Empty Souls
2 Laços de Sangue

Os dedos de Callie escorregam agilmente pelas cordas do violão, o som melódico ecoa por toda a sala, combinando perfeitamente com sua voz doce e suave. A canção é lenta e agradável, contudo algo constantemente a desconcentra: são barulhos impertinentes de uma bola de basquete quicando no chão.
Callie para de tocar o instrumento bruscamente, levantando-se em direção a porta que liga o corredor do vestuário masculino à sala de música.
— Ai! Se importam em parar?! – disse Callie rudemente ao ver o rapaz alto e atrativo quicando uma bola de basquete ao lado de outros três amigos na frente do vestuário. – Eu tô tentando ensaiar, mas inconvenientemente o barulho de vocês está me incomodando – o moço charmoso para a bola e a coloca embaixo do braço e torna seu olhar à ela sorrindo.
— E o que te faz pensar que também não estamos treinando? – replica em um tom de deboche.
— Talvez o fato de não estarem em uma quadra e sim no meio do corredor! – a garota responde sendo rude novamente.
— Tenta tirar a bola de mim, talvez eu pare – respondeu suavemente, lançando um sorriso na direção dos amigos. Caminha até a garota se achando o cacique.
Callie se aproxima do rapaz e tenta toma-lo a bola de todas as formas, mas ele a dribla de todas as maneiras possíveis e com muita facilidade, debochando-a à medida que faz. Mostra-se muito talentoso apesar de seu colégio ter como esporte principal o lacrosse.
A moça bonita e de pele clara se irrita, logo dando as costas para o garoto, volta para a sala de música bravejando. O rapaz imediatamente se arrepende de suas atitudes e a persegue para uma esperada redenção.
— Você me desculpa? – disse abrindo a porta da sala, escorando-se na guarnição ainda segurando a bola de basquete nas mãos, mas não obtém resposta. Callie simplesmente o ignora. – Qual que é o seu nome? – pergunta enquanto anda até ela.
— Estou tentando ensaiar se não percebeu – braveja voltando o olhar para o garoto.
— Tá bom, vou te deixar sozinha então – ele disse e ela voltou para o instrumento, mas ele continuou – Depois que me disser o seu nome – ela olhou para frente e deixou escapar um sorriso involuntariamente, sem que ele pudesse vê-lo.
— Tá bom. Eu te falo meu nome se conseguir tocar um instrumento nessa sala. – ela disse olhando para o rapaz, desafiando-o.
— Um? – fez uma pergunta retórica e ela assentiu – Qualquer um? Tá bom – andou até a prateleira cheia de instrumentos e os observou enquanto Callie o espiava por cima do ombro. Ele pegou um triângulo de aço e foi até a garota.
— E ai? Toca. – disse ansiosa.
Ele bateu uma única vez com a baqueta no instrumento.
— Pronto, toquei. Agora me fala o seu nome. – a garota outra vez deu um sorriso involuntário.
— Meu nome é Callie. – sorriu olhando para baixo – Agora me deixa treinar.
— O meu é Sebastian. – apresentou-se.
— Eu sei quem você é. – disse com marra e ele arqueou a sobrancelha, outra vez bateu a baqueta contra o triângulo e deixou-o sobre a mesa de madeira envernizada que o separava de Callie e foi se retirando sorrindo para a garota.
Silent Shadows
— E ai, como foi lá com a garota? – perguntou Harriott, o melhor amigo de Willian, enquanto comiam no refeitório.
— Ela é legal. E bonita. E atraente. – Willian respondeu olhando vagamente mas com o pensamento em Callie – Eu fui falar meu nome e ela disse que já me conhecia.
— Sério? Então ela ou já ouviu falar de você ou já procurou saber. Isso é bom, não é?
— Talvez seja. – disse terminando de comer.
— Vai querer fazer alguma coisa hoje? – perguntou de boca cheia.
— Hoje é quarta-feira cara. Não vou sair hoje. – respondeu com um semblante de desprezo.
— E se eu te disser que uma galera vai passar a noite lá nas florestas hoje? – sorri na direção do amigo.
