Notas iniciais
Olá, queridxs leitorxs.... *snif* Estou chorando, sofrendo, morrendo de tristeza, tragédia, dor e não é só por causa da tpm, mas porque uma certa cretina safada me deixou ontem, excluiu sua conta por motivos pessoais e me deixou uma mensagem de despedida. Queria deixar um recado pra essa cretina bem assim: SUA SAFADA, E AGORA Q FAÇO EU DA VIDA SEM VOCÊ? Enfim... Gente, mas ow, é sério, vocês não fazem IDEIA do quanto eu me apego às leitoras que vem falar comigo, das que viram minhas amigas e com as quais eu acabo falando sobre assuntos gerais da vida e etc. Eu adoro me deparar com coisas assim, sou muito aberta a todos vocês, amo quando vocês vêm conversar qqr coisa comigo. Se vocês sumirem, eu vou sentir falta. E eu falo no âmbito da amizade que acaba surgindo, sério mesmo. Sou uma pisciana muito apegada a esse tipo de coisa. TÁ, SAINDO DO CAMPO DEPRESSIVO: Hoje vamos conhecer as musas que apareceram no capítulo passado, as novas gatas da parada e tals. Espero que vocês gostem delas e PAREM de criar expectativas pro Dohko, amores, porque eu não quero ter que prometer nada D: Deixem rolar, ok? OK. Boa leitura, e deixem aquele comentariozinho show de bola pra mim :3 pfvr, gente, to sensível.

Capítulo 48

Todos os presentes do Templo do Grande Mestre encararam o cavaleiro de escorpião com expressões duvidosas. O grito que ele deu conseguiu prender qualquer atenção que antes esteve na musa da música, Euterpe, que manteve a postura normal no meio da trajetória até às irmãs.

– Você! É você! Cacete, é VOCÊ! – Kárdia manteve o tom alto de voz. Não conseguia acreditar que a moça misteriosa que conheceu na Toca do Desafinado estava ali na sua frente. Seu coração acelerou sem esperar mais.

– Cavaleiro de Escorpião, por favor, tenha respeito e mantenha-se no seu lugar! – Sage bradou, irritado. Era só o que faltava!

– Está tudo bem, Grande Mestre. – Euterpe falou. E que voz! Talvez nenhum som superasse a essência sensual que emanou daquela boca. Kárdia estremeceu assim que os olhos dela se prenderam nos seus. – Desculpe-me, cavaleiro, mas já nos conhecemos?

Se não fosse o sorriso irônico que ela deu, Kárdia teria enlouquecido. Cínica! Ela se lembrava dele, mas o estava provocando.

– Claro que sim! – ele até teria alimentado a provocação, porém, na frente dos colegas, seria pura humilhação. – Nos conhecemos na Toca do Desafinado! – seu tom meio desesperado foi percebido por todos.

– Hum... Não me recordo de ter ido a um local com esse nome... – Euterpe posicionou o indicador nos lábios vermelhos, juntamente a uma expressão de quem indagava.

– Pare, Euterpe. – Clio se meteu. Ficou com dó do escorpiano, pois sabia que a irmã o tinha conhecido, não por ter sido informada, mas por ter percebido que Euterpe estava brincando ali mesmo. Além disso, ela era conhecida como adoradora de uma provocação.

Euterpe se virou, fingindo surpresa para Clio.

– Não me julgue por querer uma recepção calorosa. – em seguida, riu graciosamente e ignorou os restantes, seguindo até onde as outras musas estavam.

Kárdia quis responder, quis muito, mas sentiu o olhar de Sage sobre si, de forma autoritária. Nem precisou vê-lo por trás do elmo de Grande Mestre para isso. Com muito esforço lapidado pelo incômodo, obedeceu e voltou para sua postura normal, porém não desviou sequer um segundo o olhar daquela musa ousada. Depois falaria com ela, com certeza.

Sage dispensou os cavaleiros e indicou o local onde as Musas poderiam conversar. Precisava imediatamente de um chá para colocar os pensamentos em ordem, e de uma pequena conversa com Sasha acerca dos registros celestiais. Ao se virar, viu todos os cavaleiros se dirigindo para a saída, exceto por um. Não reprimiu uma bufada quando percebeu a aproximação de Kárdia.

– Vou ficar aqui, preciso falar com-

– Não, o senhor vai descer e cumprir com suas tarefas, cavaleiro. – Sage logo cortou.

– Kárdia? – Sasha o chamou, compadecida ao ver o amigo com uma expressão frustrada.

