Notas iniciais
Olá, queridxs leitorxs! Sim, eu admito que demorei de propósito, mas tive dois motivos: primeiro, postei o cap anterior mais cedo do que o comum e quis esperar algumas leitoras voltarem do carnaval para que pudessem ler sem acumular leitura; segundo, quis avançar um pouco em alguns capítulos pra ter uma segurança maior (feriado passou e as aulas voltaram). E então, como foram de carnaval? Confesso que não me atrai muito, então fiquei por aqui escrevendo Musas pra vocês. Rá! Queria ter postado o cap de Alba e Mel no meu aníver, ou seja, HOJE!!!! (SIM, HJ É MEU ANIVERSÁRIO UHUL COMIDA P CARAMBA!!), mas dei mais valor à ansiedade das minhas queridas leitoras. Mereço ser perdoada, não? Apesar de que algumas nem deram bola direito pro momento hot de Alba e Mel D: Queria agradecer a vocês pelos comentários (todos, desde o início da fic) e acompanhamentos. Fico emocionada quando vejo a repercussão das ideias da fic, ainda mais quando elas agradam vocês. (Sim, me deem um desconto, fico sensível no meu aniversário). Queria informar também que entraremos numa fase de atiçamento (vou atiçar vocês com os mistérios da fic, é isso), e acredito que algumas coisas serão bem sacáveis. Hahaha Mas é aquela coisa: fofoquem nos comentários que eu fofoco de volta! Aos poucos, vou soltar informações sobre o que envolve o conceito das Musas que eu criei, então fiquem espertas! Toda informação é valiosa hahaha Enfim, boa leitura pra vocês! Esse cap é mais leve, porém é importante. Vou lá comer meu bolo de aniversário, um beijo! Ps.: na verdade, meu níver foi ontem, dia 22, só q eu postei no spirit e esqueci de postar aqui, me perdoem :p

Capítulo 27

Degél acordou cedo especialmente para ter tempo de dar uma passada na Vila de Rodório; queria ver sua querida florista e, desde que assumiram seus sentimentos, tinha a impressão de que o tempo diminuía propositalmente. Claro que tal teoria era impossível, porém o que poderia ser descartado num coração cheio de saudade? Mal se reconhecia por ter criado o afeto que criou por ela, que antes não passava de uma amiga. “Amiga” ainda era um termo que parecia não defini-la anteriormente, pois nunca teve apenas esse sentimento para com ela.

Lembrava-se perfeitamente do dia em que a conheceu naquela loja de flores; ela estava descabelada e ofegante enquanto tentava segurar um grande vaso com Bromélias, as quais eram o foco de sua visita. Ele tinha ido especialmente para checar o andamento dessa parte decorativa da festa de boas vindas aos novos aspirantes, Athena queria que o fizesse especificamente.

Ele não deixou de rir ao se lembrar disso; a deusa sempre soube o que fazer com seus cavaleiros, mesmo quando jovem. Athena tinha o faro ideal para o amor.

Acabou descendo as escapas pensamento nostalgicamente em seus primeiros encontros com Redka, até que se deparou com um Kárdia, sem armadura, com um sorriso estranho e tocando um... Cistre?

– Bom dia. – Kárdia cantarolou. Degél arqueou a excêntrica sobrancelha.

– O que houve, Kárdia? – perguntou, sério. O escorpiano se fez de desentendido.

– Do que está falando? – parou de tocar e fitou analiticamente o aquariano. – Parece mais mal humorado do que antes.

– Não, impressão sua. – ele cortou e se aproximou. – A verdade é que estou estranhando esse instrumento em suas mãos. Onde conseguiu?

– A questão é: como consegui. – o escorpiano sorriu estranhamente. – Ah, se eu contar, você não vai acreditar... – suspirou.

– É, talvez não. – falou, após ver a expressão entorpecida de Kárdia. Provavelmente, o amigo se envolveu em outra aventura sexual desinteressante, embriagou-se até pegar o instrumento de corda sem ter noção do ato. Não se impressionaria se o escorpiano se vangloriasse disso. – Bem, tenho que ir.

