Empty heart
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Emma simplesmente não conseguia encarar Regina, tinha posto toda sua fé nela e no final a rainha continuava a mesma de sempre, talvez agora pior já que tinha fingindo ser inocente o tempo todo. A xerife descansou a papelada sobre sua mesa, não conseguia mais organizar nenhum pensamento coerente, o julgamento era no dia seguinte, mesmo que ela não visse mais necessidade disso, Regina era culpada, ela tinha visto com seus próprios olhos a morena no meio da floresta com Marian, nem queria pensar no que teria acontecido se não chegassem a tempo.
Ela encarou o relógio, já eram quase 7h, tinha que ir pra delegacia trocar de turno com David, só a ideia de ficar próxima a Regina a aterrorizava. Sabia que não devia sentir mais nada pela mulher, mas ainda assim as memórias de como era bom estar junto com ela, de tocá-la, não saiam de sua mente.
Quando Emma entrou na delegacia, David conversava com Regina, os dois se calaram ao vê-la. – O que está acontecendo aqui? – A xerife perguntou com a voz fria, Regina não podia saber o quanto a abalava.
– Emma, você pode fazer uma coisa por mim? – David se virou para a filha.
– Depende. Tem alguma coisa a ver com ela? – Disse lançando a Regina um olhar de desprezo. As palavras da xerife eram carregadas de tanta amargura que faziam a rainha se encolher ao ouvir cada uma delas.
– Emma, por favor...
– Não, David! Você não entende... ela... essa... essa mulher, me fez acreditar nela... me fez ficar próxima a ela... eu confiei nela e era tudo mentira, ela machucou aquelas pessoas.
– Você acredita mesmo nisso?
– Você estava lá, você a viu! Ela fugiu e ia matar Marian como fez com os outros.
– Isso foi o que concluímos, Emma. – David disse paciente. – Mas... Regina me contou outra versão da historia.
– E você acredita nela? – Emma disse com raiva.
– Não sei... Mas se você ouvi-la e acreditar nela, então eu vou acreditar em você, não importa o que as aparências apontem.
Emma apertou a ponte entre os olhos. – Não posso fazer isso... você não sabe o quanto ela me machucou... você não entende... – As lagrimas corriam o rosto de Emma agora, toda a fachada de frieza que tinha construído se desfez. – não posso ser enganada por ela de novo... – Emma disse cansada, tudo que mais queria era conseguir ouvir a historia de Regina e acreditar nela de novo, mas não podia fazer isso, não podia deixar seus sentimentos atrapalharem seu julgamento.
David se aproximou da filha e a puxou para seus braços. Emma se permitiu chorar ainda mais. Regina encarava a cena em silencio, lagrimas também corriam o seu rosto, queria dizer tanta coisa pra Emma, mas nada adiantaria se a xerife não decidisse que queria realmente ouvi-la.
– Emma... – David disse em um sussurro. – eu entendo, você. Sei que... sei que gosta dela... e é por isso que tem que ouvi-la. Só você pode saber se ela está falando a verdade ou não... só você é capaz de ver através de tudo e enxergar quem Regina realmente é.
Emma não ficou surpresa de David saber sobre seus sentimentos por Regina, tinham uma conexão muito forte agora. – Mas... e se eu não puder fazer isso? Se me deixar levar pelo que sinto?
– Você não vai, confie em mim, eu conheço você. Então faça isso, converse com ela e então venha ate mim para decidirmos o que fazer, ok? – David disse encarando a filha e então plantando um beijo em sua testa e deixando-a para decidir o destino da rainha.
***
Emma ouviu em silencio cada palavra que Regina dizia, se fosse em outros tempos diria que ela era louca, que nada daquilo era possível, mas já tinha visto muita coisa impossível desde que chegará a Storybrooke.
– Por favor, diga alguma coisa. – Regina disse quando Emma apenas a encerou em silencio, processando tudo que tinha ouvido.
– O que quer que eu diga?
– Que acredita em mim... – Regina disse cada palavra devagar. – que... ainda temos uma chance. – Sabia que era pedir demais, mas naquele momento tudo que podia fazer era desejar.
– Depois de tudo que aconteceu entre nós Regina... eu achei que conhecia você completamente...