— Que galera?
— Haley, Jackson, Dylan, Naomi... Eu, você... – sugere.
— Tsk... Tá certo, a gente vai então. Mas eu não vou passar na sua casa pra te buscar.
— Sem problemas, eu vou andando ô melhor amigo. – retrucou no seu tom habitual de irônia e Willian deu uma breve risada.
Silent Shadows
Willian chega em sua casa no final da tarde após sair do colégio e vai direto para a geladeira procurar algo para comer, tira de lá duas panquecas frias e uma garrafa de leite gelado. Coloca as panquecas para esquentar no micro ondas e sobe ao seu quarto depois de retirá-las. Willian coloca sua comida na mesa e abre seu notebook, liga para Harriott via chamada de vídeo. Harriott atende a chamada e vira para a câmera disparando sua arma de brinquedo. Willian se assusta e acaba cuspindo o leite que estava bebendo no bico da garrafa.
— Mas o quê que é isso mano? – disse babando o leite.
Harriott casca o bico do outro lado da tela.
— É minha metralhadora do Star Wars cara...— respondeu expressando ironia e sorrindo.
— Ai, vê se vai mais ou menos arrumado. Tô pensando em irmos pro boliche depois. — fala à medida que pega uma camiseta suja de cima da cama e a joga sobre o chão a fim de limpá-lo.
— Beleza, hoje vou usar a melhor roupa do meu armário. – olha para o seu armário e procura por uma roupa mais bonita mas não encontra uma de seu agrado — Ou talvez eu compre uma "melhor roupa" na loja. — faz aspas com os dedos.
— Já vai fechar tudo cara... Ai, vou desligar, vou me arrumar. Até lá. – fecha a tela do notebook e termina de comer.
Silent Shadows
Anoiteceu e o clima está bem escuro, quase não se enxerga um palmo na frente do próprio nariz a não ser pela energia elétrica nas casas e nos postes de luz, assim as estrelas do céu se destacam, são bonitas e brilhantes.
Willian veste seu moletom e pega a chave do carro em cima da cômoda, vai até o estacionamento da casa, entra no jipe já ligando o rádio e dirige até Denverport Woods. Chegando ao local, após deixar o carro na rodovia, contudo fora da estrada, e colocar sua mochila com alguns utensílios básicos nas costas, adentra as matas e segue uma trilha de pedras procurando por seus amigos, os encontrando no bosque em alguns minutos de caminhada.
— Demorou em amigão. – Harriott fala para Willian, sorrindo de canto – Eu que vim de camelo e você que atrasa?
— Cala a boca Harry. – Willian retruca sorrindo.
O garoto alto cumprimenta todos, os rapazes com um aperto de mão firme e as meninas com um beijo no rosto.
— Vai uma cerveja Willian? – Haley joga uma garrafa de bebida alcoólica para o rapaz sem mesmo esperar por sua resposta e ele a pegou quase deixando-a cair.
— Opa. – ri ao quase deixar a bebida se espatifar no chão de terra com diversas folhas das árvores que caem sobre ele – Eu não bebo.
— Ah, bebe vai. Só hoje. – ela insistiu e ele encarou a garrafa, receoso – Parece não gostar de bebida né? Problemas em casa? – o rapaz a olhou – Talvez.
Willian abre a tampinha da garrafa com os dentes e a cospe sobre o chão.
— Só hoje. – sorriu e ela sorriu de volta.
— Então... Fiquei sabendo que conheceu minha irmã hoje. – disse Haley meio buliçosa, começando a se embriagar tendo que estava bebendo a mais tempo.
— Sua irmã? Quem é sua irmã? – responde com outra pergunta, duvidoso.
— Minha irmã é a Callie. Primeiro ela me disse que tinha conhecido um bonitão, depois me disse que era você. – responde com um olhar descarado.
— Ah sim... Conheci ela sim. De uma forma meio estranha mas conheci. – proferiu dando o primeiro gole em sua cerveja.
