Empty Souls
4 Lunático

Todos no corredor voltam sua atenção ao rapaz alto e vigoroso entrando pela porta que separa o pátio e a parte interna do colégio. A maior parte das pessoas miram Willian curiosas, cochicham pelos corredores sobre como ele “nasceu de novo”. O garoto da de ombros e continua andando com passadas confiantes até o vestuário masculino. Ele entra e fecha a porta, aparentemente está sozinho. Caminha até seu armário, abrindo-o e surpreendendo-se com a poeira que sobe.
— Nossa. – surpreendeu-se balançando a mão no ar para dispersar o pó, pigarreando logo em seguida — Eu fiquei tanto tempo assim sem te abrir? – fala ironicamente mesmo sem ter ninguém para ouvir. Pega seu taco de lacrosse e passa a mão por todo ele livrando-o das teias de aranha e toda a poeira, logo fechando o armário. Ele gira o bastão na mão em voltas de 360º consecutivas vezes dirigindo-se ao campo. Tem sua primeira aula livre, então decide treinar seu esporte favorito antes de mais nada.
Willian tira seu moletom jogando-o em cima da trave e pega a pequena bola branca de borracha maciça ao lado do gol, vai para o meio do campo e a posiciona no gramado. Ele se aproxima da bolinha posicionando seu pé perto dela, abaixa os quadris e deixa a cabeça do taco paralela ao chão, assim como seu rosto também fica curvado a ele. Num passo rápido o garoto pega a bola com o taco e percorre o campo sem deixa-la cair, arremessando-a talentosamente em direção ao gol. A pequena bola branca voa rapidamente cortando o ar e acertando a rede.
— É isso garoto! É de jogadores assim que estamos precisando! – gritou o treinador lá perto das arquibancadas apontando o dedo para Willian com um sorriso no rosto.
Willian corre com o taco em mãos na direção do treinador.
— Gostou treinador? – perguntou sorridente.
— Foi muito bom filho. – respondeu com sinceridade e admiração – Desde quando ficou tão bom assim? Não que você já não fosse, mas isso foi esplendido.
— Valeu. Andei treinando pra quem sabe... Ser o capitão do time?! – disse com muita convicção, deixando a possibilidade no ar.
— Continua assim garoto, continua. – enunciou balançando o dedo na direção de Willian e se retirando.
O rapaz sorriu e voltou para o campo, ficou ali durante o restante do tempo que o restava livre.
Willian volta ao vestuário para se arrumar para ir à próxima aula. Retira sua blusa suada e coloca uma limpa, jogando-a no armário junto com seu taco e seu moletom. Caminha ligeiramente rápido até a sala de aula, está razoavelmente atrasado. Willian observa dentro da classe através do vidro transparente antes de entrar, consegue escutar involuntariamente tudo que se passa dentro da sala. Abre a porta e se mantém parado ao lado dela. Estão todos sentados e a professora prestes a proferir algo.
— Eu... Eu posso entrar? – aponta o dedo aleatoriamente dentro da sala com o braço na elevação do peito olhando para a professora.
— Deve, senhor Moses. – sorriu na direção de Willian referindo-se a ele pelo sobrenome.
Os alunos observam Willian com um olhar intrigante. O rapaz visualiza o local procurando lugar onde sentar, todos sentam em duplas e todas as pessoas já tem a sua, com exceção de Callie, que está sozinha. Ele anda resoluto em direção a mesa e senta ao lado da garota, assentindo e sorrindo para ela e a mesma retribui com um sorriso, colocando o cabelo atrás da orelha. Willian observa Callie disfarçadamente por um instante. A beleza da garota é fascinante, as covinhas em suas bochechas quando sorri é um dos seus maiores charmes, também seu cabelo castanho escurecido, longo e liso, assim como sua estatura ideal, minimamente maior que sua irmã mais velha, magra e com a cintura estreita, busto pouco cheio entretanto com as coxas volumosas, todas essas coisas que a torna perfeita aos olhos de Willian, sem contar com sua personalidade, que é o que mais o atraiu.
— O que foi? – perguntou ao notar Willian a observando de maneira sutil.
— Nada. – disse sem jeito.
— Fala vai, por favor. – sorri.
— É só que... – fala olhando para os lábios da garota – Eu tava observando o quanto seu sorriso é bonito.
A professora escreve Otelo Iago no quadro enquanto Willian fala com Callie. Ele escuta o giz tocando a lousa e isso o incomoda, ainda não tem total controle sobre sua audição sobrenatural.
— Ah... É... – Callie se prepara para dizer algo mas é interrompida.
— Muito bem. Eu gostaria de retomar nosso tema da semana passada com uma análise mais detalhada sobre Iago e como ele se consome pelo ciúme de Otelo.
