Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
12 Capítulo 12: Eu quero viver a vida de uma nova per
Notas iniciais
Música: New Perspective - Panic! At The Disco.
Impressionante, somente com a frase do título do capítulo dois (ou três) leitores souberam dizer a música. Isso que é ser um bom fã!
Erro na tradução: culpem o vaga-lume. Erros de português: me culpem. Escrevo o mais rápido possível e não reviso, então perdão pelos erros grotescos que eu sei que estão aí.
Aliás, dá para notar que estou ficando viciada em colocar uma trilha sonora? Ok, não é necessário responder. Acham muita música? Só avisar. Eu não tenho noção, então... Digam! Reclamem! Eu permito u.u
Boa leitura!
Eu sinto as ondas salgadas chegando
Eu as sinto bater contra minha pele
E eu sorrio ao respirar, porque eu sei que elas nunca irão ganhar
Há uma neblina sobre minha TV
Que muda tudo que eu vejo
E talvez se eu continuar assistindo
Eu perderei os traços que me preocupam.
–Pedro, levanta! Você vai se atrasar! Se não levantar em cinco minutos vou deixar seus irmãos te jogarem água.
–Foda-se – sussurrei baixinho pra minha mãe não ouvir e arrancar meus dentes fora.
Minha visão escureceu.
–PEDRO! JÁ SÃO 07:25!
–Tá, tá! Levantei, ó!
Sentei na cama e esfreguei os olhos com a mão direita. Odeio acordar cedo. Odeio ter aula de manhã. Adolescentes foram feitos para dormir até o meio-dia!
Sonolento, levantei da cama e sai do quarto para o banheiro. Usei o banheiro, escovei os dentes e lavei o rosto. Voltando para meu quarto troquei de roupa, penteei o cabelo e pronto. Viu como é fácil, mãe? E ainda são 07:43. Mas nãaao, tem que fazer um escândalo e insistir para que eu acorde mais cedo a toa!
–Que bonito, ein? Agora você só tem 6 minutos para tomar o café da manhã.
–7 – corrigi, sorrindo de forma debochada ao vê-la puta da vida.
–Coma.
Fitei a mesa e fiz careta. Pão com geléia! Odeio isso!
–Não quero comer essa porcaria. Vou pra aula.
Preciso dizer que ela ficou puta de novo?
–Manhê, o Pedro pode sair sem comer? — perguntou o pirralho do meu irmão de seis anos.
–Não, não vai. Pode sentar e comer!
–Cara, como vocês são chatos! — resmunguei revirando os olhos e estapeando a cabeça de meu irmão por trás. -Pirralho idiota. Não vou comer merda nenhuma. Tchau pra vocês.
–Pedro!
Deixei-a para trás xingando meio mundo e me ameaçando de todas as formas possíveis. Mas, e daí? Quando eu voltar ela já vai ter esquecido mesmo. Minha mãe é uma chata que adora pegar no pé!
Catei minha mochila atirada atrás do sofá e sai, atravessando o pátio e trancando a grade. Automaticamente meus pés se viraram para a esquerda, prontos para irem a casa do Gustavo, meu quase vizinho. Mas parei na metade do caminho, relembrando que ele fora suspenso, então terei de ir sozinho. Segui pela direita e dobrei na primeira esquina.
Foi bem problemático o Bryan resolver se revoltar. Ele não é assim. Mas, foda-se, agora é, né. E ele mudou o cabelo também, colocou piercing... Até a cara parece diferente. Deve ser mais maquiagem. E, bem, o cara é gay.
Entrei no pequeno bar a direita. As paredes eram verdes descascadas por fora e bege sujo por dentro, dando aparência de velho ao barzinho antigo. Segui para a prateleira onde estavam as bolachinhas recheadas e peguei duas bono de chocolate. Ao lado estavam as trakinas, bolachinhas da propaganda ridícula. “Trakinas, o biscoito que é a sua cara”. Só se eu for gordo e rechonchudo para ter cara de biscoito!
Fui até o balcão e paguei, guardando um dos pacotes na minha mochila. Segui pela rua na direção do colégio, já abrindo e colocando uma bolacha na boca. Silêncio. Quanto tempo faz que não vou para o colégio com tanto silêncio? Um século! Tanto tempo que nem lembro! Vai ver foi quando o universo ainda estava se formando. Gustavo sempre fala, fala, fala, fala, fala, fala...
