EmMusas - The Lost Canvas

50 As palavras que guardei


Notas iniciais
Olá, queridxs leitorxs! Não tenho muito o que falar por aqui hoje, mas quero agradecer todos os comentários e diversos apoios que vocês têm me dado na fic, gostaria muito de conhecer alguns leitores fantasmas também e tals hahaha Gente, não mordo, só se o Defteros me pedir. Enfim, hoje tem o início de um babado que vai rolar em breve, além de um pouco mais de informação sobre Erato! Espero que vocês gostem! Ah, eu sei que eu ando dividindo os momentos pra caramba, mas é que, poxa, são, por enquanto, sete musas pra narrar, então assim..... Cooperei, cooperou. hahaha Boa leitura!

Capítulo 50

– É aquele ali?

– Não.

– E aquele ali?

– Não.

– Hmm... Ah, já sei! É aquele ali do lado, sem camisa!

– Não, Erato. E ali há mais de um sem camisa.

– Uff, você me pegou. Garanto que é aquele ali de cabelo verde...

– Nops.

– Terpsícore, quem é o seu cavaleiro?! – Erato perguntou, sem mais paciência.

As duas tinham ido até a segunda arena dos cavaleiros de Athena, onde alguns cavaleiros de ouro treinavam, por vezes, sozinhos ou com seus pupilos. No entanto, Defteros ainda não tinha aparecido, por isso Terps pensou que, talvez, ele estivesse perto do rio, onde o viu uma vez treinando Tenma. Sentiu frustração, porém. Tinha chegado ofegante até aquele espaço especificamente, mas perdeu a respiração ao constatar a ausência do geminiano logo quando precisava tanto vê-lo.

Erato, por outro lado, permitiu-se fitar cada pedaço exposto dos cavaleiros que ali treinavam, sem se importar com o material de suas armaduras. Ela não compreendia perfeitamente o que envolvia o conceito daqueles cavaleiros, mas era possível sentir a intensidade de seus cosmos. Além disso, todos pareciam extremamente compenetrados, com objetivos destacados em seus olhares ferozes, e com o suor escorrendo no corpo como resposta aos esforços árduos. A musa logo sentiu a inspiração fluir em seu interior, principalmente por vê-los com um olhar meramente sensível, proporcionado pelo embalo de sua representação (a poesia lírica e erótica).

– Você tem certeza de que ele está aqui? – Erato perguntou, sem desviar o olhar de uma dupla de cavaleiros de prata que lutava.

– Sim, sim. Mas às vezes ele se esconde... – Terps respondeu, num tom de reprovação. Repentinamente, observou o sorriso brilhoso da irmã. – Não está assustada com tamanha violência?

– Não, acho bonito. É algo brutal, rude, mas o que há por trás é bonito. Talvez seja isso que transforme esse treinamento em algo atraente. – Erato deu um passo à frente. – Vê? Eles se esforçam muito, mesmo sem ter certeza do resultado que virá, mas isso porque têm um objetivo que abraçam fortemente. Talvez a essência de ser um guerreiro seja essa, não?

– Você... Pensou tudo isso apenas agora? – Terps mal acreditou nas palavras de Erato. Mas, no fundo, não era tão inacreditável assim, considerando que era uma das musas mais criativas e românticas de todas e que conseguia ver além do que os olhos podiam mostrar.

– Não exatamente, não falo apenas dos guerreiros de Athena. Fico um pouco incomodada por julgá-los, porque, independentemente de vê-los em ação, nunca saberei, de verdade, o quanto eles se esforçaram para fazer o que fazem. É um resultado cujo processo é um pouco despercebido por aqueles que dele usufruem. Ou seja, os humanos nunca saberão da realidade dura que há por aqui, mesmo que sejam salvos por ela. – as duas ficaram em silêncio por alguns instantes. Erato apenas observou os cavaleiros, como antes fez, porém sua irmã permaneceu com os olhos em si. – Enfim, é só o que eu penso... Pare de me olhar assim, Terps. – e riu, graciosamente.

– Desculpe-me, eu só... Achei bastante intenso de sua parte.

– Talvez seja o Santuário me mudando. – as duas riram em cumplicidade.

– Tão cedo... – no instante em que Terps se virou para o centro da arena, avistou de longe quem tanto queria ver. – É ele...