Silent Shadows
— Eu continuo achando que tudo foi um sonho. – contestou Willian enquanto sai da escola no término do período de aula na companhia de Harriott.
— Mas você não disse que tinha visto seus olhos brilharem ainda lá no hospital? – questionou o melhor amigo.
— É eu vi. Mas vai que aquilo também tenha sido um sonho. – denegou outra vez – Eu estava correndo feito um animal. Eu não faria isso.
— Você não. Mas o animal dentro de você faria, assim como fez. Acredite cara, não foi um sonho. – nega com a cabeça enquanto fala – Você disse pra mim lá em casa que estava ouvindo minha mãe falar com o meu pai, lembra? Que estava escutando as coisas na escola... Não pode ter sido um sonho. Você não está sonhando agora. Bom, pelo menos eu acho. – é irônico.
— É, lembro sim.
— Espera ai. – desviou o olhar para o nada, pensativo – Aquele dia você ficou com raiva de mim por ter te segurado e dai que veio o lance de você achar que foi um sonho. E se a raiva for o botão de liga e desliga?
— Vai ter que me deixar com raiva pra saber. – riu brevemente enquanto descem o escadão do High School em direção ao jipe.
— É isso. Preciso te deixar com raiva. – sorriu, esboçando um semblante satisfeito.
— Não tá falando sério né? – questionou.
— Tô ué.
— Está? – indagou.
Silent Shadows
Harriott leva Willian até a floresta para tentar algo que o deixe muito irritado. Ele tira um taco de baseball de alumínio da parte de trás do jipe e fica frente a frente com ele.
— Ei cara, pera ai, o que você vai... – Willian é interrompido ao ser acertado na perna – Merda! Isso dói seu imbecil.
— Tá começando a ficar com raiva? – diz Harriott sorrindo para o amigo e logo acertando outra tacada nele.
— Argh! – murmurou – Calma, cal... – leva outra pancada dessa vez na cabeça – Filho da... – e outra vez é atingido – Para!
— Acho que não tá sendo o suficiente. – olha para Willian tentando mostrar que não tem piedade – E se eu fizesse isso com a Callie? – acerta outra vez o rosto do amigo, desta vez ele cai sobre as diversas folhas que caem das árvores – Avisa quando estiver ficando com raiva de mim.
— Harriott. Eu quero rasgar a sua garganta com meus dentes. – seu coração começa a bater muito forte e sua vontade de matar fica insuportável.
Harriott se assusta quando ouve Willian e seus rosnados. Ele olha para as mãos do amigo e nota enormes garras no lugar das unhas. O jovem lobo vira, ainda no chão, para seu melhor amigo que agora é uma presa fácil. Harriott vê os pelos no rosto e os olhos brilhantes de Willian e logo em seguida ele começa a ladrar sem conseguir manter o autocontrole. O mais indefeso fica impressionado, jamais em sua vida viu algo parecido, mas teme o amigo ao mesmo tempo.
— Willian. Espera tá? Sou eu, Harriott. – o rapaz olha para o amigo no chão, apavorado.
— Corre! – exclamou Willian com a voz alterada, grossa e crepitante.
— Tá certo. Eu vou. — Harriott da algumas passadas para trás, tropeçando em um tronco escondido pelas folhas e cai, está apavorado. Willian se levanta e Harriott ignorando o tombo levanta desesperadamente e corre feito louco tentando escapar do amigo.
— Willian, para! – diz enquanto corre do amigo prestes a dilacerar sua garganta com as presas.
Harriott avista uma casa aos pedaços no meio do nada, mas que ainda tem porta. Ele não pensa duas vezes, entra nela e a fecha. Fica barrando a entrada com o peso do corpo. Willian tenta abri-la usando a força e do outro lado o rapaz faz a maior força para mantê-lo do lado de fora.
— Cara, se concentra, se concentra na minha voz. Você precisa ficar calmo. – Harriott grita para que ele o escute, tentando acalma-lo.
Willian para de tentar derrubar a porta da casa velha e respira fundo, começa a espremer as mãos ferindo-se com as garras para não ferir Harriott. Começa a voltar ao seu estado humano, recuperando o controle e consciência.
— Tá. Tá. Eu consegui. – disse ofegante.
Harriott entreabre a porta e olha para Willian, assustado, vendo suas mãos curarem.
— Uou. – surpreendeu-se – Foi assim que a mordida curou?
— Não sei. Não cheguei a ver. – respondeu observando as mãos sujas de sangue e sem nenhum ferimento.
— Eu nunca mais vou querer te deixar bravo. – abre a porta por completo ao ver que Willian está sob controle.
Willian ficou em silêncio, perdido nos próprios pensamentos, ponderando em como poderia ter acabado com a vida de seu melhor amigo facilmente. Se sente culpado por isso. Teme o dia em que perder completamente o controle e por consequência acabar ferindo alguém.