– Sasha, você acredita em mim? – perguntou, meio manhoso. A deusa assentiu, rindo com graciosidade.

– Sim, sim. Aguarde o momento, ele chegará.

– Você parece mais madura. – respondeu, emburrado, cruzando os braços. Estava impaciente para tais palavras. Ficou um pouco surpreso e relaxado quando recebeu um abraço sutil da deusa, que riu da reação. – Retiro o que eu disse.

– Não seja mimado, Kárdia! – ela o apertou um pouco mais, para então tocá-lo no rosto. – Vai dar tudo certo.

– Tá, tá. Eu vou lá, mas eu volto! – falou, desgostosamente. A última frase teve maior ênfase e foi como uma indireta para Sage, que, em resposta, bufou, mas não se opôs.

Quando o escorpiano saiu, o patriarca se viu sozinho com a deusa no espaço.

– Você o mima demais e pede para que não seja mimado, minha deusa. Tenha noção disso. – disse, sério. Ao contrário, Sasha ofereceu-lhe um doce sorriso.

– Você está certo, mas às vezes é inevitável. Gostaria de dar mais atenção aos meus guerreiros, no entanto. – sua voz murchou.

– Eu sei. E, acredite, compreendo sua postura, mas assuntos mais relevantes requerem nossa atenção. Inclusive, preciso que me acompanhe até minha sala. Quero analisar um detalhe dos registros que me veio à mente ontem à noite, mas preciso de seu olhar também.

– Certo. Pedirei à Pio que me traga os documentos. Mas, antes, vamos beber um chá, o senhor está muito desconfortável, percebi. – e novamente sorriu para ele.

~

Num outro cômodo, tão espaçoso quanto a Sala de Athena, as seis musas se arrumavam em lugares específicos para iniciar uma conversa. Nenhuma falou nada após a introdução de Sage, mas o silêncio não foi incômodo. Clio fez questão de ficar numa poltrona um pouco mais afastada do círculo que formaram nos sofás do espaço, apenas a poltrona da musa da história era deslocada. Todas já sabiam o motivo de tê-la escolhido.

Clio suspirou e olhou para cada uma das irmãs. Polímnia, como o esperado, era a única que realmente apresentava disposição para ouvi-la; Erato e Terpsícore trocavam olhares e sorriso, dados pela saudade e cumplicidade que compartilhavam por serem as mais novas das musas; Euterpe enrolava e encarava uma mecha de cabelo, sem muita importância; Mel viajava em pensamentos, olhando para o nada. Antes de qualquer ato, Clio respirou profundamente:

– Vocês já sabem por que Calíope fez o chamado, não?

– Quem nos chamou foi Melpomene. – Euterpe colocou, ainda fitando o cabelo.

– Eu sei disso, mas foi Calíope quem pediu. E esse fato não deve ser ignorado. – Clio retomou. – Se ela o fez, foi porque sentiu necessidade, e isso é sério.

– Ela me parece aguentar tudo muito bem. – a musa da música novamente respondeu.

– Você falou certo “parece”, só que Calíope, assim como nós, anda distraída. Devido a esse detalhe, se isolou completamente, dando o motivo para o qual precisamos de vocês.

– Clio, todas vocês estão bastante diferentes. – Polímnia disse, suavemente. Apesar de ser a segunda mais velha das musas, tinha um respeito igual por todas, por isso mantinha um tom de voz sempre acolhedor.

– Sim, mas nem todas podem se isolar.

– Eu nem quero me isolar. – Terpsícore colocou, normalmente, sem olhar para Clio. Corou assim que viu o sorriso malicioso de Euterpe para ela.

– Olha só! Terpsícore se posicionando, que belo. Pelo visto, houve muita mudança por aqui... Isso diz respeito a algum cavaleiro? – no final, soltou uma risada discreta, que enfatizou o rubor no rosto da irmã menor.

– Terps, eu quero saber sobre isso. – Erato disse, timidamente, alisando o braço da irmã loira.

– Também quero. – Clio disse, em tom de reprovação, encarando Terpsícore. – Mas não agora. – voltou-se para as outras. – Para ser direta, nós não sabemos ainda por que estamos aqui desde o início, mas parece haver um motivo oculto por trás, bastante influente, o qual talvez o Grande Mestre esteja especulando com dedicação. Porém, admito que falhei por não pensar um pouco mais acerca disso, o Santuário pode realmente distrair.

– Olha outra com cavaleiro na mira! – Euterpe interveio, arrancando um olhar cortante de Clio.

– Vou lhe ignorar.

– Já não ignorou. – se não fosse o sorriso vitorioso que a musa da música apresentou junto à fala, Clio não teria se irritado tanto.

