Embaraçados Feito Nós
2 Capítulo 1.
Eles eram tão perfeitos um para o outro. O encaixe correto.
Ele sorria, com aquele sorriso meio puxado para o lado direito que era a sua marca. Em mais de dez anos de amizade nunca havia visto seu melhor amigo tão feliz, tão sereno. E olha que Vitor era a pessoa mais calma que ele conhecia, porém Rita teve a proeza de trazer mais uma dose de paz para ele.
Vitor era uma figura inigualável, de sorriso fácil e aparência tranquila. Tirando as pequenas rugas perto dos olhos, que apareciam somente quando ele sorria, e a barba por fazer, ele ainda mantinha o rosto de garoto. Tinha olhos azuis, cabelos encaracolados num tom de dourado que era todo dele, Vitor era a personificação daqueles anjos que vemos em pinturas. Ele era uma criança de 27 anos.
E ela...Bom ela era bonita, ele tinha que admitir. Mas era uma beleza que não se via ao primeiro olhar. Ela era o que chamamos de boneca. Possuía olhos castanhos brincalhões, cabelos longos e também castanhos. Tinha uma doçura com um toque de timidez, ao mesmo tempo que carregava uma confiança em si própria que era admirável.
É, eles realmente eram perfeitos um para o outro.
– TOMAS! – gritaram
Ele se vira e vê Leandro. Por que será que o porteiro não o deixou subir?
– HEY, TOMAS! ABRE AQUI CARA, EU QUERO SUBIR.
Tomas fingia não ouvir. Era engraçado ver Leandro implorar-lhe algo. Fazia-o se sentir de certa forma poderoso.
Leandro era um homem de maneiras quase elegante. Com seu 1,90 de altura ele era um pouco atrapalhado. Também tinha olhos azuis, um pouco mais divertidos que os de Vitor. Aliás divertido era a palavra que melhor lhe descrevia. Sempre com um sorriso no rosto e pronto para puxar conversa com qualquer pessoa e fazer-lhe se sentir à vontade. Tinha um carisma que Tomas invejava, o cara era uma figura.
– TOMAS, NÃO TA ME OUVINDO NÃO. POXA!
– LÓGICO QUE ESTOU TE OUVINDO! – responde – SÓ NÃO QUERO TE ATENDER.
Leandro faz uma careta e se vira para conversar com um grupo de garotas que o observavam atentamente e logos as fez sorrir. Pareciam que eram velhos amigos, embora tivessem se conhecido naquela noite. Será que era mesmo naquela noite? Tinha a impressão de já ter visto dois ou três rostos em outro lugar, só não lembrava onde. Também, via tantos rostos, em tantos lugares que depois de um tempo todos são de certa forma familiar.
– BÊ! – chamou, e ela apareceu na janela – Bê, preciso que você libere a entrada do Leandro.
– Agora? – Ela respondeu.
– Acho que sim né. O cara estava berrando que nem maluco, e eu preciso que a voz dele esteja intacta amanhã. Temos um ensaio importante, lembra?
Ela saiu na varanda, onde Tomas se encontrava e olhou na direção de Leandro.
– Ele não parece estar com muita pressa.
– Como se você não o conhecesse. O cara não desperdiça uma chance de conversar. – ele respondeu
Ela o olhou profundamente, fingindo estar irritada e disse:
– Tomas! Tem horas que ser a produtora de vocês é um fardo muito grande, sabia? Mas eu vou ser boazinha, e agir como a pessoa de bom coração que sou e ir liberar a entrada dele. Só que da próxima vez, vê se se meche e lembre-se que eu tenho mais o que fazer. Não sou a babá de vocês. Ok?
Ele corrige a postura, assume uma feição séria e responde:
– Sim senhora!
Bê desce as escadas apressada e Tomas sente pena do porteiro. Ele até poderia ter descido e pedido para liberam a entrada de Leandro, mas ele sabia que Bê havia conversado com a equipe de segurança do local mais cedo e explicado que a entrada no camarote de recepção só poderia ser autorizada por ela e SOMENTE POR ELA. Sim, ele poderia ter ido lá. Mais não adiantaria. Ela SEMPRE se esquecia desses pequenos detalhes.
