EmMusas - The Lost Canvas
8 Inícios
Notas iniciais

Capítulo 8
– Terspsícore! – Tália chamou, mas a musa da dança continuou correndo. – Terps! Espere! – aumentando a velocidade.
As duas correram até uma pequena ponte de frente para um rio, onde Terpsícore parou para respirar. Tália, preocupada, abraçou fortemente a irmã.
– O que aconteceu? Por que está assim? – Tália se afastou para olhá-la.
– Precisava me refrescar. – ela comentou, por mais que a voz estivesse alterada, não parecia mal. Não era isso que a musa da comédia esperava ouvir.
– Por que correu desse jeito de mim?
– Oh, Tália, perdão, mas precisava correr! – respondeu, recompondo-se.
– E por quê? Isso não faz sentido, irmã! – com as mãos na cintura; pôde ver um breve sorriso em Terpsícore.
– Eu sei, nada anda fazendo sentido para mim. – mais calma, respirou fundo. – Não sei o que está acontecendo comigo...
Tália, confusa, olhava a irmã com atenção e acabou vendo os braços dela com hematomas vermelhos. Imediatamente, pensou na desculpa que dera antes para Clio.
– Terpsícore, por que seus braços andam assim? – perguntou desconfiada. Terpsícore massageou um dos hematomas, nem se lembrava deles mais. – Me fale, e aproveite para falar daquele que eu despistei de Clio.
– D-Defteros tem um toque um pouco forte... – revelou, extremamente envergonhada.
– Você está se encontrando com ele? – Tália não sabia se interpretara direito.
– Não! Mas ele sempre me encontra... – suspirou ao se lembrar dos olhos azuis do cavaleiro a fitando. – Não sei o que ele quer de mim, Tália, e isso está me atormentando.
– Mantenha-se longe dele, Terpsícore. – agora entendia o medo que a irmã demonstrava ao passar por ele. Ao perceber um pequeno protesto dela, interrompeu. – Nada de “mas”, se ele lhe assusta, fique longe. – Tália a olhava profundamente séria. – E não me faça mentir para Clio novamente.
Terpsícore apenas assentiu para a irmã. Apreciava a preocupação, mas não sabia se conseguiria cumprir a ordem dada. Por mais que se assustasse, sentia-se atraída, de alguma forma, pelo cavaleiro grosseiro e sombrio que a tocara. E não mentia para Tália ao dizer que queria se refrescar, pois, realmente, o calor que percorria seu corpo, após o encontro com ele, só aumentava. Defteros parecia ter um magnetismo em mãos, que, ao tocá-la, desencadeava tais sensações.
~
Sasha e Melpomene engataram numa boa conversa; bebiam cuidadosamente o vinho que lhes era oferecido o tempo inteiro e se deliciavam com alguns petiscos típicos, também oferecidos por vendedores.
A simpatia entre elas era evidente, Mel não sabia que a deusa era tão agradável. E Sasha, animadíssima com a aproximação, comentava sobre possíveis formas de se entreter no Santuário – já que percebera que as musas não sabiam muito o que fazer.
– Posso me juntar? – Calíope tocou numa das cadeiras de madeira, surpreendendo as duas. Fora a única que desconfiara da intenção de Athena quanto às aproximações. Não se sentira à vontade o bastante para criar um vínculo com a deusa, mas talvez sua falta de companhia no festival fosse um sinal para que isso mudasse.
– É claro! – Sasha respondeu sorridente. Calíope sentou e percebeu um certo silêncio de Melpomene.
– Festival interessante. Bonito. – comentou a musa da poesia épica, meio desconfortável com a falta de assunto, o que não passou despercebido por Sasha e Mel.
– Sim, Calíope, e você conseguiu aflorar essa beleza quando cantou ao lado dos músicos. – Sasha disse, havia visto a musa no momento em que ela cantara. A voz de Calíope era realmente uma preciosidade. A musa não sabia o que dizer, não esperava as palavras gentis da deusa.
– Obrigada, Athena. – percebendo-se encabulada. – Que bom que gostou...
Calíope não era de rodeios, sempre tinha respostas na língua para tudo o que lhe era dito, mas Mel observou a irmã perder a graça. Talvez fosse pelo seu julgamento anterior, e, se o fosse, Mel achava merecida tal reação. Calíope precisava deixar de ser esnobe.
