Embers

3 The Brothers


(Charlie)

O fato de alguém me despertar de manhã por mais diferente que fosse a situação, ainda me fez me dar um gostinho da memória de ser acordada pelo meu irmão mais novo todos os sábados de manhã, ele queria que eu o levasse para o parque que havia a algumas quadras de nossa casa para que ele pudesse gastar a manhã toda brincando, obviamente, isso antes de toda a guerra começar e ele ser literalmente explodido em pedacinhos. Agora o que acontecia era alguém me acordar de manhã, mas eram desconhecidos, e com sacolas como se estivessem recolhendo itens para sobreviverem, e mega assustados, isso me deixou um pouquinho mais aliviada.

Os dois tinham aparência jovem, deveriam ter a minha idade ou algo assim, e por mais que eu tivesse medo deles nos atacarem eu sabia que eles poderiam estar querendo apenas sobreviver, assim como eu e Nate. Porém não tinha certeza de nada e não estava nada afim de ser assassinada depois de me arrastar tanto pra ficar viva, era uma questão de amor próprio até. E como ninguém falava nada até por não saber o que falar tomei a iniciativa, me erguendo da cama bruscamente e os olhando séria com minhas duas mãos na cintura.

–Ta bom, o que diabos vocês estão fazendo aqui e quem são vocês?! — Digo tentando soar como alguém que se devia temer mas tinha quase certeza que não havia conseguido.

–Calma loira, eu e meu irmão achamos que a casa estava vazia e estávamos fazendo uma limpa como normalmente fazemos, ninguém aqui é inimigo de ninguém, não precisa fechar a cara assim! — Dizia um deles gesticulando as mãos como se tentasse me acalmar.

–E a propósito, eu sou Ben e ele é o Miles. — Diz o outro completando com um sorriso torto e tímido.

–Mas a casa está ocupada! — Digo seca e dou um sorrisinho forçado.

–E a propósito, eu sou Nate, ela é a Charlie. — Diz meu novo amigo se levantando da cama lentamente e indo até eles.

–Charlotte. -Retruco ainda sem dar confiança, e sem entender o que bulhufas Nate estava fazendo, era muito mais fácil mandar eles embora e dar no pé dali!

–Ahn tudo bem, só pegamos algumas comidas e já estamos de saída, desculpem o incomodo e não somos uma ameaça — Miles diz olhando pra Ben e dando lentos passos pra sair dali, parecendo alerta para qualquer coisa.

Eu iria ter simplesmente os deixado ir, mas por sorte Nate é mais perceptivo e realmente, a sacola dos dois tinha bastante comida, obviamente não era só daqui e ninguém é tonto o suficiente de ficar estabelecido num lugar aguardando o próximo ataque.

–Estão preparando um banquete? — Nate diz levantando uma sobrancelha.

–Comida para nós e mais alguns amigos, somos em cinco então tudo acaba mais rápido. Podemos ir?

–Amigos? Calma, como isso? — Pergunto sem me conter de curiosidade e Miles logo em seguida me da um sorriso irônico.

–A casa está ocupada, não está, Charlotte? — Ao ouvir isso sair da boca de Miles tombo a cabeça pro lado como se não acreditasse e então o encaro como se dissesse "por favor" e logo Ben encara Miles como se pedisse pra ele cooperar, então ele continua — Sim ué, um grupo de amigos, nos juntamos pra sobreviver.

–E para onde estão indo?

–Lugar nenhum, só sobrevivendo mesmo, não tem jeito, é a vida que vamos levando.

–Vão acabar caido uma hora ou outra, não vão? — Nate os pergunta se apoiando numa parede do quarto.

–Tem ideia melhor?

–Tenho como descobrir informações melhores, assim nos estabelecemos em um lugar mais seguro e paramos de fugir.

–Espera... Como isso? — Perguntam os dois quase que num unissom e me mantenho os olhando.

–Meu pai faz parte do governo, grupo dos selecionados, eu conheço o lugar inteiro e sei que todos os selecionados estão na cidade de Nova Iorque que atualmente está cercada e selada, é o local que cabe mais gente facilmente e aposto que está sendo ótimo pra eles.

–Oi? Nate? Quer invadir uma cidade que quer todos nós mortos? — Pergunto sem entender e me aproximo de todos.

–Não precisamos necessariamente invadir a cidade pra descobrir, consigo de outros modos, dou um jeito.

–Querem vir conosco então? — Pergunta Ben olhando para nós dois e era uma boa oferta se parássemos para pensar então olho para Nate como se conversássemos sem dizer uma palavra e após mais um pouco de conversa concordamos em ir.

Logo então, os irmãos faziam uma ultima limpa pelo quarto que antes dormiamos enquanto eu e Nate íamos atrás de coisas que pudéssemos levar incluindo todas as armas nossas que poderíamos oferecer, e sem demora todos nós já haviam empacotado tudo e estávamos indo rumo a tal casa onde os outros amigos de Ben e Miles estavam. Porém não pude deixar de notar que o clima havia ficado estranho e ninguém estava conversando no caminho, os nossos novos conhecidos se encaravam bastante e eu e Nate andávamos juntos tentando compreender o que havia acontecido e repensando se deveríamos mesmo ter vindo porque do nada os dois mudaram completamente e não tinhamos como simplesmente perguntar o que estava acontecendo.

Ficamos assim por alguns minutos até que eles adentravam num beco mais estreito da cidadezinha, aquilo poderia ser tanto a entrada para o refugio temporário deles quanto uma emboscada. E acabou sendo os dois.

Quando o corredor do beco se tornou o mais estreito possível, cabendo no máximo três pessoas uma do lado da outra, Ben me puxou bruscamente e antes que eu pensasse em revidar ele havia botado uma faca em meu pescoço me deixando nessa situação a mostra pra Nate.

–Um movimento a mais e a loirinha morre, agora, mãos para trás filhinho de selecionado, já que quer esconder coisas de nós vamos retirar as informações do jeito difícil, e faremos isso ainda com a faca que decidiu não nos mostrar — Diz Miles num tom agressivo enquanto sentia a faca ser pressionada por Ben em minha garganta.

Sem mais uma palavra, Miles amarra as mãos de Nate enquanto eu via ele tentando o deixar imobilizado até que ele se estressa com a demora e acerta a cabeça de sua vítima com um pedaço grande de madeira que havia ali assim o apagando. Eu odiava minha situação, a única pessoa que pude contar em um ano inteiro de caos e medo sendo apagada por uma suposta mentira e eu ali sem poder fazer nada, impotente, como se não bastasse quase toda a raça humana restante tentando me matar. E a única coisa que fez essa agonia de toda a situação sumir, foi o acerto da mesma madeira em minha cabeça me fazendo desmaiar também.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.