Esse silêncio já está me incomodando. Desde quando tudo é tão quieto? Ah é, são quase 8 horas da manhã. Que chato! Cadê os estudantes e trabalhadores do meu bairro?
Nós podemos ir logo ao que interessa?
Espere um pouco me deixe corrigir isto
Eu quero viver a vida de uma nova perspectiva
Você veio junto porque eu amo seu rosto
E eu irei admirar seu gosto refinado
E quem liga para intervenção divina
Eu quero ser elogiado de uma nova perspectiva
Mas partir agora seria uma boa idéia
Então me acompanhe para cair fora daqui
(Nós podemos ir logo ao que interessa?)
Talvez tivesse sido melhor ser expulso. Mas daí eu não poderia jogar amanhã e eu tive de implorar para o Bryan que não me incluísse nas merdas que meus amigos fizeram, mesmo eu tendo tido uma pequena partezinha de culpa...
Ok, ok! Eu tive MUITA culpa! Eu xinguei ele, né. E, cara, ele me retirou do castigo! Ele é bem legal, tirando o fato de ser gay. Quer dizer, não é como se eu fosse gostar menos dele por ser gay, é que daí ele não se dá bem com os outros caras. E outra coisa, ele sendo gay automaticamente deixa de ser um amigo normal porque, se ele gosta de garotos, não é que seja como uma garota, mas tem o interesse de uma. Ele se torna tipo, uma “opção”, assim como uma garota não é amiga e, sim, opção. É, isso é beeem estranho... Bem estranho mesmo! E...
Ah cara, ele é bonito! Que merdão, eu to achando um garoto bonito! Tipo, tudo bem que eu fiquei com ele, mas foi por curiosidade, né...
O fato é: se os outros não fossem se importar eu ficaria com o Bryan várias vezes. Ele beija bem e... Na hora eu fiquei sem jeito, mas tenho curiosidade em saber se me excito com garotos, ou melhor, com o Bryan...
Calmaê, EU NUNCA VOU BATER PUNHETA PENSANDO NO BRYAN! NUNCA, NUNCA, NUNCA!
Cheguei no colégio e já no portão encontrei dois amigos. Cumprimentei-os e ofereci bolacha; ambos aceitaram. Eles eram do time de futebol, mas não de minha turma. Da minha sala são do time somente eu, Gustavo e André, sendo que os dois não poderão jogar.
Quando dei por mim o sinal bateu. Segui para a sala apressado, pois os professores sempre chegam mais cedo.
Primeiro, segundo, terceiro, quarto período. Aula chata de matemática. A professora me dá sono e hoje não tem Gustavo para ficar buzinando no meu ouvido: “não dorme, não dorme”.
Unn... Saco. Vou acabar dormindo... Ah, já sei! Vou comer minha outra bolachinha para ver se assim não durmo. Abri minha mochila e peguei o outro pacote, abri, ofereci e comecei a comer. Açúcar... Chocolate...
Observei a sala de aula, completamente entediado. Brenda fazendo fofoca, Alice me secando descaradamente, Carlos dormindo e... Bryan... Lindo...
Não levando nada a sério, mas nós ainda respeitamos o tempo
Nós avançamos com uma nova paixão sabendo que tudo está bem
E eu iria esperar e assistir as horas passarem em uma centena de linhas separadas
Mas eu recupero a compostura e me pergunto como eu acabei do lado de dentro
PUTA QUE PARIU, EU TENHO QUE PARAR COM ISSO! Ah... Mas ele é “fofo” (palavra ridícula de garotinha), sendo assim se torna “menos menino”. Garotos não podem ser fofos, mas o Bryan é! Esse é exatamente o problema!
Mas adoro vê-lo mordendo todo o lábio inferior, dá vontade de apertá-lo! Nossa, agora estou parecendo minha vó. É, mas ainda sim eu ainda tenho vontade de apertá-lo. Bryan fica tão lindo com aquela pele branca contrastando com o cabelo negro, aquela franja esquisita e os olhos azuis bem, bem clarinhos. A boca rosa fraquinho (será de batom?), levemente avermelhada pelos puxões que ele dá nos piercings prateados, um nariz que... Cara, como isso pode não ser fofo? Tenho que parar com isso, acho que estou virando viado! Não, não, não! Nada de viadisse, Pedro...