– Volte depois para eu te contar como consegui. – pediu Kárdia.

– Se eu sentir interesse em ouvir, quem sabe. – Degél iniciou a descida.

– Ah, você terá. Não por mim, mas pelo assunto principal da história. – ao falar isso, o escorpiano soltou uma risada escandalosa, digna de seu temperamento questionável, e acariciou o instrumento, iniciando uma nova melodia.

(Flashback ON)

– Ah, por favor, não me diga que esse som te agrada. – Kárdia bufou. Os músicos que tomavam o palco desafinavam cada vez mais, enquanto a moça ao seu lado apreciava com um olhar indecifrável.

– Não é por eles que estou esperando. – ela informou, sem tirar os olhos de um dos rapazes que assistia na plateia. Kárdia o mirou também e viu que o rapaz se coçava e parecia ansioso.

O rapaz, provavelmente, queria tirar os animais que cometiam crimes musicais do palco. Kárdia com certeza o apoiaria. No entanto, não gostou da atenção que o outro recebia da moça, o escorpiano queria essa atenção, mas já tomavam a terceira taça e nada dela se insinuar para ele. Qual era o problema dessa mulher?

Minutos depois, o rapaz se levantou e pediu para que os animais no palco parassem e, assim que ele se virou, Kárdia observou que ele era um dos donos da taberna. Ah, então era isso que ele tinha a mais que o escorpiano. Logo o rapaz subiu no palco e começou a tocar o cistre que tinha em mãos – e com muita maestria.

– Agora sim. – a moça disse, com os olhos viciados no que via. Kárdia bufou.

– Cistre não é um instrumento muito difícil de tocar.

– A questão não é a dificuldade, e sim a novidade. Todo o instrumento tem seu nível, mas, independente disso, inovar é o desafio. A música deve ser convidativa. E quando há dois instrumentos convergindo para isso, o desafio aumenta. – a voz aveludada dela parecia secar o som com muita expectativa, como se esperasse ele se tornar palpável para averiguar a maciez. Seu olhar era tão intrigante que dava a entender que havia uma piada muito boa por trás daquele momento. Kárdia estava maravilhado.

– O desafio aumenta porque os dois devem inovar em sintonia, certo? – ele arriscou, procurando se aprofundar no mesmo devaneio que ela. A moça assentiu.

– De fato, deve haver sintonia, mas também competição. Uma competição discreta, a qual apenas quem participa percebe. – o olhar dela se intensificou no alvo.

Droga! Kárdia queria essa atenção.

– Então, não há tanta graça nesse cara que está tocando sozinho. – ele jogou, fingindo despretensão, e bebericou o vinho sem tirar os olhos dela, querendo ver a reação. Do contrário do que ele esperava, ela virou o rosto lentamente para ele e sorriu com malícia.

– Sabe tocar, cavaleiro?

Em questão de minutos, Kárdia subiu no palco e sorriu falsamente para o rapaz, que devolveu o sorriso da mesma forma. O escorpiano sabia tocar, só não sabia dizer se tocava bem o bastante para ser apreciado. Entretanto, algo naquela moça o despertou e ele foi incapaz de dizer não. Tocou em sintonia interessante com o rapaz, acabou se envolvendo na música e se inspirando com o instrumento; quando olhou para a moça, viu-a dançando no ritmo da música.

Não conteve a excitação e dedilhou mais o instrumento, criando um ritmo um pouco sensual só para ver as curvas dela se movimentarem. E que movimentos! Kárdia quase babou.

O escorpiano se sentiu cada vez mais confiante e decidiu encerrar a música, mas com uma intenção.

– Companheiros de vinho! – ele chamou em tom mais alto, olhando para cada cabeça que assistia os dois. – Para animar essa bodega, gostaria de propor a você – olhou para o rapaz com quem dividia o palco. – uma aposta.

