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Notas iniciais
Mas que droga. Você tinha que fazer isso comigo, não é? Depois de tudo... depois de tudo o que aconteceu, depois de tudo o que nós...
Mas você tinha que ter feito isso. Como acha que eu me sinto, olhando agora onde você repousa e só vendo uma lápide fria, com seu nome gravado aí? É, você não sabe. Mas eu vou te dizer.
Eu estou destruído. Justo eu. Não sobrou nada de mim, exceto um vazio desesperador e enlouquecedor. Ah sim, e a dor. A dor de saber que quando eu acordar amanhã, eu não vou ver o seu sorriso doce e gentil. Não vou ver os seus olhos tão brilhantes, capazes de dizer tanta coisa sem que uma única palavra deixe os seus lábios.
Estávamos indo tão bem... Até uma desconfiança surgir sobre nós. Um boato inventado por aqueles que invejavam a nossa felicidade. Você hesitou, eu me irritei com a sua hesitação e você... você se foi. Simplesmente se foi.
Eu achei que você voltaria. Você sempre voltava, não importava a discussão. Ou eu voltava, dependendo do caso. Você era o único que conseguia me fazer voltar atrás, de reconhecer os meus erros.
De me acalmar com um único sorriso.
Por isso eu não me conformo. Dane-se a banda. O que eu quero... o que eu mais quero no mundo todo é sentir você nos meus braços, ouvir você me chamar de manhã quando eu me atrasava para os ensaios... ver o seu sorriso.
Que me chamem de idiota apaixonado. É exatamente isso que eu sou, mesmo que você não esteja mais fisicamente ao meu lado. E o que eu mais me arrependo é de não ter tido a coragem de te dizer isso, olhando nos seus olhos brilhantes. De não ter lhe dito o quanto eu te amo.
E agora... agora só me restam lágrimas, dor e esse amor insano por você. Se alguém (não sei quem agora) não tivesse segurado meu ombro durante todo o seu enterro, eu certamente teria pulado junto. Mas as pessoas são egoístas, sabe? A maioria delas não entende o que é perder algo tão valioso.
Como é sentir suas mãos vazias.
Mais do que nunca, o vento parece frio. O inverno do meu coração parece estar se espalhando para o mundo, e eu sinceramente quero que o mundo se dane. De que me adianta ter o mundo, se eu não tenho você? De que me adianta ser famoso, se quando eu chegar no meu apartamento ele vai estar escuro e vazio?
Escuro e vazio como eu estou agora.
Não, não vai passar. Não importa o quanto me sussurrem isso, eu sei que não vai passar. Você não apenas marcou a minha vida. Você era a minha vida. Definitivamente, minha alma morreu no maldito instante em que eu te encontrei morto no seu apartamento, o vidro de veneno jogado no chão.
No primeiro momento, só o que eu fiz foi te sacudir desesperadamente, chamando pelo seu nome. Mas você não respondeu. Você não sorriu. Não abriu seus olhos, dizendo que aquilo era uma brincadeira. Claro que se você fizesse isso, eu certamente iria lhe espancar... Mas era pelo medo de te perder.
Embora eu nunca tenha te demonstrado, meu maior medo sempre fora te perder. Fosse sua amizade, fosse seu amor.
O nosso amor, que era sincero, acabou enredado numa teia de boatos e enganos, de erros e desconfianças... e ele acabou te sufocando. Mas eu... também me sinto sufocado. E aqui, ajoelhado em frente ao seu túmulo, ao estender a minha mão, tudo o que eu toco é sua lápide fria. Não sinto o calor da sua pele macia. Meus dedos contornam os kanjis do seu nome.
Você foi o único que consegui decifrar o "enigma" que eu sou. O único que conseguiu derrubar toda e qualquer barreira que eu havia erguido entorno do meu coração. E agora... tudo acaba assim. Talvez se eu tivesse chegado mais cedo... Talvez se eu não tivesse deixado você sair do meu apartamento...
Como você pode sequer cogitar que eu havia te trocado por uma vadia qualquer? E pior, que eu a havia engravidado? Depois de você... eu nunca mais toquei outro ser humano. Pelo menos não do jeito que eu te tocava.
Eu ainda me lembro do gosto dos seus lábios. Ainda me lembro do cheiro da sua pele. Ainda me lembro da sua voz. Mas eu... não queria ter que lembrar. Eu queria ter você aqui, do meu lado, renovando cada lembrança dessas.
O que eu faço agora, chibi? Uruha pode estar aqui do lado para tentar me dar algum conforto, mas... Sem você, eu não vou conseguir. Sem você, eu não posso viver. Mesmo porquê, vê-lo com Aoi só vai me trazer lembranças do nosso tempo feliz. E isso vai doer. Vai doer mais que o inferno.
Chibi... Só você viu as minhas lágrimas, e elas sempre foram por você ou pra você. Eu nunca fui sentimental, e agora eu vejo que talvez você tenha me amolecido. Acho que, no fim das contas, todo o trabalho que você teve para que eu me abrisse para o mundo foi em vão.
Eu não quero o mundo. Não o mundo onde você não está mais.
Está nevando. Você adorava a neve... É, vai ser impossível viver sem você. Uruha está me puxando, tentando tirar alguns flocos do meu moicano. Chibi... O que eu faço agora? Acho que no fim... eu vou acabar sendo levado pela minha angústia, e me encontrar com você.
Quando eu te encontrar... Vai ser o melhor dia da minha vida.
Fim
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