Emaranhado de espinhos
1 Morto por dentro
Você é intocável. O ser mais puro e belo por natureza. Seus olhos cintilam em cada encontro com o sol, e com a lua. O contrastar da sua pele de porcelana com a luz do mundo me deixa fascinado. O seu perfume pode ser sentido por mim em quase todos os lugares.
A maneira que sua boca curva-se para um sorriso verdadeiro e espontâneo me faz ter os maiores e possíveis clichês românticos. Borboletas no estômago, palavras gaguejadas, reações desleixadas, arrancando suas mais gostosas risadas.
Por mais que seja divina, és como uma roseira. Um emaranhado belo de flores e espinhos, nos quais se eu ousar passar pelos mesmos terei mínimos pedaços da minha carne cortados, espirrando pequenas quantidades de sangue. Mas já disse para mim mesmo, que não vou me importar.
Afinal, não tenho medo de me machucar, se é para lhe ver novamente. Do jeito que você sempre foi, única. O caminho que escolhi foi você.
Mas nossos caminhos nunca se coincidiram.
Conheceu homens mais bonitos do que eu, mais ricos, mais divertidos...
Menos apaixonados do que eu.
Suas falsas amigas a levaram para uma estrada bonita, mas fatal. Fora influenciada por tantas ‘amigas’ que nem mesmo a reconheci, viraste a mais perfeita cópia dessas. Assassinastes a si mesma, e eu só podia ser um mero espectador.
Dormiu com tantos homens, destes a maioria perigosos, ligados ao mundo do crime. Será que se eu fosse um bandido, iria me notar? É a pergunta que me faço sempre.
Gotas de água salgadas estão sendo derramadas por você até hoje, o que tudo indica que és o bastante para ser inesquecível.
Isso deveria ser passado para mim, porque...
Fora sequestrada por uma quadrilha de homens cruéis e sujos. Antes de ser morta, fora estuprada até o mínimo de castidade sair do seu corpo. De repente ele ficou mole. De repente ele ficou frio. De repente ele ficou sem vida, decomposto, em estado de putrefação quase instantâneo, o sangue secando a casa segundo.
A polícia não achou os responsáveis, contudo, eu os achei.
Eu os torturei, eu os matei. Consegui ser o pior dos seres humanos. Obcecado por consolar meu coração com uma pitada de vingança. Porém, por que fiz isso? Nunca fui amado, nunca fui correspondido por você, o amor platônico pereceu.
Queria que estivesse viva, queria que escutasse cada palavra que disse para seu túmulo repleto de flores mortas e feias. Queria ver sua reação, será que se arrependeria? Ou será que não se importaria?
Não deveria pensar nessas coisas. Eu deveria pensar que mereceu tudo. Mas estaria sendo cruel como antes.
Sabe, deveria bater com minha cabeça numa pedra e perder a memória, ou tivesse um traumatismo craniano e adiasse minha morte física. Porque, a morte interior, já está feita.
Fale com o autor