– Diga. – o outro disse. Kárdia suspirou e observou a moça, que o mirava com o mesmo olhar indecifrável de antes, porém com um sorriso a mais.

– Percebi que nos demos bem nessa apresentação, mas, como aquela belíssima dama me disse – apontou para ela. -, precisamos inovar. Que tal inovarmos na intenção disso tudo e apostarmos este cistre que tem em mãos?

– Como?!

– Sim, vamos tocar juntos, porém, quem inovar mais, fica com o instrumento. E deixamos ela – apontou de novo para a moça. – decidir quem se saiu melhor. – virou-se para o rapaz. – Acha que consegue ou não se garante com as mãos?

A fala saiu um tanto maliciosa e arrancou risadas dos demais presentes na taberna, inclusive da moça. O rapaz ficou vermelho — Kárdia não soube dizer se foi de vergonha ou de raiva -, mas aceitou.

– Pois bem, eu começo e você me acompanha. – o rapaz falou e, pelo tom de voz, Kárdia percebeu que era raiva.

Outra melodia foi iniciada e Kárdia não demorou em acompanhar e intensificá-la com o cistre. Sentiu-se mais inspirado a cada momento que dedilhava o instrumento e quase não tirou os olhos da moça que dançava alegremente – ele e outros tantos, que passaram a observar mais a dança do que os dois. Mas seria burrice desperdiçar a vista com o palco quando aquela maravilhosa mulher mexia o sinuoso corpo em sintonia. Ela era tão sexy que o escorpiano quase errou uma nota por distração. No fim, sentiu-se mais inspirado ainda e aumentou o ritmo, dificultando o acompanhamento do rapaz, que logo abandonou o instrumento que tocava.

Em determinado momento, Kárdia, sozinho no palco, teve seu olhar preso ao da moça; ela parecia cada vez mais incentivada por sua música e demonstrava isso através do corpo. Ele não aguentou, teve de parar de tocar; caso contrário, enlouqueceria com aquela cena. No término da apresentação, todos apoiaram Kárdia na aposta e ela deu a resposta final.

(Flashback OFF)

Com certeza, ele não esqueceria essa noite facilmente e só se sentia mal por não ter se esforçado o bastante para descobrir o nome da bela moça que o fez ganhar a aposta.

~

Terpsícore acordou mais cedo do que o costume, espreguiçou-se com vontade e observou o quarto, à procura do despertar mental – ver que havia em sua volta melhorava sua noção. Parou os olhos em Clio, que dormia profundamente. Mas tinha algo a mais no rosto dela... Um sorriso singelo. Terps sorriu ao vê-la assim, presumiu que a noite passada foi boa para a irmã – o que, com certeza, só traria boas energias. Ainda bem que Clio achou alguém com quem conversar e se distrair, pois sua mania exagerada de proteção precisava ser impedida, no ponto de vista de Terps.

A musa da dança se animou assim que percebeu o horário ideal de seu despertar, poderia encontrar a amazona de Grou no treinamento e talvez iniciar sua nova fase de imposição. Ela concordava com as irmãs quanto à sua incapacidade de se impor e por isso aceitou a ajuda de Yuzuriha. Como não tinha muito que fazer no Santuário, ainda mais num horário tão cedo, colocou uma roupa simples, porém ideal para atividades mais árduas (um short e uma blusa comprida) e desceu rapidamente as doze casas. A maioria dos cavaleiros estava ausente e, provavelmente, no treino. Não encontrar um em especial facilitou sua respiração na descida.

Assim que chegou na arena das amazonas, Yuzuriha veio ao seu encontro com uma expressão de surpresa. Talvez ela não achasse que Terps fosse realmente aparecer. Depois de se cumprimentarem, a amazona levou a musa até uma pequena arena, ao lado da das amazonas, onde pequenos aspirantes iniciavam seus treinos leves, e se aqueceu rapidamente na frente dela. Terps ficou parada e observou cada movimento de Yuzuriha, mas se perdeu por instantes ao ver o cavaleiro de gêmeos passar e lhe lançar um olhar profundo. Seu coração quase saiu pela boca.