– Athena, poderia me dar licença? Pretendo dar mais uma volta para prestigiar o evento. – a musa da tragédia tinha outros planos e pensou que seria bom deixar a irmã num momento a sós com a deusa. Sasha assentiu e Mel, em seguida, saiu da mesa.
– Athena... — Calíope, assim que se viu na companhia da deusa, pensou em tirar uma dúvida que a incomodava desde que saíra da Casa de Virgem pela última vez. – Poderia me dizer o porquê de a meditação de Asmita ser tão importante para esse período?
Sasha não esperava tal pergunta, não pensava que Calíope se interessaria por isso, mas era até compreensível considerando que Asmita era um cavaleiro intrigante pelo seu hábito.
– Digamos que ele tem um sentido bem aguçado. – rindo com a própria resposta. Como explicaria que Asmita atingia o oitavo sentido? Aliás, como explicaria sobre os sentidos? – Ele tem a capacidade de perceber qualquer movimento desconhecido nos arredores do Santuário, e nunca se sabe quando é um espectro de Hades... A concentração dele é muito importante para que nada passe despercebido.
– Entendi. – respondeu, meio cabisbaixa. Athena percebeu o olhar distante da musa.
– Posso saber o interesse da pergunta? – Sasha tentou.
– Curiosidade. Asmita... Me informou brevemente sobre isso. – se é que poderia interpretar como apenas uma informação, e não um exibicionismo. – Como medito, quis saber mais. – não era totalmente verdade, mas fazia sentido.
– Sabe, Calíope, Asmita é um cavaleiro com grande responsabilidade. É o mais próximo de deus. E ele realmente preza muito por sua função, mas percebo que, às vezes, esquece-se de que também é humano. Talvez...
~
O festival não poderia ter sido desfrutado de forma melhor. A alegria dos moradores e visitantes era enorme, contagiante e inspiradora para as próprias musas. Suas presenças foram bem vindas e recebidas com cortesia moderada, sem muita atenção para que não as incomodasse – algo que Clio apreciou inteiramente, pois queria ser tratada normalmente.
A noite já dominava o céu, e várias lamparinas foram acesas para climatizar o ambiente de forma mais aconchegante. Apesar de tarde, a mesma movimentação era vista. A vila até parecia mais bonita ao anoitecer. Diante disso, Sísifo aproveitou uma ideia que lhe veio, a qual envolvia um lugar ideal para a apreciação da vila.
Adentrando a floresta que rodeava um dos extremos da vila, Sísifo e Urânia subiram até uma pequena construção, onde havia uma casinha que servia como um tipo de vigia. Como ficava no alto, a casinha oferecia uma bela vista para o céu, tendo a vila como a base. Urânia ficou encantada.
– Sísifo, esse lugar é tão belo! – admirou ela, ainda extasiada com a surpresa.
– É, por isso lhe trouxe aqui, Urânia. – ele não sabia se o comentário seria entendido, mas corou do mesmo jeito ao dizê-lo.
Urânia sorriu para o cavaleiro, entendera o comentário. Sísifo era tão adorável que, às vezes, nem parecia ser um dos cavaleiros mais temíveis de Athena. Seu semblante, por mais firme e poderoso que se mostrasse, deixava transparecer – pelo menos para ela – uma sensibilidade incomparável. Além de perceber as bochechas avermelhadas dele na presença dela.
– O que está fazendo? – Sísifo perguntou curioso ao vê-la franzindo a testa e fitando as estrelas.
– Estou tentando ler... – respondeu, sem desviar o olhar. Sísifo achou graça, estava tão bonita fazendo careta.
– Está tentando ler...?
– A sua constelação. O brilho está mais agitado. Quase pede atenção... – ela sorriu, dessa vez para ele. O sagitariano logo corou; claro que estava agitada, ele estava agitado, ele queria a atenção da musa... Mas talvez não tivesse nada a ver com isso. – E então? Consegue me falar algo? – perguntou ela, aprofundando o olhar nele.
– Não me atrevo a dar palpites acerca de algo que faz tão bem, senhorita. Na verdade, o que me atrairia nisso tudo é sua leitura sobre mim... – disse ele, aproximando-se dela. Tudo era tentativa.
– Por mais que leia bem, prefiro confirmar qualquer leitura ao longo do tempo, Sísifo. Portanto, ainda não direi o que queres ouvir. Mas sua objetividade está falha, cavaleiro. – Urânia virou o corpo para ele, que a admirou de cima para baixo.
