Emboscada
1 Shizuo + Izaya = Amor e Guerra
Notas iniciais
Boa leitura ♥
A memória recente parecia ter sumido, desaparecido como que por magia, o que era estranho. Sentia-se leve, quase que flutuando, mergulhado num mar negro que o levava a esmo, afastando-o de suas memórias também antigas. Ah sim, aquele era um problema, mas ele estava tão confortável, tão bem naquelas águas tranqüilas e pacíficas, negras como...
...
A posição lhe parecia desconfortável agora, a primeira sensação incômoda que sentira desde então. O próprio mar parecia agitado, como se um tornado se aproximasse e ele estivesse no olho da tempestade, agora tentando nadar contra uma corrente forte e insana que o arrastava cada vez para mais longe, mas trazia consigo as memórias recentes.
Ah sim, agora se lembrava. Um caminhão voando, a famigerada placa de trânsito em mãos. E a pergunta indecente: - Shizu-chan tem fetiches por coisas relacionadas a automóveis e leis de trânsito?
Certamente que não, leitores. Não era sua culpa que as coisas que mais próximas eram comumente placas de trânsito e automóveis, condenados em questão de segundos. E mesmo que em seus desejos mais íntimos houvesse algo relacionado sexualmente com esses objetos, certamente não seria da conta de Izaya.
Izaya...
Estava começando a se lembrar cada vez mais. A sensação incômoda era ainda maior e a cabeça latejava com força. Meu Deus, quando fora abatido pelo maldito de olhar rubro, carregado de malícia e desejos torpes? A dor era forte, tentar abrir os olhos foi uma guerra travada contra seu sistema nervoso que parecia entrar em pane com as agulhadas fortes na fronte, que se estendiam até a nuca.
Mas, algo o cutucando o fez despertar de vez. As mãos finas, sorrateiras empunhavam uma pequena faca ricamente entalhada que lhe perfurava a carne, suficiente apenas para causar um pequeno incômodo, isso se não estivéssemos falando de Heiwajima Shizuo e o tal da faca não fosse Orihara Izaya. Era o de sempre, as mesmas brigas, a mesma forma de expressar seus sentimentos, a ousadia de um despertando o ódio no outro.
- Seu filho da puta. – Os dentes trincaram; a dor não era mais importante. – Que acha que está fazendo?
- Me divertindo.
O sorriso mergulhado em escárnio não mentia. Mas, também não havia motivos para tal, a importância ali era se divertir até aquela fera enjaulada conseguir se soltar e tentar descobrir, ao menos, onde estava. Nem isso sabia.
Não mais que era um lugar relativamente úmido, com paredes rústicas e parecia não ser mais que um longo corredor marrom e carregado de terra e pedras, como uma caverna. Se tratando de Izaya não se podia ter certeza nem do óbvio.
Como se não bastasse ser a peça-chave de um jogo sórdido do outro, ainda se via preso na pedra bruta, correntes passando por cima de cordas bem atadas que apertavam os pulsos quando tentava se mexer. Claro, leitores, que aquilo não lhe era um empecilho, mas estava malditamente dolorido e os pulsos pareciam querer partir com forte atrito em contato com a corda bruta.
Os braços estavam virados para trás, mas de modo que os antebraços apontavam para cima, causando dor em toda a região quando o loiro tentava se soltar, como se já não bastasse as pontadas firmes na cabeça. Nem mesmo o ódio parecia sobrepor tanto incômodo, não quando estava a beira de um colapso.
- Maldito! Me solta Izaya!
- E para que tanta pressa, Shizu-chan? Vamos brincar mais.
Havia uma espécie de maleta preta a seu lado, de onde saíram mais acessórios como aquela faca, dos mais variados tipos e tamanhos. Não tinha medo, afinal. O que lhe fazia manter os dentes trincados era a presença do outro ali, daquele que tanto fazia para lhe tirar do sério, sendo com palavras, com gestos malditamente provocativos.