– Certo, como você se sente na frente dele?

Terps mexeu a cabeça após ouvir a pergunta repentina. Yuzuriha percebeu o estado dela quando Defteros passou, e aproveitou para perguntar.

– Eu... Eu não sei. – respondeu a musa, timidamente e se encolhendo.

– Você tem que aprender a falar, Terpsícore! – a amazona bufou e alongou o braço.

– Desculpe-me, mas não sei como me sinto e não sou acostumada a ter esse tipo de assunto com desconhecidos! – Terps se levantou, incomodada, e iniciou um trajeto curto de ir até um ponto e voltar.

– Olha só! Foi só ter certeza de algo que a frase saiu perfeitamente. – a amazona alongou o outro braço.

– Oh, Yuzuriha, não sei o que pensar. – a musa se sentou novamente. – Eu era tão feliz antes, sinto que as trevas me tomaram exatamente como ele disse que conseguiria fazer.

Quanto drama – Yuzuriha pensou.

– Certo, deixe-me ver. – a amazona se aproximou e analisou visualmente Terpsícore. – Mãos delicadas, tornozelos finos... – percebeu que teria de jogar o jogo dramático da musa para fazê-la entender. – Certo, imagine uma ocasião na qual você está andando livremente por uma vila e, de repente, alguém te encurrala num beco. O que você pensaria em fazer?

Terps pensou um pouco e tentou imaginar.

– Conversar. Tentaria conversar e entender seu motivo. – concluiu, animada.

– E se ele não quisesse apenas conversar? – Yuzuriha acrescentou, com um pingo de impaciência.

– Aonde quer chegar? – Terps não entendeu a malícia.

– Por favor, Terpsícore, estamos falando de um agressor!

– Oh! – ela se exaltou minimamente. — Acho que eu gritaria, já que não posso elevar o cosmo acima do estabelecido. – franziu a testa e procurou mais alternativa.

– Isso não adiantaria muito, você continuaria passiva demais e precisaria, pelo menos, se mostrar firme e segura diante da situação. Às vezes, é questão de estratégia psicológica. Um inimigo pode ser mais forte que você, mas você pode fazê-lo pensar que não. Mesmo que o cavaleiro de gêmeos não seja um inimigo, o princípio é o mesmo.

– Entendo, mas eu não saberia fazer isso. Acho que ficaria... Surpresa e desnorteada demais. – bufou, descontente.

– E com medo?

– Com certeza. – disse. Yuzuriha sorriu.

– Aí está! Precisa enfrentá-lo. Enfrente esse cara, Terpsícore. – referiu-se à hipótese de antes.

– Hmmm. – Terps pensou, com o indicador nos lábios fechados. – Eu poderia tocar a lira e hipnotizá-lo, consigo fazer isso, mas não espalhe!

Yuzuriha riu diante da preocupação de Terps. A musa quase soou ameaçadora.

– Não vou espalhar, mas e se estivesse sem a lira?

– Seria um problema. – a musa concluiu, com graça.

– O que quero dizer, Terpsícore – a amazona sentou ao lado dela. -, é que você precisa se impor nessas horas. Precisa mostrar que não deve ser fácil te abordar e isso não vem apenas com palavras, e sim postura. – respirou fundo. — Pelo visto, antes de tudo, você precisa se impor para si mesma.

– Ele ficou com raiva na primeira vez que tentei. – revelou Terps, lembrando-se do dia em que desceram para ir ao festival de Rodório. – Mas comentou algo sobre ter gostado e sobre me colocar no meu devido lugar...

– Ugh, é ele quem tem que fazer isso! Mas não quero nem saber se ele fez... – Yuzuriha balançou a cabeça, com asco. — Enfim, se estiver disposta a se ajudar, posso ensinar algumas técnicas básicas de defesa para você e claro que tentaremos trabalhar isso juntamente com sua tensão.