–Pedro, me empresta o apontador? – perguntou o carinha ao meu lado; emprestei.
Ah cara, no lugar em que estou dá para observá-lo completamente, em todas as ações e atitudes! E pior que ele nem percebe!
–Me dá uma bolacha?
–Compra.
Ele está falando com o nerdão. Vou matá-lo. Vou amarrá-lo em uma árvore; não, muito filminho americano. Vou trancá-lo em algum lugar. Há! O banheiro do prédio amarelo! Lá é perfeito! Ah, mas se eu fizer isso o Bryan saberá... Hum... Vou mandar o Gustavo e o Antônio fazerem, tão me devendo uma. Ok, isto faz eu me sentir melhor, sabendo que vou fuder com o nerdão.
PUTA QUE PARIU, EU BOTEI MALÍCIA NESSA ÚLTIMA FRASE! QUE ISSO? VOLTA PEDRO, NÃO SE DEIXE SER LEVADO PARA ESSE LADO DE VIADOS! COMO, DO NADA, EU ACABEI DO LADO DE DENTRO DESSAS VIADICES?
O sinal bateu. Vitória! Fiquei acordado na aula de Matemática! E agora temos Educação Física, melhor matéria de todas. O sor entrou, fez chamada, blá, blá, blá e a palavra mágica: rua! Preciso dizer que todos se atropelaram para sair ao mesmo tempo?
–Você tem que jogar alguma coisa Erick, se não poderá ficar com uma nota bem baixa.
Cotovelei Antônio que estava do meu lado, chamando a atenção para a conversa do sor com o nerdão-merdão.
–Ah, professor! Terei de jogar logo futebol?
–Exatamente. Assim ganha mais pontos do que outro esporte.
Opa! Maravilha! O nerdão vai jogar! Olhei para Antônio com um sorriso diabólico e ele retribuiu. Obvio que eu iria fud... Acabar com ele! (mente, não me traia).
–E você, Bryan?
Estranhamente Bryan ficou quieto. Normalmente ele recusa-se sem pestanejar.
–O Bryan pode fazer torcida, não pode?
Aí nerdão, você não sabe que só porque ele é gay não signifique que ele fará coisas de menina? Ok, só sei disso porque Bryan me contou, mas ele também anda com o Bryan, então também deve saber!
–Deixei as garotas fazerem hoje, então, se ele quiser, pode. Se outro garoto quiser fazer também pode.
Ah há! O Bryan nunca vai querer fazer torcida! Ele nega até a morte ter semelhança com garot...
–Hum... Ok!
Como é? Ele concordou? Que gay! Sei que ele é gay, mas não sabia que ele age como mulherzinha! Nossa Bryan, você decaiu muito! Como assim vai agir como garota? Que merda! E sabe o pior? Eu quero que ele faça torcida pra mim! Mas as garotas sempre fazem, então obviamente ele também irá fazer.
Nós podemos ir logo ao que interessa?
Espere um pouco me deixe corrigir isto
Eu quero viver a vida de uma nova perspectiva
Você veio junto porque eu amo seu rosto
E eu irei admirar seu gosto refinado
E quem liga para intervenção divina
Eu quero ser elogiado de uma nova perspectiva
Mas partir agora seria uma boa idéia
Então me acompanhe em cair fora daqui
Me acompanhe em cair fora daqui
–Pedro.
Ah é, estavam escolhendo os times. Claro que eu fui o primeiro a ser escolhido, pois sou fodástico! O melhor jogador! E depois de mim o Gustavo, mas ele foi suspenso, né. E o nerdão será escolhido por último.
Olhei para o lado, onde Bryan estava “socializando” com as garotas. Ele completamente vermelho e com os braços cruzados, mas sorria daquele jeito seduzente. Elas estavam bem animadas já se arrumando atrás dele, com enormes sorrisos e risinhos típicos de menininhas abobadas e bestas. Ah cara, puta que pariu, to começando a falar como um gay!
Ok, foco Pedro, o jogo está começando. Eu fiquei de lateral, mas o idiota do Carlos insistia em me puxar para ser meio-campo. Oh seu merdão, não entendeu que quero ouvir a torcida? Mas puta merda, eu sempre tenho um puta animo para jogar! Merdão, estou bem distraído hoje, normalmente não sou assim. Mas daí aceitei ser meio-campo e prestei mais atenção no jogo, com os ouvidos na conversa das meninas:
–Por quem você quer torcer, Bryan?