Shizuo não era a paciência em pessoa, não se tratando daquele homem que o encarava, lambendo sensualmente uma faca de porte maior. Izaya sabia, conhecia muitos de seus pontos fracos, a provocação levaria a uma agitação maior do outro e ele tinha plena certeza, era claro como a água, que se precisasse, o loiro deslocaria ambos os braços para tentar se soltar.
Mas, quando foi mesmo que a palavra sensualmente começou a fazer parte de seu vocabulário? E desde quando era associado aos atos indecentes vindos do outro? Mal podia se conter no lugar, puxava os braços com força, estava cego de ódio, só tinha em pensamento a necessidade gritante de partir aquele pescoço branco e imaculado ao meio e fazer questão de girar trezentos e sessenta graus para dar uma visão nova aquele maldito dos olhos vermelhos.
A aproximação felina descompassava sua respiração. Bufava como um touro enfurecido conforme o outro se aproximava, ambos os olhos se encarando, piscar não era uma opção. A faca era maior e de onde se encontrava bastou apenas esticar o braço e perfurar outro ponto daquele tórax tão coberto.
- Desgraçado filho de uma puta!
A serenidade em pessoa.
Os bons modos, esses então, nem se fala.
Izaya, por outro lado, estava bem relaxado, descansado. Ainda de longe iniciou um caminhar lento pelo tórax do outro, desfazendo, numa calma digna de desespero os botões do colete do outro, cortando as linhas que os seguravam, conseqüentemente abrindo a peça, revelando mais daquele que tanto estimava por sua morte.
Ou algo assim.
Era certo que o tempo que tinha para continuar aquele jogo meticuloso era curto, Shizuo puxava com força as amarras que o mantinham naquela parede, logo as rachaduras começariam a aparecer e seria, literalmente, o desmoronamento de tudo, fielmente seguido por uma rajada incalculável de ódio vinda do loiro.
Entretanto, Izaya não podia dizer que tinha medo, isso realmente não o tinha, de nenhuma maneira. Por mais que a aproximação e a violação da roupa alheia tenham despertado ainda mais ódio no outro, tudo que via era um mar de diversão onde pretendia se embrenhar e deixar levar até que a tempestade alcançasse a si. Isso porque no começo era Shizuo quem se sentia flutuar ao encontro de uma tempestade.
Talvez o mar de Izaya fosse loiro, afinal.
E ele não se importaria de mergulhar naquilo. As provocações eram efetivas, a faca passeava incessante pela camisa, que parecia ser seu novo alvo, o que era estranho aos olhos do outro, afinal. O objetivo alheio poderia ser mais torpe que o imaginado? Não se podia duvidar de Izaya, seus planos poderiam mudar em questão de segundos e os objetivos em mente relacionados a manter o outro preso poderiam ser dos mais simples aos mais elaborados.
Eu, sinceramente, apostaria no oposto elaborado.
Shizuo, também. Ao passo que se contorcia para se libertar também se mantinha parado, como se esperando uma atitude vinda do outro, algo inesperado, como Izaya o era. Inesperado era o vocábulo que o definia, e o impacto de suas atitudes sobre o outro era tão grande que se via como que... Esperando a ação alheia.
Aquilo estava para se tornar perigoso. Mas, é de conhecimento geral que Shizuo não tem medo do perigo, tampouco do homem a sua frente, tateando constantemente com a faca na camisa branca, levemente marcada por pontinhos vermelhos. Aparentemente o loiro estava a algum tempo ali, suficiente para render mais de quinze pontos vermelhos em sua roupa branca, afora os pequenos furos na mesma peça.
Izaya era como a encarnação de tudo que o outro desprezava, uma pedra que caiu na cidade errada e se recusava a ir embora. Como se...
- Shizu-chan está tão calminho.
- Não me provoque protótipo do demônio.
- Eu? – O cinismo escorria pelo canto dos lábios – Mas, aparentemente, as más línguas por aí chamam você de demônio. Eu seria seu aluno, então?