Enquanto Haley e Willian conversam, Harriott, Dylan, Jackson e Naomi conversam sobre outros assuntos um pouco mais pro canto dos bancos e mesas do bosque. O lugar é iluminado por lamparinas com luzes brancas que eles mesmos colocaram nas arvores.
— Quantos anos você tem? – pergunta, demonstrando curiosidade.
— Eu tenho dezesseis. E não precisa falar que eu não tenho idade pra beber. – Willian é novo, porém é um rapaz alto e vigoroso.
— Eu não ia falar, só tenho dezessete. – retruca sorrindo.
— Eu também tenho dezesseis. – disse Harriott querendo se integrar na conversa após sair de uma com Dylan, Jackson e Naomi.
— Acho que só eu e ela temos mais idade aqui. – disse Naomi – Também tenho dezessete.
— Ai, vou esticar as pernas. – Willian falou olhando para os amigos já um pouco bêbado – Volto já.
Willian pensa em Callie enquanto anda pela floresta sem temer a escuridão ou possíveis ataques animais, sabe que não há lobos na Califórnia e que leões das montanhas não ficam tão próximos da cidade. Ele senta no tronco de uma árvore cortada qualquer, um pouco distante do bosque onde estão seus amigos, e repousa seu braço sobre a perna.
— Por que veio ficar aqui sozinho? – Haley pergunta inesperadamente, acompanhou-o em silêncio.
Willian se levanta do tronco rapidamente, pávido. Olha para Haley e coloca uma mão em seu próprio peito e a outra na testa com um semblante assustado.
— Nossa Haley... Não faz isso. – riu ainda assustado.
— Desculpa, não quis te assustar. – sorriu.
Haley se aproxima de Willian repentinamente e começa a passar a mão sobre seu braço encarando-o com um olhar devasso.
Willian observa a ação de Haley e torna seu olhar a ela sem saber o que dizer, confuso.
— O que... – Willian é interrompido por Haley que coloca seu dedo indicador sobre seus lábios, calando-o.
A garota se aproxima mais de Willian mordendo os lábios, colando seu corpo ao dele e o beijando subitamente. Ele não entende muito bem a motivação de Haley mas ainda assim retribui os beijos. Começam a se pegar freneticamente. Ele passa sua mão pelo corpo dela como quem não quer nada, ousadamente. Willian para o beijo um momento e rapidamente olha a garota da cabeça aos pés, observando-a. Seu cabelo grande, liso e ruivo é um enorme destaque em sua aparência, além de seu tamanho perfeito de provavelmente um metro e setenta e sete, um pouco menor que Willian, e seus ombros e quadris alinhados, cintura estreita e definida, costas largas, coxas volumosas e busto razoavelmente cheio, o ideal para o seu tamanho. Willian morde os lábios e volta a beija-la, Haley se aproveitando da situação leva sua mão por dentro do moletom do rapaz e começa a alisar seu abdômen, sentindo os gominhos de sua barriga. Willian acaricia a nuca de Haley com os dedos à medida que com a outra mão alisa suas costas por dentro da blusa e sente o cheiro do seu pescoço. Ela revira os olhos. A garota tenta tirar a camisa de Willian enquanto se beijam e ele facilita para ela tirando-a. Ele a agarra por suas pernas expostas, Haley usa um shortinho bem curto, e a põe na altura de sua cintura.
— Fala sério. Coloca essas mãos em um lugar mais útil. – disse a garota libertina sorrindo com malicia.
— Aqui tá melhor? – Willian desce suas mãos para uma posição mais intima e os dois se beijam loucamente no meio da floresta durante um bom tempo.
Haley desprende suas pernas da cintura de Willian, voltando para o chão. Eles param de se beijar, tomam um tempo para respirar.
— Acho melhor eu voltar, vão desconfiar. – ela disse ofegante – Vou primeiro e você vai depois?
— Isso. – responde o rapaz escorado na árvore abraçado com Haley.
— Tá. – beija a boca de Willian brevemente e se retira.