Por mim, claro! Eu sou o gostosão fodão!
–Acho que o Erick?
O nerdão?! Bryan, enlouqueceu? Cara, eu tenho que começar a me acalmar, estou me tornando um viado! Ah cara, mas isso é indignante! Só porque o nerdão anda com ele! Eu sou mil vezes melhor e as garotas sempre torcem por mim!
Infelizmente, enquanto eu jogava tive de ouvir os gritos para o nerdão idiota. Já não basta ele andar com o Bryan, agora também tem que roubar minhas garotas e minha torcida?!? Vou matá-lo. Vou fazer milhares de maldades com ele. A única coisa que faz eu me sentir melhor é vê-lo todo desengonçado sem saber o que fazer e, claro, os garotos todos contra ele. Adoro rir da cara desse lixo! Ele é ridículo tentando jogar!
–Vamos torcer pelo Pedro agora? – perguntou uma das garotas, acho que foi Alice. Há! Engole essa, nerdão!
–Podem torcer por ele, mas eu não quero. Vou esperar.
...
–Ah Bryan, por que você não gosta dele? Até andavam juntos quando você chegou aqui.
Porque eu o dei um fora! Ficou com o orgulho gay ferido. Ah merda, tenho que me afastar. O jogo tá rolando e se eu continuar perto das garotas, longe da bola vai ser bem duvidoso, até porque sou o melhor jogador. Me afastei e continuei o jogo, fazendo um escanteio.
Não entendo por que Bryan me odeia. Tudo bem que eu o xinguei aquela vez depois que ficamos, mas também, o que ele esperava? Um pedido de namoro? Puta que pariu Bryan, ficar não significa namorar! Eu pedi desculpas e isso já faz tempo! Porra, supera! Foi só uma discussãozinha!
–Vai Erick! Você consegue!
O que me chamou a atenção nessa torcida em específica não foi o fato de ter o nome do nerdão-merdão-lixão que tem que se fuder, mas de ter vindo da Alice! Tipo, ela não gosta dele e está sempre na minha volta. Só pode ter sido coisa Bryan. E olha lá, o nerdão tá todo vermelho! Que frescura, só pode ser gay mesmo.
Bem, ok, vou prestar atenção no jogo, assim eu ganho mais. Não vou deixar algo que eu amo ser completamente destruído por causa do nerdão ridículo.
–Podem fazer uma pausa meninos!
Isso por quê? Por causa do nerdão, claro! Nossos jogos nunca tem pausa! Sai andando normalmente, até ouvir Amanda me chamando. Fui para próximo das garotas, curioso.
–Pedrinho, você formaria um casal tão lindo com o Bryan... – comentou Amanda, uma das pouquíssimas garotas que não são caidíssimas por mim.
–Hey, você não disse que era para isso que chamou ele! – protestou Bryan, irritado. As outras garotas também não pareciam contentes.
–Bryan merece coisa melhor – protestou Carla, cruzando os braços.
–Pedro merece coisa melhor! – rebateu Alice, agarrando-se ao meu braço.
–O que você diz, Pedro? – perguntou Amanda, estranhamente interessada.
–Não importa o que ele diga, porque eu não quero. Acabaria com minha imagem se eu ficasse com um garoto hétero e machista como o Pedro. Eu passaria vergonha!
Espera, espera! Pare o mundo que eu quero descer! Como é isso?! O Bryan acabou de dizer que teria vergonha de ficar comigo?!? Qual é a dele?! Ele é o emo gay que sofre bullyng e eu sou o lindo gostoso que todas querem e que decide quem é popular e quem não é! Os papéis não podem ser invertidos!
Bom, eu é que não ficarei aqui, não depois disso. Cara, levei um baita fora! Sabe, isso é hilário! Levei um fora de um emo gay que ninguém gosta! Isso dá história para contar aos netos, né.
–Então tá, se é só isso vou ir tomar água.
Nem to com sede nada. Acho que vou tomar mais é por costume. Só sei que me mandei, deixando as garotas para trás discutindo sobre sei lá o que.