Shizuo se limitou a dizer algo bíblico ao outro. Seus pensamentos não estavam claros, levavam-no por caminhos desconexos fazendo-o se perguntar a que ponto sua loucura havia chegado para se deixar mergulhar num mar tão perigoso quanto aquele. Não que Izaya lhe desse muita chance para intensificar seus pensamentos, mas ainda assim estava tudo perigoso demais para continuar da mesma forma.
Os pequenos furos causavam enormes sensações, muito mais do que deveriam e a proximidade do moreno não rendia a paz necessária, ao contrário, a tempestade formada dentro de Shizuo estava prestes a eclodir e ele não parecia se importar com as conseqüências daquilo, incluindo seus braços que estalavam com freqüência conforme ele tentava se soltar.
Ele não se importava; Izaya também não. A camisa branca se tornara o alvo da lâmina precisa do moreno. Um pouco de força aplicada fora suficiente para ir rasgando a peça, cortando também as linhas que prendiam os botões. Shizuo trincou os dentes, observando perto demais o outro deflorar sua camisa. Não precisou de muito para ser parcamente desnudo, o tórax a mostra para o outro, que parecia interessado demais naquela pele toda para si.
De qualquer forma, no entanto, precisava agir rápido. Shizuo puxava com mais força e se parasse para observar por algum tempo conseguiria notar as pequenas rachaduras que estavam se formando na rocha. Isso custava estalos doloridos nos braços alheios, mas nenhum dos dois se importava.
Tecnicamente.
- Maldito.. Orihara.
Hesitação. Ao que parecia aquilo estava saindo de controle, Shizuo não hesitava com facilidade, tampouco na presença de alguém, mas aquilo estava realmente dolorido. O relógio imaginário que pairava sobre ambos parecia correr ainda mais rápido, não bastava muito para que tudo fosse para os ares e os planos do moreno caíssem por terra.
Mas, quem podia realmente confiar na calma de Heiwajima Shizuo?
E nas atitudes de Orihara Izaya?
- Desgraçado!
A lâmina achara espaço no lado esquerdo do tórax alheio, perto das costelas. Shizuo trincou os dentes, a dor e o ódio brigavam por espaço dentro de si e perduraram sufocando-o por todo o tempo que a lâmina se prestou a desenhar algo logo abaixo do coração, a maior proximidade entre os dois desde então.
- Shizuo-chan, não precisa se machucar, logo você estará solto.
A bondade em pessoa. Alguém discorda?
Afora Shizuo que, por constatações óbvias, não contava. A dor estava tomando espaço maior em si, mas incrivelmente por pouco tempo, já que um novo sentimento acabara por se apossar de si ante a nova atitude do outro, que agora se prestava a atentar contra a parte baixa de seu corpo. A surpresa rasgou o outro ao meio, conforme os dedos finos trabalhavam na cinta, decidido a retirá-la dali.
Aquela não era a primeira vez, no entanto.
Ainda assim não era como se o loiro fosse se prestar a aceitar de forma tão pacífica aquele ato libidinoso vindo do outro, tampouco fosse se deixar levar tão fácil por memórias como àquelas guardadas num lugar bem seguro de sua mente.
Estava novamente dividido, desta vez entre três sensações completamente diferentes, que se completavam de alguma forma, no entanto. O ódio, por sua vez, continuava sobrepujando os outros, mas ninguém discordava já que se tratava de Shizuo e ele não sairia por aí esbanjando amor, sairia?
Ok, não.
Aquele sentimento era o combustível de Shizuo, sempre sobrepujaria os outros, independente da situação que estivesse, independente do que estivesse realmente sentindo por trás do ódio que o guiava fielmente. Ao menos era assim ante todas as pessoas, fosse as que brigasse, fosse as que ignorava.
Mas, ora, seria assim realmente com Izaya? Shizuo seria tão tolo ao ponto de acreditar que teria uma rotina para seguir quando estivesse na presença do moreno? Era difícil acreditar que ainda tinha esperanças de não se deixar afetar pelo olhar rubro que o desnudava só de encarar por algum tempo. Não bastasse isso, ainda tinha certeza de como a presença alheia mexia consigo, conseguia sentir perfeitamente àquele incômodo.