– Euterpe, ajude. – Polímnia reprovou, negando com a cabeça.

– Que seja! Fale logo o que aconteceu. Por que Urânia se isolou dessa vez? Ela andou relembrando a história de amor trágica ou foi desiludida novamente por alguém? Um cavaleiro, talvez? Pergunto porque, pelo visto, é só o que anda movendo as coisas por aqui, sinceramente. Está estampado na cara de vocês! Não tiro razão, claro. São todos muito... Interessantes. – Euterpe sorriu com malícia. — Só duvido de Calíope, porque quem ia querer um doce tão amargo? – soltou um riso, ajeitando a postura no sofá. – E, por céus, onde está Tália?

Clio bufou diante do gênio difícil da irmã. Às veze, se esquecia de que não era apenas Calíope que tinha língua afiada.

– Tália se escondeu.

Polímnia, Erato e Euterpe logo mudaram de expressão, as três denunciando preocupação. Geralmente, quando Tália se escondia, era sinal de tristeza ou falta de inspiração por algum outro sentimento. E, pelo fato de Tália raramente se esconder, a preocupação era sempre pertinente.

– Tália se escondeu, Calíope e Urânia se isolaram e você anda distraída. Oh, céus, onde vamos parar? – Euterpe fingiu drama, levando a mão à testa.

– Por que não escuta até o final? – Melpomene disse, já incomodada pelas intervenções debochadas da irmã.

– Não, Mel, tudo bem. Vou informar à Euterpe o que há por trás de tudo. Talvez ela se aquiete um pouco. – Clio disse, com evidente desgosto. – Tália se escondeu porque foi ferida devido à irresponsabilidade de um cavaleiro por quem tem afeto. – ouviu a irmã soltar um muxoxo. – Calíope se isolou para, obviamente, manter o equilíbrio que Urânia causou ao se retirar para Star Hill. E Urânia se isolou porque – fez uma breve pausa, apenas para encarar Euterpe nos olhos – Kagaho de Benu apareceu aqui, há alguns dias.

Como esperado, um silêncio predominou entre elas. Polímnia e Erato processaram a informação normalmente; Terps e Mel tentaram não olhar para a musa da música, assim como Clio; Euterpe mudou sua expressão para algo essencialmente chocante. Sim, ficou chocada.

– K-Kagaho? – suas muralhas de defesa rapidamente caíram, fazendo-a engolir seco. – O que Kagaho quis vindo aqui? Ele foi atrás de Urânia?

– Não. Você não ouviu o que o Grande Mestre falou? – Clio viu a irmã negar. – Francamente, Euterpe, comece a prestar atenção!

– Mas, espere, Urânia se isolou porque Kagaho apareceu? Alguma coisa ele deve ter feito, não? O que ele fez? – afobada.

– Nada, só a provocou. Mas o problema não foi esse. Urânia esteve envolvida com um dos cavaleiros e parece que ele não recebeu nada bem esse fragmento do passado dela.

– E então ela enfraqueceu. – Euterpe disse, mais para si. – Entendi...

– Você está bem? – Terpscíore perguntou, um pouco preocupada com a irmã morena.

– Sim. Por que não estaria?

Porque você já gostou dele. – Melpomene se meteu, encarando.

– Mel, não se diz algo assim abertamente! – Polímnia repreendeu.

– Não é como se não soubéssemos disso! – Erato defendeu, um pouco exaltada.

– Chega! Não quero que falem da minha vida abertamente mesmo. – Euterpe se levantou e caminhou até uma das janelas. – Não é por isso que estou surpresa, mas sim porque faz tempo que ele sumiu e deixou Urânia despedaçada. Apesar de eu ter gostado dele no mesmo período que ela, fiquei tão triste quanto ela, porque foi simplesmente cruel. Ele não tem o direito de ir atrás dela para causar mais dor!

Nenhuma das outras musas ousou se opor à verdade das palavras que Euterpe proferiu. De fato, ela e Urânia sempre foram extremamente próximas, assim como Tália e Mel, Terpsícore e Erato, Polímnia e Clio. Apenas Calíope se mantinha mais deslocada. Euterpe desde sempre seguiu os passos de Urânia, até adquirir sua própria autonomia para com o mundo, mas nunca deixou de admirar a irmã da astronomia por nada. Inclusive, acompanhou-a no início de seu amor pelo espectro, porém acabou se apaixonando por ele também. No entanto, lutou muito contra o próprio sentimento e decidiu se afastar da irmã ao perceber o andamento do amor dos dois. Porém, coincidentemente, quando decidiu se reaproximar, Kagaho deixou Urânia, que, numa esfera profunda do pensamento, descontou em si. E o relacionamento das duas nunca mais foi o mesmo.

