Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

14 Capítulo 14: Problemas surgem para fuder com tudo!


Notas iniciais
Capítulo 14: Alguns problemas surgem para... Para fuder com tudo mesmo!
Prometo tentar fazer capítulos com nomes menores...
Mil e um perdões pelos erros de português e concordância! Mesmo, mesmo, pois verão que o portugues deste capítulo tá tenebroso (pior que dos outros), porém não tive muito tempo nem condições...

Silenciosamente dei alguns passos para trás e, quando me virei vi Matheus encarando-me. Com o susto dei um pulo para trás, espaço este que ele avançou em minha direção.


–Vai fugir e deixá-lo chorando? Você é uma má pessoa, Bryan.


–Olha quem fala! – rebati, irritado. Ele é o último que pode me chamar de má pessoa!


–Você quer saber? Em partes a culpa por Lu estar chorando é sua! – ele disse em um timbre baixo, provavelmente para Mi comi não ouvir.


Minha... Culpa...?


–Eu cuidei para que Alex ficasse longe dele. Eu tive de dormir com ele contra minha vontade para deixá-lo longe de Lu! Você estragou tudo se metendo! Você... Por sua culpa Alex quase o estuprou, mas quando você viu Lu chorando quis sair e deixá-lo sozinho! – ele disse novamente baixo para que somente eu ouvisse.


Então Alex... Pegou Lucas... A força? E aquela conversa de “não quero magoá-los”? Mas faz sentido, pois Lucas tem se mantido quieto e ele não é nem um pouco assim. Mas isso...


Então Matheus é realmente uma boa pessoa... Muito boa pessoa. E eu me condenei por ter transado com ele, mas ele é amável e põe os outros na frente de si. Ele só mentiu para proteger Lucas e aceitou coisas que ele não queria. Matheus me contou o quanto achou ruim ter tido sua primeira vez com Alex, mesmo assim tem transado com ele até hoje por proteção a Lucas... E o loiro oxigenado foi abusado... Que horrível!


–Você tem agido de forma arrogante com as pessoas que te amam. Lu nunca te quis mal, pelo contrário, só quis um pouco da tua atenção. Você tem sido uma pessoa ruim e... Não foi por esse garoto que eu me apaixonei.


Fitei-o assustado, tentando entender suas palavras. Foi difícil acreditar naquilo. Por mais que eu repetisse mentalmente sua última frase eu não conseguia acreditar. As bochechas de Matheus estavam levemente avermelhadas, demonstrando que ele falava sério.


Matheus passou ao meu lado, indo para a sala onde estava Lucas. Eu continuei alguns segundos petrificado no lugar, sem saber o que fazer; que reação ter. Foram três reviravoltas ao mesmo tempo e eu realmente não estou acostumado com isso.


Primeiro, Lucas foi abusado por Alex e, em partes a culpa é minha. Segundo, Alex é muito mal e usou não só Lucas, como Matheus também. Terceiro... Matheus é apaixonado por mim... É isso, não é? Desde quando? O quanto? Mas mais importante agora, tenho que falar com Lucas.


Dei meia volta e entrei na sala de onde vinha o choro. Encostado entre a parede da direita e a do fundo estava Lucas, atrás de uma classe, sentado no chão, chorando encolhido. Matheus estava ao seu lado. Aproximei-me devagar, seguindo em linha reta entre as classes e a mesa do professor e dobrando na ultima fileira, até chegar em Lucas.


–O que houve, Lucas? – perguntei fingindo desconhecer sobre o ocorrido. Agachei-me a sua frente. Lucas ergueu o olhar choroso para mim e, logo em seguida abaixou, escondendo o rosto com as mãos. Jogou a cabeça em minha direção e recostou-a em meu colo.


–Bryan, desculpa... Eu sou um garoto tão horrível...


Meu peito se contraiu. Agora eu entendo quando dizem “é de partir o coração”. Ver a imagem de Lucas encolhido e se escondendo em meu colo, escondido pela classe realmente deu sentido a expressão. E sabe quando dizem “aquela imagem vai me perseguir pelo resto da vida”? Bem, não digo pelo resto da vida, mas que vou me lembrar por um longo período de tempo...


–Por que você acha que é uma pessoa ruim?