Olha lá quem está tomando água! O nerdão! Nossa, que vontade enorme de ir lá e dar um tapão na cabeça dele, mas o último garoto com quem fiz isso cortou a boca, daí “tchau, tchau” para o jogo de futebol e eu vou jogar e vou ganhar aquela merda! Vou ganhar solito, sem o Gustavo e o André, aqueles merdas que foram encher o saco do Bryan. Sabe, até que é bem feito eles não poderem jogar.
Parei ao lado do bebedouro e esperei o nerdão terminar de beber. Ele terminou e assim que levantou a cabeça olhou para mim e riu, cuspindo a água em uma cena nojenta que eu tive de fazer careta.
–Qual a graça? – perguntei sem muita paciência. O idiota quase cuspiu em mim, pô!
–Você, óbvio.
E o merda ainda saiu andando e rindo! Vamos Pedro, se controle. Que vontade ENORME de batê-lo até sangrar. Se acha um máximo só porque tira notas altas! Grande merda. Não tiro notas altas porque não quero estudar, ele que é um sem tempo e não tem amigos, namorada nem nada pra fazer e fica estudando.
Vou fu... Acabar com ele.
–Chegaê pessoal! — chamei Antônio e mais uns garotos de minha turma para mais perto e combinamos nossa maldade. Tem que parecer ser sem querer para que nenhum de nós seja levado para a diretoria. Magina só eu perder meu jogo!
Ok, voltamos para a quadra e o jogo continuou normal. Fui ficando cada vez com mais raiva ao ouvir em ter de aturar ouvir a minha torcida ser voltada para o nerdão. Porra, ele é só um merda que não joga nada! Minhas meninas estão do lado dele só por causa do Bryan revoltado.
Desviei a atenção do jogo só um pouquinho para ver o que a torcida fazia que estava tão quieta. Ahh, não! Vai se fuder! O nerdão idiota tá conversando com Bryan e puxando ele pelo braço! Isso não pode! Não pode! Ainda não...
Ele só pode tá brincando!
–Meninos, prestem atenção: O Bryan vai jogar, então peguem leve. Entra no time daqui.
O sor apontou para a direita: time do nerdão; contra o meu.
Os garotos reclamaram e só faltou o sor mandar todo mundo se fuder. Que merda! O Bryan não sabe jogar, ele vai se machucar! E por que eu estou me importando logo que ele se machuque? Deveria me importar que ele estrague meu precioso jogo, mas isso o nerdão já faz.
Mais uma vez o jogo continuou. Tentei joguei normalmente, mas os garotos estavam super a fim de jogar a bola no Bryan e no nerdão. Eles estavam ali na lateral direita da quadra e longe do tumulto, como quem grita “me acertem, me acertem”. Bryan apavorado, sem uma mínima noção do que fazer. As garotas estavam fazendo torcida pra ele enquanto o nerdão tentava explicar como jogar, ridiculamente. Nerds não servem para jogar futebol! Sor, pelo Amor de Deus, hora de tirar o lixo! Vaza, nerdão.
Ah cara, isso vai ser um grande desastre! Se o Bryan tentar os garotos vão cair matando! Oh lá, ele vai tentar mesmo! E levou uma cotovelada do Jonatas. Sério? Ele vai cair para trás só por causa disso? Ih, o nerdão segurou ele.
–Ohhhh, o Bryan conseguiu outro namoradinho!
É claro que os garotos não iam deixar essa passar, né. Debocharam muito. Do nerdão eu até acho graça, mas o Bryan... Ele não fez nada de errado, porra! Só porque o garoto é gay não saem do pé dele. Já o nerdão é ridículo e se acha, tem mais que levar uma surra.
–Bryan não é meu namorado e eu não sou gay. Se fosse não teria problemas para admitir, pois já zoam comigo por ser nerd mesmo. Então, deixem de ser idiotas ignorantes e cuidem de seus próprios interesses duvidosos.
AI! Que queima! Ainda bem que eu nem falei nada. Mas também, se eu tivesse dito saberia queimá-lo direitinho.
Depois de alguns argumentos o jogo continuou. Aquilo que o nerdão disse sobre não ser gay não me convenceu. Chegou no Bryan DO NADA, sabendo que o garoto é gay e não tem namorado, mesmo assim vem dizer que não é gay. NÃO COLA.
Aliás, eu nunca perguntei ao Bryan se ele tem namorado... OMG! Não, espera, se ele tivesse teria se recusado a ficar comigo, a não ser que ele esteja namorando a apenas alguns dias... Ow, isso dá o que pensar. Ah, mas daí ele teria dito aquela hora em que Amanda disse que formaríamos um belo casal...
