EmMusas - The Lost Canvas
17 Lábios de ouro
Notas iniciais

Capítulo 17
Podia dizer que o mundo estava mais brilhante, com certeza. Ou melhor, mais engraçado, com um humor mais leve. Sim, o Universo inteiro aos seus olhos parecia estar em harmonia. O bom disso era a energia possível de ser sentida, mesmo que soubesse que era inspirada por ela. Sim, claro, como musa, acabava inspirando; ainda mais quando estava feliz. Entretanto, felicidade era relativa, mas Tália não se envolvia nessa vertente reflexiva...
Deitada na cama ainda fitando o teto, ela tratou de trazer à tona as lembranças da noite passada. Ainda era cedo, e nem havia necessidade de sair da cama ainda. Era muito prazer envolvido ao mesmo tempo.
(Flashback ON)
– “Finalmente” eu que digo. Finalmente me deu abertura, ora. – Manigold falou normalmente enquanto deslizava a ponta do indicador pelo rosto de Tália. Os dois permaneciam deitados na grama macia, banhados pela iluminação natural da noite.
– Não comece, algumas coisas não devem ser dadas, mas sim tomadas. – disse ela, dando uma piscadinha no final.
– Ah, é? Então se eu tentar tomar outras coisas de você, mais vezes e em momentos inconvenientes você não poderá reclamar, musinha?
– Hmmm, fecha a boquinha, vai. – brincou ela, quando sentiu a aproximação do canceriano. Os dois riram juntos enquanto ele a cutucava levemente com o dedo, que transitava pelas bochechas, colo e cintura da musa.
Aproveitaram o clima e a boa recepção própria para se beijarem mais. Manigold estava determinado a submeter a musa a vários primeiros beijos, até porque, assim como ela, estava gostando daquilo. Ele sabia que havia um tipo de brincadeira entre eles que servia como um catalisador de intenções reprimidas, como se a base de qualquer carícia fosse o humor agradável que os dois potencializavam ao ser verem. E, no fundo, o canceriano ampliava a visão em relação à musa, porém admitir era outra história.
– Cadê sua constelação? – perguntou ela, num momento de serenidade. Apesar de agitados, os dois sentiam uma cumplicidade no clima criado. Nenhum tinha coragem de interromper.
– Hmmm – Manigold demorou um pouco para reconhecer sua constelação guardiã. Na verdade, não era chegado em fitar as estrelas com um propósito, mas logo a achou e apontou. – Ali.
– É meio sem graça se comparada às outras, não acha?
– Prefiro não falar mal da minha constelação guardiã. – disse ele em tom irônico.
Mal percebiam, mas a mão direita dela e a esquerda dele se acariciavam singelamente, articulando apenas os dedos e se limitando a pouca movimentação. Apenas um toque de reconhecimento, como se quisessem manter a corrente elétrica que os ligava desde o primeiro instante naquela grama. Nenhum dos dois chamou atenção para esse detalhe, porém os dois desfrutavam dele.
– Musas têm signo?
– Não, e dizemos que não temos idade, mas apenas nós sabemos a verdade por trás disso. – ela riu ao ver a cara dele, que incitava indignação. – De qualquer forma, podemos apenas revelar a ordem de nascença. Por exemplo, Calíope é a mais velha e Erato é a mais jovem. Mas somos todas muito próximas de “idade”...
– E você não pode contar nem pra mim? – perguntou fazendo bico. Tália beliscou de leve sua bochecha e estreitou os olhos.
– Todo conteúdo que compõe uma musa deve ser revelado por ela! Já devia saber...
– Ah, é? – Manigold levantou um pouco o tronco e se apoiou no braço esquerdo, sem tirar os olhos de Tália. — E por que não me revela como foi que conseguiu essa cicatriz?
– Porque é um assunto delicado sobre o qual prefiro não comentar. E, ah, não há nada de mais nessa história, talvez você se decepcione. Melhor viver com esse mistério na sua cabeça proporcionando mil histórias interessantes do que realmente ouvir a minha.
Ao final da fala de Tália, ele pôde perceber certa insatisfação dela para com esse fato. Para ele, não importava como fora a história, ele apenas queria saber! Estava curioso e ela realmente fazia muito mistério acerca disso. O tom de voz de Tália o deixou um pouco intrigado. Ela achava chata a história da cicatriz mais do que a cicatriz em si?