Silent Shadows
Willian vai para a casa de Harriott. O sol já está se pondo e o nervosismo toma conta do jovem glabro, sabe que uma hora a bomba vai explodir e muitas pessoas vão se ferir. Eles usam o tempo que tem para pesquisarem sobre licantropia, com o objetivo de descobrir mais sobre a doença. Willian se apoia na cadeira que o amigo está sentado navegando na internet.
— Lobisomem. No português essa palavra é derivada da junção de duas outras palavras em latim que é lúpus e homo que é respectivamente lobo e homem. – Harriott indica com o dedo tudo que lê da tela do laptop – Licantropia é o termo que se refere a capacidade, ou maldição, que cai sobre o homem e o faz se transformar em lobo.
— Então quer dizer que só homens podem se transformar? – lembra-se da noite em que viu o lupino se transformar em uma mulher, duvidando de sua memória.
— Não acho que seja assim. Talvez seja só a forma de se referir a todos de um modo mais simples. – explicou e Willian concordou balançando a cabeça – Superlua. Essa fase da lua poderia ser uma fraqueza caso um lobisomem ainda não soubesse controlar a transformação ou seus instintos. – Harriott lê esse pedaço e os dois amigos se encaram – Amanhã é lua cheia cara. – o semblante de Willian se converte em desespero.
— Você tem correntes? Umas bem grandes? – perguntou receoso.
— Correntes? Pra quê? – respondeu com outra pergunta, duvidoso.
— Você vai me amarrar. – disse – Ou prefere que eu saia por ai cortando gargantas?
— Eu tenho uma aqui que eu usava pra prender meu cachorro. Agora parece que eu tenho um novo totózinho. – gargalha e Willian o encara com a expressão fechada, logo Harriott fica demasiado assustado e para de rir instantaneamente.
O garoto abre a porta do canto esquerdo do seu guarda roupas e uma corrente de aço carbono soldada enorme e grossa começa a cair. Willian a observa indo ao chão, parece que não vai acabar mais.
— Cara. – seu rosto se formou num semblante impressionado – Você prendia o seu cachorro em liberdade condicional? – brincou por conta do tamanho da corrente e o amigo riu.
— Quase isso. Ele precisava respirar novos ares. – ironizou.
— Suponho que foi... – é interrompido.
— Por isso que ele sumiu. – continuou a sua fala e acabou concluindo também a de Willian.
Harriott parou e pensou um instante.
— Mas cara. Amanhã é o nosso jogo. Nós estamos escalados amanhã. – referiu-se ao lacrosse e na hora os olhos de Willian se arregalaram.
— Meu Deus. Eu preciso jogar amanhã. – disse ignorando completamente o fato de que no dia seguinte será a superlua.
— Mas você não pode. – repreendeu-o.
— Harriott. Eu vou jogar amanhã. – disse as palavras lentamente olhando para o amigo.
Silent Shadows
É por volta das oito da noite e Willian está no vestuário lotado colocando sobre seu peitoral um colete próprio para jogadores de lacrosse.
— Tem certeza de que vai jogar? – Harriott perguntou à medida que pega seu capacete vinho nas mãos.
— Tenho. – respondeu assustadoramente enquanto veste a camisa vinho do time com o número 13 estampado nas costas. Ele já pode sentir os efeitos da lua cheia cair sobre si.
Ele pega seu taco e corre para o campo junto com os outros.
— Prestem bem atenção! – disse o treinador abraçado em coletividade com o time de Denverford na frente das arquibancadas – Nós precisamos vencer hoje. Lembrem-se de passar a porcaria da bola durante o jogo. Vamos lá! Nós não retrocedemos, vamos ganhar isso! – finalizou e todos gritaram em união.
Willian corre para o meio do campo e fica esperando o inicio da partida. Ele olha para as arquibancadas e nota Haley acenando em sua direção ao lado de Callie. Alterna o olhar entre as duas garotas e pensa se a mais nova já sabe do que houve entre ele e sua irmã mais velha.
O apito soou e um membro do time adversário rapidamente pegou a bola e passou-a para outro que estava perto do gol. O jogador camisa 11 corre com a bola driblando todos de Denverford, arremessando-a em direção ao gol, a bolinha voa velozmente pelo ar, o goleiro se lança para captura-la mas ela acaba passando por debaixo de seu taco e acertando a rede nos primeiros segundos de jogo.
Foi um golaço! O time rival comemora e festeja enquanto a torcida de Denverford permanece em silêncio.
Willian não se moveu muito durante o jogo, sente que cada vez mais é afetado pela lua cheia.
Silent Shadows
O apito é soprado pela última vez, o que resta de jogo são só alguns segundos e os times estão empatados em 4 a 4. Dessa vez Willian toma posse da bola. O garoto corre em campo em direção ao gol.