– Por que acha isso? – Sísifo se aproximou um pouco mais, controlando a respiração que queria acelerar.
– Porque algumas coisas que diz não compactuam com a calma que falta no interior de sua constelação guardiã. Algo está te despistando, Sísifo...
– A calma que falta?
– Algo está te agitando...
Segundos depois, perceberam que se encontravam muito próximos um do outro. Apenas atraídos pelas palavras, os dois mergulharam numa troca de olhares profunda.
– Você tem ideia do que seja, Urânia?
– Talvez, mas poderia provar que estou errada quanto à sua objetividade dizendo-me o que te agita... – a voz um pouco falha dela denunciou a influencia que aquele homem tinha nela. Sísifo sorriu.
– Quer que eu diga, mas já me lê tão bem. Preciso dizer mais alguma coisa? – perguntou, vitorioso. Via o quanto a musa estava alterada em sua presença. Logo ela, Urânia, musa as astronomia, uma das mais sérias e seguras, encontrava-se com um olhar diferente. E Sísifo conhecia aquele olhar, recebera muitas vezes de outras mulheres, mas nunca correspondera.
– Diga, cavaleiro. – Urânia mais séria, precisava se recompor.
– Farei melhor. – Sísifo, então, puxou a musa para si e a beijou.
Delicado, porém cálido, o beijo se desenvolveu, incentivando as suas línguas a se explorarem. A áurea celestial da musa os envolvia e transformava o momento em algo mais intenso do que era, Sísifo sentiu seu interior explodir de felicidade. Precisava beijá-la e tocá-la, queria ficar o mais próximo dela possível. Urânia quase do mesmo jeito, desejava aquele beijo, queria conhecê-lo.
Sísifo aproveitou para deslizar os dedos pelo braço macio dela, até chegar na mão que segurava seu rosto. Sentia o carinho que ela queria passar e a delicadeza de cada fragmento que consistia seu beijo.
– Muito objetivo, cavaleiro. – disse ela, ao afastarem os lábios em busca de fôlego. Mantinham-se abraçados e se olhando, havia um brilho correspondente entre eles. Novamente, beijaram-se.
Rapidamente, Urânia se afastou após sentir um arrepio na espinha.
– Está tudo bem? – perguntou o sagitariano, preocupado.
Urânia parou para observar o cavaleiro que a beijara segundos atrás, tão lindo e seguro, totalmente diferente do cavaleiro que aparecera em sua mente no momento do beijo. Sim, havia um cavaleiro em sua mente naquele momento, um que a beijara há tempos atrás e que há muito não aparecia em suas lembranças...
~
Clio, Degél e Kárdia mantinham-se entretidos com as atividades que ocorriam na praça, por mais que a concentração de barraquinhas de comidas não fosse lá – o que fez com que Kárdia saísse, várias vezes, de perto dos dois para comer. Numa dessas saídas, Degél aproveitou para conversar com Clio sobre sua observação anterior. Percebera a musa incomodada quando citaram Dionísio e viu quando ela bradou sobre um possível incômodo para com os deuses. De imediato, a curiosidade do aquariano passou a existir.
– Clio. – chamou ele. Os dois estavam sentados num banco, o qual era iluminado, principalmente, pela luz da lua.
– Sim? – ela se virou normalmente para encará-lo. A expressão neutra amenizada o efeito de seu olhar profundo, algo que Degél estranhou.
– Perdoe-me a ousadia, mas gostaria de entender o motivo de seu tom ao se referir aos deuses mais cedo... Senti algumas sugestões. – o cavaleiro corou levemente ao proferir as palavras, mas, antes de repensar, percebeu que já as havia dito. Clio não se surpreendeu com a curiosidade; pelo contrário, esperava que ele chamasse esse assunto. Por mais que o tempo ainda fosse curto, ela sentia que Degél era mais observador do que o esperado.
– Nãp há porquê pedir perdão. Na verdade — ela baixou a cabeça -, talvez eu devesse fazê-lo. Acabei emanando uma energia ruim por conta daquilo, não queria envolvê-los nisso.
– Há em que nos envolver? – ele perguntou cada vez mais curioso. Não conseguia tirar os olhos dela.
– Não, não há. É algo muito pessoal. Uma opinião, na verdade. Uma opinião que vejo quase como um fato... – levantou a cabeça no intuito de fitar a bela lua, fazia tempo que não se sentia tão bem recebida num local. Como pôde deixar isso passar por míseros segundos?