– Terei de praticar isso com ele? – a pergunta de Terps deixou claro que a ideia a animava, por um lado.

– Seria bom, mas devido a essa regra de distanciamento imposta entre vocês, essa possibilidade quase não existe.

Realmente, esse empecilho doeu na musa. Não quis que as coisas tomassem tal dimensão; ao mesmo tempo, pensou que Defteros não aceitaria tão facilmente, assim como ela, mas, pelo visto, ele não se importou. O coração de Terps se apertou momentaneamente.

– Certo... – a musa disse. – Mas eu gostaria de ajuda sim.

– Já é um começo. Não posso ajudar em nada se você não quiser. – dito isso, Yuzuriha observou mais atentamente a musa e a percebeu com a mão no peito. Terpsícore estava mais do que chateada, era perceptível. Talvez esse assunto tivesse virado algo delicado para ela, mas isso teria de ser mudado também. Terps assentiu.

– Terpsícore, todo o conteúdo que envolve uma musa deve ser revelado por ela, certo? – Estou perguntando porque... Shion me informou quando vocês chegaram. – a amazona disse e Terps assentiu, encorajando. – Mas há problema em revelar algo que envolve todo o conceito de vocês?

– Não, essa regra vale apenas para questões pessoais e particulares. O que quer saber? – a musa conhecia essa introdução.

– Você falou que não poderia elevar o cosmo acima do estabelecido... Até onde estabeleceram?

– Até um pouco acima da elevação de sempre, da que fazemos no dia a dia. – Terps informou como se fosse nada.

– E por quê?

– Se elevássemos mais do que isso, correríamos um grande risco de entrar em desarmonia, e os efeitos disso geralmente são drásticos. Pode não parecer, mas somos bastante influentes. – sorriu ao terminar a informação. Realmente, o conhecimento das pessoas sobre essa classe divina era tão escassa que, para ela, era gratificante informar.

– Hum... Entendi, obrigada.

– De nada! – Terps sorriu docemente. Em seguida, Yuzuriha iniciou uma conversa sobre imposição feminina, o que deixou a musa ainda mais admirada com a nova amiga que fez. Terpsícore não deixou de sentir algo novo despertar em seu interior.

~

Ela estava lá, naquela fonte, sendo amada por seu amado, tendo prazer ao ser beijada e acariciada em suas partes mais íntimas e sensíveis, sentindo-o dentro dela e tocando naquele corpo singelamente musculoso e definido dele – um corpo tão belo que a deixava excitada apenas por se mostrar nu em sua frente. Ele era todo belo, não só na aparência, mas também no jeito doce, porém amargo, de ser. Albafica era um sonho. E Melpomene abriu os olhos.

Sim, sonhou com ele. Sentiu-se irritada ao despertar desse sonho tão palpável. Maldito despertar! Piscou os olhos para melhor a visão e percebeu que não, não foi um sonho. Quer dizer, sonhou com ele, mas tudo realmente aconteceu e ela acordou num quarto totalmente desconhecido. As paredes de cor castanho-escuro, os móveis de madeira e a cama excepcionalmente grande, com lençóis de seda de cor azul-marinho; alguns quadros de paisagens e arranjos de pequenas plantas enfeitavam paredes e estantes. O melhor de tudo foi sentir o aroma de rosas. Aquele quarto era de Albafica, com certeza.

Mel se sentou na cama e, ao sentir o lençol deslizar, percebeu-se nua. Nua e na cama do cavaleiro de peixes. Um enorme sorriu brotou na face melancólica da musa da tragédia; tudo foi real e, pela primeira vez, ela teve um momento verdadeiramente feliz ao lado de alguém. Recortes do momento passado passaram em sua mente e enfatizaram sua alegria, então ela se permitiu chorar. Não foi um choro qualquer, foi um choro nunca tido antes; choro de felicidade.

Então felicidade era isso?