– Não sei se entendi bem, mas por que é tão impossível você falar logo o que há por trás dessa marca aí? – o jeito indelicado de Manigold dessa vez não a ofendeu. Ela podia ver nos olhos o brilho da curiosidade influenciando tais palavras. – Toda vez que olho pra você, me pergunto o que aconteceu. E às vezes parece que você... Gosta de exibi-la.
Manigold viu a expressão confusa de Tália.
– Digo, rrrãm – pigarreou ele, recompondo-se. -, pra você, parece que ela nem existe. E que, quando alguém comenta, você se lembra dela e tenta mostrar alguma atitude. Ah, não sei o que quero dizer, só sei que olhar pra ela tá me torturando, musinha! – e cruzou os braços instantaneamente, sentando-se na grama.
Alguns longos segundos de silêncio envolveram os dois. Manigold observava atentamente as feições da musa, procurando qualquer sinal de irritação ou chateação perante suas palavras. Mas nada, estava impassível, ilegível e um tanto irreconhecível. Tália inexpressiva era tão errado quanto Athena sem um vestido branco de longo decote.
– Sabe, eu poderia procurar alguém para curar essa cicatriz e fazê-la sumir de uma vez por todas do meu rosto. – ela sorriu de canto, enquanto fitava a grama como se estivesse a descobrindo agora. – Também poderia deixar meu cabelo alongar mais rapidamente e, por fim, modificar minhas outras preferências estéticas. – deu um fundo suspiro. – Mas nada disso faria parte de mim, pois eu não rejeito o que me compõe, ainda mais quando é fruto da minha trajetória na Terra. – voltou a fitar o canceriano, que, com a mesma intensidade de antes, a observava. – Então não, não ache que é um incômodo. Não sou eu quem deve parar de se incomodar com isso, e sim os outros.
Assim que ela finalizou a fala, percebeu que a face de Manigold estava paralisada; passou, então, a mão na frente dos olhos dele com intuito de despertá-lo, mas nem precisava. Sua paralisia era consequência do estado de admiração no qual ele estava por causa daquela musinha atrevida.
Sem cerimônias e mais palavras, ele puxou Tália pela cintura e tascou outro beijo, iniciado através do roubo, muito mais cálido e envolvente, como se quisesse dar carinho à fonte de palavras tão... Tão... Bom, não sabia definir. Tália talvez não fosse o tipo de musa que exigisse uma definição, apenas existia em sua linda atmosfera acolhedora. E isso ninguém deveria tirar dela – caso alguém tentasse, conheceria o Yomotsu.
(Flashback OFF)
O corpo de Tália acordava após a espreguiçada matinal, mas sua mente ainda dormia nas lembranças da noite anterior. Tudo bem, poderia repousar mais uns cinco minutinhos...
~
Calíope fora a primeira a acordar e a descer, sozinha, as doze casas. Recebia o sol quente e um pouco incômodo do Santuário com um bom humor irreconhecível. Quem a visse não acreditaria no sorriso despretensioso que ela exibia no rosto, e dessa vez não era nem porque se sentia bonita. Na verdade, se sentia sim, mas de uma outra forma; com outros olhos; por um outro alguém.
Ao se aproximar da Casa de Virgem, entrou calmamente, sabendo que o dono meditava em seu altar. Ao passar pela sala principal, parou; a imagem quase intocável de Asmita meditando exigia uma admiração. Não evitou sorrir diante de tal presença, ainda mais compartilhando da mesma boa energia dele. Aliás, ela notara, desde que saíra da 13ª Casa, que a energia de todos estava mais positiva. Pelo visto, Urânia tinha razão quanto à Lua passada.
– Posso saber seu destino, senhorita? – a voz suave do virginiano puxou a atenção da musa.
– Oh, não queria desconcentrá-lo!
– Não o fez, já esperava sua passagem. Contudo, despertou minha curiosidade...
– Pretendo colocar uma ideia em prática na cachoeira. – disse ela, gostando da ideia de deixá-lo curioso.
– Poderia revelá-la para mim?
– Sim, mas não me culpe se sua vontade de participar for despertada. – Calíope num tom agradável acabou fazendo Asmita sorrir discretamente. — Quero experimentar meditar com a interferência de certos elementos...
– Meditação na água. – Asmita sorriu de leve, imagens se formaram em sua mente. – Experimento interessante. Acredito que a cachoeira trará bons resultados. Está com pressa?
– Não... – ela se aproximou animada, mas contendo o corpo. Para sua surpresa, viu o cavaleiro saindo da posição de lótus e ficando em pé, o que a fez parar imediatamente.
