Notas iniciais
Espero que gostem muito.

"Buscava no oceano o refúgio e a verdade sobre sua essência, que na superfície ocultava-se em forma humana, mas que nas profundezas revelava-se como um sonho uma calda, ou mais precisamente como a liberdade."
─ Jéssica Latchuk

A balada estava cheia de pessoas que dançavam e bebiam. Caíque estava sentado em um dos bancos do bar, bebendo um drinque, enquanto pensava porquê não havia simplesmente chamado um taxi ao invés de ligar para Jonatas. O dia não havia sido muito bom para ele; Depois do trabalho e da faculdade, havia trancado o carro com as chaves dentro e, provavelmente num surto psicótico, ligou para o irmão com quem dividia o apartamento e aparecia apenas em anos bissextos, pedindo para levar a chave extra enquanto ele esperava na balada – único lugar que ainda estava aberto e vendia algo alcoólico. Isso havia acontecido há exatas duas horas.

A impaciência já começava a tomar conta dele. Preferia estar em casa, lendo o livro Tempest, que aliás, estava em suas mãos junto com os materiais da aula. Tomou o resto da bebida para em seguida pedir mais uma dose. Droga de sexta-feira!

Olhou para o lado e ficou sem palavras: uma mulher caminhava até a mesa. Os cabelos loiros longos e ondulados estavam soltos, usava um vestido azul curtíssimo e saltos pretos. O corpo malhado e bronzeado foi o que mais lhe chamou a atenção. Caíque não conseguiu ver a cor dos olhos bem marcados pela maquiagem, porque lábios carnudos e de cor escarlate se destacaram.

Todos pareciam admirar a moça, embasbacados, mas ela manteve o olhar na direção de Caíque ─ mais precisamente, para os livros. Tinha o cenho franzido enquanto olhava para o rapaz como se ninguém nunca tivesse levado um livro para a balada, o que de fato poderia ser verdade. Quando os dois olhares se cruzaram e ela sorriu voluptuosamente, Caíque percebeu que perdera a noite, mas ganhara a madrugada.

Os passos da loira pareceram ficar mais firmes e ela caminhou até o lugar vago ao lado do rapaz, sentando e inclinando-se para perto dele.

─ Oi, sou Maré.

A voz dela era melodiosa e sensual. Caíque tinha certeza de que ela já tinha sido chamada de sereia algum dia. Encarou a bela jovem com água na boca. Os olhos, percebeu, eram de cor castanha. Tinha peitos grandes e uma cintura fina. Ele definitivamente adoraria passar as mãos por aquele corpo naquele instante. Desejava tirar toda sua roupa e cobri-la com a língua.

Havia também algo a mais em volta da loira, como uma áurea sexy e perigosa, Algo o arrastava para ela e ele não tinha como resistir, exatamente como a maré. Maré. Nenhum nome faria jus a ela como esse. Ele tinha certeza de que todos ao seu redor queriam-na. A mulher parecia uma deusa e ele a desejava também.

─ Terminou de me comer ou vai precisar de mais alguns minutos?

Saiu do transe, notando que a estava encarado. Abriu um sorriso de canto, um pouco sem jeito após ter sido flagrado, e se inclinou bem próximo ao ouvido dela.

─ A noite toda se você deixar.

Sua resposta ao comentário foi um sorriso malicioso. Passou a analisar o homem ao seu lado: como ela, ele não parecia ter mais de vinte e três anos, a boca era carnuda e rosada. Tudo nele lhe parecia másculo e forte. Mesmo sentado, ela notou que era alto; ombros largos, rosto quadrado com a barba por fazer, cabelos castanhos e olhos pretos. Um homem atraente.

Caíque passou de observador a objeto de observação, e isso não lhe passou despercebido. O olhar de Maré tinha um quê predatório, como o de um leão antes de atacar sua caça. Ele levantou uma sobrancelha e sorriu, na intenção de dar o troco.