– VOCÊ VAI SER MEU BIXO!
Ele retorna a observar a cena que ocorre a alguns metros abaixo de onde ele está. Uma das meninas que conversava com Leandro está tentando alcançar o topo da cabeça dele, tentando demonstrar algo. É impossível não sorrir.
– Mew, o que você está fazendo aqui fora? – pergunta Rafael, chamando-lhe a atenção – Tá todo mundo lá dentro, rindo e conversando. Vamos entrar.
Tomas se apoia nas barras de metal ao seu redor e joga o corpo para trás, numa tentativa de alongar as costas.
– Eu estou me alongando um pouquinho. Passei o dia inteiro sentado no estúdio trabalhando em umas músicas. – responde – Fora que agora é um momento pra família parabenizar o João. E você. E o Bruno.
– Familiares E AMIGOS. – enfatiza – Pelo que eu me lembre, a Bê me disse que era uma reunião para familiares e amigos. Fora que você já é quase de casa. Passa mais tempo lá do que eu.
– É, fazer o que se meu cachê não é o suficiente para me levar até New York? O mais longe que eu posso ir é lá no sitio mesmo.
– Não vai para New York mais vai para Europa. Grande diferença. Aliás, você já está sabendo da viajem? Como?
– Conversei com a sua irmã mais cedo – explica – Ela está animada com a viajem. E essa é minha chance de ficar com seu irmão, já que ele também não tem uma namorada.
Nesse momento as explicações de Leandro tira a atenção do ataque de risos que ambos tiveram.
– Mas Bê eu não tive culpa. O cara que não me deixou entrar.
– Porquê você ficou enrolando e não subiu junto com todo mundo.
– Desculpa – Leandro choraminga, em uma tentativa frustrada de parecer uma criança.
– Honre suas barbas por favor. E se comporte da próxima vez.
Bê entra na sala onde está ocorrendo a recepção.
Leandro vira para os demais, eles estão sorrindo.
– Olá rapazes! – diz – Rafael, onde está o seu irmão?
– Lá dentro. Onde mais ele estaria?
– Eu vou lá cumprimenta-lo e já venho aqui falar com vocês
– Hey Leandro – Tomas o chama – Vê se honra a sua barba e se comporte lá dentro, ok?
Os dois começam rir enquanto Leandro entra para se encontrar com o resto do pessoal. De repente Tomas sente como se alguém estivesse o observando, volta a olhar para o grupo de garotas que estavam com Leandro a pouco, e a vê. Ela sorri ouvindo a conversa ao seu redor, porém algo em sua expressão o incomoda, como se ela tivesse o reprovando por algum erro que ele não percebeu que cometera. Rafael fala alguma coisa, ele não presta atenção, está intrigado demais com a garota. Por um segundo os olhares se encontram, um misero segundo mas foi o suficiente para desestabiliza-lo, parecia que ela enxergava sua alma. Não gostara daquilo, nem um pouco.
– ... e a batatinha quando nasce fica azul que nem avatar.
– Uhum. Espera. O que?
– Tomas você sumiu. Sério as paredes estavam mais atentas que você.
– É você tem razão, eu vou lá falar com o seu irmão.
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– ...não acredito que minha mãe falou com ele! — Carol
“Amanhã tem linguística. Droga amanhã tem LATIM!”
– ...sim, moramos em uma república. Estudávamos no mesmo colégio, foi assim que nos conhecemos. — Mirian
“Eu queria muito uma foto com ele, mas já que ele não desce, a saudade que estou sentindo do meu colchão tá falando mais alto. Vamos embora meninas”
– ... foi realmente um show maravilhoso. Eles sempre são lindos, ainda mais quando ... — Sophia
“Amigo, gosto muito das suas músicas, mas não precisa ficar me encarando. Boba. Como se ele fosse se dar ao trabalho de te encarar”
– Não fica assim pensativa, amanhã você vai vê-lo novamente. Seu “marido” sobrevive um dia sem você – comenta Anne – Mesmo com toda a paixão que arde no pobre coraçãozinho do rapaz.