Calíope, por diversas vezes, não sabia como reagir a certos movimentos do virginiano.
– Aceitaria um convite para me acompanhar no chá da manhã? – a mão estendida de Asmita para ela não pedia apenas uma resposta oral, e logo Calíope entendeu.
Após enlaçarem os dedos, seguiram para a parte externa da Casa de Virgem, onde uma serva prontamente levou a bandeja do chá.
~
Ela já havia enfrentado o desafio à sua frente uma vez, o resultado fora bom e ruim ao mesmo tempo; já havia divagado sobre isso, sobre sua falta de coragem para encará-lo com os olhos selvagens que sabia que poderia incorporar. Afinal, ela era musa do mato, da floresta, da selva, de qualquer lugar onde a flora e a fauna reinassem. Seu vale era extenso e dominado por cores vivas, por isso ela se inspirava, e dançava, e tocava, e rodopiava e até cantava de vez em quando. Mas quando chegava na frente de Casa de Gêmeos, só sentia alívio se soubesse que o protetor não se encontrava.
Um covarde alívio.
De qualquer forma, teria de passar, então entrou de cabeça erguida. Controlar a respiração estava fácil, difícil era evitar o arrepio na espinha. Terpsícore seguiu em frente, chegando rapidamente na sala principal da Casa, na qual, ironicamente, Defteros se encontrava fitando-a.
A musa estancou. Olhou-o analítica, porém temerosamente. Esperava alguma reação bruta que deixasse marcas vermelhas em seu corpo, esperava até outra ilusão que a levasse para “a toca da besta” – como ele mesmo havia denominado seu quarto. Mas o cavaleiro mantinha apenas um sorriso fechado para ela e a encarava sem malícia. Nem parecia o geminiano que a incendiara dias antes.
– Bom dia, Terpsícore. – cumprimentou ele, bebendo um copo de água que apareceu do nada.
– B-Bom dia. – ela respondeu, mordendo o lábio após gaguejar. – Posso passar?
– É claro. Espero que tenha um dia agradável e que apareça pela arena para presenciar nossos treinos... – a voz normal e simpática, porém grave, destoava na fera que ele se mostrara anteriormente. Terpsícore não pôde evitar levantar uma sobrancelha diante de tal reação.
– O quê? – ela perguntou meio incrédula.
– Claro. Nada melhor do que uma musa nos assistindo e inspirando. – dessa vez, abriu um pouco o sorriso.
A voz de Defteros tinha algo de diferente que Terps não conseguiu identificar. Intrigada era pouco para como ela se sentia naquele momento. Mas, no fim, ela deu seu melhor sorriso para encerrar o papo e sair.
– Vá pela sombra, não será agradável se tiver insolação. – aconselhou ele, enquanto Terps dava passos adiante.
– C-Certo. Obrigada! – ela apressou o passo e deixou o cavaleiro para metros atrás de suas costas. Sabia que era observada.
Acompanhando-a com os olhos, ele sussurrou, mesmo sabendo que ela não ouviria mais:
– E não se esqueça de respirar, Terpsícore...
~
Mel acordara logo depois de Calíope. E como sabia que a irmã ruiva não perguntaria por ela caso se encontrassem no caminho, tratou de descer as doze casas tranquilamente. Por mais que tivesse boas desculpas, não queria que as pessoas ficassem sabendo de suas frequentes e mal intencionadas idas até a florista da vila de Rodório. Entretanto, estava disposta a correr os riscos que fossem para continuar ingerindo os elixires venenosos. Agora, mais do que nunca, Mel estava confiante.
Clio aceitou o convite de El Cid para vê-lo treinar com seus aspirantes. A ideia dele veio acompanhada de um “talvez renda bons contos” – sugestão que não poderia ter sido melhor. A musa da história e da criatividade pegou seu caderno e seguiu para a arena onde o capricorniano treinava seus pupilos. Mais ao lado, numa outra arena, acabou encontrando algumas amazonas treinando arduamente. Clio ficara entusiasmada com tudo o que compunha a essência da amazona, já havia lido sobre suas rotinas e obrigações. Odiava aquela máscara por elas. Era realmente um fardo um tanto quanto injusto. Mais contos renderiam com o que via naquela arena.
