Bernardo

Com a foto e mãos ele fica sem saber o que fazer, ele olha o endereço não parece ser tão estranho, sente já ter ouvido falar, mas não consegue se lembrar de onde.

Ele olha mais uma vez para foto, o grupo esta em frente a uma casa, dois sentados em um muro baixo, Lia e um outro levemente abraçados estão na calçada, Bernardo consegue ver o número da casa.

Ele faz uma busca rápida pelo computador, o endereço fica ali perto, Bernardo fica indeciso sobre o que fazer, não sabe se a foto é daquele endereço, mas é uma pista, decide ir até lá, pega o carro e vai, demora uns vinte minutos até chegar.

Ao chegar é uma rua bem residencial, ele encontra o número da casa, não mudou muito em comparação com a foto, ele fica no carro olhando, fica do outro lado da rua um pouco afastado, parece não ter ninguém, sabe que não pode simplesmente bater a porta e dizer “Oi Lia esta ai?”, isso pode ser ruim, decide ficar no carro e esperar um pouco e vê se há alguém na casa, e na sorte ser um dos rostos da foto, ele não pode deixar de pensar na forma como Emília agiu no dia anterior, e na decisão dela de não permitir a visita dele, ele sabe que ela quer deixar ele de fora e mais uma vez agir sozinha, mas ele não vai permitir, tinha feito uma promessa de proteger ela, era isso que ele iria fazer....ele tomo um tremendo susto quando ouve uma batida na janela do carro, é um senhor:

— O senhor esta para ai a um bom tempo, posso ajudar?–pergunta o senhor a ele.

— Eu tinha um amigo que morava naquela casa– Bernardo aponta para a casa da foto – Mas foi há muito tempo, não sei se ele ainda mora lá.

— E porque não bate na porta?

— Por que nós brigamos, queria ter certeza que ele ainda mora ali.

— Bom a um moço morando ali sim, ele e sua namorada, mas não tem como saber se eles estão em casa, eles pouco aparecem .

— O senhor sabe me dizer se essa é a moça — Bernardo mostra a foto, o senhor analisa, encosta a foto no rosto, aperta os olhos como para ver melhor, balança a cabeça e entrega a foto de volta.

—Já tenho as vistas cansadas, não sei se é a mesma pessoa, mas pode ser– eles ouvem uma voz e o senhor avisa– Preciso ir.

Bernardo vê o senhor entrar na sua casa, percebe outros vizinhos olhando para ele, curiosos, acha que isso de ele ficar ali esperando vai levar muito tempo e levantar muitas suspeitas, ele liga o carro e sai, sabendo o que fazer.

Quando o seu carro dobra a esquina, outro carro para em frente a casa, dali descem Lia e Marcos.

Emília

De volta a cela ela nem fala com Pri e Tere, e senta no canto com a cabeça sobre os joelhos, por mais que queira parar de chorar não consegue, sente uma segurar a sua,é Pri que nada fala, Emília não que conversar sobre o pedido que fez a delegada, de não receber mais as visitas de Bernardo, ela não sabe quanto tempo vai ficar ali, ou se vai ser transferida para uma prisão, ela sabe que a muitas provas pesando contra ela: a ameaça a Malu na festa, ela ao lado do corpo, as digitais dela na arma, ela não se lembrar nem um pouco do que aconteceu por ter bebido demais, Emília sabe que esta completamente perdida, então quanto antes ela deixar de o ver é melhor, ela permanece de cabeça baixa, olhos fechados, acaba cochilando.

Bernardo

Ele sai do escritório do detetive que ele já tinha contrato d outra vez para ajudar Emília, ele foi bem otimista em lhe dizer que com aquelas informações em um ou dois dias ele já teria um relatório a lhe dar.

Ele liga novamente para Beth, consegue falar com a crianças, tanto Lívia quanto Miguel pergunta por Emília, ele diz aos dois que logo ela deve voltar.

Bernardo vai ao escritório de Jéssica, mas decide nada contar a ela sobre a pista que achou, até ter algo concreto decide permanecer em silêncio. Ao chegar lá ele vê assistente da advogada saído.

— Olá Carol.

— Oi senhor Bernardo.

— A Jéssica está?

— Não, o juiz a chamou...

— É sobre a liberdade de Emília?

— Não sei, ele nada disse só pediu a ela que fosse para lá.

— Sabe se ela demora?– a moça o olha como quem diz não saber– Eu estou atrapalhando– ela nada lhe diz– Sei que estou, mas o que posso fazer minha mulher me proibiu de ir vê-la, sabe disso? Claro que você sabe.

— Ela só fez isso por que dói demais para ela ver o senhor lá.

—Eu sei que ela fez pensando ser o melhor, mas... – ele nem sabe mais o que dizer– Você estava de saída, vai ir vê-la?

— Eu já a vi de manhã...

— E como ela está?

— Dentro do possível ela esta bem– o telefone dela toca, ela olha, mas não atende.

—Tudo bem vou deixar você trabalhar. –ele diz e se vira para sair.

