Encanto
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Segurei a mão de Leo, impressionada. As lágrimas que agora rolavam por meu rosto eram lágrimas de felicidade, de gratidão.
- Você voltou pra mim – Choraminguei, sorrindo para ele com fascínio.
- Emi – Os olhos verdes de Leo carregavam dor. – O que você fez?
- Eu te trouxe de volta – Contei, cheia de alegria. – Eu consegui.
- Oh, Emi – Ele suspirou e seu rosto esboçou tristeza. – Eu sinto muito por fazer você sofrer.
- Mas eu não estou mais triste agora que você está de volta.
- Você não entendeu – Leo pareceu desapontado. – Não vou ficar. Não posso. Meu destino já foi traçado, Emi, e isso não pode mudar.
- O quê!? – Indaguei, sem entender. Não. Na verdade, eu o havia entendido bem. Apenas não queria acreditar. – Por quê???
- Emi, se eu ficasse agora, seria... – Ele ponderou por um segundo. – uma coisa diferente. Não seria a mesma coisa.
- Não pode estar falando sério! – Soltei suas mãos, chateada com ele.
- Escute, não tenho muito tempo – Leo fixou-se em meus olhos, muito sério – O que você fez foi errado, Emi. Eu vi o que vai acontecer daqui em diante. Precisa ser forte. E aceitar a ajuda que lhe vier. Entendeu?
- Leo...
- Emmeline, você me entendeu? – Ele insistiu, veemente.
- Sim – Respondi, sem vontade.
- Ótimo – Leo sorriu e seus olhos se fecharam devagar. – Eu sempre amarei você, Emi. Sempre. Acredite.
- Leo!? – Eu o agarrei pelo casaco, assustada. – Leo!!
- Adeus, Emi.
Havia acabado. Minha última esperança de ter Leo de volta se esvaiu, como água por entre os dedos.
- Venha, menina – Fionnulla segurou-me pelo braço, puxando-me para longe do salão – Não há mais nada pra você aqui.
* * *
O funeral de Leo foi realizado dois após sua morte. Antes disso, passei boa parte de meu tempo prestando esclarecimentos à polícia, aos pais de Leo, à minha própria família. O discurso era sempre o mesmo.
“Não fique assim, tenha força, as coisas vão melhorar”
“Vai passar, querida, não se preocupe”
Mas quando ia passar? A dor era tão profunda que me fazia pensar que talvez aquele tipo de ferida nunca cicatrizasse por completo. Uma coisa dolorida, pulsante, sempre presente, que não me deixava esquecer, que me impedia de comer, que perturbava meu sono.
- Vamos? – Aimée, minha irmã mais nova, bateu à porta de meu quarto na tarde de quinta-feira. Vestira-se de azul-marinho, os cabelos cor de mel soltos sobre os ombros. – Está na hora.
- Não sei se tenho força – Confessei a ela, mirando o chão. Estava sentada na beirada da cama, o porta-retrato com a foto de Leo nas mãos.
- Olhe – Aimée sentou ao meu lado e afagou meus cabelos escuros. Apesar de sermos filhas de mães diferentes, éramos muito amigas. Quando minha mãe morreu num acidente, papai me convidou para morar com ele e sua nova família. E eu nunca me arrependi de minha escolha. – Eu, honestamente, não sei como você deve estar se sentindo por dentro. Talvez quebrada demais pra se recompor agora, mas... Não vou deixar você se afundar. Tá bom?
Fitei Aimée com surpresa. Ela era tão jovem... De onde vinha tanta sabedoria com as palavras? De onde vinha aquela aura cálida e serena, que tinha a incrível capacidade de acalentar meu coração partido e me dar sustento?
- Obrigada – Eu a puxei e a abracei, minhas lágrimas molhando a manga de seu vestido. – Muito obrigada.
- Tudo bem – Ela se levantou e segurou minha mão com um sorriso amável. – Agora vamos.
Notas finais
- Copiar é feio. Seja original.
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