Empty Mind
1 Capítulo único
Notas iniciais
Uruha\'s P.O.V
Vazio. É assim que eu me sinto. Como alguém pode passar pela nossa vida tão rápido e simplismente desaparecer? Ela fazia parte da minha vida, não era apenas a minha maquadora. Era tudo o que eu tinha e tudo o que eu gostaria de ter pro resto da vida.
~ FLASHBACK ON ~
- Uru-san... Pare de se mexer senão vai parecer um espantalho! — Ela ria. Como era lindo vê-la sorrir, era tão... acalmante.
- Mas o meu nariz tá coçando, Kasu-chan! E na posição que eu estou, não vejo seu rosto. Isso é torturante, sabia ? — Ri, fazendo com que ela borrasse o lápis sem querer.
- Tá vendo?! Tá coisa mais fofa com um risco de lápis no meio da cara... — Ela ficava mais linda ainda fazendo aquele bico de brava.
Era proibido que os membros das bandas mantessem relações amorosas com funcionários, mas não tinha problema. Os meninos sabiam que eu namorava com Kasumi, mas não comentavam nada, nem Miyavi, nem os meninos do SuG, nem do Screw, nem o Gackt, nem ninguém, todos mantinham segredo.
~ FLASHBACK OFF ~
Aquela vontade horrível de chorar feito um doido tinha voltado. Como ela pôde fazer isso comigo? Pedir demissão do nada e sumir? Era como... Se ela tivesse morrido... me abandonou. Aoi insistia em dizer que era frescura minha, que tudo ficaria bem e que eu sou muito sentimental, mas eu sabia que não era isso, algo não está bem, ela nunca iria fazer isso comigo.
Precisava fazer algo.
Depois dos ensaios, fui à casa de Kasumi. Precisava vê-la, tocá-la, sentir o perfume da minha pequena. Bati na porta, toquei a campainha, chamei, gritei, fiz o que pude, mas ela não apareceu. Eu vi o carro dela na garagem, ela estava em casa, a luz do quarto estava acesa. Não vi outra alternativa, arrombei a porta.
- KASUMI! KASU-CHAN! MEU BEM, RESPONDE, CADÊ VOCÊ? — Eu gritava, sem obter sucesso na resposta.
Subi as escadas, entrei no quarto, fui para o banheiro e.. me deparei com a pior coisa que podia acontecer na minha vida. Minha Kasumi, minha pequena, estirada no chão... o sangue escorrendo pelos pulsos, se espalhando pelo tapete do banheiro... meu olhos ficaram marejados de lágrimas, minha visão turva só conseguia enxergar o sorriso dela se distanciando, ficando apagado.
Ajoelhei-me a seu lado, pegando-a no colo. Notei um pedaço de papel escrito, não com a letra dela, com uma letra desconhecida, mas não tive tempo de ler. Guardei a tal carta no bolso e levei-a para o carro, indo pro hospital.
Chegando lá, os médicos a puseram numa maca e a levaram para uma sala, para a qual eu não pude ir, fiquei esperando.
Enquanto esperava, fui ler a carta que tinha encontrado ao lado de Kasumi.
\"Nós tínhamos te avisado, Kasumi. Não gostamos desse meio que você vive, com essas pessoas. Você nunca nos ouviu, apenas ignorou... você é uma péssima filha, Kasumi. Temos vergonha de dizer que a nossa filha passa o dia num local cheio desse tipo de gente... maquiando homens! Sinto dizer, não temos mais filha. Esqueça que somos seus pais, esqueça que existimos. Para nós, você morreu.
Seus pais.\"
Era por isso... Como os pais dela podiam ser tão mal agradecidos ? Deveriam se orgulhar dela, por ela ser aquela pessoa tão... maravilhosa...
O médico veio e me tirou daquele devaneio de pensamentos e de olhares, já que as pessoas não paravam de olhar para mim com aquela cara horrível de... pena.
- Ela quer vê-la. — Disse o médico... aquele médico me assustava.
Quase entrei correndo naquela sala, só me contive por estar num hospital. Vi a minha Kasumi naquela cama de hospital, pálida, quase sem vida... respirando com dificuldade... sentia vontade de morrer.
- Meu bem... porque você fez isso ? Porque não me contou dos seus pais ? Eu sempre fiz de tudo pra te defender... porque fez isso comigo ? — me ajoelhei ao lado da cama, colocando a cabeça no colo dela, apoiando o rosto em suas mãos, chorando. Um choro amargo, o pior choro que já escorreu pelos meus olhos.
- Você... sabe que eu não poderia mais conviver com o ódio dos meus pais, meu amor. Aquilo foi a gota d\'água, não suportei... — Ela começava, quase sem voz — Kouyou... embora eu não vá estar mais contigo, não esqueça do meu amor. Esqueça-se de mim, mas não do meu sentimento por ti. Você foi o que mais me importou na vida, e será assim até depois de minha morte... eu amo você.
Ela levantou meu rosto e me beijou. Senti seus lábios esfriarem, e ela já não era mais minha Kasumi. Eu a perdi. Ela estava bem ali, ao meu alcance, nas minhas mçaos e eu a deixei escapar, deixei-a fugir. Perdi o motivo de viver, a razão pela qual meu mundo girava, a única pessoa que eu realmente amava.
Dei um grito. Só podia ouvir o meu choro e o barulho do aparelho indicando que o meu amor tinha ido para um lugar, talvez melhor que aqui.
Os médicos tiveram de tirar-me dali a força e, mesmo em casa, não acreditava no que tinha acontecido.
Deitado na cama, os cabelos ainda molhados, eu ouvia a voz dela... cantarolando a mesma música que ela cantava quando viva, a que me fazia dormir, que me acalmava quando eu brigava com alguém, a que me lembrava ela.
Adormeci, sentindo a voz doce da minha Kasumi. Eu tinha certeza que ela estava ali, velando meu sono, fazendo minha tranqüilidade voltar e meu coração acalmar-se novamente...
\" Não esmaeça, minha querida
Quero ouvir mesmo que seja um sussurro
No som de um pequeno pulso
Chega o desejo que eu não posso deixar de lado
Fico perto do nome que não posso chamar
O amanhã contado nos meus dedos
Não quero desaparecer... \"
Guren — the GazettE.
Notas finais
Reviews ? HÃN ? *-*
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