─ Terminou de me comer ou vai precisar de mais alguns minutos?

Ela riu alto, jogando sua cabeça para trás, chamando novamente a atenção masculina para si.

─ Acredite quando digo que mal comecei com você.

Ele se animou, definitivamente a sua noite seria boa.

─ Qual seu nome, amor?

─ Caíque.

─ Caíque ─ repetiu como quem saboreasse o nome em sua boca e o encarou ─ Me parece delicioso.

Ele riu, percebendo a referência.

─ Você mora por aqui?

Algo forte o estava atraindo, ele conseguia sentir. Olhou-a nos no olhos e percebeu como eram lindos e profundos. Castanhos. A boca era pequena e apetitosa, ele queria muito beijá-la. Apesar dos saltos, ela ainda era mais baixa que ele.

─ Não, estou sempre me mudando ─ ela respondeu

Teria pouco tempo para prová-la.Droga!

─ Uma balada não me parece propícia a leitura.

─ E não é.

─ Você me diz o contrário. ─ O olhar curioso voltou. ─ Por que está aqui?

─ Tranquei o carro com a chave dentro ─ o rapaz admitiu, um pouco envergonhado.

Ela exibiu um sorriso sacana, como se achasse graça, o que fez o moreno se levantar rapidamente, quase colando os corpos, e colocar a mão quente em sua cintura fina. Estava louco para passar a língua por todo pedaço de pele que encontrasse descoberto. A pista de dança pareceu ser um ótimo lugar para ele começar a esquentar as coisas.

─ Quer dançar? ─ perguntou, enquanto fazia círculos em sua cintura coberta.

─ Pensei que nunca iria perguntar.

O material que se encontrava na bancada foi esquecido quando ela foi rápida e o guiou para o meio da pista de dança lotada, recebendo novamente olhares masculinos. A música que tocava era sensual. Então Maré, que se virou e pressionou-se contra o peito de Caíque, começou a rebolar no ritmo das batidas.

Automaticamente as mãos dele foram para os quadris dela, puxando-a mais para perto, a pélvis indo e voltando ao encontro da sua bunda. O vestido subia ainda mais, sempre que uma das mãos do rapaz deixava a cintura e acariciava as coxas torneadas. Passou o nariz pelo pescoço dela, inspirando o cheiro viciante de maresia. O ritmo no qual eles se moviam, um contra o outro, mais parecia uma briga por liderança e controle. Num ímpeto, ele a virou de frente e a beijou.

As duas bocas buscaram alívio em um beijo violento. Suas línguas travando uma batalha que nenhum dos dois queria ganhar. As mãos de Maré passeavam por dentro da camisa de Caíque, arrepiando-o e o fazendo queimar de desejo. Quando ele precisou de ar, desceu os lábios pelo pescoço, até a orelha da moça. Ela gemeu quando ele chupou o brinco e depois lhe mordeu o lóbulo.

Separaram-se e ele a arrastou para a parte mais escura da balada, próximo a porta lateral de saída, prensando-a na parede e escondendo seu corpo. As bocas se encontraram mais uma vez e a excitação foi palpável. Ele estava selvagem e ela retribuía na mesma intensidade. Parecia que nunca teriam o suficiente um do outro.

Ela mordiscou o lábio inferior dele, e o mesmo rugiu com desejo, apertando-a mais forte contra a parede. Maré sentiu em sua coxa o quanto ele queria estar dentro dela, sua mão desceu e o apertou, recebendo um gemido alto e uma mordida no ombro como resposta.

Com a quebra do beijo, ela desceu sua boca já quase totalmente borrada do batom para o pescoço másculo à sua frente, beijando, lambendo, mordendo, chupando.

─ Maré, eu quero você. ─ A voz estava rouca e urgente.

Maré parou de provocá-lo, mais uma vez pegou a sua mão e o puxou para fora da balada. A noite estava pacífica e calma, afinal já devia passar das três da manhã. Ela se virou para ele, esboçando um lindo e angelical sorriso, o qual foi respondido de forma abobalhada.