Erato percebeu a mudança de tom na voz da irmã, assim como o brilho em seus olhos e o rubor em suas bochechas. Até os poucos pelos do corpo da irmã se arrepiaram intensamente e um suspiro foi solto logo em seguida. De fato, o fenômeno que rondava o interior de Terpsícore, e que desencadeava essas atitudes desconhecidas para quem observava, era o amor. Só podia ser. Erato consequentemente sorriu pela irmã e depois se virou para ver o belo grego bronzeado — sem camisa, com os cabelos azulados e compridos movimentando-se de acordo com o corpo bem trabalhado — caminhar até onde estavam. Um arrepio desceu-lhe a espinha ao perceber o semblante assustador dele em contraste perfeito com a expressão suave de sua irmã. Acabou achando graça e constando que, provavelmente, a relação era excêntrica. De repente, também, foi mais fácil perceber o motivo de Clio brigar tanto com Terps, porém Erato discordava disso. Contanto que sua irmã estivesse feliz, tudo bem.

Defteros se aproximou com um olhar indagador, porém nada disse de mais; em vez disso, pegou, com certo cuidado, o antebraço de sua musa e a puxou, de início, lentamente, soltando um “licença” para a musa ao lado. Erato não se opôs, apenas sorriu para Terps e se afastou rindo, pois era realmente estranho o fato de sua irmã ter se apaixonado por um cavaleiro grosseiro. No entanto, não se importou, só seguiu até o outro lado, onde os cavaleiros, que antes observou, estavam lutando.

Terps, arrepiada com o toque quente do geminiano, arfou involuntariamente e, em resposta, recebeu um olhar malicioso, juntamente a um sorriso, cujo canino atraiu seu olhar na hora. Mal sabia ele o quanto tal sorriso alimentava formigamento em seu ventre.

Defteros, rapidamente, abraçou a musa para lhe falar próximo ao ouvido esquerdo:

– Me espere na Casa de Gêmeos à noite. Dê seu jeito. – maldita voz grave e sensual que intensificou o deleite de Terps.

Em seguida, ele a soltou com calma e se virou para seguir até a fonte, enquanto ela fez o mesmo, mas em direção à Erato.

No outro lado da arena, a musa da poesia lírica chamou mais do que atenção dos dois cavaleiros de prata que treinavam. Apesar de estar timidamente posicionada, foi o bastante para ser apreciada. Os dois cavaleiros se aproximaram com um pequeno sorriso no rosto.

– Olá, senhorita. – um deles cumprimentou, num tom educado. Erato corou levemente.

– Olá!

– Não está incomodada por causa do Sol? Aqui nessa área é difícil encontrar uma sombra, como pode ver. – o outro cavaleiro disse.

– Ah, não, tudo bem. Eu até gosto do sol quentinho. – devolveu, com um sorriso adorável. Os dois engoliram seco diante do semblante meigo da musa, cuja roupa também chamou atenção. Um deles riu nervosamente.

– Nossa, alguém que aprecia o Sol daqui não deve ter muito acesso ao Santuário. – o cavaleiro coçou a nuca, meio constrangido.

– Você está certo, é o meu primeiro dia aqui.

– Sério? – os dois se fitaram. – Ah, espere! Você é uma das musas que chegaram hoje cedo? – Erato assentiu, rindo. – Desculpe-nos, nós não fomos apresentados a nenhuma porque-

– Porque não é necessário, já que não precisarão cuidar de quem passa pelas casas zodiacais, não é mesmo? – uma voz diferente foi ouvida entre os três. Erato a sentiu atrás de si e, ao ver a expressão dos dois cavaleiros mudar para uma mais preocupada, virou-se rapidamente.

– Oh, você. – ela disse, normalmente. Reconheceu o cavaleiro mais baixo dos de ouro que conheceu horas antes.

Régulus a fitou timidamente. Não acostumado com os olhos avermelhados e provocantes da musa, desviou o olhar para mirar os dois cavaleiros de prata:

– Vocês não deveriam estar treinando?

– S-Sim. – um deles respondeu.

– Ehh... Não infle tanto esse peito, pirralho de ouro. – brincou o outro, mas, em resposta, não recebeu a reação que queria. Régulus praticamente rosnou, enquanto seu rubor enfatizou sua expressão de constrangimento.

Os dois cavaleiros de prata se retiraram sem cerimônia, dando apenas um aceno de cabeça como fim do encontro com a musa, que devolveu junto a um sorriso sincero. Erato não demorou em fitar o cavaleiro que permaneceu ao seu lado:

– Você foi um pouco rude com eles, não?

– Eles deviam treinar em vez de importunar os outros.

– Que resposta estranha. Você acabou de importuná-los. – Erato deu um passo à frente e percebeu que foi acompanhada.

– Mas eu preciso fazer isso. – Régulus falou, sentindo um leve ferimento em seu orgulho.

– E não precisa treinar também?

– Já treinei por hoje. – respondeu, profundamente incomodado. Não foi assim que imaginou o primeiro contato com aquela musa.

– Sei... – Erato continuou caminhando, sem olhar para o leonino. – A propósito, qual é o seu nome mesmo?

– Você... Você sequer lembra o meu nome? – Régulus precisou parar para poder expressar sua incredulidade. Era só o que faltava.

