Emily
7 Capítulo 7
–Eu quero falar!Eu tinha sete anos quando o adorado e imprestável irmão do meu pai foi morar lá em casa.Até então eu nunca tinha tido contato com ele,mas ele parecia tão adorável e conquistou com facilidade a minha família,sendo que meu pai já era louco por aquele irmão.Ele ficou nesse amor todo conosco por algumas semanas,mas comigo logo mudou.Uma noite ele entrou no meu quarto eu não me assustei ele era meu tio e eu gostava dele,assim como todos,então ele se sentou ao meu lado na cama passou uma das mãos em meus cabelos se aproximou e enfiou a linguá na minha boca,eu não sabia o que aquilo significava. A.A outra mão ele desceu até minhas partes intimas e falou "O titio só quer brincar um pouco com você!Não grite!" Me mostrou uma arma,eu nunca tinha visto aquilo de perto antes,só tinha visto em filmes e sabia que as pessoas usavam aquilo para matar as outras.E ele continuou falado "Tá vendo isso!Se você não me deixar brincar com você do meu jeito eu mato os seus pais entendeu?".
Ela fez uma nova pausa apertando os lábios e tentando conter as lágrimas.O seu repudio e ódio era tanto daquele homem que ela quase cuspia ao falar dele.
–Então me estuprou.E dali por diante o seu ritual de terror se continuou rapidamente,ele era tão previsível com isso.Tudo era repedido,os dias que invadia o meu quarto a noite,como começava,as coisas que pedia,até seus movimentos nojentos eram repetidos.Então o tempo foi passando e aquelas coisas continuavam,eu até achava que era culpa minha,porque eu não era uma boa filha,porque eu esquecia de fazer os exercícios da escola,porque eu me irritava e não fazia obrigações como alimentar o cachorro.Então aquele era o meu castigo e eu deveria aceitar.Eu era tão inocente e idiota!
–Você era uma criança!
–Quando eu fiz dez anos minha mãe ficou gravida e teve a Bridgith.Tudo ia bem,até que ela fez cinco anos e eu percebi aquele olhar nojento que ele me lançava e agora eles eram para Brigdgith.Ele fazia aquilo a todo tempo na mesa de jantar,nas reuniões de família em festas...a todo tempo aqueles olhares,e eu me pergunto,como alguém nunca percebeu?Eu percebi!Eu enxergava de verdade,estavam todos cegos eu era a única que via.
Essa última frase ela falou quase que aos berros.E não podia mais conter as lagrimas.
–Eu não poderia deixar que aquilo acontece-se com ela.Eu o vigiava a todo momento,mas sabia que teria de agir.Ninguém poderia salva-lá!Só eu!Então eu tive um plano.O esperei em uma noite que ele previsivelmente estaria lá.Em quanto ele fazia seu ritual e movimentos repetidos eu me batia,esperneava o forçava a me machucar mais ainda,ele estranhou porque segundo ele eu estava "domada",mas disse ter gostado ainda assim.Então fez o mesmo de sempre depois que terminou se sentou na beira da cama de costa para mim olhando para parede,eu sempre quis saber o que ele pensava,sempre permanecia parado ali por alguns minutos depois de "agir".Então eu tirei minha "surpresinha" de baixo da cama.Aproveitei que estava de costas o segurei e passei a faca pela garganta dele....Eu o matei!
Ela deu um sorriso macabro entre as lagrimas que escorriam sem parar.
