Capítulo 74

Bernardo

– Quero que me leve para a casa, quero voltar para a nossa casa, você me leva? — ela lhe diz, ele sabe que esta com uma cara de bobo, pois não esperava que ela lhe pedisse isso,refeito do inesperado.

– Sim, levo não há coisa no mundo que eu queira mais, você em casa de volta- ele limpa uma lágrima dela que cai, e aquela mão vai parar na nuca dela, a puxando para ele, sua outra mão encaixa na cintura dela, ele sente as mãos macias dela em seu pescoço e rosto, então a beija, como se tivesse passado muito tempo desde o último beijo, quase sem fôlego ele diz — Vamos?

– Sim vamos, vou pegar as coisas, vá chamar as crianças por favor.

Ele sai, ela termina de arrumar as coisas e vai ao encontro deles.

– Vamos passar na sua casa, para pegar suas coisas?

– Não o que eu precisava no momento eu já peguei, esta em meu carro, podemos ir.

– Onde vamos mamãe? — pergunta Lívia de mão dadas com o irmão.

– O que você acha de morarmos todos juntos, eu, você, papai e Miguel? — Emília pergunta para filha, que olha para um, olha para o outro, por fim responde.

– Sim eu quero, vamos agora?

– Sim — diz o pai, dando a mão a Emília e caminham rumo aos carros, observando os filhos que vão á frente. Chegando ao carro, Lívia não quer soltar o irmão, ela acaba indo no carro com Bernardo.

Ele nem acredita, a todo tempo olha para ver a filha e o filho noa banco de trás, ou olha pelo retrovisor para ver o carro de Emília que segue o seu.

Chegando ao prédio, todos descem menos Emília, ela não consegue descer do carro.

– O que a mamãe tem papai- Lívia olha assusta para ele, que sabe quão difícil deve ser para ela esse momento, ele vai ate o lado de Emília.

– Nada filha, ela está bem, não é verdade Emília? — ele lha chama a atenção tocando em seu ombro- Diga a Lívia que esta bem.

– Oi bonequinha, esta tudo bem sim, porquê você não sobe com Miguel.

– Isso Miguel leva a sua irmã e mostre Beth a ela, vou ajudar Emília com as malas.

As crianças pegam o elevador, ele abre a porta do carro dela, e estica a mão.

– Vem meu amor.- ela nem tira as mãos do volante.- Vem Emília — ele chama de novo.

– Bernardo isso não ta certo, não esta,- ela começa a chorar.

Ele se aproxima dela e abre o cinto de segurança, pega a chave do carro e tenta tirar as mãos dela do volante, que reluta.

– Não Bernardo, eu não posso.

– Pode sim…

– Não eu não consigo, — lágrimas e mais lágrimas rolam face abaixo.- Eu tenho medo, e se Lia voltar?

– Olha para mim- ela olha para ele- Lembra que prometi te ajudar, te proteger, confia em mim, por favor, Emília eu te amo.- ele delicadamente tenta novamente tirar as mãos dela do volante, que dessa vez cede, ele a pega no colo, ela agarra em seu pescoço e chora mais, com o pé ele fecha a porta, depois ele pegaria as malas, vai até o elevador, quando chegam ao seu andar ele para o elevador, senta no chão com ela ainda em seu colo, agarrada a ele, então pergunta a ela:

– Emília chegamos, mas não quero entrar com você neste estado, não será bom para Lívia, que pode se assustar, então você decide: quer entrar ou desistir.- ela ainda esta agarrada a ele, demora uns minutos, então do nada ela levanta limpa o pouco o rosto.

– Vamos para casa- estica a mão para ele que abre um sorriso para ela, quando se levanta, passa a mão no rosto dela, destrava o elevador, ao chegarem na porta de casa, ela aperta a mão dele e entram.

Emília

Ela é invadida por lembranças, algumas coisas mudaram, não muito, mas o cheiro permanece o mesmo do que ela lembrava, sem querer lágrimas lhe veem, não quer chorar, de novo não, Beth vem até ela e a abraça, sussurra ao seu ouvido.

– Está tudo bem?

– Sim,acho que sim, tenho medo.

– Não precisa temer, estamos todos juntos, e ele não vai deixar nada acontecer com a familia dele.

– Quero acreditar que sim.

– Acredite Emília, acredite.

Lívia chega até elas, Emília se abaixa e pega ela em seu colo, a conhecendo, sabe que ela tem perguntas, senta com ela no sofá.