Quando ele aconchegou-se mais em mim, escondendo o rosto em meu casaco e fungando violentamente me senti acolhendo um animalzinho maltratado. O pior era saber que o olhar de Matheus estava sobre mim, condenando-me e culpando-me. Matheus não parece ser o tipo de pessoa que julga os outros e, se ele faz agora é porque deve ser algo muito horrível.


–Eu... Senti ciúmes de você... Eu quis que você não fosse fofo para que eu fosse mais... Me desculpa Bryan, eu sou um garoto horrível! Mas eu... Eu gosto tanto de ti... Eu te amo Bryan, você é um dos meus melhores amigos...


Como ser insensível a uma declaração dessas? Eu sou um dos melhores amigos dele? Lucas está tão mal de amigos assim? Sei que não posso julgar, pois também não possuo amigos, mas também não considero os únicos com quem falo meus melhores amigos.


–E... E você está certo quando diz que sou falso. Eu não sou alegre, meigo e fofo. Você me supera muito mais facilmente. Minha família está sempre brigando, meu pai me odeia, minha irmã tira tudo de mim...


–Lucas...


Eu nunca parei para pensar em... “Fofura”. Para mim eu sou somente um garoto emo e Lucas um emo saltitante, ou o Mi comi... Ou melhor, era o Mi comi porque não posso chamá-lo assim se Alex estuprou-o.


–Me desculpa Bryan? Por favor?


Acariciei seus cabeços loiros falsos observando seus olhos castanhos brilharem por conta das lágrimas e o preto debaixo de seus olhos completamente borrado. Mesmo triste a expressão ainda era de criança, com a pele coberta de maquiagem, os lábios vermelhos com gloss e cílios longos e volumosos. Lucas estava fofo e era, inegavelmente um garoto.


–Você não tem motivos para se desculpar. Eu sou o errado em... – pausei, tentando encontrar as palavras certas. O fato é que eu sou culpado por muitas coisas! – Em “competir” com você. Eu não quero ser fof-


–Eu sei! Esse é um dos problemas! Você me supera sem nem ao menos tentar...


Abri a boca para rebater, mas me calei. O que posso dizer? Eu realmente não tento e não quero. Na verdade, descobri que sou fofo agora.Que... Eca!


–Desculpe Lucas.


Continuei a observar seu rosto molhado com a maquiagem borrada. Agora ele estava com a cabeça de lado em meu colo, um pouco mais calmo. Os dedos estavam nos lábios enquanto seus olhos brilhantes observavam Matheus. Ele fungou fortemente algumas vezes até Matheus se inclinar e, com a manga do casaco limpar o nariz de Lucas. Que nojo! Tudo bem que eu também limpo, porém somente o meu. Eu amo Lucas, mas não a sua meleca nojenta.


–Bryan, Alex me usou... – ele miou, virando o rosto na direção de meu peito. Mais lágrimas escorregaram por sua bochecha, estas com partículas negras por conta da maquiagem.


–Tsc, ele sempre foi um idiota.


–Não vem com essa agora! Você ficou com ele e... Gostou...


Olhei de relance para Matheus, observando sua reação. Ele também já ficou com Alex, muitas vezes. Agora sei que era com bons motivos, mas... É estranho mudar a imagem que tenho de duas pessoas em somente alguns minutos.


–Eu não gostei – mentira. – Tanto é que abri mão dele para você facilmente.


Ele sorriu fracamente e colocou a mão nos lábios, fitando meu casaco.


–Ele me disse tantas coisas ruins...


Por que isso? Eu não entendo! Lucas somente o amou, de seu jeito pegajoso, mas era amor.Por que feri-lo desse jeito...?Eu nunca conseguirei ser insensível assim e é por isso que desisto de continuar a fazer o que eu estava fazendo. Pedro e Matheus estão certos; estou arrogante. Eu fui uma das pessoas quem magoou Lucas. Eu machuquei Matheus, se bem que eu ainda não consigo digerir aquela informação de “o garoto por quem me apaixonei”. Mas é só que, quando Pedro me disse isso me pareceu tão irreal. Me pareceu mais como um hétero de orgulho ferido.


–Eu quero beijos! – Lucas anunciou chamando minha atenção. Ele virou a cabeça para cima e fitou-me com aqueles olhos brilhantes. Sorri, sentindo-me mal por dentro.