─ Me siga, amor, vamos aproveitar mais na água.

Caíque não recusaria, seu cérebro estava nublado e a única coisa que conseguia pensar era em como ele a queria agradar. Então seguiram para a praia, que ficava de frente à boate onde estavam. Ele ansiava pelo que estava para acontecer, essa poderia ser a melhor noite sua vida. Quando chegaram até o cais que levava à água, ela tirou os sapatos e seguiu até chegar à beira, exalando de prazer com os pés livres sendo molhados pelas ondas calmas, até o mar parecia estar feliz com a presença da mulher. Incentivou o homem a fazer o mesmo com um olhar e, quando ele chegou ao lado dela, encarou-a.

Ambos sentiam prazer pela companhia: ele pela dela e ela pela do mar. Por um momento, sentiram-se felizes e completos, mas depois disso, ela se virou para ele e voltou a beijá-lo com força renovada. Chegava a beirar a fúria.

Caíque não sabia como, mas suas pernas começaram a avançar para o mar, acompanhando-a. A cada passo, a ferocidade em que suas bocas se mexiam aumentava. Quando já estavam submersos até a cintura, as pernas de Maré transformaram-se numa cauda vermelha e laranja.Ele parou de beijá-la, talvez porque tenha sentindo a mudança, e então percebeu com surpresa e paixão que ela era realmente uma sereia. Uma sereia! Notou também que ela não tinha mais roupas, os seios duros e empinados estavam para fora, clamando para serem acariciados. Sem mais conseguir se segurar, ele correu as mãos para acariciá-la e a beijou.

O beijo era apetitoso, uma de suas mãos acariciava os seios da jovem enquanto a outra foi para a calda, alisando-a, excitando. Não parecia ser de um peixe normal, visualmente eram escamas, mas tinha a textura macia, parecida com a da pele, só que mais forte e resistente. Quando sua mão fez uma caricia forte, um gemido sôfrego escapou da boca dela. A cada beijo, a cada respiração, ela o levava mais fundo. Seus pés não mais tocavam o chão.

Partiu o beijo quando sentiu que já estavam longe e fundo o suficiente. Ela começou a submergir na água, levando-o para o fundo. Ele ainda tinha as mãos no belo corpo da jovem, segurando-a apertado enquanto se encaravam. Ela não precisou do ar, respirou, mesmo embaixo da água.

─Sorria, belo homem, esse será o seu dia. ─ a voz ecoou em sua mente.

Maré começou a cantar, a voz aveludada era inexplicável. Ele sorriu. Obedeceria a todos os seus comandos. Sentiu-se inebriado por ela, dominado. Apaixonado. Devoto. Não conseguia não sorrir, mesmo com o ar faltando. Tentou dizer o quando ela era linda, o quando ele a adorava, mas não lhe saia nenhuma palavra, apenas o oxigênio.

A voz dela o fazia sentir-se bem e calmo, apaixonado. Era isso, ele sentia como se estivesse enlouquecidamente apaixonado por ela. Os cabelos na água, devido à escuridão, estavam negros e a embalavam. Ela conseguia enxergar nitidamente e o encarava com o êxtase de um animal ao se alimentar de sua caça. Mas ele não conseguia parar de sorrir e sentir-se feliz, mesmo quando seu corpo estremeceu pela ultima vez, mesmo quando seu pulmões encheram totalmente de água, mesmo quando seu coração parou de bater ele ainda continuava sorrido para ela.

Quando o corpo de Caíque a soltou, ela estremeceu e passou a gemer alto. Todo o seu corpo recebeu uma explosão intensa de prazer e alívio. Gozou. Seu corpo tremia e tudo ao seu redor ficou abafado. A calda formigava. Sentiu o êxtase pleno e forte. Então fechou os olhos e continuou a sentir o prazer que o mar lhe proporcionava.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!