Não que Izaya o aliviasse de alguma forma, as mãos alvas eram tão habilidosas, e ah, como aquele frio característico da lâmina estava entorpecendo-o. A cinta estava esquecida no chão empoeirado e era novamente o utensílio cortante que provocava o outro, passando bem em cima de onde vocês sabem bem.
Não que alguém acreditasse na inocência da criatura morena. Ele sabia como instigar, provocar, mexer com as sensações alheias, principalmente as do loiro. Shizuo era claro como a água para si, com toda aquela tensão acumulada em ambos e no local em questão, não precisaria muito mais que uma vírgula do outro para que aquela parede rochosa onde Shizuo estava preso se partisse de vez.
Mas, Izaya ainda queria brincar mais, e parecia saber bem onde cutucar, provocar, remexer e levar a sanidade do outro até o limite. Aquela lâmina parecia gostar de desprender botões das roupas e o fez novamente com o solitário da calça, deixando-o a um passo de seu real objetivo quando decidiu colocar Shizuo naquela emboscada.
Mas, o zíper, este ele fez questão de abrir com a mão. Não poderia dar menos atenção aquela peça, passar a faca ali quando podia fazer com os dedos e sentir sobre eles o que realmente queria sentir. Tão lentamente quanto possível baixou o zíper até seu limite, aquele passo para atingir seus objetivos estava ainda menor. Bastava acender o pavio.
- Shizuo-chan, mal começamos e já está assim?
Pronto. Rápido, simples, indolor.
Quase.
A parede rachou ao meio quando Shizuo forçou, partindo-a como se estivesse rasgando papel. As cordas e correntes ele mesmo deu conta, sem precisar da ajuda peculiar do outro. O ódio que o tomava era incontido, as duas partes da rocha foram direcionadas ao outro, que não precisou de muito para desviar.
- Agora é hora de fazer as coisas do meu jeito.
Num instante estava desviando das pedras, no outro seu cabelo fora agarrado com força, a força característica do outro que o atacou ferozmente, beijando-o e despejando toda a raiva contida sobre si. Izaya não pensara por um instante que seria diferente e nem queria que fosse, suas mãos esguias também tinham pressa, queriam desnudar o outro, mas não seria tão fácil, definitivamente não.
Sem soltá-lo, Shizuo tateou até prender ambas as mãos do outro para o alto, apertando-as firmemente contra a parede rústica. Izaya gemeu por entre o beijo e o pouco tempo que se desvencilharam fora apenas para Shizuo conseguir alcançar as cordas sem soltar os braços do outro. Não precisava de muito para prendê-lo e também não fora difícil achar um espaço na parede cheia de depressões para terminar o que planejara, prendendo o outro com os braços para cima.
Agora era Izaya quem estava completamente disponível para si.
Excitante, não?
- Shizuo-chan também gosta dessas coisas?
- Vá se foder, Izaya. Vai pagar por cada segundo que me deixou aqui.
Bingo.
Era tudo que Izaya queria mesmo.
E mesmo ante a ameaça excitante do outro não tinha intenção de se conter. Uma perna se esfregava contra a outra, lentamente, mas a fricção propositada não causava espasmos só em quem a provocava, mas estava mexendo profundamente com Shizuo. Seu corpo pulsava ante a visão e Izaya não permitia espaço para qualquer tipo de pensamento, suas feições eram puro desejo, ele mesmo estava excitado com a visão do loiro.
Mas, era perdoável, afinal de contas Shizuo estava levemente corado pelo esforço recente, o suor escorria pelo rosto e o tórax, as calças abertas, na altura das coxas, devidamente excitado e a gravata borboleta intacta sendo como a cereja daquele bolo explosivo.
Izaya gemeu arrastadamente e jogou a cabeça para trás, fechando os olhos e mordendo o lábio inferior propositadamente, as pernas esfregando-se uma na outra sem dar chance a qualquer pensamento são que pudesse pairar sobre eles, não que tivesse realmente chance de algo assim acontecer, não mesmo.