— PASSA A BOLA, MOSES! – gritou o treinador lá do banco dos jogadores.
Na hora em que Willian se prepara para passar a bola, ele é inevitavelmente derrubado por um brutamontes que o peitou, fazendo-o cair. Harriott corre em campo para ajudar Willian e estende a mão para erguê-lo. Ao levantar o amigo, vê, por dentro do capacete, seus olhos brilharem e se preocupa.
— Cara, seus olhos, para com isso. – disse preocupado.
— NÃO FIQUEM AI PARADOS, VÃO! VENÇAM ESSE JOGO! – o treinador gritou pela milésima vez durante o jogo, mas dessa vez referindo-se a Willian e Harriott.
Harriott corre em direção ao membro do time adversário em posse da bola para evitar que Willian se aproxime do rapaz, teme que ele o fira. Ele bate com seu taco no bastão do rival, fazendo-o deixar a bola cair e a recupera.
O treinador grita da arquibancada motivando Harriott a passar a bola para alguém mais próximo do gol.
15...14...
O garoto lança a bola no ar mas acaba arremessando-a errado, o rapaz do outro time lá do outro lado do campo já se prepara para recebê-la mas inesperadamente Willian salta muito mais alto do que o normal e pisa no ombro de um dos garotos adversários, pegando a bola no ar.
9...8...
Ele corre em direção ao gol e arremessa a bolinha.
3...2...
O goleiro se joga para fazer a defesa e consegue, mas estranhamente a pequena bola maciça rasga a rede do seu taco e acerta o gol.
1...
Gol! A arquibancada pula. Os jogadores de vinho gritam com tudo que a em seus pulmões alegremente, comemoram e festejam a vitória. Menos Willian.
O garoto permanece imóvel após o gol com o quadril inclinado para o chão.
Os rapazes do time rival passam por Willian e começam a sussurrar sobre como o ele parece estar rosnando. Harriott vendo a situação corre até o amigo.
— Vem, vou te tirar daqui. – abraça Willian pelo ombro e corre com o amigo do local.
Haley procura por Willian sorridente, mas ao rolar os olhos para fora do campo vê Harriott correndo com ele para a escola.
— Você precisa se acalmar. – disse entrando com Willian no vestuário.
— Não consigo. – replicou com a voz alterada largando-se de Harriott e indo para debaixo do chuveiro, abrindo-o e deixando cair água sobre si.
— AARGH! – grita e desfere um soco extraordinariamente forte contra a parede, quebrando-a. O rapaz começa a se transformar, seus olhos brilham com o mesmo tom forte amarelado, os pelos em seu rosto crescem, assim como suas garras e presas. E outra coisa incomum é que suas orelhas criam pontas largas, algo que não havia ocorrido antes. Willian corre para não machucar ninguém, deixando Harriott para trás.
Ele vai para a floresta correndo normalmente, como um humano, porém transformado. Percorre um caminho longo e sem rota ou ponto de chegada, simplesmente espera que algo ou alguém cruze o seu caminho para descontar toda a sua raiva acumulada. Alguém repentinamente o pega pelo uniforme e o lança com força sobrenatural contra uma das muitas árvores da floresta, mas a dor acaba sendo reduzida por conta do colete que ainda está vestindo. Sem dificuldade alguma já estava de pé. Descontrolado parte para cima de quem o atacou sem pensar duas vezes. Sua visão de predador o permite enxergar a pessoa mesmo estando na escuridão. Ele enxerga um homem com uma capa larga e aparentemente mais velho. Seus olhos não brilham e não há nada de incomum em seu rosto, mas a sua força é como a de um lobisomem. Willian rasga o peito do homem com suas garras enquanto o mesmo tenta se desviar dos ataques, faz de tudo para tirá-lo a vida sem nem ter consciência de suas ações. O cara misterioso após ser ferido pelo jovem desfere-o um soco muito forte no rosto, capaz de derrubá-lo novamente sobre as folhas. Willian volta ao seu estado humano.
— É assim que agradece por um presente quando te dão um? – perguntou o homem pacificamente mas tornando-se assustador para Willian.
— Você me jogou contra uma árvore! – exclamou com uma voz de raiva.
— Você estava correndo feito um louco por ai durante uma lua cheia. É assim que quer ficar vivo?! – disse se aproximando de Willian caído no chão.
— Foi você não foi? Que me transformou em um monstro? – perguntou olhando para o homem com sangue nos olhos.
— Eu te dei um presente, Willian. – seus olhos brilharam com uma cor familiar, era um vermelho bem forte e radiante, a mesma cor que viu nos olhos do lobo que o salvou. Involuntariamente os dele também brilharam – Posso te ensinar tudo o que precisa saber criança. – estendeu a mão para erguê-lo e o rapaz recebeu a ajuda – Você só precisa confiar em mim.
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