~
Urânia era a que se dava melhor diante de suas condições, pois cavalgava um cavalo excepcionalmente veloz, que proporcionava as rajadas de vento perfeitas para balançarem seus cabelos negros, enquanto abraçava Sísifo por trás. A sensação de leveza intensificava o charme do local por onde andavam. A surpresa que o sagitariano fizera para ela estava cada vez melhor.
Na ideia, Sísifo queria um tempo a sós com a musa e que fosse relativamente longe dos olhares curiosos do Santuário, mas sem ultrapassar seus limites. Sabia o melhor local para se fazer um piquenique e era para lá que estavam seguindo de carona em Ulisses – o cavalo.
Ao chegarem nas margens de um dos rios que se infiltrava pelo Santuário, os dois desceram e organizaram o espaço. Uma toalha vermelha foi estendida na grama, mas nenhum dos dois organizou o piquenique. Sísifo foi o primeiro a se deitar na toalha, observando Urânia acariciar o animal.
– Uli é adorável. – disse ela, depositando um beijo no espaço entre os olhos do cavalo.
– Uli? – Sísifo franziu o cenho.
Urânia se virou e seguiu até Sísifo, onde deitou para acompanhá-lo.
– É, Uli.
– Se encontrou um apelido para Ulisses é porque já estão íntimos, certo?
– É claro, não há surpresa nisso. – ela sorriu, puxando o rosto do cavaleiro para um breve beijo. – Posso saber por que não abriu a cesta?
– Não estou com fome, a acho que nem você, já que fez o desjejum recentemente.
– Então não me chamou para um piquenique, cavaleiro. – disse ela em ar de desconfiança.
– E a senhorita já sabia disso.
Os dois sorriram com a leitura que fizeram um do outro. A sintonia entre eles parecia aumentar a cada momento que passavam juntos, a cada troca de palavras e, principalmente, olhares. Urânia sentia um enorme gosto em compartilhar sensações com Sísifo, e era recíproco. Para ela, uma ligação fora criada no momento em que se viram pela primeira vez, na sala do Grande Mestre, após um olhar tímido, porém curioso dele para ela. Não evitou rir sozinha com a lembrança.
– Posso saber o que acha engraçado? – perguntou ele, atento às belas feições da musa. Logo sentiu a mão dela deslizar pelo seu rosto.
– Eu gosto dos seus olhos, me trazem boas lembranças e proporcionam boas sensações. – direta e objetiva, ela disse o que já tinha constatado há tempos.
Sísifo pegou a mão delicada dela, beijou a palma e depois fez o mesmo nas costas. Estava iniciando sua resposta.
Deslizou os lábios no braço dela até chegar no ombro, onde depositou breves beijos. Automaticamente, Urânia fechou os olhos; pelo visto não era só o olhar que proporcionava boas sensações... Benditos lábios de ouro. Do ombro, o sagitariano passou para o pescoço, cujo caminho foi trilhado pela ponta de sua língua, arrancando suspiros ousados da musa. Uma mordidinha foi sentida por ela.
Em questão de segundos, seus lábios estavam envolvidos num beijo movimentado. A mesma língua atrevida que a provocara agora era provocada por ela, que mordia e chupava, dessa vez arrancando gemidos dele. Em resposta, Sísifo apertou a cintura da musa e a deitou embaixo de seu peitoral.
O vestido de Urânia quase pedia para ser rasgado, mas ele se controlaria até sentir maior abertura. Mas, ao mesmo tempo, pensava: o que seria esse estímulo todo se não uma abertura? Passou, então, a beijar o colo macio dela, demorando-se um pouco na clavícula – a qual ele achava extremamente sexy -, enquanto desfazia o laço que protegia o decote do vestido de aumentar.
Revelado os seios medianos, o sagitariano lambeu os lábios, corando em seguida pelo atrevimento. Mas Urânia não se importava, estava em outra atmosfera já. Totalmente envolvida pelos toques de Sísifo e ansiosa pelos próximos, puxou-o para si e lhe deu uma leve mordidinha no lábio inferior.
Foi o bastante.
Sísifo apertou a cintura dela ainda mais e desceu a boca para um dos seios, sugando-o incansavelmente. A língua brincava com o mamilo já excitado, fazendo movimentos circulares e, de vez em quando, dando pequenas mordidinhas. Às vezes, ele subia os olhos para ver as expressões prazerosas de Urânia, as quais se formavam por olhos fechados e mordidas nos lábios. As mãos dela prendiam o cabelo macio dele à procura de apoio por tanto prazer que sentia e isso acabava por incentivar mais ainda o cavaleiro.