Afinal, como um casal de garotos pode ser bonito? Amanda até louca tá! Pai e mãe da Amanda, internem-na num hospício. Mas Bryan é mesmo lindo...
–Pedro!
Quando chamaram minha atenção olhei para a bola que vinha em minha direção. Tenho que prestar mais atenção no jogo. Chutei-a, mas ao mesmo tempo o nerdão idiota que estava do meu lado resolveu se meter pra dar mancada e fuder com tudo, daí quis chutar e nossos pés acabaram se enganchando, levando nós dois para o chão.
–SEU MERDA! NÃO SABE JOGAR E AINDA ATRAPALHA OS OUTROS! PUTA QUE PARIU! – gritei irritado, sentindo meu tornozelo latejante de tanta dor.
–Desculpa!
Em dois segundos já estava os dois times na minha volta, perguntando o que acontecera e se eu estava bem. Mais dois segundos depois chegaram as garotas, todas preocupadas. Encheram-me de perguntas e ralharam o nerdão, mas eu só prestava atenção na tremenda dor que sentia.
–Pedro, você vai conseguir jogar amanhã? – quando ouvi essa pergunta me apavorei.
–Se eu não puder arranco os pés do nerdão! Idiota! É nisso que dá se meter no jogo dos outros!
Antônio me ajudou a levantar. Não consegui ficar em pé sozinho, pois doía meu tornozelo, então me apoiei no ombro de Antônio.
–Nerdão de merda... Quem mandou se meter no jogo dos outros?! Tinha é que se fuder mesmo... – resmunguei enquanto recebia ajuda dos outros para andar.
–Não o chame assim! Erick não fez por mal, foi um acidente! – me surpreendi ao ouvir Bryan me responder, irritado.
Ok, preciso respirar porque, no momento o que eu mais quero em todo o mundo é arrancar aquela maldita cabeça feia do nerdão! QUE MERDA! Não importa se os dois times de futebol, toda a torcida, toda a cidade ou toda a população brasileira está na minha volta nesse momento, porque o ridículo esborrachado no chão aqui do meu lado tem a atenção do Bryan!
Cara, eu só posso estar louco! Quero Bryan tanto assim?!
...
Quero.
...
Que merda.
Tá, fomos para o mini postinho do colégio e uma moça de peitos grandes veio nos atender. Ficou braba com a quantidade de alunos dentro daquela salinha minusculamente pequena e mandou meio mundo sair. Só podia ficar uma pessoa para “acompanhar os feridos”. Tô me sentindo um deficiente físico! Cara, eu juro, se eu não conseguir jogar quebro as duas pernas do merdão nojento.
–Eu não vou deixar o Erick! De jeito nenhum! – Bryan protestou, junto de duas garotas que queriam ficar comigo.
Como eu não fiz questão de nenhuma companhia e o Bryan exigiu ficar com o nerdão ficou somente Bryan de acompanhante.
–Dói muito? Acha que quebrou? Quer que eu te acompanhe até tua casa? – Bryan perguntou todo preocupado... Com o nerdão.
–Calma Bryan. Estou bem, só machucou e dói, mas vou sobreviver.
–Você está bem porque é inútil e não joga nenhum esporte. Eu faço parte do time e se não puder jogar o time vai querer arrancar sua pele. Vou rir da sua cara.
–Mas eu não te perguntei nada. – Nossa! Bryan está com a língua afiada. Segundo fora dele que eu levo no mesmo dia, isso vai entrar para a história.
A moça gostosa de peitões grandes se aproximou de nós. Ela tem um corpão, mas uma cara de dar medo. Cruzes! O cara que levar para a cama irá esconder a cara com um travesseiro. E que verruga grotesca é essa encima da boca?!
–Garotos, vou ligar para a casa de vocês. Primeiro você – ela disse olhando para o nerdão. Ele se levantou com a ajuda de Bryan. –Você espera aqui – ela disse para Bryan.
A contra gosto, Bryan se sentou na cadeira ao meu lado, cruzou os braços e mordeu um dos piercings.
Mais importante, eu preciso mostrar
O quanto eu posso ir e voltar
Outros planos falharam
E colocaram uma carga pesada em você
Eu sei que não há nada mais que precisa ser dito
Quando eu estou me arrastando pela sua cama
Ao invés disso olhe em volta e me veja partir
–Bryan? – chamei-o quando a moça se foi. Essa é a minha chance!
