Empatia
1 Primeiro Capítulo.
Notas iniciais
▬ O Empático.
Eu dificilmente acordava com sons ou ruídos da casa, mas naquela madrugada eu acordei. Olhei para o relógio na escrivaninha ao lado da cama, e faltava mais ou menos uma hora para meu típico despertar. Eu estava ouvindo gemidos e ruídos de gostas de água pingando na pia de metal que vinha lá de baixo.
Me levantei calçando os chinelos, vesti um roupão e me arrastei até o quarto dos meus pais. Olhei pelo vão da porta e eles estavam dormindo. Me virei para as escadas, deixei meus chinelos no topo delas para que quando descesse não fizesse barulho algum. Desci as escadas de madeira olhando em volta para ver a claridade da sala. A TV estava ligada, meu irmão estava dormindo espojado no sofá. Na TV, um homem e duas mulheres estavam transando. Olhei para o meu irmão dormindo com um rosto inocente, então senti um sorriso se espalhar por meu rosto sonolento, sacudi a cabeça em reprovação. Tirei o controle das mãos leves dele e desliguei a TV, ele não se mexeu. Mais uma vez olhei em volta, o cômodo continuava claro, não tanto como antes, mas bem claro. Em um breve momento pensei em acordá-lo, mas imaginei o show de gritos que também acordariam meus pais, a vizinhança e a cidade inteira. Fui até a janela para ver como estava a lua, mas ao invés de vê-la, avistei um borrão de cor alaranjado avisando que o sol já estava para nascer. Fechei as cortinas e caminhei até a cozinha onde as gotas continuavam a pingar no metal. Apertei bem a torneira, percebi que as gotas pararam de cair rápido. Fiz um pequeno sinal de quem se sente a pessoa mais forte do mundo – eu estava bem animada para cinco e meia da manhã –, voltei para sala, olhei meu irmão, me veio outra vontade de acordá-lo, ele não iria ficar tão bravo assim, só faltava uma hora para ele acordar, que mal teria em acordá-lo antes para me fazer companhia? – eram nossos últimos dias de aula, ultima semana para as merecidas férias de três meses. Ele estava tão feliz com as férias próximas. Por fim acabei subindo as escadas olhando para ele, parecia um sono tão bom. Peguei meus chinelos no topo da escada e voltei para o meu quarto. Assim que fechei a porta, ouvi o ranger da porta do quarto dos meus pais e pés se arrastando. Olhei para as costas da minha porta, para meu quarto arrumado e para a janela com um lindo nascer do sol se iniciando, pensei um pouco e decidi não voltar a dormir, afinal, me restava pouco tempo de sono. Peguei minhas coisas e fui para o banheiro ao lado do meu quarto. No meio do caminho ouvi meu pai quase berrando com meu irmão.
– ... era mais de meia noite, já é a terceira vez no mês que pisa na bola...
Nem liguei para os gritos matinais, isso acontecia frequentemente, ele estava prestes a se formar, alguém precisava provar que ele não era o rei do mundo só por acabar o colegial – e meu pai não era a pessoa certa –, ninguém conseguia colocar isso na cabeça dele.
Ao decorrer do meu banho, ouvia socos fortes na porta e um adolescente gritando por um banho. Depois de quarenta minutos – acordei mais cedo, que mal teria um banho mais demorado? — eu saí do banheiro quente, ouvi uns murmúrios passarem ao meu lado e a porta batendo atrás de mim. Após me trocar, desci as escadas pisando forte para avisar meus pais que eu estava chegando, – e não assustar minha mãe como sempre pelo fato de estar fazendo o café como sonâmbula – passei pelo meu pai na sala sentado em sua poltrona lendo o típico jornal, nem me atrevi a chegar perto, ele parecia meio zangado. Fui direto para a cozinha onde se encontrava minha mãe.
– Bom dia – cantarolou ela.
Nunca achei certo as pessoas dizerem “bom dia” logo quando acordamos. Afinal, desejam um bom dia, afirmam, ou perguntam?
– Onde estão as frutas? – perguntei procurando na geladeira.