Não só isso, como também os gemidos sensuais da musa.
Urânia deslizou as unhas pelas costas largas de Sísifo, enquanto tinha o outro seio como refém da boca dele, e arranhou até levantar a camisa de treino. Ele entendeu o recado e a tirou imediatamente, revelando, agora, seu próprio peitoral. Urânia fez o mesmo que ele quando viu o conteúdo daquela parte, mas sua mordida de lábio não o fez rir, e sim olhá-la de forma mais lasciva.
Os dois iniciaram um novo beijo, enquanto as mãos dele abriam ainda mais aquela parte do vestido dela. Sem perceber logo, encontravam-se numa posição totalmente sexual, que levantaria suspeitas a qualquer passante – suspeitas, pois ainda vestiam roupas. Entretanto, por instinto, ele se movimentou em cima dela, fazendo as duas intimidades roçarem, ao mesmo tempo em que sentiam o calor corporal um do outro.
Para ele, era loucamente excitante sentir os seios dela roçando em seu peito, acompanhando um beijo cálido e cheio de provocação por parte dos dois. Para ela, também, mas mais ainda por sentir perfeitamente seu ponto mais sensível ser acariciado pelo membro dele, mesmo que pela calça, pois sua calcinha de cetim proporcionava tal sensibilidade. Quase admitia que chegaria facilmente no ápice com isso, mas concentrava-se na boca do sagitariano, que era tão deliciosa quanto qualquer outra parte dele.
– Sísifo. – disse ela após um gemido mais intenso. Seu corpo se incendiava aos poucos, e ele percebia.
– Sim. Precisamos parar. – disse ele, quase sem fôlego de tão excitado. Decidira fechar os olhos porque vê-la tão entregue e disposta estava deixando-o cada vez mais instigado.
– N-Não. – ela tentou, puxando-o mais para si e mordendo-o no lábio (já percebera que era um dos pontos fracos). – Eu quero você...
– Urânia, assim eu não vou aguentar. – ainda de olhos fechados e se movimentando em cima dela. Logo sentiu beijos por seu pescoço. Ah, Urânia...
E então ela riu e se afastou lentamente.
– Do que está rindo? – Sísifo tentou se recompor. Estava visivelmente corado.
– Sinto como se estivesse tirando sua inocência. – respondeu ela, enquanto o observava com brilho nos olhos.
– Inocência creio que não, mas sanidade é possível. – com uma graça na voz, ele riu também e se afastou, ajoelhando-se entre as pernas dela. Percebeu que o vestido havia levantado mais. Ele havia feito isso?
– Bom, foi você quem começou, bonito.
Ele não respondeu, pois estava admirado demais com a visão dela deitada em sua frente. Os seios pareciam exigir por mais toques, ainda se encontravam com os mamilos intumescidos. O colo descia e subia numa velocidade que correspondia ao controle de Urânia, o qual era gradual. Ele passou a ponta dos dedos na parte descoberta dela, dessa vez encarando os olhos verdes-água dela.
Ele não sabia, mas estava totalmente sexy com a cara de quem procurava controle. Urânia tinha vontade de agarrá-lo e finalizar o que havia começado, mas se conteve. Seria mais fácil se ele parasse de tocá-la...
– Então você me quer... – disse ele, num tom que mesclava afirmação e questionamento.
Ela assentiu sem cerimônias, mas sua expressão não era mais tão sensual, era algo mais próximo do romântico. Ela o olhava com outros olhos, Sísifo pôde perceber.
– O que tem nessa cesta que seja refrescante, cavaleiro? – perguntou ela no intuito de desviar o clima que voltava a se formar. Não que quisesse, mas precisava acalmar o fogo que a consumia naquele momento, pois, se continuassem, poderiam ser pegos. Por mais que a área fosse distante, se Sísifo a conhecia, outros poderiam conhecer também.
Ele riu em resposta, pois compartilhava o mesmo que ela.
– Suco de uva, senhorita. Mas, caso o calor esteja intenso, há esse belo rio à sua frente. – fez o gesto como se apresentasse o rio.
– Bela ideia, sagitário. – disse ela, sorrindo.
– Queira desculpar o sol do Santuário por estar tão quente. – ele devolveu o sorriso.
– Aham, o Sol...
E entraram na água, totalmente animados. Uma coisa já era fato: o Cavaleiro de Ouro de Sagitário e a Musa da Astronomia e Astrologia estavam inegável e completamente apaixonados.
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