Notas iniciais
Espero que não tenha ficado péssimo >.

Um homem de capuz negro pairava sobre minha face. Sua energia ruim me deixou totalmente triste, com medo e depressiva. De repente este veio em minha direção segurando uma adaga de bronze na mão direita. Algo fez com que ele parece e este jogou os braços para trás.

Acordei gritando. Não demorou muito para que Vovó entrasse no quarto com um abajur, papa com um taco de beisebol, James com uma doze(arma), mama com uma frigideira e Derick com um travesseiro.

--Travesseiro? –James perguntou a ele.

--Foi a primeira coisa que eu vi. –Derick respondeu.

--O que aconteceu querida? –Mamãe perguntou passando a mão em meus cabelos.

--Desculpe-me, mama. Acordei assustada. Tive um pesadelo. –Faz dez anos que não tenho pesadelos, não sei por que voltaram de repente.

Todos abaixaram suas “armas”. James saiu do quarto batendo na cabeça de Derick, logo vovó e papa os seguiram.

--Você está melhor? –Mama sempre lidou bem com meus pesadelos na infância.

--Estou bem obrigada. –Fabriquei um sorriso.

–Agora vá se arrumar... Estou preparando o café. Primeiro dia de aula. –Ela se afastou e fechou a porta ao sair.

Meu pesadelo foi horrível, mesmo que quisesse não conseguiria voltar a dormir, lutaria contra meus olhos já pesados para não voltar a sonhar com o homem.

Levantei e fui em direção ao banheiro lavar o rosto. Arrumei meu material e procurei uma roupa que não fosse colorida, pois assim chamaria mais atenção do que o sol, que mal se vê no céu acinzentado dessa cidade. Depois fiz uma maquiagem levemente escura e desci as escadas com uma alça da mochila no ombro.

--Buenos dias. –Disse ao entrar na cozinha.

--Buenos. –Todos disseram menos Derick que não entendia "nada" de espanhol.

--Bom dia Lana. –Derick disse sarcasticamente. –Nem dá bom dia pra sua família. Chega nos xingando. Bu..Bu..enhos.

Respirei fundo para não xingá-lo realmente. Peguei uma torrada e a comi, encostada no balcão.

--Filha. Coma conosco. Sente-se.

--Mama, eu não sei onde é a escola. Tenho que correr. Não quero ter de pedir informação para ninguém. Vai que alguém me ataque. –Disse depois de engolir um copo de suco.

--James leva você. –Ela disse fazendo com que todos entendêssemos claramente que era uma ordem.

Olhei esperançosamente para James. Ele jogou seu hambúrguer no prato.

--Que ótimo. –Rosnou nada contente.

Corri para o banheiro do andar principal e escovei os dentes.

–James você não precisa me levar. –Disse com gentileza simulada.

--Calada. –Hoje ele acordou de mal humor. Estou ciente que ele adoraria ter encontrado alguém no meu quarto para matar.

Me senti segura com James ao meu lado, no caminho para escola. Sei que como meu irmão mais velho me protegeria de qualquer mendigo, mas não sei se nesta cidade ele estaria seguro, mesmo lutando tão bem.

Como matava as aulas para praticar box e outros estilos de lutas com seu melhor amigo, James dominava quase tudo.

Estava relativamente bem até chegarmos ao fim da rua. Lá vimos o garoto da casa da frente passando por nós com uma mochila petra pendurada no ombro esquerdo.

--Ei!– James chamou Jacob.–Você estuda, na Jaison Swllen? –Perguntou.

--Sim. –Ele respondeu por cima do ombro e logo continuou seu caminho.

Eu também não ousaria deixar meu irmão no vácuo.

--Siga ele. –James disse. –Vou bater em algum nerd das trevas. Para me acalmar.

--Mas... –James nem se importou com o fato de eu ficar sozinha com um desconhecido.

Não queria seguir o garoto que pulou em minha janela. Eu... sinto medo dele.

Os únicos sons da silenciosa manhã, que mais aparentava madrugada, eram os sons de nossos sapatos ecoando no asfalto úmido, como quase tudo por ali. Jacob parou de andar e fiz o mesmo. Não queria ficar ao seu lado.

--Por que está me seguindo? –Disse sem olhar para trás.

--Preciso chegar à escola e... Não sei o caminho. —Já que ele está falando comigo. Decidi perguntar. --Por que você estava em minha janela me espionando?

--Por que VOCÊ estava me espionando? –Ele respondeu com uma pergunta.

--Mas eu não estava te espiando! –Eu disse.

Jacob arcou uma de suas sobrancelhas e continuou a andar.

Contrai o maxilar e andei ainda mais rápido.

--Eu não estava espionando. –Aleguei. –Eu estava olhando para rua... É uma cidade nova e queria ver como era de noite.

