um sorriso quente emoldurava constantemente o seu rosto. Nas duas semanas que havia passado naquele colégio, nem uma única vez tinha visto Edward a levantar a voz de forma dura ou a perder a paciência. Era profissional e extremamente inteligente, mas sempre pronto a ajudar e a fazer o que podia por todos. Inclusive, muitos alunos passavam aulas extra na escola exclusivamente a falar e trocar ideias com o professor. Apesar da óbvia diferença de idades entre muitos alunos e ele, no meu caso 12 anos de diferença, Edward sabia exatamente como cativar e melhorar o humor de todos.
A admiração de toda a turma por Edward era notável. Principalmente das garotas.
O telemóvel tremeu e eu apressei-me a esconde-lo de forma a conseguir ler a nova mensagem de Emmett e um sorriso muito grande esboçou-se na minha face quando li o seu conteúdo – Emmett tinha um presente para mim! Há muito tempo que tinha um tombo por Emmett e só agora ele estava verdadeiramente a prestar-me atenção e a ver-me como mais do que uma amiga, e isso era o que eu havia sonhado por noites a fio.
Naquele momento, nada mais me importava se não Emmett e tudo o que ele fazia ou dizia. Ele era o centro do meu mundo e a única coisa a que eu prestava verdadeiramente atenção… Só muito mais tarde me apercebi do grande erro que estava a cometer por não olhar em volta.
Respondi a Emmett rapidamente, usando as minhas já muito aperfeiçoadas técnicas de como mandar mensagens sem ser vista pelos professores, e guardei novamente o telemóvel. Ao levantar o olhar, apercebi-me de que o olhar quente e simpático de Edward estava em mim e senti a minha face corar imediatamente. Forcei-me a prestar atenção á aula e cada vez que Edward me olhava, sentia o rubor a tornar-se mais intenso. Havia algo no olhar dele que me cativava, mais do que eu estava preparada para assumir ou entender. Conforme a aula foi decorrendo, acabei por me esquecer do telemóvel que jazia no meu bolso com duas mensagens por ler. A primeira aula rapidamente chegou ao fim e quando Edward deu permissão para sairmos por 10 minutos, eu levantei-me vagarosamente , vestindo o confortável casaco preto comprido que me protegia do frio que pairava no ar. Peguei no telemóvel e respondi prontamente ás duas mensagens de Emm , e quando estava pronta para começar a caminhar em rumo á porta, ouvi uma voz melodiosa chamar o meu nome. Dirigi-me, de forma lenta e envergonhada, até ao dono da voz e deixei que os meus lábios esboçassem um pequeno sorriso .
– Como se tem sentido nas aulas, Isabella? Há algo que eu possa fazer para ajuda-la? Se houver, não hesite em pedir ajuda… — Disse num tom brando e sempre com o sorriso que o caracterizava na cara.
– Na verdade, não. As aulas têm sido bastante acessíveis e acho que por enquanto não tenho dificuldades em parte nenhuma da matéria. Obrigado pela preocupação, Sr. Cullen.
– Por favor, Isabella, chame-me Edward!
– Edward. – repeti , acenando com a cabeça e evitando ao máximo o seu olhar, que por um motivo desconhecido me fez tremer.
Apressei-me a sair da sala e encontrei o resto da turma á porta da escola, alguns a fumar, outros a comentarem sobre as suas vidas, outros a comerem. Não haviam muitas amizades dentro daquela turma, isso era óbvio. As faixas etárias variavam muito e o facto de haver sempre alunos a entrar e a sair, não ajudava a consolidar amizades. Olhei em redor, sentindo-me horrivelmente excluída, e sentei-me na cadeira perto de Jéssica, enquanto a ouvia falar com dois alunos sobre as suas namoradas, que já haviam sido alunas da escola. Olhei novamente para o telemóvel, em busca de uma distração, mas Emm ainda não tinha respondido. Talvez estivesse ocupado, ou talvez estivesse com os amigos.. Ou talvez..
Perdi-me nas possibilidades do porque da falta da resposta á mensagem que eu tinha enviado há exatamente 7 minutos e 47 segundos , e só sai do transe quando ouvi Jéssica a chamar o meu nome, visto que toda a turma já tinha regressado á sala. Quando entrei, Embry mandou-me um olhar simpático a pedir desculpa por ter estado entretido no intervalo com outras pessoas e eu sorri-lhe , para reafirmar-lhe que estava tudo bem.
A classe recomeçou e instintivamente comecei a morder o lábio, suavemente embalada pela voz de Edward a declarar a matéria . Talvez aquelas aulas nem fossem assim tão más..
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