Emilia & Bernardo.. Nova história
82 Capítulo 82
Bernardo
no dia seguinte como tinham combinado ele e Emília vão a clínica para ter mais informações de Alberto, são informados pelos médicos que o estado dele é delicado, mas que tomando algumas precauções ele poderia sim viajar com eles. Emília sai do consultório para ver o pai, Bernado fica ali e pergunta:
– Doutor qual é a real situação do meu sogro?
– Sr. Boldrin, seu sogro ele não tem muito tempo, apesar dessa viajem não ser aconselhável, será bom para ele e sua esposa terem esse tempo juntos, longe desse ambiente hospitalar.
– Então não podemos ter esperanças de uma melhora?
– Não, o câncer esta muito avançado, ele esta muito debilitado, o conselho que dou para você e sua esposa, aproveitem, deem toda atenção e carinho.
– Obrigado doutor- Bernardo agradece ao médico e vai ao encontro de Emília, no quarto do pai, ele esta dormindo e ela sentada segurando a mão dele, ele prefere não dizer as informações que o médico lhe passou.- Emília, vamos?
– Sim — ela beija o rosto do pai, e sai com o marido- Como vamos fazer Bernardo, vamos levá-lo?
– Vamos sim, já peguei com o médico o nome de uma equipe que pode ir conosco, chegando em casa eu ligo, vai ser bom para ele e pra você.
Chegando em casa ela vai para o quarto e ele para o escritório.
Um tempo depois ele ainda esta lá quando ela chega, ele esta com o olhar perdido.
– Bernardo tudo bem?
– Tenho que te falar uma coisa.- ele diz com cautela, ele não queria ter que trazer mais um problema para ela, mas não pode ocultar essa informação.
– Se é sobre meu pai estou preparada para o pior.
Ele senta ao lado dela no sofá, segura em suas mãos.
– Não meu amor, não é sobre seu pai, e sinto muito por essa situação dele- ele passa suavemente a mão sobre aquela face querida e amada. — Lembra da Malu? — Ela se levanta.
– Malu. ..como esquecer Malu?- ela vai a janela, Malu uma atirada sem vergonha — o que tem ela?
– Bom pouco tempo depois de você me abandonar- ele diz rindo, para quebrar o clima tenso, ela o olha e da aquele seu olhar que se fosse em outro momento ele a pegava no colo e levaria ela para o quarto- Bom quando me deixou, ela… você conhece o jeito jogando dela, veio para cima de mim, mas seu marido lhe deu um basta, e disse que se ela não fosse para a Europa ele iria se separar dela, e Malu pode ser louca, mas jamais ficaria pobre, e ela foi — ele ri do suspiro de satisfação que ela dá- Sabe que tenho grandes negócios com o marido dela- ela confirma- Só que ele faleceu, acabei de saber.
– Sinto muito- ela diz voltando a sentar do lado dele.
– É péssimo mesmo, mas …
–Diga de uma vez Bernardo.
– Tudo bem, vamos lá...Malu vai tomar a frente dos negócios do marido, terei que negociar com ela. — ele olha para ela que não expressa reação nenhuma. — Emília o que me diz? — ela levanta ele também.
– Bom se ela tentar qualquer coisa e conseguir eu corto ele- e olha para baixo ele segue o olhar dela para o seu membro, ele balança a cabeça negando ela balança a cabeça confirmando- Sim e acabo com a brincadeira — e sai.
Emília
Estão a caminho da fazenda, Bernardo prefere dirigir, ela esta ao seu lado, Beth e as crianças atrás, seu pai vai vir só no outro dia pela manhã, esta ansiosa por ver a fazenda, por ver seu pai longe da clínica, faz uma semana desde a conversa do escritório em que Bernardo disse da volta de Malu, mas ela nem quer pensar nisso, a reforma do quarto da filha terminou, não foi difícil a adaptação porque a menina pouco dormia com ela, passava a maior parte de tempo dormindo com Miguel, Bernardo que aproveitava, bom ela também, eram noites quentes naquele quarto, a esse pensamento ela sorri, talvez o primeiro da viajem, sente o toque suave dos dedos de Bernardo em seu rosto.