--Aliais... –Ele deu um meio sorriso sarcástico. –Eu nunca estive em sua janela. Você é louca. –Disse indiferente por fim.

--Eu não sou louca. –Cruzei os braços na altura do estomago. –Louco é você que fica na janela das pessoas.

Ele parou novamente e se virou vindo em minha direção com um olhar agressivo.

--Eu não fui em sua janela. Entendeu? –Ele estava próximo demais então recuei dois passos.

--Diga o que quiser. –O encarei estreitando os olhos. –Mas eu sei o que vi.

--Você brinca com a morte garota. –Ele se aproximou novamente.

Seu olhar transmitiu a ideia de que ele queria arrancar o crânio.

--Estou pronta para ir para a escola com a minha nova melhor amiga. –Jade pulou do meu lado fazendo careta para Jacob. –Jacke, isso são modos de tratar minha amiga? Você é minha amiga não é?– Então me dirigiu um sorriso amigável.

Ela me olhando como um cachorro esperando seu biscoito.

--Eh... Sim. –Olhei para o chão a procura do gato.

Ele estava lá, me encarando. Jade se agachou.

--Agora eu vou para escola meu amor. Você tem que ir para casa e ficar lá. Se precisarmos te chamo. –Ela acariciou o felino.

Ele deu meia volta e correu para longe.

--Vamos. Já estamos atrasados. –Ela me puxou pela mão.

Depois de alguns minutos chegamos na escola. Nada lá me surpreendeu. Pessoas estranhas, lugar escuro e sombrio. Com plena certeza não quero andar pelos corredores dessa escola sozinha.

O que eles ensinam aqui? Como arrancar tripas e ser antipático?

Jade me deixou em minha sala despedindo-se com um aceno amigável.

Matemática, Ciências, Química, Física, nunca foram e nem serão minhas aulas favoritas. Agora sei o porquê do mau- humor da galera da cidade. Talvez isso também explique o porquê de serem pouquíssimos os alunos que frequentam a escola.

Depois de enfrentar aulas chatas e cansativas com cálculos internáveis e receber dezenas de deveres, peguei minha mochila e comecei a caminhar pelos corredores que pareciam labirintos até a saída. Neles vários adolescentes fumavam cigarros e usavam drogas, vi jogado no chão um garoto que poderia ser irmão gêmeo de Axl Rose e ao lado dele um idiota que parecia estar morto. Sai da escola rapidamente,não vi Jade e decidi que Jacob que corria na quadra com um fone de ouvido não era boa companhia. Segui meu caminho sozinha, até encontrar aquele mesmo mendigo do dia anterior sentado na esquina. Talvez ele não me reconheça, mas não sei se devo passar por lá. É o único caminho que conheço, por ter prestado muita atenção enquanto Jade falava sobre como é divertido ter uma amiga. Apesar de que ela aparente ter 16 anos e sermos bem diferentes.

Todavia, segui o mesmo caminho que aprendi. Coloquei o capuz de minha jaqueta e apertei os livros contra meu estomago. Senti que ao passar pela esquina o homem se levantou e os olhos dele fixaram-se em mim, fazendo minhas costas congelarem. Assim olhei para trás rapidamente, ele não estava mais lá. Havia um beco onde ele estava, mas não me arriscaria para ir até lá dar uma olhar.

No lugar do homem um gato negro sentava em frente ao beco. Virei para frente novamente e acelerei o passo. Passei por duas criancinhas, que brincavam com uma corda e sorri para elas que fecharam a cara e franziram as sobrancelhas. Continuei a andar.

As ruas estavam quase sempre vazias. As pessoas pareciam sair somente à noite. Odeio saber que a cada passo que dou posso ser morta por um mendigo, bêbado ou meu vizinho louco.

Jacob me barrou no começo da rua quando estava bem próximo de casa.

--O que você quer? –Perguntei tentando driblá-lo.

--Quero... Pedir desculpa. –Ele parecia forçado a isso.

--Pedir desculpas pelo que?—Perguntei rígida.

--Por ter agido grosseiramente. –Ele olhou para os lados. –Agora... apenas, não fale mais comigo.

--Ótimo. Você quem sabe. –Disse indo em direção ao meu quintal.

Tem alguma coisa errada com esse garoto, Jade e o gato que me persegue. Tenho que investigar. Não pelo o fato de ele não falar comigo ou Jade me adorar assim de cara ou eu quase morrer quando aquele gato encosta-se a mim.

Esperei que Jacob entrasse em sua casa, joguei minha mochila na fachada da minha. Olhei para os lados atentamente e atravessei a rua. Me aproximei abaixada da casa. Fiquei perto o bastante da janela para ouvir o que eles conversavam na sala de estar.

--Assim ela não vai querer ser minha amiga. –Ouvi Jade queixar-se melancolicamente para Jacob.