Degél a observou atentamente, a musa parecia compenetrada numa batalha dentro de si mesma, a testa franzida sugeria um leque de preocupações na mente dele. Ele, então, ajeitou os óculos e entendeu o que poderia fazer para que ela compartilhasse o pensamento. Por mais inspiradora que fosse, talvez a musa também precisasse se inspirar, e ele usaria disso para tentar entendê-la.
– No âmbito pessoal, então, gostaria de sua opinião. Sua crença lhe permite prever bons resultados para suas tentativas de me unir com ela? – a pergunta certeira fez com que Clio se virasse rapidamente para ele. Certamente, ele pôde ver o brilho nos olhos dela novamente.
Claro que Clio entendera a pergunta e a quem ele de referia como “ela”. A musa acreditava na inteligência do aquariano, mas ele se mostrava cada vez mais genial, pois sacara sua intenção de apoio a qualquer junção dele com Redka sem ter que falar muito. No fim, lançou um olhar sem graça para ele junto com um sorrio.
– Incrível... Como me leu tão bem? – perguntou ela, que já havia entendido a jogada de cumplicidade dele naquele momento.
– Acho que nós dois nos lemos muito bem... – ele sorriu tímido para ela e ajeitou os óculos novamente.
– Sobre a crença... Bom... Não sei dizer, prefiro mantê-la para mim a exibi-la para os outros. – Clio fitou o céu. — Até porque é comum, eu sei, vocês humanos se revoltarem com os deuses. Às vezes, eles nem percebem a irresponsabilidade que há em deixá-los assim – suspirou profundamente, sem desviar o olhar. –, e nem que todas as suas glórias são alimentadas pela crença humana... – dessa vez, baixou o rosto para fitar Degél, que a olhava seriamente. – Quando há paz, é fácil perceber onde há o desgosto nessa crença, mas o ser humano ainda o faz porque é uma questão política. Você louva um deus para não ser castigado por ele caso o ignore. Simples e triste.
Degél não sabia o que dizer. Ao mesmo tempo em que estava impressionado com a colocação da musa, estava refletindo sobre a realidade daquelas palavras. Faziam o total sentido. Os dois permaneceram se olhando, como se compartilhassem a mesma leitura através do pensamento. Um ar de cumplicidade unia os dois, uma nova amizade havia nascido ali. E, depois de Clio abrir sua mais valiosa opinião, só poderia esperar uma boa aliança com o aquariano.
– Oi, Clio! – uma voz conhecida os interrompeu. – Trouxe o suco de pêssego que você queria provar. – Kárdia entregou o suco para ela, que o pegou lentamente. O escorpiano estranhou o comportamento dela. – O que diabos vocês andaram bebendo pra estarem com essas caras?
A única resposta dos dois foi um sorriso tranquilo para Kárdia, que continuou confuso.
~
Sasha, através do cosmo, comunicou-se com os cavaleiros para que se reunissem onde ela se encontrava, assim poderia retornar ao Santuário. Como já estava tarde e algumas barraquinhas já se desfaziam, a deusa achou melhor se recolher, até porque a agitação do evento a havia cansado e, por mais agradável que fosse tirar a mente das atuais preocupações, outras responsabilidades requeriam sua presença.
Calíope, Dohko, Shion e El Cid estavam ao lado de Athena. Calíope e Shion acabaram passando um bom tempo conversando. Clio, Kárdia e Degél foram os primeiros a chegar, seguidos de Urânia e Sísifo, que se mostravam mais corados que o normal; depois Tália e Terpsícore se apresentaram saltitando, chamando a atenção de Manigold, que logo apareceu admirando-as. Defteros também apareceu em seguida, havia seguido Terpsícore pelo resto da tarde depois que se separaram, mas não deixou que a musa percebesse. Régulus e Hasgard demoraram um pouco, mas chegaram com duas caixas de kurabie – para a alegria dos outros. Apenas uma pessoa faltava...
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– Com licença? – Mel entrou com cuidado na loja de flores de Redka, que já era preparada para fechar.
A voz amena da musa logo foi ouvida pela florista que se apresentou imediatamente. Melpomene sorriu ao vê-la e Redka retribuiu.
– Olá, Melpomene! – cumprimentou simpática. – Veio me dar tchau? Digo porque Clio e Degél acabaram de fazer. – corou levemente ao lembrar-se do beijo demorado que recebeu na mão pelo aquariano.