Willian respira fundo e encosta o braço na árvore, apoia a cabeça nele e fica olhando o chão alguns segundos sorridente. Ele começa a se sentir tonto de repente, desencosta da árvore e incomumente cambaleia de um lado para o outro. Ele abre bem os olhos e chacoalha a cabeça tentando controlar a zonzeira.
— Eu só bebi uma cerveja. Eu não posso estar bêbado. – fala consigo mesmo, se apoiando na árvore novamente.
Ele fixa seu olhar em uma placa incomum logo a sua frente que não tinha enxergado ali antes, pendurada em uma arvore qualquer com coisas escritas em uma tonalidade forte de vermelho, semelhante a sangue. Ele tenta ler mas logo percebe que as letras estão todas embaralhadas, incompreensíveis. Willian força um pouco as vistas e as letras continuam na mesma ordem. Coça os olhos e volta a olhar.
— Área de risco. – reproduz o que leu na placa se encafifando, ele jurava estar escrito outra coisa, algo como ‘DAIÁ ER OCSRE’ – Bobeira. – disse chacoalhando a cabeça de um lado para o outro se recuperando da tontura e ainda duvidando do que havia lido antes. As letras fora de ordem estavam muito nítidas para ser por causa da vertigem. O rapaz fica cabreiro.
Barulhos incomuns tomam a atenção de Willian, ele vira para trás com rapidez ao ouvir rosnados e galhos partindo ao meio, um cachorro perdido nas florestas foi a primeira coisa que veio em sua cabeça ao escutar esses sons.
— Haley? – chama pela garota, assustado.
Willian é imprevistamente derrubado por algo enorme que sequer conseguiu ver direito e que era igualmente veloz. A coisa que o derrubou é semelhante a uma sombra, só o vulto e os olhos vermelhos pôde ser visto. Ele se levanta com agilidade e olha para todas as direções, aflito e completamente apavorado.
— Q... Quem tá ai? – disse com a voz trêmula dando passadas para trás atentamente e escorando em uma árvore.
Willian sente que a coisa que o derrubou passa por si diversas vezes como se estivesse o rodeando, mas é tão rápido que sequer pode ver, apenas ouvir os sons de rosnados, matos e galhos quebrando bem próximo de si. Ele começa a entrar em desespero e respirar muito rápido, já temendo o pior.
— AAAARRGH! – gritou com os olhos arregalados após sentir que foi mordido profundamente na região do abdômen, cai sobre o chão ainda acordado.
O grito de Willian ecoa durante segundos na floresta.
Haley ainda próxima do local onde estava com Willian escuta-o gritar e se assusta, volta correndo para ver o que aconteceu.
— WILLIAN! – gritou ao ver o amigo caído sobre o chão, cheio de sangue e com a mão pressionando a ferida.
— Eu tô... bem... – fala com a voz debilitada – Tenta fa...falar com o Harriott – diz à medida que tira o celular do bolso com dificuldade e o estende para Haley.
— Sem sinal. Droga! – resmunga ao olhar a conexão baixa do celular com o sinal. Willian fecha e abre o olho muitas vezes, quase apagando.
Haley vê Harriott e os outros correrem em sua direção.
— Graças a Deus. – suspirou aliviada.
Jackson observa o estado de Willian de longe, chega ás pressas já removendo sua jaqueta e aplicando um torniquete na região do ferimento com agilidade. Willian reclama de dor.
Harriott chega perto de Willian e coloca o braço do amigo em volta do pescoço ao ver que Jackson já terminou os procedimentos.
— Vem, me ajuda! – referiu-se a qualquer um disposto a ajudar e Dylan sem pensar colocou o outro braço de Willian em volta do pescoço e ajudou Harriott a levanta-lo.
Jackson limpa o suor da testa com o braço, preocupado com o estado de Willian.
— A gente vai te levar pro hospital. Fica calmo. – disse Harriott na tentativa de acalmar Willian. – Vamos. Alguém acha as chaves do jipe nos bolsos dele!
Os amigos saem da floresta e vão até o jipe de Willian, colocando-o no carro com cuidado e levando-o para o hospital memorial de Denverport Hills às pressas.