--Só está se aproximando dela porque quer se livrar do contrato. –Ele disse agressivo.

--Não é por isso. Os espíritos da luz me disseram que ela poderia nos ajudar... Mas me disseram também que ela é nossa prima, Jacke. –Ela agia indiferente a raiva do garoto.

--Prima?! Impossível. –Ele rosnou. –Você estava falando com espíritos da luz? Você não deve. Se quebrar o contrato perdemos nossa alma.

--Perdemos nossas almas faz tempo... –Lamentou.–Além do mais, aquela casa é do tátára vô da mãe dela. Ela é nossa prima e pronto. Não discuta comigo.

--E o que isso importa?

--Ela é uma de nós. Ela deve se tornar uma Black's. No mínimo devemos... Protege-la. Ensina-la a viver nessa cidade. Protegemos a família. Lembra?

Ouvi passos no chão de madeira. Jacob abriu a janela acima de mim. Tranquei a respiração. Ele colocou a cabeça para fora. Cruzei os dedos e me encolhi o máximo que pude.

–Sou eu quem bisbilhota. Não? –Jacob me puxou pelo casaco e me levantou.

--Me larga. –Ordenei debatendo-me.

Tirei o casaco e sai correndo.

Olhei para trás e ele tinha pulado a janela. Atravessei a rua e ele segurou meu braço. Uma forte dor de cabeça me deixou tonta.

–Lana? –Derick saiu de dentro de casa.

Jacob me soltou e desapareceu. Sentei na calçada.

–Preciso que você vá à praia comigo. Quero muito surfar. Jade parece meio...

–Não fala dela. Ela é legal comigo. –Disse meio assustada, olhando para trás, tentando ser natural

--Tá. Mas prefiro que você vá.

--Você viu? --Perguntei esperando que ele tivesse visto Jacob desaparecer.

–Vi o que? –Ele cruzou os braços. –Você não vai tirar uma com a minha cara de novo. –Derick disse indo em direção da casa dos Black's.

–Não! –Meio que gritei.

–O que? –Perguntou ele confuso já no gramado.

--Eles... Eles... –Vi Jacob na janela do segundo andar junto ao gato. –Nada. –Me calei.

–Para de baboseira criança. –Ele continuou andando.

–Então morra. –Disse mais baixo que um sussurro.

Não queria que ele morresse realmente, mas se ele me escutasse aumentaria suas chances de continuar respirando. Derick parou em frente a porta e tocou a campainha.

Meio segundo depois Jade a abriu. Ela olhou diretamente para mim. Sorria, sorria, sorria. Torci para que ela ainda me adorasse.

Se mais alguém além de Jacob quisesse me matar eu estava ferrada.

--Olá, Derick. Vejo que está mais do que pronto para enfrentar as ondas. –Ela disse apontando para prancha do pavão descerebrado.

--Nasci pronto baby. –Ele com certeza gostou de Jade, apenas não queria me contar. –Seu biquíni é maneiro. –Disse apontando para as flores do bustiê de flores negras que tinham um belo contraste com sua pele branca como a neve diferente da de Jacob. Se isso não fosse impossível até poderia dizer que éramos primos.

Tamborilei impaciente, meus dedos em minha cocha.

Olhei para janela onde Jacob estava a segundos atrás. Senti um vento gélido nas costas.

–Me procurando? –Jacob disse brincando com uma mecha do meu cabelo.

–Mas... Mas... –Gaguejei. –Você estava lá. –Olhei para janela outra vez. --Como veio parar aqui?

–Você conhece uma coisa chamada escada? Foi inventada faz bastante tempo.

O encarei insatisfeita com a resposta, mas se ele não tivesse descido por uma escada, qual seria a outra explicação? Ele fugiu da mansão X?

Tenho que descobrir o que esse garoto tem comigo.

--Vamos. –Jade saiu de sua garagem junto de Derick em uma Mercedes blindada, com suas pranchas no teto.

Ela soltou do carro e veio ao meu lado.

--Estamos atrasados. Você não vai querer chegar tarde em casa. –Ela colocou uma de suas mãos em meu ombro.

O gato saiu da casa e veio em minha direção. Jade o pegou no colo antes que ele pudesse encostar em mim.

Por que ela não deixa o gato encostar em mim?...Bom tenho um bom palpite.

Por que Jacob sorri quando vê o gato?Por que essa maluca diz ser minha prima? Estou certa que mamãe teve vários irmãos e o gato pode ser fofo e engraçadinho, mas nada explica. Por que minha cabeça dói quando Jacob encosta-se a mim? Por que aquele gato me deixa em uma espécie de transe? E a mais importante pergunta. Quem pode me responder tudo isso, sem me matar ou me mandar para um hospício?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.