–Meu fofinho – Matheus disse a abaixou o rosto próximo ao de Lucas, depositando em seus lábios um selinho.


–Agora quero seu, Bryan.


–Não – minha resposta saiu curta e grossa, mas não foi intencional. Respondi desta forma porque não quero beijá-lo em paralelo com Matheus, de certa forma provoca-me...


–Por quê?


–Porque sinto ciúmes. Não vou dividí-lo com Matheus. Ou você é meu ou dele.


Lucas riu, acreditando em mim. Fora sincera minhas palavras, porém fora estranho admitir. De certa forma, senti-me melhor dizendo-lhe o que eu disse, pois fez-lhe bem, mesmo que somente um pouco.


–Então o Bryan que fique longe, porque você é meu.


Olhei para Matheus que sorriu de canto, incentivando-me. Era um estímulo para que eu entrasse no jogo e ele estava certo em fazer assim.


–Eu disse que não quero dividí-lo, ou seja, ele será somente meu.


Lucas riu mais um pouco, incentivando-nos. Tais atitudes de nossa parte fazia-lhe bem e isto era o suficiente.


–Ele é a minha fofurinha, consiga a sua! – Matheus rebateu, fazendo-lhe feliz.


–Impossível! Você fala isso porque sabe que não há outro garoto fofo como Lucas na cidade.


–Mas eu não vou abrir mão.


–E ele está no colo de quem?


–Só porque você chegou agora. Antes ele estava comigo!


–Dá para parar de me provocar ciúmes? Agora ele está comigo e isto é o mais importante.


Lucas riu mais alto, interrompendo-nos e provocando-nos sorrisos satisfeitos. Ainda dói o peito vê-lo em tal estado, porém agora é melhor. Entendo Matheus em querer fazer o bem para nós, pois me sinto realmente feliz e satisfeito em vê-lo mais alegre somente por uma briguinha armada.


–Eu amo vocês, meninos – Lucas disse fazendo-nos sorrir mais abertamente.Fora tão fácil fazê-lo bem...Por que o maltratei durante tanto tempo? Ele admitiu ser falso, mas não do modo que eu julguei. Pedro soube melhor do que eu o que Lucas sentia. Ele esconde, mas não sentimentos ruins, somente tristeza...



Eu sou um grande idiota! Como pude esquecer minha camiseta suja no banheiro? Eu sou tão burro assim? Adentrei o banheiro percebendo que ninguém estava lá e tranquei a respiração, tão nervoso que meu corpo já dava sinais de oscilações. E se algum garoto pegar? Com certeza saberá que me pertence. Ah, que vergonha, não quero nem pensar nisso...


Segui para a cabine onde outrora eu estivera. Suspirei retirando todo o ar proveniente de meus pulmões; ela estava ali, embolada, assim como eu a deixara. Não quero nem considerar a mínima probabilidade de alguém tê-la visto...


Fechei a porta e sentei no chão, perante o vaso sanitário. Recostei minhas costas na divisória da cabine a direita e dobrei os joelhos, parado, ali. Aproximei minha camiseta de meu rosto e cheirei, sem prestar atenção em meus próprios atos. Aproximei-a de meu rosto, sentindo a malha tão confortável... Bocejei, tentando a adormecer.


Alguém entrou no banheiro, mas não me importei que me vissem por baixo da porta. Quem será o idiota a ficar olhando quem está usando os banheiros?


–‘Bora lá Pedro! Vou te esperar na sala!


–Se manda logo!


Pedro?


–Bryan?


Não respondi. Por que ele voltou? Eu não quero ouvi-lo pedir desculpas! Eu sei que ele está curioso e que não quer nada sério, já sei disso!


–Estou te vendo.


Uma mão veio de baixo da porta e, rapidamente apertou minha cintura, fazendo-me cócegas. Eu ri. Ela saiu tão rápido quanto entrou.


Deve haver uns 20cm entre o chão e a porta.


–Tudo bem?


–Sim.


–Então por que ainda está aqui?


–Já saí e já voltei. Agora estou matando aula.


–Está mesmo tudo bem?


–Sim...


Meu peito se contraiu e um bolor se formou em minha garganta. Uma lágrima escorreu, mas não fiz nenhum barulho. Acho que preciso ver a psicóloga novamente...