– Obrigada pela troca de bom dia – ironizou ela arrumando a mesa enquanto eu arrastava uma cadeira e me sentava.
– Disponha.
– E então? Já se decidiu onde vai passar as férias?
Nesse momento meu pai entrou na cozinha murmurando alguma coisa que eu não entendi. Meu pai – Vicent – um homem alto, forte – embora após se formar em medicina emagrecera um pouco -, cabelos negros, com traços de um homem muito bravo. Não tinha muito tempo para os filhos – e meu irmão adorava inventar dramas e desculpas com isso -, vivia em sua clínica médica a maior parte do tempo, passando apenas os fins de semana e feriados conosco – isso quando não recebia telefonemas urgentes e saia correndo, perdendo os únicos dias de descanso –, mas eu não o culpava, ele só queria o melhor para sua família, por isso sempre se esforçava. Seu sonho era que um – ou ambos – dos seus filhos assumisse a clinica quando ele não conseguisse mais prosseguir, mas decididamente eu e meu irmão não seríamos médicos.
– Ainda não me decidi, mas quero ir para um lugar bem longe nessas férias – respondi seguindo meu pai com os olhos até ele se sentar na cadeira ao meu lado.
– Por que bem longe? – perguntou puxando e sentando na cadeira a minha frente.
Minha mãe – Giulia –, uma mulher não muito alta nem muito baixa. Eu e minha mãe tínhamos uma semelhança incrível e inexplicável. Nossos olhos cor de mel, cabelos castanho bem claro — embora os seus tivessem sidos tingidos de loiro vivo – que batiam no meio das costas, magras, com quase a mesma voz doce que meu pai sempre lembrava de elogiar. Giulia também se formara em medicina e trabalhava na clinica com meu pai. Meus pais eram os proprietários da clinica, Clinica Cirúrgica Barlow’s – Barlow, sobrenome da nossa família.
– Ah, nada de mais, só quero conhecer lugares diferente – sorri sem encará-la.
– Hum... Escolha rápido, falta menos de uma semana e...
– OK mãe, você não quer nada de ultima hora, se houver correria vamos para a casa da vovó com vocês – Eu disse com as mesmas palavras usadas por ela naquele mês inteiro.
Meu pai sorriu, e meu irmão entrou com os cabelos molhados e com uma cara de quem não estava muito feliz. – ainda bem que não o acordei.
Jason – meu irmão – era um garoto muito bonito. Tinha uma aparência semelhante ao meu pai, — assim como eu e minha mãe – cabelos negros bagunçados, meio forte – não como meu pai, mas tinha uns músculos. Jason tinha começado a malhar a pouco tempo, e passava a maior parte do dia na academia desde então. Uma coisa muito linda em meu pai e meu irmão que me deixava irritada eram seus olhos. Eram olhos inexplicavelmente lindos, era um azul muito claro, se aproximando do branco, nunca havia visto cor igual, estranho, mas lindo. Jason se formaria este ano no colegial, por isso andava fazendo tudo o que queria, bebendo, se drogando, levando garotas para casa e transando na sala. Mas se tinha uma coisa que eu não entendia, era as vezes que ele ficava louco, muito louco, uma loucura nunca vista igual. Isso havia começado a pouco tempo e somente meu pai conseguia fazê-lo parar. – minha mãe parecia entender o que estava acontecendo, mas se calava e se negava a responder minhas perguntas sobre os gritos frenéticos. Meu pai o arrastava para o quarto, eu não sabia o que acontecia lá, os gritos paravam depois de mais ou menos um minuto e meu pai saia sozinho do quarto pingando suor da testa e olhando minha mãe com ar de lamentação.
O café seguiu em silêncio, sem nenhuma palavra, mas o ambiente estava muito tenso. Parecia que depois daqueles ataques de nervos possuírem meu irmão, ele não suportava meu pai, mal conseguia ficar perto dele, sempre com um olhar raivoso quando respondia – ou não — as perguntas feitas pelo meu pai. E eu não entendia; era meu pai que cessava os ataques, os gritos, e meu irmão ainda o desprezava e o desrespeitava?
