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1 Capítulo Único
Notas iniciais
O brilho intenso da luz desfoca seu olhar e prende sua mente num lugar inalcançável. Você não está sozinha e por isso terá de esperar pela madrugada silenciosa para acalmar seus nervos frustrados.
Você assistiu tudo o que conhecia se deteriorar bem lentamente. O amor se transformou em ódio, a preocupação em indiferença e o carinho em frieza. A mágoa é um cobertor grosso ao redor do corpo frágil. O que você tem agora, louca iludida?
Nada.
E esse vazio transborda seus poros, infecta o seu sangue e corrompe a sua mente. A solidão é sua única companheira no caos que você se permite viver.
Por isso, ninguém se importa com as supostas marcas de pulseira no seu pulso, não é? Ninguém se importa com as olheiras evidentes. Ninguém se importa com o fato de você andar de blusa de manga comprida debaixo do sol quente.
Sofre, gira, chora, morre, grita, machuca, para. Pare antes que seja tarde. Mas nunca é tarde e a sua única falsa libertação é se jogar contra os laços delicados da vida, esperando atravessar a linha tênue que a separa da morte.
A dor não é um motivo real para acabar com tudo, apenas os fracos usam essa desculpa e você sabe disso. Você nunca poderia arrancar aquilo que lhe sobrou, portanto, as lâminas deslizam por seus braços com facilidade e é aí que você se encontra em amplo êxtase.
É a sua saída de emergência, a mais fácil e rápida. Então você a usa.
E usa até demais, sabendo apenas que isso limita a sua dor, mesmo que por pouco tempo.
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