Passei o polegar em minha bochecha, tomando cuidado para não apertar e ficar vermelho. Apoiei a mão no piso gélido, deixando-me com frio. Tentei me controlar, mas parece que permitir a saída de uma lágrima somente sufoca mais.


–Não quer ir indo para a sala de química?


Senti um toque em minha mão e recuei assustado, recolhendo-a do chão. Ele recolheu a mão também. Ajoelhei-me e sentei sobre minhas pernas. Coloquei o capuz e encostei a cabeça e as mãos na porta.


–Sei que tens vergonha de aparecer comigo na frente dos teus amigos – para minha infelicidade minha voz saiu oscilante e rouca.


–De dizer que já fiquei com você, mas não de você em si. Não faz mal se nos verem como amigos.


–Pedro...


–Oi?


–Seja sincero. Você sente atração por mim?


–Você não pode deduzir depois do que acabou de acontecer?


–Você age de forma tão indiferente...


–É porque eu sei que você quer um namorado sério e não só se divertir. Eu gosto de você, mas não... Desse jeito. Eu ainda não me considero “gay”. ‘Talveeeeez e só talvez bi, mas gay não. Até porque, é mais curiosidade.


Escorrei na porta e fechei os olhos. Estou com sono novamente e, mais do que isso, estou nervoso, com o coração quase saltando pela boca.


–Bryan... – ele me chamou, mas eu não respondi. –Você é muito... Atraente. E se quiser sentar comigo na aula de química é só dizer.


Ele se levantou e saiu do banheiro, deixando-me para trás. Tombei para o lado, pensando... Eu gostaria de poder desabafar com Rosana, minha psicóloga. Ela era tão compreensiva... Imagina só sua reação ao saber que eu fiz um dos garotos mais competidos do colégio gozar... E...


E saber que fiz o garoto mais doce e meigo do colégio chorar e ser quase estuprado...


...E o garoto mais bondoso do colégio transar comigo e depois – talvez antes – se apaixonar... Em seguida me achar um arrogante...


Transar é uma palavra mais forte que “dormir” ou “ir para a cama”. Porque, eu transei! Eu não sou mais virgem!


.


Tranquei a porta de casa e larguei as chaves na mesinha ao lado da mesma. Saí do hall de entrada e atravessei a sala. Abri a última porta a direita e entrei na cozinha.


–Oi Amanda – cumprimentei a senhora de, aparentemente 40 anos de nariz gordo, sardinhas em todo o rosto e boca ressecada que colocava a mesa. A casa de minha mãe é bem diferente da de meu pai. Antes as refeições eram feitas na mesa normal ou na mesa de jantar, cada uma em cômodos diferentes. Aqui há somente uma mesa retangular para quatro pessoas no meio da cozinha, o qual não é muito espaçosa.


–Bom dia Bryan. Você viu a movimentação na vizinha?


–Não.


Dei de ombros e me sentei na mesa, observando enquanto Amanda colocava a mesa para duas pessoas. Pratos, talheres, copos, panelas, refrigerante...


–Prefiro suco – adverti-a. Fui acostumado a tomar refrigerante somente final de semana, pois faz mal a saúde. Amanda sempre esquece.


–Parece que vão fazer o aniversário de quinze anos da Isa na garagem deles.


–Hum... – tsc, não faço a mínima quem é Isa.


–Esqueci de fazer suco mais cedo. Pode ser com água normal?


Suspirei.


–Não precisa se dar ao trabalho. Somente me sirva um copo d’água.


–Sim.


Ela me serviu um copo d’água da torneira e pôs ao meu lado, guardando a garrafa de coca-cola de volta na geladeira.


–Será que ela irá de convidar?


–Não.


–Por quê?


–Porque nunca conversei com ela. – Na verdade, nem sei como é o rosto da garota.


–Então converse agora!


Sorri e comecei a me servir. Galinha escabelada, arroz, feijão, ervilha...


Durante o almoço Amanda insistiu em puxar assunto e fofocar, como sempre. Ela costuma contar da vida de pessoas que eu não faço a mínima quem são. Mesmo que já faça um mês que estou aqui ainda não conheço quase ninguém da vizinhança.


–Oi Bryan, quer ouvir uma fofoca? – ela perguntou mais interessada que o normal.