– Ah, claro. SE ele perceber que faltei – responde Lara – Ele irá pensar: “Graças a Deus que a maluca que começa a cantar do nada e que não consegue sair do lugar sem derrubar pelo menos uma carteira não veio hoje”
– Você quer parar de estragar minha vida. Sou jovem demais pra isso. EU descido que ele te quer, então ele te quer. O fato dele não saber seu nome nem você o nome dele é mero detalhe.
– Uhum, sei.
– O Juliano é louco por você e ponto.
– Juliano?
– Ele tem cara de Juliano, então vai ser Juliano!
– Ok. Não discutirei com você.
–Quando ele se declarar e revelar todo o amor que sente, você vai ver só.
– Anne, o fato de eu achar o rapaz bonito, não quer dizer que eu estou apaixonada.
– COMO VOCÊ É CHATA! E o nome dele é Juliano. Não, não é. Mas é. Ah você entendeu.
Lara sorri. “Só a Anne mesmo!”
– Olha. Meninas eles estão descendo
“E você colega? não vai vir?”
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Tomas estava parado perto da janela. Não sabia o porquê, mas se pegou observando-a. Ela conversava com uma das meninas, a “garota de preto”. Ele havia definido uma maneira de identifica-las. Tinha a “garota de longos cabelos negros e ondulados”, a “garota de tranças e olhos verdes”, a “morena sorridente”. E tinha ela, que estava se divertindo muito com o assunto, seja lá o que for que elas estivessem conversando.
João, Bruno, Leandro e Rafael já estavam descendo. Parecia que a mãe de uma das garotas (morena sorridente) havia pedido para o Leandro chamar as estrelas da noite (João, Rafael e Bruno), as meninas queriam tirar uma foto com eles e já estava ficando tarde. Ele tinha decidido, só iria descer quando elas estivessem ido embora.
– Mocinho – chama Bê – Vamos saindo porque amanhã vocês todos tem que acordar cedo! Falando nisso cadê o Vitor?
– Ele já foi embora, saiu com a Rita.
– Huuuum. Quem diria, o Vitor apaixonado. Agora só falta você!
“NÃO. Não mais. Depois Dela, nunca mais!”
– Eu? Logico que eu estou apaixonado. Minha gata ficou em casa.
– Tomas, não estou me referindo à sua guitarra.
Bê e seu instinto protetor. Já convivia com aqueles meninos fazia alguns anos, sempre cuidando deles, tanto na vida profissional como a pessoal. Eles eram os seus meninos de ouro. E o fato de Tomas ter se fechado para a vida depois que Ela o deixara, deixava-a preocupada. Por mais que tentasse mudar, ele ainda mantinha aquela velha timidez dos tempos de colégio: sempre procurava ficar perto de pessoas conhecias, raramente saia de sua zona de conforto, desconhecendo seu charme natural, e o efeito que causava nas garotas que o conheciam.
Ele tentava se fazer de forte, mas depois Dela, nunca mais fora o mesmo.
– Bê, bebezinha minha – disse Tomas – Você conseguiu falar com o produtor da Pietra? Ele confirmou o horário do ensaio amanhã?
– Você está falando da abertura do show dela? Falei com ele sim, e o ensaio vai ser às nove. Aconselho vocês a chegarem uma hora mais cedo para repensarem nas músicas que irão apresentar, não se esquecendo que a última a Pietra canta junto.
– Você já conversou com o Pedro hoje? Eu o vi, mas não deu pra falar com ele direito
– Não, hoje o Pedro não está em condições de resolver nada. Pode deixar que eu dou um jeito para que ele esteja no horário amanhã
– Nossa, a forma que você disse ficou parecendo que o pobre garoto é irresponsável.
– E ele não é? – sorri – Brincadeira. Agora vamos descer que eu tenho que fechar tudo aqui.
Ele olhou mais uma vez pela janela. “Elas ainda estão lá”
– Poxa Bê, agora que eu me sentei, você quer me tirar daqui?
– TOMAS!
– Já vou mãe. Já vou
Bê o puxa da cadeira.
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