Demorou-se ao cheirar o travesseiro dele e se deliciar com a maciez do lençol, tudo foi real – não conseguiu parar de pensar nisso. A felicidade foi tanta que Mel não conseguiu parar de sorrir – e que sensação maravilhosa. Entretanto, uma leve dor se instalou em sua intimidade e ela se lembrou do que tudo significou. Seu amado rompeu seu selo e da forma mais bonita, poética e singela possível; entendeu, naquela hora, como Urânia se sentiu quando teve o mesmo. Ah, cobraria da irmã por ela não ter dito como era bom!

Melpomene riu de si mesma.

– Vejo que acordou feliz. – a voz aveludada dele a despertou. Albafica, parado na porta, observou o deleite da musa com silêncio. Ela não poderia ter acordado mais linda.

– Vejo que acordamos felizes. – ela rebateu ao perceber o sorriso brilhante dele, que segurava uma bandeja na mão. – O que há aí? – perguntou, interessada.

– Está com fome? – Mel reconheceu uma leve malícia na voz do pisciano ao fazer a pergunta. Ela assentiu prontamente e se levantou, sem se importar com a nudez. Entretanto, ele se importou, e muito. – Melpomene... Poderia fazer a gentileza de não dificultar meu estado?

Ela compreendeu, mas decidiu fingir que não; levou a mão aos cabelos, levantou-os, expondo seu pescoço, e se ajoelhou na cama, deixando a vista perfeita de seu corpo. Estava extremamente corada, obviamente, mas o que sentiu quando ele mencionou sua fraqueza a deixou com vontade de desfrutar dela.

Albafica estremeceu com aquela visão e soube, na hora, que ela o estava provocando. Corou ferozmente, desejou amá-la de novo, ali mesmo, mas voltou a atenção para a bandeja depois que viu um pouco de suco derramar por sua tremedeira.

– Não quer o desjejum? Assim como num jantar, não peco num desjejum, mas se continuar com isso, o farei sozinho. – disse, em tom de ameaça, o que só fez Mel sorrir mais ainda e assentir. – C-Certo. – ele pigarreou. – Enrole-se no lençol, Melpomene.

Ela o fez, sentiu um pouco de pena dele após ver seu rosto tão vermelho, mas, ao mesmo tempo, anotou mentalmente o momento para usufruir depois. Mel não pôde deixar de perceber o sentimento novo instaurado em si, foi como se uma nova mulher dentro dela tivesse acordado para e passado a observar tudo de uma forma diferente. De fato, mudou; seu corpo mudou, seu olhar mudou, seu coração mudou. Albafica a mudou completamente.

– No que está pensando? – perguntou ele, levemente atento. Assim que colocou a bandeja na cama, viu um olhar distante dela e, dessa vez, não conseguiu deixar a curiosidade passar.

– O que recebo em troca se falar? – ah, Melpomene mudou com certeza. Parecia mais esperta e interessada. Albafica sorriu e sustentou o olhar amoroso dela (olhar que agregava não apenas essa característica, mas uma mais ousada).

Ele daria qualquer coisa que ela pedisse, era óbvio – pelo menos para ele -, mas queria ver até onde a Melpomene corada, porém ousada, poderia ir de agora em diante. Provavelmente, assim como ele, ela despertou seus sentimentos, e ele não pouparia; não depois de ter sido presenteado com a sua bela musa da tragédia.

Pela primeira vez, Albafica agradeceu ao destino.

– Deixe-me mostrar as opções. – ele disse e, em seguida, a beijou.

Notas finais
Pooois é, esse casalzinho agora vai aproveitar bastante hihihih :x E, não sei se perceberam, mas foi um cap bem menor que os que estava postando antes. Pois é, voltarei a postar caps menores. Motivo? Ah, na real não sei, mas fica melhor para concentrar a intenção de certas cenas, na real. Enfim, espero que gostem! Spoiler: em breve, daremos um pequeno adeus à Tália.