Senti-me tentado a responder “mas não é só isso que você faz? Contar fofocas?” porém, não o fiz.


–Diga – incentivei-a para não ser grosseiro.


–Ouvi uma conversa de sua mãe com seu pai...


Ergui o olhar, interessado. Ela sorria como uma criança travessa e riu, realizada em ter captado minha atenção. Mastiguei com força, nervoso. Tive de me conter para não me apoiar encima da mesa, aproximando-me dela para ouvir melhor.


–Conte!


Mais uma vez ela riu, apoiando ambos os antebraços na mesa e, nestes o busto volumoso.


–Eu ouvi o lado da sua mãe da conversa, mas parece que seu pai está interessado em adotar uma criança... E ainda, um menino!


De repente, mastigar me pareceu vazio e sem necessidade. Engoli a comida que passou com dificuldade por minha garganta enquanto aquela dor forte esmagava meu coração.


Larguei o garfo no prato, produzindo um timbre agudo e puxei a cadeira para trás com força, levantando-me apressado.


Antes mesmo de passar pela porta a dor já explodira de meu peito e corpo, ganhando a necessidade de escorrer por meus olhos.


Adotar, adotar, adotar... Meu pai quer adotar um garoto porque seu filho biológico é um gay nojento!


Corri pelas escadas escondidas no canto da sala e fui para meu quarto, encolhendo-me ao lado da cama. Abracei minha barriga e senti aquela dor horrível no coração, fazendo-me trancar a respiração.


Ele queria adotar um menino para ficar em meu quarto, ter a ajuda de meu pai nos temas do colégio, comer com ele, vestir as roupas que deveriam ser para mim, ganhar presentes...


“O verdadeiro deu errado. Vou tentar adotar, porque fazer outro corre o risco de sair errado como o primeiro. Prefiro algo de outro ao meu verdadeiro filho”.


Eu não acredito... Adotar! Ele quer um garoto de verdade, não eu. Ele quer um garoto heterossexual e que não seja emo, para que ele não tenha que passar vergonha.


A dor em meu peito só aumentava e forçava-se por minha garganta, tentando sair toda ao mesmo tempo, mas era impossível.


–Bryan?


–Não entra! – gritei quando percebi que a porta estava se abrindo. Peguei a primeira coisa que vi no chão e joguei na direção da porta: um pente.


–Venha aqui. Vamos conversar...


–ME DEIXA! – junto às palavras eu gritei. Gritei tão forte que minha garganta doeu.


–Por favor, Bryan...


–Se entrar te mato! Deixe-me em paz!


Deitei de lado no chão, ainda encolhido. Minha garganta e meu rosto ardiam e, mesmo desviando meus pensamentos do assunto a dor não diminuía.


–Vamos Bryan...


–SAI DAQUI!


Finalmente ouvi a porta ser fechada e apertei os olhos com força, chorando com mais intensidade.


Gritei. Gritei o mais alto que pude; mais alto que meus pulmões permitiram. Minha garganta ardeu e eu gritei de novo, tentando retirar pelo menos um pouco da dor de dentro de mim, mas era uma atitude inútil.


A dor latejante tomara conta de meu peito e se alastrava por meus pulmões, tornando difícil respirar direito. Alcançou meu estômago, atingindo-lhe com vincadas e reviravoltas. Meu corpo inteiro treme involuntariamente.


Dói. Dói tanto que é impossível descrever. O choro é desesperador, pois parece que a medida que choro a dor aumenta. Dói mil vezes mais que múltiplas facadas, colocando em hipérbole. Mas dói tanto, mas tanto...


Meu pai quer um filho de verdade. Ele não simplesmente tem vergonha de mim, como também não me quer e não me ama. Meu pai me odeia, mesmo como filho único. Filho único até agora porque ele vai conseguir um garoto de verdade; o filho que ele sempre quis.


Como vou sobreviver sabendo que meu pai está amando outro garoto? Que ama outro filho que nem ao menos tem seu sangue! Que ele não cuidou, viu crescer e mesmo assim ama facilmente, mil vezes mais do que já me amou...


“Você fala como se eu te amasse...”.

Dói tanto, mas tanto... Meu pai foi tudo para mim durante tanto tempo... Dói, dói, dói...


Por que eu tenho que ser tão errado...? Gostar de garotos... Por quê...? Garotas até são bonitas... Por que eu tenho que possuir um gosto tão estranho e repugnante...?