–Quê? – ele perguntou de má vontade.
–Você está brabo comigo?
–O que importa?
–Se quero saber é porque me importo. Gosto de você, Bryan. Mesmo que você não queira ficar comigo.
Ele finalmente olhou para mim, surpreso. Entreabriu aquela boca linda e piscou duas vezes. Ponto para o Pedro!
Ok, vou me aproveitar de sua distração. Aproximei-me um pouquinho e lhe dei um selinho. Leve encostar de lábios. Senti seus lábios macios e as duas argolas geladas. Bryan ficou sem reação.
...
–Estúpido!
Ele se irritou, né. Aproximou-se e esticou os braços, tentando me empurrar. Puxei-o pela cintura para perto de mim, fazendo ele sair da cadeira. Sorri vitorioso.
–Acha que sou idiota? Vai se fuder Pedro, heterossexual de merda!
Se ele quisesse mesmo me rejeitar teria recuado na hora do selinho. Entãaaaao Bryan, não tente negar.
Bryan ia me socar, mas segurei seu braço antes. Fui fuzilado com seu olhar tão belo, mas não me abalei. Orgulhosamente, Bryan ergueu o queixo e empinou o nariz, encarando-me mais de perto.
–O que passa pela sua cabeça, Bryan? – perguntei curioso. Ele continuava a me encarar furioso, querendo se soltar. Uma mão minha segurava sua cintura e a outra seu braço.
Eu nunca vou entender sozinho o que se passa pela cabeça de um gay! Mais ainda a de Bryan. Ele era tão... Dócil...
–O que passa pela sua cabeça, Pedro.
–Que você era um garoto muito legal e agora anda revoltado, mandando todos longe.
–Você não tem que opinar! Não sabe pelo que eu passei!
Mais uma vez ele tentou me bater. Cara, esse garoto parece um cachorro prestes a morder! Larguei sua cintura e segurei o outro braço.
Espere um pouco me deixe corrigir isto
Eu quero viver a vida de uma nova perspectiva
Você veio junto porque eu amo seu rosto
E eu irei admirar seu gosto refinado
E quem liga para intervenção divina
Eu quero ser elogiado de uma nova perspectiva
Mas partir agora seria uma boa idéia
Então me acompanhe em cair fora daqui
–Então me conte.
Bryan gargalhou alto, ironizando.
–Para que? Para você rir e debochar? Não sou trouxa!
Aquela risada me irritou. Porra Bryan!
–Bom, não sei pelo que você “teve de passar”, mas vejo que você tem olhado de cima para todos seus amigos.
–Eles não são meus amigos, são cruéis.
Onde está Bryan? Porra cara, esse olhar não é dele... Desde quando ele é tão frio?
–Até mesmo aquele garoto loiro e saltitante?
–Mi comi é o pior! Ele é falso!
Ele se debateu. Apertei seu braço, tentando não machucar. Ele me chutou.
–Eu só vejo uma criança triste que precisa de atenção.
–A maioria dos emos é triste!
–E você considera a maioria dos emos falsos?
–Mi comi é diferente! – ele gritou e se debateu tanto que quase o soltei. Apertei com mais força e o sacudi para chamar a atenção, tentando não machucá-lo. –Você não é meu pai para me bater!
...
–Teu pai te bate?
Ele se acalmou, mas só na atitude. Continuou a me encarar com ódio e com o cabelo um pouco bagunçado.
–Não!
–Então por que não usou sua mãe como exemplo? Você me disse que mora com ela.
–Isso tanto faz!
Senti seus dentes perto de meu braço e, com o susto larguei seus braços. Bryan se levantou revoltado, pronto para sair.
–É isso pelo que você “teve que passar”?
Ele parou e virou para mim, ainda mais irritado, se é que isso é possível.
–Não! E não te interessa!
Pensei em me levantar também e me para poder me aproximar de Bryan e tocá-lo, mas daí a dor me lembrou que machuquei o tornozelo.
–Por que está tão irritado? Bryan, já lhe pedi desculpas por aquela vez! Como eu ia saber que a boneca não quer ficar, só namoro sério?
Putz, falei boneca sem querer. Tenho certeza que ele se irritou.