–Que pensamento conseguiu enfim tirar um sorriso desses lábios. — ela encosta a boca próxima ao ouvido dele e lhe diz sobre as noites em que mal dormiam, ele só confirma com a cabeça e mantém os olhos na estrada, se fosse em outra época, sem as crianças e Beth ali, teria parado na estrada e a tomaria na ali mesmo.
Uma hora depois eles chegam, Miguel e Lívia descem correndo, o menino querendo mostrar cada canto do lugar, Beth tenta acompanhar os dois. Ele vai abrir a porta para ela, suas mãos estão frias comparada as dele que estão quente .
– Então como estamos? — ele diz a abraçando, ela gira o corpo para ficar de costas e olhar a casa.
– Estamos bem, andou reformando aqui também?
– Sim mas já faz um tempo, já arrumei o quarto para Lívia. — ele beija o rosto dela.
– É? — ela volta o corpo para ele e o beija.
– Vamos entrar? — ele pergunta ela diz que sim.
Eles entram um filme passa pela cabeça dela, a primeira vez que entrou ali foi carregada no colo por ele, dormia, e tinha o coração cheio de raiva, lembra de outros momentos, alguns felizes, outros tristes, lembra da ultima vez que saiu dali levando os diários de Lia.
Mas ela não quer pensar nisso, olha os detalhes da casa, esta com cores bem mais claras, os móveis também mais claro e bem dispostos, criando um lugar bem amplo, ela olha o piano, e não resiste em sentar, olha para Bernardo e sabe exatamente no que ele esta pensando, na primeira vez que ela tocou esse piano, ela sorri para ele, que faz um gesto como quem dá permissão para ela tocar, mas já faz muito tempo que ela não toca, mal arranha as teclas. Sai do piano e anda pela casa, ao lado escritório tinha uma sala sem uso, que ele transformou em um quarto para seu pai.
– Acho que será melhor para ele aqui em baixo e tem o banheiro aqui do lado.
– Sim obrigada.
Eles saem, olham o resto da casa, os quartos e vão ver as crianças.
No outro dia seu pai chega, ela o sente bem, sua memória as vezes fazem uma visita e esses momentos são bons, eles conversam, ele fica encantado com a neta, mas os momentos em que nada ele lembra são de tensão e angústia, ele fica perdido, Lívia se assusta, então não dá para mantê-la perto dele por muito tempo,
Agora ela esta no jardim com ele, nem lembra quantas vezes ele perguntou quem é ela e onde esta desde que chegou, agora faz dois dias que ele esta na fazenda.
– Eu sou Emília lembra? — ela olha para ele que tem o olhar confuso.
– Emília. .. Emília- ele repente- Tenho uma filha com esse nome, mas ela não esta aqui, minha pequena, viajou com a mãe sabe, visitar a avó, no interior- ela sabe que ele fala das inúmeras vezes em que foi visitar a avó quando pequena e o pai não ia por não se darem bem, ela sorri, e o deixa divagando sobre essas memórias, mas então ele para de falar e cai para um lado, ela grita por socorro, o enfermeiro que estava do lado, socorre prontamente.
Então tudo foi muito rápido, em um momento esta no jardim da fazenda com ele, em outro o observa na UTI através da janela de vidro, nem consegue prestar atenção ao que o médico diz, sente o tempo todo o braço de Bernardo envolta da sua cintura, a amparando, ela pede licença e vai até a capela do hospital, pede a Bernardo para deixá-la sozinha um momento, ele respeita e a deixa.
Chegando a capela ela se ajoelha para rezar, pensando que perder o pai é terrível, mas jamais imaginou que aquela situação poderia piorar ao ouvir uns passos ecoar no silêncio da capela, acha que é mais um desesperado em busca de consolo. Então ouve uma voz que arrepia até a sua alma.
–Olá Emília. — ela se vira lentamente, não querendo crê, mas ali está ela aquele mesmo olhar carregado de ódio e inveja, aquela prepotência, Emília a olha e rapidamente relembra o último encontro das duas, por fim consegue dizer:
–Lia.
FIM SEGUNDA PARTE.
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