Mas, não deixava de ser um estimulante que pairava forte sobre ambos. Shizuo estava dividido novamente, mas desta vez era o prazer que o envolvia e brigava não com o ódio, mas com outro sentimento também forte, mas este não tinha espaço ali no momento. Shizuo pegou a mesma faca que antes estava em posse do outro, mas sem qualquer tipo de delicadeza se pusera a rasgar a calça alheia, trazendo junto cinta, roupa íntima, tudo que precisasse inutilizar para chegar aonde realmente queria chegar.
Não demorou muito para que o chão estivesse forrado com os restos do que sobrara da roupa de Izaya. As pernas agora completamente desnudas eram o alvo dos olhos mel. Eram ferinos e intensos, causavam espasmos no outro que podiam facilmente ser considerados como pequenos, mas intensos orgasmos, mas seria fácil demais, e tudo que envolve Shizuo nunca é fácil demais.
É sempre difícil demais. E duas vezes mais intenso. Com uma facilidade digna de inveja levantou as pernas de Izaya, sustentando-as com a força das próprias pernas. O resto de sua roupa estava devidamente em seus pés e não precisou muito mais que se aproximar do Orihara, prensando-o na parede. O próprio membro estava direcionado para a entrada alva e foi se acomodando dentro do outro sem pensar muito sobre delicadezas e outras coisas que não faziam parte de momentos como aqueles, não quando já havia sido provocado até onde seu limite permitia.
Não que permitisse muito, mas enfim.
Izaya se desdobrava em caretas e gemidos doloridos, mas sabia bem que o outro não ia parar até estar devidamente acomodado em si e assim o fez, penetrando-o até o fim, acomodando-se dentro daquele canal fervilhante para só então parar e dar alguma chance ao outro, não que sua pausa fosse com essa intenção. Sustentou Izaya com as mãos, segurando-o pelo quadril para poder se movimentar livremente, comprimindo os olhos ante o atrito inicial e a força desmedida que o corpo alheio fazia para lhe expulsar.
Izaya estava concentrado apenas no movimento em si, alheio a qualquer outra coisa. Os olhos estavam fechados de propósito, ajudavam-no a se focar apenas no corpo do outro entrando tão firmemente em si, a concentração fazia aumentar a sensação e de longe era ruim, os gemidos que agora o acompanhavam eram de puro prazer. Mas, também pudera, o outro sabia exatamente como fazer, as mãos rijas seguravam-lhe com tanta vontade, com tamanha possessão que se tornava mais uma arma de prazer.
Ambos sabiam como aproveitar da situação, era visível. Shizuo não fora impedido muito tempo pelo atrito, conseguia se movimentar com facilidade e ia se apossando do corpo alheio aos poucos, sem se importar de pedir licença, afinal de contas era convidado de honra daquele espaço, tudo que não precisava era se sentir acanhado, não que realmente o fosse.
Era apenas íntimo demais para dizer qualquer coisa. Não que Izaya também se importasse com educação, não que educação fosse importante nesse caso, mas acho que vocês já entenderam perfeitamente bem.
Enfim.
Shizuo se permitiu prensar ainda mais o outro na parede, aumentando a força com que o segurava, conseqüentemente passou a se movimentar mais rápido e a nova aproximação permitiu beijar o outro novamente, mas desta vez sem poder segurá-lo pelo cabelo, o que tornou o ósculo instável e curto demais para seus desejos, mas suficiente para aliviar aquela necessidade por um tempo.
Ainda assim Shizuo se prestou a morder o pescoço alheio com força desnecessária, chupando a região em seguida, marcando-a devidamente, como deveria ser, como era de seu feitio. Força e intensidade sempre estariam por trás de si, regendo-o acompanhados por outros sentimentos, alguns claramente divulgados pelo loiro, outros que ele só deixava transparecer na presença de certas pessoas.
Um beijo não podia ser apenas um beijo, quando era tão intenso, podia?
Bem.