Pai, perdão... Se eu pudesse eu seria normal. Quer dizer, eu posso, mas não será eu. Desculpe por te decepcionar tanto... Eu nasci completamente errado. Emo, gay... Eu sou uma vergonha! Se eu fosse normal meu pai não me odiaria... Dói... Mas como me encaixar, se sou tão absoluto em minha decisão... Eu gosto de garotos, eu gosto de ter aparência de emo, eu... Eu sou o pior filho que um pai pode ter...


“–Você é um pirralho de merda! Você é um gay de merda! Nunca me importei que você fosse burro, afeminado, anti-social e um doentinho que não pratica nenhum esporte. Eu agüentei esse seu gosto ridículo e, mesmo passando vergonha eu comprei esse monte de bobagem gay para você! Agora, acima de tudo vem me dizer que também é viado? Que quer beijar homens e dar a bunda pra eles? Eu não criei isso! Eu não vou aturar esse seu comportamento!”


Quanto choro...


Me desculpe, pai... Eu não faço de propósito, sou errado assim mesmo. Não é sua culpa... Mas adotar um filho... O que será de mim? Eu... Deus, eu daria tudo para ter nascido hétero e normal. Eu teria feito tantas pessoas felizes se assim fosse...


Se... Se eu... Se eu morresse meu pai me aceitaria e não teria mais que passar vergonha tendo a mim como filho único. Ele adotaria, como quer e eu não sentiria toda essa dor, assim ambos seríamos felizes...



Que horas são...? Amanda já deve ter ido embora... Agora só volta na hora do jantar, se já não for hora do jantar.


Chorei até dormir e meu corpo todo dói. Além do que, parece estar mais frio e um arrepio percorreu meu corpo.


Meu celular tocando? Desde quando me ligam? Tateei meu celular encima da cama e, adivinha? Mensagem da operadora. Só podia ser. Certo, tanto faz. Coloquei-o no bolso da calça por costume.


Levantei-me com uma puta dor de cabeça e considerei me atirar na cama, mas isso não adiantaria muito, pois não conseguiria dormir. Normalmente não uso o computador, por mais estranho que isso possa parecer. Acontece que aqui na casa de minha mãe há somente um notebook que ela carrega por tudo que é lugar. Eu poderia ouvir música em uma amplitude bem forte, como amo fazer, mas somente atrapalharia as pessoas (vizinhança e, Amanda, quando ela chegar). Acho que irei ver televisão e comer qualquer coisa...


Funguei e tremi o queixo, seguindo até meu guarda-roupa minúsculo. As portas estavam abertas e, na frente dele uma montanha de roupa. O que vestir...? Catei as peças menos gay possíveis. Mexi em meus sapatos atirados ao lado do guarda-roupa procurando um que não fosse all star, nem botas, nem semelhantes...


Retirei meu casaco e me virei para o espelho na parede. Observei meu corpo somente da cintura para cima, o rosto levemente inchado e o cabelo completamente bagunçado. Me aproximei do espelho e liguei a luz, observando meu rosto. Tirando o amassado Mi comi estava certo: pele perfeita. Isso me incomodou. Lucas deve ser o lindinho perfeito! Eu não sou perfeito, sou um lixo! Eu estraguei a vida dele! Eu estraguei a vida de meu pai, minha mãe, Matheus, Erick, Pedro...


Virei o rosto, observando minha bochecha livre de marcas. Se houvesse um único arranhão cortando de fora a fora... Ninguém entenderia se eu cortasse, mas seria uma demonstração da imperfeição. Para meu pai isso não é necessário, pois já sou completamente imperfeito. Mas não vou cortar meu rosto. Seria uma cicatriz para sempre... Horrível! Não quero mais nem ao menos pensar nisso.


Afastei-me um pouco e fitei meu tronco. Em seguida bati o queixo por conta do ar frio que bate em minha pele. Tentei ver minha calça, mas era impossível. Irritado, retirei o espelho da parede e coloquei no chão, apoiado no canto da cama.


Olhei meu próprio corpo. Tentei me imaginar com uma garota qualquer. Uma com curvas, seios, cintura fina... Morena, cabelo liso e comprido, magra... Isso não me atrai nem um pouco. Me parece tão... Vazio. Nem ao menos desejo imaginar meu corpo em contato com o de outra garota, impossível! Uma vagina então... Eu não quero! Quero um garoto... MERDA!