Silent Shadows
Harriott e Dylan entram apressadamente no hospital, carregando Willian pelos braços desmaiado, todos cheios de sangue.
O hospital está agitado, cheio de pacientes e funcionários correndo por todo canto.
— ALGUÉM, POR FAVOR! ELE TÁ PERDENDO MUITO SANGUE! – gritou Haley acompanhando os rapazes, desesperada, segurando a mão de Naomi que assiste a tudo muito aflita.
Uma das médicas se aproxima dos rapazes rapidamente.
— O que houve com ele, meninos? – perguntou a médica levando sua mão no pescoço de Willian checando sua pulsação e logo após visando seu ferimento, tudo muito rápido – Na verdade não importa, seja o que for precisa ser tratado agora! – disse a médica após notar a pulsação fraquíssima de Willian e o enorme rasgo em seu abdômen que transpassa seu moletom além de o garoto estar pálido como um cadáver.
A mulher puxa uma das macas vazias que ficam encostadas na parede e pede o apoio de outros funcionários para que o ponham deitado.
— Levem-no para a sala de cirurgia com urgência. – a doutora fala aos médicos que pegaram a maca. – Qual o nome de vocês? – direciona a pergunta ao grupinho.
— Eu sou Harriott, ele é Jackson, Dylan, Naomi e Haley. – ele responde a médica apontando para cada um segundo seu respectivo nome.
— Eu sou a doutora Agnes. Agora escutem rapazes, eu não sei o que houve com ele ainda, mas preciso que esperem aqui para que eu possa lhes falar o que pode ter sido e também preciso que liguem para os familiares desse garoto o mais rápido possível! – fala tudo com muita rapidez, olhando para os amigos de Willian e também parecendo estar escondendo algo.
— Tá bom. – disse Harriott e o restante dos amigos assentiu.
— Espera, você não é o filho da Lorie? – perguntou olhando para o rosto de Harriott — Harry, não é?
— É, sou eu. — respondeu — Harriott na verdade, mas ela me chama de Harry.
— Tudo bem, certo. Esperem aqui. Qualquer coisa falem na recepção.
Agnes sai em direção à sala de cirurgia se apressando para alcançar a maca.
Silent Shadows
Os médicos começam a se aprontar para mexer no abdômen de Willian.
— Meu Deus. – disse Lorie pondo a mão na testa, desacreditada.
— O que foi Lorie? — perguntou a doutora Agnes.
— É o Willian, o melhor amigo do meu filho...
— Seu filho está lá fora, ele foi quem trouxe esse rapaz junto com outros amigos.
— Meu filho? E ele está bem? – perguntou começando a entrar em desespero.
— Lorie, seu filho está bem, se concentra, você precisa ter foco aqui agora. – respondeu com um tom de voz relativamente arrogante.
— Senhoras. – chamou um dos médicos que também irá operar Willian – Por que exatamente estamos dando urgência a esse rapaz? Ele não foi só mordido? O que tem de tão grave nisso?
— Ele não foi só mordido, Ramsey, ele foi envenenado. – respondeu Agnes – Precisamos remover o veneno dele.
Willian fica na sala de cirurgia durante vários minutos. Os médicos que estão operando tem muita dificuldade para distinguir o que possa ter causado o ferimento.
— Ele está sangrando preto... – disse Lorie tentando assimilar o ferimento com o causador dele, duvidosa.
— Não é porque já secou?! – respondeu Agnes com entonação de questionamento à medida que usa um extrator de veneno para tira-lo de Willian.
— Não, o sangue está literalmente saindo preto do corpo dele, olha só. – Lorie pressiona com cautela a ferida de Willian fazendo escorrer um pouco de sangue.
Willian se contorce, anestesiado, ao ter sua ferida pressionada.
— Estranho... Alguém injeta o haldol nele fazendo o favor, e leve-o para um dos quartos, ele precisa descansar, assim que ele acordar faça o diagnostico dele, não temos tempo a perder. – finaliza removendo as luvas cirúrgicas da mão e jogando-as no lixo ao lado da porta.
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