Encanto Árabe
22 Estou livre?
Notas iniciais
Povs Bella...
Não... Agora não havia mais frio em volta de mim, meu corpo estava aquecido. Será que morrer é assim? Essa sensação de dormência e nada mais? O corpo leve, os pulmões cheios de ar... Então porque não consigo me mexer ou abrir os olhos? Talvez tenha morrido então, talvez tudo tenha acabado. Sem dúvida o estranho que achei ter visto em meu delírio devia ser um anjo mesmo. Isso quer dizer que nunca mais verei minha tia, Jake, meus colegas de trabalho e amigos... E principalmente, nunca mais verei o sheik.
Isso deveria me deixar muito feliz, todavia, não queria ter que morrer pra me livrar de Edward. Pois, tinha planos de lhe processar e... Isso agora parece tão mesquinho, já que não terei amanhã... Entretanto, era duro perceber que saí de cena ainda jovem, sem ter me casado ou tido filhos... Não que eu pensasse nisso mas... Me doi pensar que deixei o mundo sem nem ao menos ter uma descendência. O sheik falava tanto nisso... " Será a minha rainha, terá meus filhos", era uma loucura sem dúvida, tão grande quanto o fato dele ter me sequestrado.
Porém, achei que viveria mais tempo, conheceria alguém e teria filhos... Menos com o príncipe árabe, é lógico. Pois um homem que é dono da metade do mundo e sequestra mulheres não é confiável. De qualquer forma era impossível negar que ele me perturbava e muito... Com sua voz rouca, grave, com seu andar candenciado, quase predatório, com seu perfume e sorriso, e seu sotaque... Céus! Ele era capaz de seduzir "até uma pedra" se quisesse, mesmo sem seu título e bilhões no banco... E me pergunto, porque foi cismar justo comigo? a não ser que sequestrasse mulheres com frequência.
Nunca tive nada de especial, e de certa forma sempre "afugentei" os homens com meu jeito franco e independente, mas com o príncipe é o oposto, cada vez que discutíamos, via o desejo se ascender em seu olhar nas poucas vezes que me tocou e beijou... Não devia ter gostado, no entanto adorei e era errado. O sheik, me sequestrou, cometeu vários crimes, crimes que só não são puníveis no seu país. Não devia ficar acalorada e nem excitada com seu toque... Ele era um homem possessivo, dominador, machista ainda que diga o contrário.
Sei que se num ato insano aceitasse me casar com ele, não seria mais paciente e gentil, tudo que usa são truques... Pra que caia na sua armadilha, mas isso nunca vai acontecer. Ele é um estranho, não o conheço, mesmo que algumas atitudes suas me escantem, sou uma mulher inteligente, vivida. E como a boa advogada que sou não posso me basear em aparências, e sim em fatos... E o único fato que consta pra mim é que fui sequestrada e mantida em cárcere privado, durante vários dias, ainda que fosse tratada muito bem por ele e por seus empregados, isso não encobre seus erros.
Agora o frio voltou, em seguida o calor... comecei a sentir calafrios terríveis, meus dentes bateram uns contra os outros, e um suor frio molhou meu corpo. Queria abri os olhos, me mexer... ter certeza se ainda estava viva. Minha cabeça girou de repente e não consegui pensar com clareza. Vozes se misturavam em volta de mim, as vezes baixa, as vezes alta. Queria entender o que diziam, mas não pude. Era como se estivesse dentro de um terrível pesadelo e não conseguisse sair. Eu queria emitir um som, dizer que queria acordar, mas minha boca nem se quer abria. Não tinha forças pra nada, talvez de fato esteja morrendo.
Sentia uma pressão grande no peito, deus... O que estava acontecendo? Não sabia, mas tinha certeza que precisava de ajuda. Não! Não era justo, não pude dizer adeus a ninguém e nem me despedir, onde estava a justiça nesse mundo... Onde? E tudo que queria era fechar um contrato em minha empresa, como poderia imaginar que daria tão errado... Que o príncipe me sequestraria, e que eu teria um fim terrivel no deserto... Não... Ninguém pode imaginar isso. E mais uma vez perdi a consciência.
Não sei quando tempo se passou, mas aos poucos fui recobrando os sentidos. Senti meu corpo, puxei lentamente o fôlego e abri os olhos, e quando olhei em volta fiquei confusa... Onde estava? Parecia uma espécie de caverna. Eu estava deitada em cima de uma manta e havia uma fogueira no centro do lugar. Então vi alguém em trages árabes se aproximar de mim, era o Sheik e pude perceber que não havia morrido como imaginei, e quis chorar de alívio e de alegria, de alguma forma Deus me deu outra chance. Ele sorriu:
– Finalmente acordou, malaki. (anjo) Como se sente?
Eu também estava feliz por vê — lo, ele era a única coisa familiar pra mim nesse lugar estranho e árido. Minha garganta doeu um pouco, mas conseguir falar.
– Melhor, como... me encontrou?
– Eu vim atrás de você, baladay jaria. (minha odalisca) Não podia permitir que morresse por minha culpa.
– Sua culpa?
E seu tom estava sério ao falar.
– Depois que te encontrei engolida pela tempestade de areia, só nos salvamos porque avistei essa caverna. Você teve febre e delirou por dois dias seguidos.
Deus! Isso explica tudo.
– Mas não se preoucupe, já consegui ajuda. Logo sairemos daqui. Você precisa de um hospital. Usei algumas técnicas médicas que conheço, mas um especialista cuidará melhor de você, zahrati. (minha flor)
Ele me salvou... Eu estava louca de vontade de lhe abraçar pra agradecer... Mas, não devia. Pois, tudo que houve comigo foi mesmo culpa sua. Ele parecia um pouco abatido, com uma leve barba no rosto, mas continuava lindo e sexy como sempre. Fiquei com vontade de perguntar se não se feriu de alguma forma na tempestade tentando me salvar, mas acabei desistindo da ideia.
– Então... vamos pra outro lugar agora. Talvez o tal hospital seja uma nova prisão, sem dúvida.
Não pude evitar o tom ácido em minhas palavras.
– Não, eatifa. (carinho) Você vai voltar pra sua casa, pra um hospital na sua cidade. Eu vou deixá — la ir... fahu hurr. (está livre)
Eu não conseguia acreditar... Ele nunca me deixaria ir, não é? Só podia ser uma brincadeira. Ele me deu um olhar firme, mas havia uma sombra de tristeza neles.
– Vai... Me deixar ir mesmo?
– Sim, baluday almalkat. (minha rainha)
Eu deveria estar feliz, aliviada, finalmente voltaria pra minha casa, pra minha vida e me livraria dessa prisão. Porém, essa notícia me causou uma opressão no peito e de repente ficou difícil respirar.
Continua...
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