Jason era meu único irmão, era mais velho, muito bonito e eu o amava, sim, o amava muito. Ás vezes me pegava olhando para ele e sorrindo como uma boba. Ás vezes eu adormecia no sofá da sala, e quando acordava, o pegava me observando. Eu me sentia protegida perto dele, mas não me atrevia a chegar perto quando ele estava com seus amigos. Ele sempre me olhava com uma cara feia, e eu lia as expressões horríveis em sua face quando seus amigos mexiam comigo, mas eu nem ligava para os garotos, não por não querer me envolver, ou pensar que era brincadeira deles, mas porque por não gostar de arrastar amigos por onde passava, embora muitos tentassem se aproximar de mim. Minha família andava mudando de cidade constantemente e eu não gostaria de me apegar a tantas pessoas e depois ter que fazer a mesma triste despedida de sempre. Mas ás vezes – a maioria delas – eu não conseguia suportar tais pessoas perto de mim, então, eu me isolava para não acabar magoando-as com meus “foras” secos.
Estávamos em Dallas, e segundo meus pais essa seria nossa ultima mudança, mas eu não faria amizades até fazer um ano completo que nos mudamos. Ao contrário de Jason que fez amizade com metade da escola em uma só semana e já havia pegado mais meninas do que eu pudesse contar.
Cheguei no mesmo horário de sempre na escola, fui direto para a sala de Históriae aguardei escutando musica com meus amigos – fones de ouvido — a aula começar.
Os alunos foram chegando aos poucos e se acomodando, e por ultimo, chegou o professor.
– Bom dia – disse o professor quase gritando – abram os livros na página cento e cinqüenta e oito. Sim, houve uma pequena mudança na ultima matéria do ano. – o professor encarou a classe que olhavam a página do livro e cochichavam com os vizinhos – esta bem, houve uma grande mudança, e para falar a verdade eu não gostei, mas foram ordens do nosso diretor.
– Mas já aprendemos isso – falou um aluno no fundo da classe que parecia não olhar para o professor e sim para o livro, não me virei para certificar.
– Vamos rever a matéria? – agora a voz de uma garota.
– Eu sei que aprendemos o conteúdo desta página, e não vamos rever a matéria Senhorita Müller, só vamos usar a data deste mesmo acontecimento nessa nova matéria de hoje – explicou o professor – 1895.
Eu olhei para o meu livro com a página aberta e a data estampada bem grande no cabeçalho.
– Podemos começar a matéria? – o professor olhava para a classe enquanto todos faziam sinais com a cabeça, gritavam que sim e alguns nem responderam – Tudo bem – ele fez uma pausa e correu os olhos pela classe procurando algum sinal de conversa. Porém, estavam todos quietos. – Bom, apesar da grande mudança, acho que vão se interessar por essa matéria.
O professor pegou uma pequena pilha de papéis xerocados e entregou para uma aluna da frente.
– Distribua, por favor? – perguntou o professor com um pequeno sorriso no rosto.
A garota pegou a pilha de papéis sem responder a pergunta e saiu distribuindo pela classe.
Quando um dos xeroques estava em minha mesa eu li o titulo “A Lenda dos demônios Carnívoros”. A classe se estourou em sussurros incontroláveis.