– Sim! Vim também porque queria levar uma flor, mas agora me lembrei de que não tenho dinheiro. – desanimou-se com o fato. Tinha pensado em tudo para o desfecho de sua noite com tanto carinho... Redka riu alto.
– Deixe disso, musa da tragédia! Não precisa me pagar, adoraria lhe presentear com uma flor, é só escolher! – disse animadamente a ruiva, abrindo os braços para que a musa se sentisse à vontade.
– De verdade? Oh, Redka, agradeço muito! – os olhos de Mel brilharam. – Preciso de ajuda, acredito que não conheço nem metade das flores que tem aqui.
As duas caminharam num corredor um pouco maior enquanto Redka esperava Mel se decidir. A ruiva falou um pouco sobre algumas flores que chamaram atenção da musa, mas nenhuma ainda era o bastante. Por fim, Mel opta por uma flor-de-lis.
– Boa escolha, essa flor é o símbolo do poder, honra e lealdade, bem como de pureza do corpo e da alma. – Redka disse, observando o olhar romântico da musa para com a flor.
– Então é essa. – Mel disse, sem desviar os olhos da flor vermelha.
Ao passarem por outro corredor para contornar a loja e chegar à saída, Mel percebeu um recipiente grande de vidro mais afastado das outras estantes, nele havia uma espécie de flor totalmente diferente das outras vistas. A cor era um vermelho mais claro que, em degrade, tornava-se mais claro ainda; a pétala parecia muito espessa e tinha uma beleza perigosa. De certa forma, sua cor lembrava sangue. Mel ficou maravilhada.
– Que flor é essa? – os olhos curiosos logo a fizeram se aproximar.
– Cuidado, Melpomene, não se aproxime tanto. É uma planta muito venenosa a Antúrio. – Redka comentou preocupada, a última coisa que queria era que a musa se machucasse por sua negligência.
– É tão bela... – a musa se afastou um pouco por pedido da amiga.
– É sim. – Redka sorriu, geralmente seus clientes menosprezavam as plantas venenosas. – Crio Antúrio por pura admiração, assim como Dedaleira, Hortênsias, Lírios-do-Campo e Narcisos. – informou orgulhosa. Realmente, a florista tinha orgulho de suas protegidas flores, aceitava todas as espécies e se encantava ainda mais quando eram diferentes e excêntricas. – Adoraria criarOleandro, mas é considerada a planta mais perigosa do mundo, então prefiro me especializar um pouco mais nesses cuidados para poder tornar essa criação possível.
– Incrível, Redka, realmente admirável. Adoraria conhecer as outras plantas venenosas! – Mel sorriu, apertando sua flor-de-lis da mão.
– Apareça quando quiser, elas adorarão companhia. – as duas riram com o comentário e depois se despediram.
Mel se juntou apressadamente aos cavaleiros e musas e acabou recebendo olhares desconfiados. Athena apenas sorriu graciosamente para ela e depois iniciaram a volta para o Santuário.
Na última das doze casas, novamente Mel ficou para trás. Claro que era sempre proposital, e Albafica já havia percebido.
– Boa noite, senhorita. – Albafica cumprimentou de longe, com a voz cordial de sempre.
– Boa noite, cavaleiro. – Mel corou na hora.
– Espero que o evento tenha lhe agradado.
– Sim, agradou-me muito, mas teria me agradado mais se sua companhia tivesse sido possível... – por mais que se reprovasse na ousadia das palavras, a musa não parou.
Albafica virou o rosto, de forma que ela não pudesse vê-lo sorrir com o comentário. O sorriso não era de todo alegre, havia uma tristeza por não poder mudar o fato.
– Perdoe-me, mas terá de ser assim. Vejo que minha rosa ainda a acompanha... – disse assim que viu a rosa que havia dado para ela na mão pequena da musa. A outra mão estava escondida nas costas.
– Sim, agradeço muito, e, para lhe fazer companhia nessa noite agradável, trouxe uma companhia também... – ela jogou a flor-de-lis enquanto sorria. Albafica pegou a flor com cuidado e a admirou, reprimindo um sorriso.
– Que bom gosto, senhorita, eu...
– Não, não falemos mais, apenas boa noite... – ela o interrompeu, saindo da casa. – Albafica. – e sorriu para si mesma.
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