– E você conhece... – Regina ficou de pé e andou até Emma. – nunca me mostrei completamente para alguém como me mostrei pra você Emma. Você me conheceu como Regina, você viu o pior e o melhor de mim... você voltou no tempo e me viu como rainha má. Você vê coisas em mim que nem eu mesma vejo... você ficou do meu lado e confiou em mim, mesmo conhecendo tudo que eu fui. – A rainha parou diante de Emma, bem próxima e então alcançou a mão da loira, que não recuou como seu medo disse que faria. – Você gosta de mim... sabe disso... e também sabe que acredita em tudo que eu disse.
– Regina...
– Não estaria aqui me ouvindo se não acreditasse.
Emma tomou o rosto de Regina entre as mãos. – Se você estiver mentindo eu nunca vou conseguir me perdoar...
– Eu não estou. Olhe nos meus olhos... não poderia mentir pra você, Emma. Tudo que vivemos foi verdade, tudo que eu te disse foi verdade.
– Não posso cometer um erro agora...
– Seu coração acha que eu sou um erro? – Regina colocou a mão sobre o peito de Emma. O coração dela batia acelerado, como sempre quando estava próximo da rainha.
– Não...
– Então confie em mim. – Uma lagrima silenciosa rolou o rosto de Regina. – Confie em mim... – repetiu tocando gentilmente o rosto da xerife.
Os olhos castanhos brilhavam com as lagrimas, Emma se pegou acompanhando o percurso de uma delas com o olhar. A loira fechou os olhos brevemente sentindo apenas o toque em seu rosto, era fácil se perder naquela sensação. Estar com Regina podia parecer tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Ela desejou com todas suas forças estar fazendo a coisa certa e então abriu os olhos. – Eu acredito em você, meu amor... – disse em não mais que um sussurro.
Regina sorriu e então abraçou Emma, poderia nunca mais soltá-la se isso fosse possível. – Obrigada... – disse apertando-a ainda mais forte. As duas se afastaram só o suficiente para conseguirem cruzar o olhar. – Como eu queria estar com meu coração agora...
– Não preciso dele pra saber que sentimos a mesma coisa uma pela outra. – Emma queria tanto beijar Regina naquele momento, mas respeitaria a vontade da rainha de só fazê-lo quando tivesse seu coração de volta. – E que isso é mais forte do que qualquer coisa...
– Que momento mais adorável. – A voz de Zelena ecoou pela delegacia. – É uma pena ter que estragá-lo... ah espera, eu odeio vocês, então acho que vai ser bem divertido estragá-lo.
– Você foi descoberta Zelena! – Emma se colocou na frente de Regina protetoramente. – Você sabe que não tem nenhuma chance, nós te derrotamos uma vez e vamos fazer de novo.
Zelena sorriu com desdém. – Acho que você está esquecendo de um pequeno detalhe, queridinha. – A bruxa tirou de dentro de uma bolsa o coração de Regina.
A rainha ofegou ao lado de Emma. – Emma, saia daqui! Ela pode me controlar... saia daqui por favor...
– Não, eu não vou a lugar algum sem você.
– Parece que sua namorada é desobediente, irmãzinha. Sorte a minha, porque isso deixa tudo muito mais interessante. – Zelena tinha um sorriso doentio no rosto.
– Emma por favor... – Regina começou a se mover fora do seu controle. Desse vez estava consciente, mas não podia se conter.
– Mate-a. – Zelena ordenou a Regina.
– Não... – A rainha se esforçou pra dizer, todo seu corpo reagia sem que ela conseguisse lutar contra.
– Regina, lute contra isso... não deixe que ela te controle.
– Ela não tem escolha, ela é como um fantoche agora.
Regina andou em direção Emma. – Emma... corra...
– Arranque o coração dela! – Zelena gritou ao fundo. – Esmague-o.
Emma olhou a mulher que amava nos olhos, não conseguiria fugir, sabia que se fosse embora Zelena mataria Regina. – Aquele coração me pertence Regina... não deixa que Zelena o controle... você é mais forte que ela, nosso amor é mais forte do que qualquer magia...
Regina parou diante de Emma, sua mão há centímetros do peito da loira. Emma fechou os olhos se entregado para o que quer que o destino lhe reservasse e então...
Continua...
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