—Senhor Bernardo – ela o chama, ele se vira para olhar para ela de novo– O senhor a primeira coisa que ela falou pela manhã– ele faz um sinal com a cabeça– Qualquer novidades no ligamos.

E ele sai, não a muito que ele pode fazer, vai para o apartamento, mesmo já tendo conseguido uma possível pista ele volta a ler os diários, e nem vê o dia acabar e a noite iniciar, dorme em cima dos diários, acorda com uma forte claridade nos rosto, pisca algumas vezes para se acostumar com a luz, olha ao relógio já passa das dez da manhã, se assusta por ter dormindo tanto, Bernardo sente ser observando vira para a porta e ali parada esta Emília.

Emília

Ao acordar no outro dia após ter pedido para não receber mais as visitas de Bernardo, logo após a refeição ela é chamada para receber uma visita, é a assistente da advogada, foi repassar uns pontos com ela, pois Jéssica solicitou.

Já de volta a cela ela conversou um pouco mais com Tere e Pri, elas tinham conversando muito, já sabia um pouco mais de cada uma, assim como elas sabiam um pouco mais de Emília, e assim passou mais um dia e outro chegou, logo cedo vieram chamar ela, as duas companheiras de cela ainda nem tinham acordado, ela vai junto a guarda, pela primeira vez ela passou por aquele corredor e não ouviu nada, quase todas dormiam, e as que estavam acordada nada fizeram.

Chegando à sala ela viu a advogada, com um sorriso discreto no rosto.

— Bom dia Emília.

—Bom dia– ela olha assustada para a moça, sem saber o que esta se passando pergunta – Esta tudo bem?

— Sim, vamos para a casa? –e abre um enorme sorriso.

—Casa? Você falou casa?– Jéssica faz que sim, Emília senta a cadeira para não cair e chora– Vamos.

— Pronto esta tudo aqui– Carol entra e entrega uns papeis para a Jéssica, da uma olhada e entrega a um homem.

— Pode tirar a algemas dela, por favor– a advogada pede a policial, que olha para o homem que faz sinal afirmativo, Emília estica os braços e a policial abre e tira as algemas.

—Obrigada, obrigada– Emília diz para Jéssica e Carol.

Momentos depois de terem acertados os últimos detalhes da soltura, elas estão no carro da advogada.

— Conseguiu falar com ele? –Jessica pergunta a Carol

—Não ainda, celular desligado e residencial só chama.

Emília esta sentada no banco de trás alheia ao assunto, em seu colo esta uma sacola com seus pertences, sua bolsa, seu celular, um batom ,as chaves de casa, seus sapatos esta ali também, menos o vestido que deve ainda estar em analise, olhando aquelas coisas aquela noite parece ter sido há tanto tempo, com outras pessoas.

—Emília... Emília chegamos. – Carol a chama. Ela olha a janela e ali esta o prédio aonde mora, lágrimas lhe vem aos olhos, mas não vai chorar, elas entram na garagem, Jéssica não quer que ela chame a atenção dos curiosos, elas abrem as portas e descem, entram no elevador, Emília sente como uma criança que precisa ser entregue os pais.

—Vocês sabem que eu posso subir sozinha.

—Fico mais tranquila deixando você na porta de casa.

—Mas não precisa.

—Não adianta– Carol fala ao seu ouvido– Ela vai te deixar sim ali.

Quando chegam ao andar elas descem

— Emília ligo mais tarde, vou deixar você descansar, tenha na cabeça que ainda não acabou, nós temos muito a fazer ainda, esta bem?

— Sim, eu agradeço muito a vocês por tudo– ela olha de uma para outra– Obrigada.

Ela abre a porta e entra se encosta-se à parede, o silêncio que ouve logo acaba pelas risadas e gritinhos que ouve e eles passam correndo sem vê-la, primeiro Lívia depois Miguel e ela atrás cada um se esconde em um lugar, eles dão muitas risadas então ouvem passos e param de rir, não totalmente pois Lívia não consegue e é logo descoberta pelo pai, que a pega e a enche de cócegas, a Emília de agora observa Bernardo dizer algo a Lívia, então a menina aponta para onde estar o irmão, ela lembra de como Miguel ficou bravo por que a irmã revelou seu esconderijo, e depois os três vieram para cima dela, Emília consegue ver nitidamente essa lembrança de uma noite que não faz muito tempo que aconteceu, pensa que coisas assim parecem bobas e sem importância no momento e quando esta a um ponto de perder tudo isso o quão valorosas são.

Seca as lágrimas e vai procurar por Bernardo, não demora muito a encontrar com ele no escritório dormindo sobre os diários de Lia, fica indecisa se o acorda ou não, mas antes mesmo de decidir o que fazer ele começa a se movimentar, Emília fica só olhando, ele se espreguiça, olha o relógio, parece assustado com a hora, ele para um pouco e fica pensando então do nada ele olha para a porta ela, pisca algumas vezes como que para ter certeza no que vê, e tão rápido quando Emília possa imaginar ela corre para abraçá-lo, ele levanta para receber ela em seus braços, mas com a força que ela se jogou eles caem sentados.