–Eu pulei em cima dele o golpei repetidas vezes no peito.Eu salvei minha pequenina e me libertei! passou as costas das mãos no rosto secando as lágrimas. -Eu devo ter feito muito barulho,pois quando olhei para trás estavam meus pais em pé atrás de mim.Então eu fiquei de pé com a faca suja ainda nas mãos olhei para o corpo quase desfigurado na minha cama e chorei feito uma idiota.Fomos a policia eles me periciaram viram minhas marcas fizeram teste no sêmen e deram como legitima defesa.O que foi!Eu fiquei no hospital durante um curto tempo para cicatrizar as feridas do corpo e tentar cicatrizar as da alma,mas para estas de nada valeu.Recebia ligações do meu avô todos os dias minha mãe também sempre aparecia por lá.E quando voltei para casa minhas malas estavam todas prontas na porta de casa e em frente delas meu pai e minha mãe de joelhos implorando para ele me deixar ficar.Ela a pegou pelo braço e com um golpe a jogou longe e ela ficou inerte,ele veio em minha direção e disse "Vagabunda e assassina não permanece na minha casa!" cuspiu no meu rosto.
As mãos Emily estavam incontrolavelmente tremulas assim como o resto do seu corpo,suas lágrimas e soluços eram impossíveis de serem contidos.
–Por que você aguentou tudo isso sozinha?Nunca falou ou procurou ajuda! Ela olhou para Megan.
E deu um sorriso triste.
–Porque eu sou assim...Sozinha!
Megan a abraçou enquanto a garota desmoronava,sua dor e sofrimento eram nítidos,estavam cravados em sua alma como uma estaca no coração,como algo que ela nunca pudesse tirar e de fato era assim.Megan a abraçou mas forte e sentiu seu coração apertado como nunca esteve,suas lagrimas quase não podiam se contidas dentro nos olhos.Ela queria dizer algo,ela queria fazer algo...Para arrancar a dor de Emily,mas a única que conseguiu foi sussurrar no ouvido da garota
–Você não está mais sozinha!Eu estou aqui...sempre vou estar.
O abraço de Megan era acolhedor e demorado,que aqueceu o coração de ambas de uma forma diferente.As lagrimas já tinha cessado junto com os soluços,mas os corpos continuavam grudados e os braços entrelaçados.Megan pensou como aquilo era estranhamente aconchegante,quente e prazeroso.Sentiu o corpo de Emily estremecer com seu abraço mais apertado e sentiu os dedos dela tocarem sua nuca entrando pelo seus cabelos e também se arrepiou ao toque dela.Então Emily então sussurrou.
–Eu te amo,Ann!
Ela podia sentir a respiração quente da garota bater em seu ouvido.E aquelas palavras e aquela sensação soou confuso para ela,mas tão verdadeiro.O ar lhe faltou por alguns estantes quando sentiu os lábios quentes de Emily lhe tocarem no pescoço.Ela ofegou.As mãos dela eram rápidas em seu trabalho mal pode perceber em que ponto Emily já havia aberto todos os botões de sua blusa e tinha uma das mãos passeando pelas suas costas e a outra entrelaçada em seus cabelos com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo.Era impossível resistir a aqueles toques.Megan se sentia completamente dominada.E a cada estremecer de Megan,Emily unia mais os seus corpos.Sua boca ainda trabalhava no colo e pescoço de Megan.Então ela voltou a sussurrar no ouvido.
–Eu te amo de todas as formas possíveis!
Sua boca voltou a trabalhar no colo e pescoço.Ela sentiu os lábios da garota subir do pescoço e tocar suavemente o seu lábio inferior.Então como se tivesse acordado de um sonho insano colocou as mãos nos ombros da jovem a empurrando.
–Não!Eu não posso!
Ela falou olhando para Emily e rapidamente desviando para o chão.Se levantou passou a mão em sua bolsa e saiu como um foguete.Só na hora que entrou no carro percebeu que sua blusa continuava inteiramente desabotoada,se arrumou ligou o carro e dirigiu em direção a sua casa,no caminho foi inevitável pensar sobre tudo.Sobre o que tinha ouvido naquele apartamento,toda aquela história tão pesada e triste.E ainda sobre aquela coisa que tinha acontecido ou quase acontecido e lembrou dos lábios entre abertos e rosados de Emily e de seus olhos perdidos tentando compreende a sua segunda rejeição. Megan.Megan não podia deixar de se culpar por isso.Mal se deu conta quando estava em frente a sua casa.Guardou o carro e entrou.
