Emptiness
1 Capítulo 1
Ele fechou os olhos e puxou os cabelos para trás, suspirando. Não interessava que não houvesse nenhuma luz ali, ou companhia, ou sentimento. Ele se sentia tão vazio quanto aquele quarto, como se nunca mais pudesse mudar aquilo.
Onde será que ele tinha falhado? Ele não tinha sempre dado o melhor de si mesmo? Ele não tinha tentado o suficiente?
Moveu a mão direita, que estava entre as mechas de seu próprio cabelo, até seu ombro esquerdo, apertando o local com força, como se a dor física pudesse fazer amortecer a psicológica. Não podia. Ele já tinha tentado aquilo antes, e ele-
-viu como se estivesse lá, como se estivesse com eles, as mãos de Junhyung passando pelas costas dela, debaixo de o que quer que ela estivesse usando, ou talvez fossem as mãos dela na pele dele, ou talvez eles só estivessem conversando, e então ele se inclinava para o lado dela, com um braço protetor passado sobre seu ombro, e dizia alguma coisa que a fazia rir e se sentir estranhamente protegida, orgulhosa de que ele estivesse com ela...
Ele mordeu o lábio inferior para não gritar. É uma mentira, ele pensou. Ele é meu, ele sabe disso. Mas não acreditava em si mesmo. HyunSeung nunca gostou de otimismo. Não combinava com ele. Não ia se deixar confortar por aquilo. Talvez não fosse mentira. Talvez a mentira fosse ele. Ele sempre desconfiara de que fosse, mesmo antes de ela aparecer.
Sabia que ter raiva dela não adiantaria, mas ainda era uma perspectiva melhor do que ter raiva de si mesmo. Droga, onde é que estava o erro? Ele não gostava de errar. Se acontecesse, simplesmente consertaria tudo. Mas aquilo não dependia dele. E, mais do que odiava otimismo, HyunSeung odiava as coisas que não dependiam dele. Era mais fácil para ele procurar o que ele tinha feito de errado do que admitir que ele não podia ter feito nada.
Perguntou-se, pela primeira de prováveis muitas vezes, até quando aquela sensação ia durar. Não dizem que o tempo cura? Quanto será que demoraria? Porque ele sabia que tinha mil coisas para fazer, e precisava fazê-las, ao invés de sentir aquela dor entorpecida que o fazia querer ficar deitado na cama, num quarto escuro e sozinho, exatamente como ele estava agora.
Eu tive aquilo tudo. A presença dele. A parte dele que era confiável, e também a parte que não era, e que eu sabia não ser. As coisas sem sentido que ele dizia. O jeito com que olhava pra mim. As coisas que ele disse que nós faríamos juntos, mas que não faremos mais, não agora – Eu tinha tudo, e aquilo era a normalidade. A parte onde eu estou errado é que eu só notei como era especial depois que terminou?
Talvez fosse. Ou talvez aquela desconfiança que ele tinha fosse a culpada. Mesmo que ele nunca tivesse dito nada, ainda assim talvez JunHyung sentisse que ele não confiava totalmente nele, que ele só estava esperando que ele fizesse algo errado... mas HyunSeung não se sentia assim com todo mundo, afinal?
Ou, então, ele talvez tivesse gastado tempo demais preocupado com as coisas que ele não queria descobrir sobre ele, para poder se focar nas coisas boas. Que perguntas não fazer? O que deixar pra lá? Quais são os assuntos nos quais eu não quero que ele toque? Não tinha sido por mal, entretanto. Mas era errado. Ninguém é perfeito. Se ele não se confrontasse com a parte ruim dele naquela época, acabaria acontecendo. Tinha acontecido.
Era por que eles nunca tinham conversado sobre o assunto? Porque eles não tinham. Eles só eram. Não havia futuro. Nem passado. HyunSeung teria gostado de falar sobre eles, é claro, mas ele não começaria. Ele queria fazer com que o relacionamento fosse sério? Não sabia. E, principalmente, não queria que JunHyung achasse que sim.
Arregalou os olhos quando a porta do quarto abriu. Ele não estava chorando – até mesmo chorar parecia tão distante, tão impotente e oh, Deus, como ele detestava se sentir desse jeito. Detestava saber que talvez não houvesse nada para que pudesse ser feito, mas detestava ainda mais, com todas as forças que ele tinha, saber que ele ainda podia tentar, mas ter certeza de que não queria tentar. Ele não gostava de competições, afinal, nunca gostara. Além de não ser um otimista.
A porta se fechou novamente, e ele estava dentro do quarto, mas não acendeu a luz. Ele deve saber, pensou. Ele sabe muito mais sobre mim do que eu sequer tive coragem de querer saber sobre ele. Mas ele nunca vai admitir isso.
Ouviu quando JunHyung sentou na cama ao lado da sua. Tão perto e, ao mesmo tempo...
“Você quer... que eu diga alguma coisa?”, o outro perguntou.
Vamos, ele disse para si mesmo, essa é a sua chance de dizer tudo o que está entalado. De fazê-lo se explicar e depois detonar cada um dos argumentos dele. Por que você poderia, não poderia?
Ele sabia que sim. Mas existiam outras coisas para ele que eram mais importantes do que aquilo que ele tinha vontade de fazer.
“Não”. Ele respondeu, sem emoção. “Mas você é quem sabe”.
O silêncio foi muito maior do que ele gostaria que tivesse sido. Eles não estavam prontos para aquilo, talvez nunca estivessem. Tudo bem, JunHyung talvez fosse um covarde, mas ele próprio não era ainda pior? Que espécie de fim era aquele? Ele deveria se contentar com aquilo?
“Ok”, ele disse, levantando-se e caminhando até a saída do quarto, sem pressa. Talvez, mas apenas talvez, ele estivesse esperando que HyunSeung mudasse de ideia. E ele tinha vontade de mudar, por Deus como tinha, mas não conseguia.
Ele ficou somente olhando para a porta, sem expressão, depois que ele saiu. Suspirou, sentindo-se triste – não mais triste do que antes de ele vir, no entanto, não mais triste do que já estava – e se perguntou, pela segunda vez, quanto tempo demoraria para que aquela sensação passasse.
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