Ah sim, aquele ponto, certeiro dentro do outro. Uma estocada mais forte atingira o ponto em questão, Izaya se remexeu sobre as mãos alheias, as pernas tremiam cada vez que o loiro direcionava o próprio membro para aquele ponto, propositadamente apertando o membro alheio com uma das mãos, masturbando intensamente o outro.
Não podia deixar aquela parte esquecida, afinal. Seus gemidos ecoavam em conjunto pela caverna, acompanhados de perto pelo som de seus corpos se chocando com força, o som úmido combinando perfeitamente com aquele lugar.
Estavam engolfados por um prazer desmedido, intenso. Assim como ambos o eram, seu momento mais íntimo também seguia fielmente suas personalidades, carregado de provocação, intensidade, fúria, todos os sentimentos que juntos compunham cada um deles. Não poderia ser diferente, seu orgasmo também era carregado com todas essas emoções, a energia que movia seus corpos e engolfava seus sentidos.
O prazer que os tomava era digno de admiração, ambos ferviam com a intensidade do ato, com a intensidade de seus próprios corpos, de suas vontades e desejos guardados. Seria sempre assim, torto, para alguns, mas certo para eles, os beijos calmos e o toques comedidos definitivamente não faziam parte de sua rotina sexual, não que esta fosse seguida dia a dia, tampouco fosse de fato uma rotina.
Eles não sairiam dali de mãos dadas como se nada tivesse acontecido, como se fossem um casal normal e não uma agressão aos olhos. Não que fossem realmente uma agressão aos olhos.
Enfim.
Os pares de pernas ainda estavam trêmulos quando Shizuo rasgou as cordas do outro e este se deixou despencar, escorrendo até o chão. Shizuo fez o mesmo, mas se lembrou de acender um cigarro antes para só então se aconchegar ao lado do outro, se livrando de vez da própria roupa, exceto da gravata borboleta.
Izaya aproveitou a deixa do outro o se pôs a observar os braços com marcas vermelhas e roxas, as cordas e correntes perfeitamente marcadas em seus pulsos. Não que um se importasse e o outro mostrasse preocupação.
Sei.
Quando os olhos se encontraram, Shizuo aproveitou a deixa e lançou a fumaça na direção do outro, que tossiu e esfregou os olhos como se fosse uma criança. Mas a inocência e a comparação bruta acabaram por ali.
- Shizuo-chan vai me deixar livre hoje?
O loiro não disse nada, fechou os olhos e se deixou levar pelos próprios pensamentos. Izaya deu de ombros e se deitou contra o outro, como se este fosse protegê-lo de alguma forma. Assim permaneceram, o único som que embalava aquele lugar era o de suas respirações e o ar era carregado pelo cheiro característico de suor, sexo e cigarro.
Muito tempo passou, muito mesmo.
Shizuo abriu os olhos novamente, não havia realmente dormido. Fitou Izaya que estava embargado num sono calmo e tranquilo, sem parecer o maldito filho da puta que era normalmente. Não que naquele momento Shizuo pensasse exatamente isso sobre si.
Passou um braço pelas costas do outro, trazendo-o para mais perto, depositando um beijo na cabeça, rápido e simples, mas carregado, ah sim, completamente carregado daquele amor que só aparecia na presença do moreno.
Não que este estivesse realmente dormindo, mas resolveu não se mexer. Aconchegou-se melhor sobre o outro, ainda fingindo e só então se deixou levar pelo sono, desta vez de verdade. Izaya sabia bem o porquê daquele ato tão carinhoso do outro, assim como o próprio Shizuo sabia que acabaria por agir daquela forma.
Ah sim leitores, tinha a ver com certa marca feita logo abaixo do coração do loiro, que apareceu refletida na lâmina quando despedaçou as calças do moreno.
Um singelo coração, logo abaixo do coração de verdade.
Puro, simples, carregado de amor.
E esta era sua forma de amar e ser amado.
Porque o dia que ambos cruzaram a linha descobriram que amor era guerra e não havia outra forma de demonstrar tanto senão aquela.
Era amor e era isso que importava.
Sempre.
Fim
Escrever é brincar de Deus
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