Emília

Depois da ligação de Bernardo ela fica nervosa, eles combinam de fazer tudo aos pouco, primeiro contariam a verdade a Miguel, depois a Lívia, e dai um encontro entre todos eles. Fica esperando pela ligação dele, se Miguel aceitasse ela iria encontrar com eles, não queria forçar um reencontro, sabia que assim como tinha feito com Bernardo, ela também o tinha magoado e muito, se para um adulto entender, para uma criança era pior, sabe por Beth que ele ficou traumatizado por todo o acontecido, seu coração se apertava em saber que ela era parte desse trauma, esperava que ele entendesse e aceitasse ela de volta, mas se ele se negar a vê-la, ela entenderia, pediu para Cris ficar com Lívia naquela tarde, e tentou fazer algo para manter a cabeça ocupada, mas os minutos iam passando e nada do telefone tocar, ela abre a carteira e retira de lá a única foto que tinha deles juntos, foi no parque que a foto foi tirada, e esta um pouco gasta por causa das inúmeras vezes em que olhou e acarinhou a foto, apesar de ter outras fotos que Beth lhe trouxe, aquela era a que mais gostava, pois foi a primeira deles juntos, uma hora depois do que ela sabia ser o encontro deles, e já sem esperança, lágrimas lhe veem aos olhos em pensar que ele não quis vê-la, ela ainda com a foto nas mãos começa a chorar, quando alguém bate a porta, ela abre e quase cai para trás ao ver Miguel ali em sua porta, ela reconheceria aquela cabeleira negra longe, quase uma cópia do pai, mas com os cabelos liso, ao invés das ondas rebeldes de Bernardo, e como Lívia, ele também herdou aqueles olhos escuros, sempre em busca de algo, o sorriso que ele lhe deu foi um bálsamo para o seu coração, que batia cada vez mais acelerado, e do nada ele se joga nos braços dela, sem se dar conta que não é mais um menininho, quase a derruba, por estar maior e mais forte, ela lhe dá um abraço forte, que ele corresponde, as lágrimas que ele tentava segurar ao longo do caminho já rolavam face abaixo.

– Meu querido, meu menino, me desculpas, por favor, me desculpas- Emília dizia ao ouvido dele não querendo o soltar mais, abraçando o mais forte possível.- Me desculpas.

– Só não nos deixe mais, por favor- ele lhe diz ainda agarrado a ela.

– Nunca mais meu querido, nunca mais- ela o solta um pouco coloca as mãos no rosto dele limpando uma ou outra lágrima.- Mas deixa eu olhar você, como você esta grande- ele sorri para ela e ela reconhece aquele sorriso, do menino de cinco anos atrás — E está lindo, um lindo rapaz.- ela o abraça de novo, e sorri ao ouvir uma voz.

– Lindo feito o pai- é Bernardo quem se faz presente, por segundos para ela, era só Miguel quem ela via, ele acaba se juntando aquele abraço, beijando a cabeça da mulher e do filho.

– Ei estão me apertando aqui- diz Miguel e os três caem na gargalhada. — bom podemos ir para a casa? Vamos Emília?

Eles se soltam, ela olha para Bernardo.

– Meu filho...- Bernardo começa a dizer, mas Emília o interrompe.

– Miguel eu preciso resolver umas coisinhas, e assim que der eu volto para a casa.

– Mas ...achei que ia voltar com nós. — ele diz triste.

– Eu vou voltar eu prometo…

– Mas o quê ainda tem que fazer aqui?

– Bom eu tenho que entregar esta casa, o lugar onde eu trabalhava preciso ver o que fazer pois é um negócio meu, e..- ela não sabe se deve ou não falar de Lívia, mas está cansada de se segredos, ela pega as mãos dele, e olha em seus olhos- Miguel quando eu fui embora eu estava grávida, e eu só fui embora porque Lia fez ameaças ao bebê que eu esperava, e a única forma de proteger o bebê e você, seria eu ir embora…

– Eu tenho um irmão?- ele pergunta bruscamente- Eu tenho?

– Na verdade uma irmã, Lívia é o nome dela, ela vai fazer cinco anos.

– Uma irmã, eu tenho uma irmã- ele começa a chorar de novo.- Eu te disse pai lembra, que o meu irmãozinho estava vindo- o pai confirma com a cabeça- Eu disse, cadê ela?

– Eu preciso falar com ela, Miguel, ela ainda não sabe do teu pai, do pai de vocês- ela corrige- E nem de você, para ela sempre foi só nos duas, por isso ainda preciso de um tempinho, para explicar tudo a ela, tudo bem.

– Mas vocês não vão demorar a ir para a casa né?

– Não, não vamos, eu prometo. — ela da mais um abraço nele, fica com ele em seus braços enquanto olha para Bernardo, que fica bobo.