– Shiu! Silêncio, Silêncio – pedia o professor com uma expressão alegre e calma – Posso começar a falar? Excelente. Bom, essa matéria nunca foi dada a nenhuma série antes, é a primeira vez que estamos trabalhando com isso aqui. Quando eu fiz a minha faculdade aprendemos isso, mas as escolas nunca incluíam nas matérias, nunca acharam necessárias, mas agora, temos que dar essa matéria absurda. – A classe estava quieta, e o professor gostou do interesse dos alunos. – Só mais uma coisa antes de aprofundarmos na matéria: tudo, tudo o que eu disser aqui é uma lenda, é pura mentira, entenderam? Vamos lá, diz a lenda, que no ano de 1895 a cento e dezessete anos atrás, dois arqueólogos australianos foram para o Egito atrás de ossos de múmias mortas em batalhas e interradas no interior de pirâmides. Eles começaram a procurar os ossos, entraram em várias pirâmides e todas vazias, estavam começando a desistir até que um deles insistiu em tentar mais uma última vez, e então seu companheiro concordou. Entraram pirâmide adentro, procuraram, procuraram, mas nada encontraram. Quando enfim desistiram e estavam indo embora, ouviram um barulho de pedras se arrastando; então seguiram o barulho que estava próximo. À medida que iam descendo o barulho ia ficando mais alto, de pedras e pedras sendo arrastadas. Os dois avistaram três vultos, chegaram o mais perto que puderam e se esconderam atrás de pedras gigantescas, então puderam enxergar melhor. Haviam três homens — pelo menos pareciam — e esses homens tinham asas enormes, de dois metros cada uma. Eles estavam descalços, de vestes que lembravam tangas, e a parte de cima pelada, sem blusa, camisa, ou traje da época... Os homens não acreditavam no que estavam vendo. Aquelas criaturas eram muito fortes. As asas não tinham carne, somente duas camadas de pele e entre as duas camadas havia ossos que modelavam as asas, e havia também bastante nervos. As camadas de pele eram tão finas que quase podiam enxergar o outro lado. Eles estavam furiosos e clamavam por carne. Um deles, o loiro, achou uma espécie de osso, e começou a roer ferozmente, então os outros dois voaram para cima dele lutando pelo pedaço de osso velho de uma múmia. Então um dos homens soltou um murmúrio alto de medo do que estava vendo, as três criaturas pararam e se entreolharam, viraram bem devagar para olhar de onde vinha o barulho. O outro homem, porém tapou a boca do companheiro e se abaixaram, os dois ficaram colados na pedra gigante prendendo a respiração. Ficaram parados ali por um minuto, dois minutos, três minutos, até que um resolveu espiar; e foi colocando um pedaço da cabeça pra fora tentando avistar algo, e de repente...
O sinal tocou na mesma hora e vários expandidos “não” foram gritados na classe, eu só conseguia olhar a imagem no papel e imaginar o que aconteceria a seguir. A imagem mostrava um homem sendo atacado por várias criaturas como àquelas descritas pelo professor.
– A aula é dupla – sorriu professor – e estou gostando de ver o interesse de vocês pela...
– Não que gostamos da matéria, mas queremos saber o final da lenda – interrompeu o mesmo aluno que havia dito que já aprendemos o conteúdo.
– Ah, você me deixou tão orgulhoso agora Jhonny – o professor sorriu fingindo orgulho. Então, onde paramos?
– O homem ia observer e então...
– Obrigado Jhonny. – ele tornou a sorrir para o garoto – O homem ia deslocando a cabeça para observar, então a criatura loira pulou na frente dos dois homens seguido pelas outras criaturas, fazendo o homem que tentara observar recuar. – O professor atuava a cada palavra de ação que saia de sua boca. – Aqueles homens perceberam que as criaturas tinham um brilho estranho nos olhos e suas bocas secas se expandiam em sorrisos maliciosos. O homem loiro, que parecia ser o líder dos outros dois, se abaixou ainda sorrindo e se aproximou dos homens, segurou o braço de um deles e aproximou o nariz no braço. Seu rosto era de quem estava aprovando o cheiro do homem, embora dias e dias sem banho. Ele se aproximou mais do homem e lambia os lábios, então, num movimento rápido ele segurou o homem pelo pescoço e o ergueu com uma só mão parando-o no ar. O homem que estava no chão olhou o companheiro sendo içado e não conseguia nem se mexer, porém, o homem que estava no ar não conseguia falar e nem respirar com a mão da criatura envolvendo seu pescoço. A criatura ainda sorria maliciosamente, quando uma das outras duas atrás dela avançou de boca aberta para o homem no chão. A criatura loira, porém chutou a que avançou, jogou