–Mãe!
Se deparou com Lancey e Mathew que ainda jogavam o tal jogo de tabuleiro.Como eles poderiam aguentar jogar aquela coisa tão sem graça por tanto tempo.Pensou Megan.
–Já esta na hora de ir para cama!
–É só essa partida e já vou.
Megan levantou uma sobrancelha.
–Sério!Mas como está,Mily?
–Está bem!
Disse Megan subindo as escadas.E depois olhou para trás e se corrigiu.
–Na verdade...Bem de mais!
Entrou em seu quarto jogou a bolsa em uma poltrona e foi tomar banho.Se vestiu confortavelmente e se deitou.Novamente Emily surgiu em seus pensamentos,lembrou do tremor de seu corpo e do toque de suas mão,mordeu os lábios.Depois balançou a cabeça como se quisesse afastar aqueles pensamentos,mas não era possível.Ela não aceitava o pensamento de se sentir atraída por ela então formulou pensamentos que queria acreditar como "Aquilo foi uma forma de carinho,fraternidade que culminou em uma mistura de sentimentos,mas nada físico...nada físico!".Se virou para o criado mudo que ficava ao lado da cama,abriu a primeira gaveta e tirou uma cartela de calmante colocou dois comprimidos na boca,para o efeito ser mais rábido e em seguida os engoliu. .......................................
Ela chegou atrasada ao trabalho entrou na sala,os alunos já estavam lá,olhou para o fundo da sala onde a garota dos olhos cor de mel sempre se sentava,mas naquele dia ela não estava lá.Começou a explicar o que já tinha marcado com os alunos para o dia ,depois se sentou e abriu seu livro,logo escutou a porta bater,era Emily. Voltou os olhos para o livro.A professora evitou o contato visual durante a aula inteira,mas sentia os olhos cor de mel em cima de si.Quando a aula terminou todos saíram e Megan ficou em sua mesa juntando seus pertences não tinha percebido que a garota ainda estava ali.
–Eu quero te pedir desculpas!Não quero que fique sem falar ou chateada comigo.
Ela estava de pé em frente a mesa.
–Você não tem que se desculpar.
–Sim!Eu tenho!Eu não deveria ter...
Fez uma pausa e uma gesto com as mãos
–Você sabe "avançado o sinal"!Acho que ficou constrangida ou intimidada depois daquilo.
Ela sabia que a palavra "intimidada" causaria reações em Megan.Ela a conhecia a pouco tempo,mas o suficiente para saber que ela nunca se sentia Intimidada por ninguém e mais ainda,odiava que pensassem isso dela.Ela revirou os olhos com irritação.
–Oh,garota!Eu não vou entrar no seu jogo,mas se quer uma resposta...Aquilo foi um carinho!Nada de mais da minha parte,até porque eu não senti nada além de afeto.
Emily conseguiu provoca-lá
–Ah,sim!Isso não foi o que o seu corpo me disse na hora que te toquei.
–Você me tocou?Não percebi!
As duas sabiam que era mentira e sentiam vontade de rir,mas não transpareceram.
–Ótimo então!
–Ótimo!
Megan passou a mão na bolsa e foi saindo da sala,quando chegou na porta se lembrou de algo.
–Scarllet quer que você vá jantar lá em casa hoje.
–Se você não se sentir bem com isso.
Megan bufou.
–Ela insistiu!Quer ver como você está.
–Tudo bem!Mas antes eu vou ver os pais da Clare,ela não era minha melhor amiga,mas estava comigo e foi uma vitima fatal,então tenho que falar com eles.
Falou ela desconsertada por não se sentir muito triste com a morte da colega.Aquilo era apenas questão de cordialidade.
–E depois eu tenho que passar no hospital para ver o Tyler.
Agora ela tinha tristeza no olhar.
–E a que horas você vai?
–Umas cinco horas!
–Eu te levo!Também quero ver como anda.
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