– Acho – Euterpe disse, sem se virar para as irmãs. – que podemos partir para o próximo assunto, já que tenho certeza de que Urânia vai se fortalecer mais rápido dessa vez, mesmo que um cavaleiro idiota tenha intensificado sua dor. – sua voz denunciava o rancor que sentia por qualquer um que ousasse machucar a irmã isolada. Apesar das circunstâncias, tinha fé demais nela para desperdiçar tempo lamentando. Além disso, não queria mais falar sobre esse tópico do espectro, pois seu rancor se estendia a ele em forma de ódio.

E Clio aceitou.

– Pois bem, vamos falar da sua irresponsabilidade para com nossa harmonia, ao ocultar o cosmo há tempos. Que acha? Nós sabemos que você está aqui desde semanas atrás, Euterpe. Assim como eu sei que você reconheceu Kárdia lá na sala do Grande Mestre. – sua voz tinha um tom levemente hostil e bastante reprovador. – Tem noção do perigo que nos envolveu por ter ocultado o cosmo por tanto tempo?

– Tenho, perfeitamente. – respondeu, como se fosse nada. – Mas não me acuse assim, não estou aqui desde semanas. Apareci por aqui e depois voltei para o vale por motivos pessoais. Até porque, se eu tivesse ficado, não acha que eu teria reconhecido o cosmo de Kagaho? – sua expressão inevitavelmente demonstrou sarcasmo.

– Faz sentido, Clio. Nós conseguimos reconhecer aquele dia. – Mel colocou, enquanto Terps assentiu.

– Eu sei que faz. – irritantemente, Clio soube mesmo. Odiava ser rebatida dessa forma por Euterpe, que, por vezes, demonstrava sagacidade nas respostas. – Mas isso não tira o fato de você ter passado tempos com o cosmo em desarmonia. Aliás, por que fez isso?

– Por que não? Eu quis observar um pouco de perto esse local, mas acabei ficando pela vila porque lá é maravilhoso. Tão alegre! A resposta para a sua pergunta é: fiquei porque me inspirou. É válido? – puramente irônica. – Além do mais, eu não sou a única ocultando cosmo por aqui, fiquem sabendo.

– Como assim? – Clio travou.

– Faça as contas. – a musa da música disse, para então lançar um olhar para Mel.

– Claro que não. – Mel revidou, já entendo o que ela quis dizer. – Aliás, pode ser possível... Mas eu saberia.

– Se você está dizendo...

– O quê? – droga, Clio não entendeu.

– Estão insinuando que Tália está aqui com o cosmo oculto? – Polímnia finalmente verbalizou.

– O QUÊ? – Clio não conseguiu segurar. – Isso é impossível! Ela sabe que não deve, e ela não precisa esconder o cosmo para se esconder de fato. Sabemos que ela está no vale, Melpomene foi recentemente para lá e a sentiu.

– Repito: se você diz... – Euterpe deu de ombros e voltou a se sentar no sofá, cruzando as pernas sensualmente, ao lado de Polímnia. – Mas e então, o que devemos fazer?

– Ficar por perto até Urânia descer. Ela já sabe que estão aqui. Se dermos forças, ela descerá mais rápido, eu acredito. E assim Calíope não precisará se isolar mais. Por mais que não pareça, Calíope está fraca...

– De acordo. – Polímnia se posicionou. – E aproveito para falar que senti falta de vocês.

– Concordo! – Erato pôs, oferecendo um meigo sorriso. – O vale ficou bastante vazio sem o restante de nós. A fauna e a flora sentiram e demonstraram isso, assim como as pessoas que foram visitar os templos!

– Mas não pretendemos voltar ainda, Erato. – Mel disse.

– Eu sei, mas acho pertinente informar. – a musa olhou para Clio. – Sei que gosta de se manter informada. – e sorriu com graça.

– Fez bem, Erato. Mas você entende que precisamos de suas presenças por aqui também, não?

– Entendo. Mel deixou isso claro no chamado. – ofereceu uma bela expressão para a irmã da tragédia, que corou.

Erato era tão assim... Sempre se permitia elogiar e aprovar atitudes dos outros, assim como observar o mundo numa visão mais romântica – que contribuía para sua inspiração. Tinha o costume de estender seus comentários até que demonstrassem algo bom para quem os ouvia, por isso era quase impossível sentir incômodo em sua presença.