um olhar em que a outra criatura rapidamente parecia ter entendido, então pegou o homem no colo. O que estava sendo enforcado não parava de se debater, então a criatura loira o lançou para a outra atrás de braços livres, saíram com os homens de pirâmide e voaram para longe. Os homens viajaram dias e mais dias nos braços das criaturas que a cada vez voava mais baixo por estarem ficando mais fracos ao decorrer dos dias. Cerca de seis dias depois, os dois homens chegaram carregados a uma pequena aldeia, tanto os homens como as criaturas pareciam fracos. Logo que chegaram, eles foram jogados em uma espécie de cabana sem janelas que se encontrava logo no começo da aldeia. As portas foram trancadas para que os homens não fugissem – o que provavelmente não iria acontecer mesmo com as portas escancaradas, pois os homens estavam muito fracos pela falta de comida e água, e só não tinha morrido até então porque foram carregados e não fizeram esforço de andar. Dez minutos depois, a criatura loira e uma criatura negra romperam a porta com um pontapé e tiraram um dos homens de lá, o homem que gritara na pirâmide, o que quase fora sufocado pelo demônio loiro, ele não lutou por estar sendo levado. As criaturas deixaram a porta aberta ao saírem, o homem que ficou na pequena cabana ficou quieto para ouvir o que iria acontecer, o que não precisou de esforços, o homem levado gritava muito alto, ele estava sendo morto, o que estava na cabana não tinha duvidas. Ele se levantou com muito esforço e foi até a porta da cabana, não acreditava no que estava vendo. Havia cerca de cem criaturas, machos e fêmeas, e estava repartindo seu amigo em pedaços. Ele tinha vontade de correr, mas não conseguia parar de olhar; eram demônios, e não paravam de brigar pelos pedaços do corpo humano. O homem de repente sentiu a morte perto, e decidiu não esperar mais e correr. Os demônios não o viram correr da cabana direto para uma floresta que se encontrava ao lado da aldeia, eles estava ocupados de mais dilacerando e brigando pelo homem para perceber a fuga rápida do outro alimento vivo. O homem na sua fuga, quase se arrastando, ás vezes olhava para trás para ver o sangue se espalhando pela aldeia, ele estava com medo e queria morrer, mas não daquele jeito, então corria o mais rápido possível, devagar, estava cansado, logo eles sentiriam a falta do alimento. O homem se via dentro de um labirinto de árvores, e notara que não estava mais no Egito e a viagem não demorara seis dias e sim muito mais. Depois de meia hora correndo ele não agüentava mais, se escorou em uma árvore, avistou um grande buraco cheio de folhas e então deitou no buraco se cobrindo com folhas, o cheiro era muito ruim, mas queria sobreviver. Ele via os demônios, minutos depois de ele se esconder, passarem voando, correndo e cheirando por onde ele estava escondido. Ele não saiu dali durante uma hora, até avistar um tronco de árvore podre cheio de larvas, ele não se agüentava de fome, então não o restou outra escolha. O homem passou semanas perdido na floresta, comendo larvas e bebendo água de rios que ele encontrava ao decorrer do caminho. Então, depois de muito andar, encontrou um velho camponês a quem pediu ajuda e conseguiu voltar para a Austrália, onde contou o acontecimento, mas ninguém, nem mesmo familiares, acreditaram em sua história. Essa história ficou tão falada nessa época, que ficou conhecida como A Lenda dos Demônios Carnívoros, e veio parar aqui não sei como e nem por que. É só.
– É só? – perguntou indignado o mesmo garoto falante. — Nós perdemos duas aulas ouvindo interessados sobre um homem que sobrevive no final comendo larvas durante semanas numa floresta, voltar para Austrália e ninguém acreditar nele?
– Jhonny, menos, por favor? Se não gostou vá reclamar com o homem...
– Professor, – uma garota quase a frente dele o interrompeu – Essa história é uma lenda, mas real? – perguntou a garota parecendo confusa.
– É... Mais um menos. Dizem que essa história de demônios não aconteceu de verdade, mas esse homem realmente apareceu com essa história. E vamos combinar, essa história é totalmente sem pé e sem cabeça, alguém aí já viu alguém demônio procurando carne? – o professor tinha um tom de piada na voz.
Todos riram e nenhuma resposta. Mais cinco minutos e mais um sinal soou.
Como todos os dias, ao ir embora passei por meu irmão na entrada da escola. Ele estava com seus amigos e não me atrevi a encará-los por muito tempo. Fui direto pra casa.
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