Voltei minha atenção as minhas roupas e mexi em todas, revirando mais ainda. As de cima foram para baixo e as de baixo para cima. Há uma camiseta de banda que comprei a pouco tempo, talvez encima da mesinha com o despertador...


Foi tudo muito rápido e, mesmo parando para pensar fora impossível raciocinar o que fazer. Em um momento eu estava bem, apressado, procurando por minhas roupas e no outro com uma dor latejante.


Meu pé prendeu embaixo de uma montanha de roupa e, sem perceber girei meu corpo para ir procurar minha camiseta. Houve um momento de desiquilíbrio e eu fui ao chão, caindo encima do espelho. Por reflexo coloquei os braços na frente do corpo.


O espelho se espatifou em vários pedaços pequenos, tendo como influência o peso de meu corpo. Machuquei meus braços, que protegeram meu tronco e meu rosto, mais precisamente o lado esquerdo de meu rosto, nem tão livre de se machucar...


Depois do susto ergui meu corpo e a primeira coisa que vi foram meus braços, escorendo sangue vermelho vivo. Se a dor era grande antes, agora imensa. Foi desesperador ver aqueles pedaços de vidro presos em minha carne em feridas abertas enquanto meu sangue escorria rapidamente por meus braços, já começando a pingar...


–Bryan, tudo bem?

Notas finais
Esse capítulo foi um desastre escrever... Mas está aqui! Desta vez o capítulo não foi publicado semana passada por minha negligência e preguiça, foram inúmeros os obstáculos... Aliás, no momento estou correndo risco de vida por invadir o quarto de meu irmão, mas née... xPPPP
Os obstáculos (um principal em questão) eu não vou contar, pois dirão: "tinha de ser a autora de uma história de emos", kkk Isso fez parecer pior do que realmente é .-. Mas eu não sou emo, nem depressiva e talz, então... Sei lá, me perdi, nem lembro mais o que tinha de botar aqui.
Ahh sim,lembrei! Duas coisas MEGA importantes! Primeiro: A história "Emo-ções" ganhará um álbum! Ou galeria, ainda estou pensando... Mas, há alguns personagens que tenho mais de uma foto, também conhecerão as meninas, verão os desenhos da MCherry sem ter de entrar nos links, os pais do Bryan... Em falar no Bryan, tenho tanta foto dele (antes e depois do corte, piercings e talz) que mais da metade não entrará. Isso QUANDO chegar aos 200 reviews o/ Falta pouco, ein?
Falando em desenhos... MCherry fez mais um lindo desenho! Desta vez do Erick o/ Assim é bom, certo? O Erick já tem um fãclube:
http://mcherrylovely.deviantart.com/#/d4w893g
Aliás, meus reviews grandes tenho de volta... *apaixonadamente feliz*.
Eu lembro das coisas e vou aumentando isso aqui... Sempre fica enorme e sei que o pessoal não gosta... Ok, acho que é isso, AHHHH, LEMBREI! Gostaria de informar-lhes que eu gosto muito do próximo capítulo u.u
Ok, era isso! Obrigada por acompanharem sempre!
[editado/importante] HÁAA,LEMBREI DE MAIS UMA COISA! (tenho que começar a anotar) Passei a semana de cara u.u As duas semanas, aliás, pois, como sabem meu pc está estragado e, meus planos para esse capítulo incluiam MEU PERFEITO, LINDO, MEU, GOSTOSO, MEU, AMÁVEL, MEU, SAFADINHO Nicolas u.u Ele é o único personagem meu que eu realmente amo assim, de ser possessiva! Mas, ele também é complicado, então não é fácil fazer um capítulo com ele,e... Eu fiz o capítulo adiantado, era para ser esse daqui! Mas eu fiz quando perdi o pendrive, ou seja, salvei no pc, ou seja, FUDEU! Não sei se é só comigo, mas para conseguir um tecnico competente eu me sinto vivendo emoçoes dignas de fime, entitulado "MISSÃO IMPOSSÍVEL"! Então, meus queridos leitores, espero que conheçam meu amado um dia, até lá fico eu e minha frustração...