–Você me humilhou!
Droga, ele está gritando. E se alguém ouvir?
–Não foi minha intenção. Você me irritou querendo contar a todos. Porra Bryan, você é um garoto também! Deveria entender! Eu jamais fiz piada de você, mas também não queria passar vergonha tendo que contar aos outros.
Bryan levou as mãos a cabeça e fechou os olhos com força. Arregalei os olhos e fui um pouco para trás. Parece que vai enlouquecer.
–PARA COM ISSO! Para de me mentir; de me fazer mal!
–Não estou mentindo!
–ESTA! Fica rindo de mim pelas costas!
–Nunca! Eu sempre disse aos garotos para te deixar em paz que você não era uma má pessoa!
–MENTIRA!
Que merda, o Bryan não para de gritar! Estamos no colégio!
–Bryan, se acalme, você está irritado e gritando. Estamos no colégio.
–Não me mande calar a boca! A culpa é sua! Você é um problema!
–Você é quem está tornando o mundo mil vezes mais pesado! Eu gosto de você Bryan e você está lindo assim, mas não posso dizer o mesmo de sua personalidade.
–Eu continuo o mesmo.
Agora, me olhando com esse jeito furioso e o cabelo desgrenhado está parecendo a ponto de enlouquecer.
–Não, não continua. Não sei porque faz questão de tornar tudo difícil e olhar para as pessoas de cima.
Como assim ainda não surgiu ninguém preocupado com os gritos de Bryan?
–A culpa é sua! Sua e das pessoas como você que não aceitam o homossexualismo!
Se eu quisesse enlouquecê-lo mesmo eu saberia o que dizer. “A culpa é sua por ser estranho e diferente”. Acabaria com ele.
–A culpa é sua por encarar tudo com arrogância, só provoca mais ainda os garotos e intimida teus amigos. Eu gosto do garoto que conheci.
Puta que pariu, eu disse merda! Ainda bem que disse “gosto”, nada dessas merdinhas de “estou apaixonado”. Eu só gosto!
Bryan me olhou irritado por mais alguns segundos e jogou os braços para baixo, com raiva. Se pudesse me jogaria qualquer coisa que estivesse nas mãos.
–Me esquece, Pedro!
Daí sim ele saiu. Eu deixei, já irritei muito o garoto, mas é realmente uma pena que Bryan esteja assim. Ele era tão dócil antes...
Que merdão! Desde quando eu me tornei um gay nojento? Sua culpa, Bryan. Mas, se você fosse menos arisco e levasse tudo mais na boa, com certeza eu já teria te pego a muito tempo.
Não é justo, apenas me deixe aperfeiçoar isto
Não quero viver uma vida que era compreensiva
Porque ver claramente seria uma má idéia
Agora me acompanhe em sair fora daqui
Então me acompanhe, eu estou caindo fora daqui
Notas finais
Falando no Mi Comi, o loirinho oxigenado que quase todo mundo está amando, a nossa queridíssima mCherry fez um desenho dele! http://mcherrylovely.deviantart.com/#/d4u0pn7 Morram! E como ela disse, "se a cor dos olhos sair errado é porque ele está usando lente". Então, na verdade é castanho xD (que eu lembre, mas posso estar errada. Qualquer coisa me corrijam) Lentes verdes u.ú
É claaaaaro que eu não vou enchê-la de pedidos, porque claro que do jeito que ela desenha deve ter vários pedidos, mas eu sei que vocês leitores amariam um desenho do Erick, não é? #ficadica
Não vou mais embora, vi que vocês querem a história. Aliás, eu disse na outra nota que havia começado outra história, daí teve gente pedindo para lê-la. Eu não sou fã de propagandas em outras histórias, mas se alguém quiser dar uma passadinha no meu perfil e ler a sinopse, pois passei ela para cá. Aliás, se não quiserem tudo bem, fiquem só aqui com meus pirralhinhos emos amados. Chama-se "Do que os garotos gostam", daí vai ter gente "ohh" porque há leitores em comum antes de eu colocá-las no mesmo perfil.
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Spoilers: No próximo capítulo os pervertidos irão amar! Podem ter grandes expectativas, viram? Daí, os fãs do Erick irão gostar do próximo capítulo e... Não posso dizer mais. Lembrando que um spoiler não tem, necessariamente relação com outro. Ou tem, talvez... Kkkkkkk
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