Emily correu como se fosse se jogar do precipício,o que gelou o coração de Megan,mas quando se aproximou do final desacelerou e apenas sentou-se com as pernas penduradas.

–Venha ver!

Ela andou em direção a garota,no entanto com cautela,ficou de pé a uma distância que considerava segura,mas que conseguia avistar o largo rio lá em baixo.Mas logo voltou e foi em direção a árvore.Ela não se sentia confiante perto de precipícios suas sensações ficavam confusas,ela se sentia de alguma forma seduzida por eles e tinha uma estranha vontade de se entregar a sua "magia".Pensou nisso e como isso parecia uma metáfora de Emily.

–você tem medo?

–Não eu só prefiro mais a estabilidade.

–As vezes nós devemos nos permitir a instabilidade.Riscos nos dão novas emoções e novos prazeres desconhecidos.Você deveria experimentar.

–Mas os riscos podem nos levar a fins irreverencieis...a arrependimentos.Eu prefiro evitar.

Megan pensou que essa foi a conversa mais metafórica que já teve.

–Tudo bem!Eu sempre vou fazer o que você quer mesmo.Mas um dia eu ainda vou te vencer!

Falou Emily se levantado da beira do precipício e indo se juntar a Megan a sombra da árvore.

–Bem melhor!

Falou Megan se deitando na grama e Emily a acompanhou.Megan reparou no pulso de Emily quando ela se moveu para se deitar.

–O que está escrito nelas?

Falou Megan apontando para as pulseiras de Emily.Ela eram de uma corrente delicada com um pingente com algo escrito.

–São linda,não é?

Falou a garota esticando o braço para que Megan pudesse ler o que estava no pingente.Tinha um desenho de um brasão na parte da frente da pulseira e na parte de trás escrito Ann Gramlich e na outra pulseira o mesmo brasão só que Emily Louise Gramlich

–Muito bonitas!É o brasão da sua família?

–Sim,da parte materna!Por isso uso o tempo todo.É meio que uma tradição de muitos anos criada por minha tataravó,quando nasce uma Gramlich ela logo ganha uma.E essa era da minha mãe.

Fala ela segurando a pulseira com o nome Ann.

–Lindo nome,não acha?

Ela sorriram.

–Eu me sinto um pouco perto dela com a pulseira.

–É uma linda lembrança!

Megan falou e sorriu para Emily.Elas voltaram seus olhares para o céu e permaneceram quietas por alguns minutos.

–Hoje eu vou ver a Bridgith!São os meus dias mais esperados da semana.

–E como você faz isso com o pai que vocês tem.Ele permite?

–Jamais!Mas nós temos nosso jeito!

Elas ficaram em silêncio por alguns minutos olhando para o céu.

–E como fazem isso?

–Você quer saber da outra parte dolorida da minha vida!?

Megan a olhou nos olhos.

–Se eu poder ajudar de alguma forma.

–Não,você não pode!Ninguém pode!

ela respirou fundo

–Meu avô tirou tudo que ele pode para se vingar daquele homem.Mas isso foi depois de ele tirar primeiro quase tudo que meu avô tinha.

fez uma pausa,mas sem soluço ou lágrimas.Megan percebeu que ela já estava mais forte para contar suas histórias.

–Ele....Eu não tenho provas,mas tenho certeza.Ele matou minha mãe.

–Como você chegou a essa conclusão?

–Ela me visitava as escondidas quando fui expulsa de casa.Primeiro quando eu morei durante um tempo com a família do Tyler,esse é um dos motivos para eu ama-ló tanto e a família dele também,quando todo mundo me virou as costas com medo do poder do meu pai eles me acolheram.

Ela sorriu.

–E depois quando fui morar sozinha ela até levava a minha Bri para me ver.Só o que ela não sabia era que era seguida pelos segurança do meu pai.Quando chegou em casa ele bateu nela e falou que ia mata-lá se voltasse a me ver e se levasse a minha irmã.Mas ela continuou a me visitar só que sem a Bri.Eu pedi para ela desistir de mim e que eu não queria que ela voltasse a me ver...a se arriscar por mim,mas ela insistiu.Então em um dia recebi a noticia pela tv de um carro que tinha caído de um penhasco.Procurei a pericia,eu sabia que aquilo não poderia acontecer,porque ela era a pessoa mais cautelosa desse mundo e conversei com os peritos e eles deixaram escarpar algo sobre freios sabotados eu tentei prosseguir com o assunto mas eles falar que era confidencial.No outro dia passou na tv que o que aconteceu era apenas um acidente.Voltei a procurar os peritos,mas já era tarde,meu pai já tinha comprado todos eles.Eles me disseram que eu estava maluca e que deveria esquecer aquela história.No dia do enterro fui me despedir dela e meu pai me arrastou para fora por um dos braços.Então comecei a chama-ló de assassino repetidas vezes e ele me bateu bem aqui.

ela colocou uma mão sobre o rosto.

–E ele me disse quase que sorrindo "eu a matei e você nunca vai poder provar isso" eu fui para cima dele ,mas ele me segurou e me jogou no chão.Me levantei e devolvi o cuspe que ele tinha me atirado na cara um tempo atrás e jurei mata-ló.Ele riu de mim e falou que eu poderia tentar,mas eu nunca iria conseguir nada.

agora ela chorava,mas era com um ódio incalculável.Ela limpou as lágrimas com força nas mãos.

–Eu contei toda história para o meu avô,mas ele não tinha muito o que fazer.Fez o que pode tirando todo o patrocínio que ele dava ao meu pai e entrando em uma luta pela guarda da minha irmã,mas é claro que ele perdeu,aquele homem apesar de tudo era o pai.Então ele nos escondeu a Bri,chegamos a pensar que ela estava em outro lugar.Um dia eu fui até a escola dela,eu já tinha estudado lá conhecia todos os "buracos",pulei o muro e me enfiei em uma especie de porão,de lá dava para ver todas as crianças no pátio e eu avistei a Bri ela estava brincando com as amigas com uma bola.Eu nunca dei tanta sorte na vida,porque a bola escapou e rolou para dentro do porão e ela que foi buscar.Quando ela entrou eu a segurei e tampei a boca dela para não gritar,ela logo me reconheceu,e começou a chorar e me abraçou ,expliquei que tinha pouco tempo que ela deveria voltar ao porão toda sexta,que era o dia em que a escola estava cheia com sua feirinha tradicional e que ninguém notaria a ausência dela por alguns minutos e que eu estaria a esperando e que era nosso segredo.Então ela voltou semana após semana e eu estava lá. Conversávamos naquele buraco escuro sobre tudo, aproveitando os poucos minutos que tínhamos,ela não é de se queixar muito sobre a vida eu que perguntava como o nosso pai a tratava e é claro com indiferença e rispidez.Ela diz que quase não o vê eu eu agradeço aos céus por isso.Mas a maior parte das vezes ela só quer me abraçar e chorar e é impossível eu não fazer o mesmo.São nesses momentos que eu prometo a mim mesma que vou salva-la...Só preciso encontra um jeito.Ela implora pra que eu não suma,pra que eu não a abandone como os outros e isso me corta o coração.Ela é a garota mais doce desse mundo...ela não merece passar por coisas como essas.

Ela começou a chorar,mas controladamente.Megan secou as lagrimas da garota e dessa vez foi ela que distribuiu beijos suaves pelo rosto de Emily.

–Nós vamos encontrar uma saída!

Falou Megan olhando nos olhos dela.A garota fez que sim com a cabeça.

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Emily andava pelo corredor da faculdade em direção a saída quando escutou vozes alteradas que vinham da sala do reitor. Era ele e uma mulher.