– E você, Euterpe? – Clio e todas as outras se viraram para a musa.

– Hm... Estou de acordo também. Admitindo francamente, já que você me criticou nesse ponto, estava pensando em me juntar a vocês desde que coloquei o pé aqui. Sabia que, ora ou outra, vocês reclamariam por estar ocultando o cosmo. – respondeu, de olhos fechados, relaxadamente. Todas se permitiram rir um pouco, com exceção de Clio, que revirou os olhos, mas no fim deu um leve sorriso. – E se eles precisam de nossa ajuda, que fiquemos juntas.Somos mais fortes assim, vocês sabem. – a piscadela que deu no final transformou a atmosfera completamente agradável, por ter desencadeado as melhores energias das irmãs naturalmente.

~

– Mas que cacete! – Kárdia bradou.

O escorpiano seguia juntamente com Degél, Manigold, Régulus, El Cid e Sísifo para a segunda arena dos cavaleiros. Os demais já tinham se distribuído no local de suas funções. Kárdia já não aguentava o silêncio mórbido que acompanha o grupo, e estava indignado demais para se manter quieto e passivo disso. Maldita musa atrevida que o ridicularizou. Não conseguia tirar as frases absurdas dela diante da apresentação, aliás, não conseguia tirá-la da cabeça por completo. Por que, sendo uma mulher tão lindamente esculpida, tinha de ser assim? Ele sabia que tinha alguma coisa errada com ela desde o dia em que a tinha conhecido, mas nunca esperava algo assim. Uma musa, por Zeus! Isso era bom ou ruim?

Ao lado do escorpiano, Manigold observava o nada, completamente frustrado por ter esperado algo que não veio. Algo, não, alguém. Andava tão amargurado com a ausência de Tália que suas forças para fazer piada do contexto mal apareciam, sequer suas palavras tinham a mesma graça de antes. No fundo, sentia-se bastante incomodado por perceber que uma garota o deixava assim, meio que sem controle dos próprios pensamentos. Apesar de ter admitido, para as musas, que sentia falta de Tália, tentava não aparentar, pois qualquer desvio de foco poderia trazer as lembranças de antes — e então a saudade aumentaria, claro. Maldita saudade alimentada por saudade! Que ironia. Como esperado de seu signo, remoia tanto os dias sem a musinha que chegava a ficar com raiva por ela não aparecer mais! O que diabo Tália estava fazendo com ele?

À frente do canceriano, El Cid pensava em Clio e em como não pôde trocar uma palavra com ela minutos antes, no templo do Grande Mestre. Desde o momento em que se beijaram pela primeira vez, ele sentiu um calor intenso dentro de si, acompanhado de uma ansiedade enorme por vê-la o mais breve possível. Tudo isso, claro, se intensificou após ela adormecer em seus braços, em sua cama, por causa de seus carinhos. Nada de mais aconteceu, apenas trocaram mais beijos e carícias, e pela primeira vez pôde ver Clio amorosa, calma e tranquila. O privilégio por ter presenciado esse lado raro dela pulsava constantemente em sua mente, a ponto de deixá-lo ainda mais necessitado de conhecê-la por inteiro. No entanto, por mais que quisesse tê-la mais perto e mais rápido, ele reconhecia que os acontecimentos teriam de seguir no ritmo de Clio.

Ao lado do capricorniano, Sísifo tentava expulsar os pensamentos intrigantes acerca do isolamento de Urânia e do aparecimento das outras Musas. Entendeu perfeitamente o que o Grande Mestre quis dizer, mas sentiu que havia mais. Claro que havia. E ele sofria por causa disso, mas ainda não correria atrás de saber. Se algo tivesse que ser informado, que saísse da boca da musa da astronomia, juntamente com a verdade. Mas a quem queria enganar? Estava triste pelo o que descobrira e ainda mais pela ausência da musa que tanto gostava.

À direita do sagitariano, Régulus arregalava os olhos. Seu estado de admiração estava rendendo desde o momento em que seus olhos bateram nos olhos avermelhados da musa da poesia lírica, Erato. O leonino mal conseguia acreditar que existisse um ser tão doce no mundo. Por mais que não tenha trocado palavras com ela, a energia que emanou foi o suficiente para lhe desembaralhar o viés racional de sua mente. Se apenas o jeito de andar da musa já era expressivo, imaginou como seria se ela liberasse a voz diante de si. Do fundo do peito, torceu para que ela descesse o mais breve possível para passear pelo Santuário...

Notas finais
Eainnnnnnn? Fofocas sobre elas?