Emily

8 Descoberta


Bruno foi surpreendido por palmas e gritos quando a música acabou. Ele abriu os olhos e sorriu encarando os amigos, conhecidos e desconhecidos. Encontrou Gabriel, com um enorme sorriso no rosto aplaudindo o irmão e, um pouco no canto, Emily o olhava com admiração. Ele sorriu para ela. Então os criados que serviam chegaram arrastando uma mesa com um enorme bolo. O parabéns foi cantado, o bolo servido e a festa continuou.

–Eu não esperava isto de teu pai. -comentou Francis.

–Ninguém esperava. -E Gabriel tomou um gole de seu espumante.

O aniversariante nada disse. Seus olhos não paravam quietos, procurava por Emily e esperava a oportunidade de estar novamente a sós com sua bela dama. Já não aguentava mais a festa, apesar de não estar sendo desagradável. Gabriel sentia o mesmo que o irmão. Combinara de encontrar-se com Clara novamente e não estava gostando nada daqueles riquinhos metidos a besta mexendo com sua garota.

A festa só terminou quatro horas da manhã e o plano de todos foram frustrados. Bruno, Gabriel e Francis foram para o escritório de Carlos abrir os presentes. Era tanta coisa que o garoto nem sabia por onde começar, mas Francis logo estendeu-lhe uma caixa verde.

–Comece pelo meu, petite merde.

Bruno revirou os olhos. Seu amigo adorava xingá-los em Francês. Abriu o presente de Francis e encontrou uma coleção inteira de Antoine de Saint-Exupéry. Não aguentou e deu um forte abraço no garoto francês. Como sentia falta das férias que ele passava em sua casa. Enquanto Gabriel precisava seguir o pai para todos os lados, Bruno e Francis eram livres para brincar do que quisessem.

Terminou de abrir os presentes mesmo sentindo uma dor de cabeça bastante incômoda, o irmão e o amigo queriam ficar para beber mais, porém Bruno resolveu ir dormir, não sentia-se muito bem. Deitou a cabeça no travesseiro, mas não conseguiu pregar os olhos. Revirou-se várias vezes na cama e a dor de cabeça não diminuiu. Só conseguiu dormir quando deu sete horas da manhã, o horários que os criados já estavam se levantando, não tinham descanso mesmo depois de uma festa daquelas.

Bruno foi acordado uma hora da tarde quando Clara foi enviada ao seu quarto para chamá-lo. Ela abriu as cortinas e os olhos dele doeram por causa da luz. Suas pálpebras estavam bem doloridas também, assim como o corpo inteiro. Não tinha a menor vontade de levantar.

–Deixe-me dormir. -Gemeu puxando o travesseiro por cima do rosto.

–Sinto muito, Bruno. Teu pai me obrigou a vim chamá-lo, diz que precisa da tua presença. -Disse a garota com aquele olhar de pena, o mesmo olhar que qualquer um tinha quando o pai o tratava como um qualquer.

Se fosse Gabriel, ele nunca mandaria ninguém chamá-lo. Bruno não fez nada, apenas esperou que Clara fosse embora, mas a garota não foi, tinha ordens a cumprir. Ele suspirou, não tinha jeito. Olhou para a garota com sua melhor cara de doente.

–Diga a ele que sinto-me indisposto.

Era totalmente verdade, mas ele também sabia que o pai não acreditaria. Clara deu um mínimo sorriso e aproximou-se para checar a temperatura de Bruno com as mãos.

–Meu Deus, Bruno, estás queimando em febre. -Exclamou com os olhos castanhos levemente surpresos. -Irei chamar alguém.

Então a garota fechou as cortinas e saiu do quarto. Enfim, paz. Bruno quase não aguentava mexer um dedo de tão dolorido e realmente sentia um pouco de frio. Esperou alguns minutos até que sua própria mãe entrou no quarto e contatou o mesmo que Clara. Ele estava começando a ficar doente, mas talvez fosse apenas uma gripe.

A pequena Clara ficou encarregada de cuidar de Bruno e ele sabia que o irmão não gostaria nada disso, gastaria muito do tempo da garota, mas Clara não importou-se, minutos depois levou um prato de sopa para Bruno e esperou que ele comesse sentada na ponta de sua cama.

Mais tarde Carlos apareceu no quarto de Bruno e confirmou que deveria ser apenas uma leve e passageira gripe. "A febre dos dezoito anos", fez piada do caso e riu. Bruno teve vontade de revirar os olhos, mas sabia que o pai estava certo, era apenas uma breve gripe. Ficaria uns dois dias de cama, no máximo. Logo, logo estaria pronto para passar tardes e tardes na biblioteca com Emily. E quem sabe noites em que a ensinaria tudo o que sabia sobre os planetas e os astros.

Mas não foi bem assim que ocorreu. Bruno não levantou no dia seguinte, nem no outro. Sua situação só foi piorando. A febre recusava-se a passar e as dores eram terríveis, às vezes acordava gritando de tanta dor, tinha pesadelos de que quebrava todos os ossos em uma corrida de cavalos e quando despertava a dor era real. As pessoas que mais apareciam além de Clara eram Gabriel e Francis. Os dois tentavam animá-lo, mas de nada adiantava. Ele sentia-se rejeitado sem Emily, nem uma vez a garota foi vê-lo.

Já era o quinto dia que Bruno estava de cama na mesma situação quando recebeu uma visita inesperada. George deu um mínimo sorriso para o neto ao entrar no quarto mal iluminado do garoto. O ar estava seco e quente, mas apesar de fraco, Bruno sorriu ao reconhecer os cabelos grisalhos.

–Vovô, que surpresa.

Sua voz estava rouca e fraca, todos estavam preocupados com a situação dele que não melhorara nada. Até mesmo Emily finalmente perguntara por Bruno, mas ainda não havia tido a coragem de procurar o garoto. George sentou-se na cama do neto e apertou sua mão.

Os dois conversaram por algumas horas, mas o avô só precisou de apenas alguns minutos ao lado de Bruno para saber o que ele tinha. Quando saiu do quarto do neto, seguiu diretamente para o escritório, onde sabia que encontraria o filho. Entrou sem bater.

–Carlos, precisamos conversar.

–Papai, não entre assim. -Carlos levantou-se para receber o pai.

–Tranque a porta. -Ordenou George enquanto sentava-se. Depois de fazer o que o pai pediu, Carlo sentou-se na cadeira ao seu lado.

–O que aconteceu? -Sua sobrancelhas juntaram-se de preocupação.

–O que o Bruno tem não é uma gripe nem nenhuma doença.

Carlos olhou para o pai como se o velho estivesse louco, estava claro que o filho estava doente.

–Pai, chamamos o médico, ele confirmou que é uma gripe bem forte.

–Bobagem, eles não sabem de nada. Escute, meu filho. O sangue está se transformando.

–Como assim? -perguntou Carlos sem saber se o pai queria dizer mesmo o que tinha ouvido.

–O sangue de Bruno está se transformando em sangue Nefilim. Ele é o seu mais velho, o primogênito. -disse George com toda calma do mundo para fazer Carlos entender bem.

–Isso que dizer que... -Disse Carlos um pouco surpreso e sem saber se devia acreditar no pai, não conseguia, mas as palavras de George o deixaram sem chão.

–Isso quer dizer que Gabriel não é seu filho.

Notas finais
*Petite merde: merdinha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.