– Espere um momento! Vou lembrar... – a musa levou um dos indicadores à boca, enquanto mirou para cima, como quem pensava em algo. – Régio... Não, Régato... Não, não... Droga. – sinceramente, não se lembrava do nome.

Régulus já estava impaciente. Como foi que ela se esqueceu de seu nome tão tranquilamente? Aliás, como abordou isso sem menor importância? Perguntou como se fosse algo normal de acontecer!

– Régulus! – os dois disseram ao mesmo tempo. Ao contrário de Erato, que riu, o leonino ficou surpreso. Por mais que quisesse se indignar com a demora, sentiu um leve alívio na alma ao vê-la rir. Foi como se a situação tivesse acontecido apenas para descontrair o momento.

– Me desculpe, guardo tanta coisa na cabeça que, às vezes, elas se embaralham e me confundem! – Erato falou com tanta graciosidade que acabou arrancando um sorriso do rapaz.

– Tudo bem. Acho que acontece... – coçou a nuca, bagunçando um pouco o cabelo castanho. – Mas o que posso fazer para que você não esqueça mais?

A atmosfera lúdica, rapidamente, transformou-se em algo mais sério, porém não num sentido desagradável. Ambos trocaram um olhar tranquilo.

– Eu gostei dessa arena... – ela respondeu, num tom insinuante, virando-se de costas para ele.

Régulus compreendeu – ou pelos achou que sim. Talvez, ela fosse o tipo de pessoa que não gostasse de respostas mais diretas e que, assim como ele, enxergasse infinitas interpretações em frases curtas. Se ela estava dando a chance de usar aquelas palavras da forma que ele queria, não ousaria em abusar da imaginação. Obviamente, continuaria treinando naquela arena, já que, nas entrelinhas, compreendeu que ela passaria mais vezes por ali.

– Bom passeio, senhorita. – ele desejou, ao vê-la mais distante indo em direção à Terpsícore.

– Antes, — Erato se virou rapidamente, andando de costas. — você se lembra do meu nome?

– Claro que lembro. – respondeu logo. — Quer que eu diga?

– Não. – ela sorriu, com docilidade indescritível. — Eu acredito em você, Régulus.

E acreditava mesmo, pois não tinha como desconfiar daqueles olhos que, apesar de ferozes, demonstravam uma tímida gentileza, inibida por um engraçado orgulho.

~

Anoitecer, Praça Principal da Vila de Rodório.

Redka girou a chave para trancar a porta de sua loja. Tirara um tempo específico para se arrumar, já que esse seria o primeiro jantar com Degél, portanto optara por um belo vestido preto de caimento sutil na saia e decote discreto. A cor valorizou bastante seus cabelos ruivos, por isso decidiu por ele – inclusive por saber que o aquariano tinha gosto por essa parte de seu visual comum.

Checou rapidamente se tudo estava em sua pequena bolsa de couro até sentir uma carícia singela na nuca, típica de um movimento que ela conhecia bem, por isso se virou com um sorriso no rosto.

– Boa noite, Degél. – um rubor tomou conta de suas bochechas, enfatizando a presença das sardas charmosas.

– Boa noite. Está linda. – disse, meio sem jeito, sem tirar a mão dos cabelos macios dela.

– Obrigada... – quis adicionar um elogio a ele, mas travou inesperadamente. – Aonde vamos?

– Como está bastante quente hoje, pensei em ir a um local aberto. Se importa? – puxou-a delicadamente para si, depositando, em seguida, um beijo na testa coberta pela franja.

Redka riu nervosamente e perguntou:

– Dora?

– Dora. – Degél se permitiu rir baixo.

Não demoraram em chegar no recinto da amada senhora, que os recebeu com um sorriso acolhedor e dois braços abertos, fazendo questão de abraçar cada um com a força acumulada pela saudade. Obviamente, o clima do espaço era de total conforto e felicidade, sempre enfatizado pelo semblante alegre e receptivo de Dora. Degél fez questão de escolher uma mesa um pouco mais afastada do restante e próxima à mureta que delimitava o local. Como seus costumes de cavalheiro, puxou a cadeira para Redka sentar e logo se pôs à sua frente. Como a mesa era pequena, não teve problema em tocá-la.

– E então, meus adoráveis pombinhos, o que vão querer hoje? Já posso trazer o vinho, né? – Dora perguntou, animadamente, mas mal deixou um deles responder. – Ah, senhor Degél, vou cobrar por esse atraso, viu? Como é que tu me traz essa senhorita só hoje? Eu aqui morrendo de saudade dela. – fez um beicinho.

– Ehh... – Degél até ia responder, mas foi cortado pela senhora novamente.

– E você, senhorita – virou-se para Redka, que sorria constrangida. -, não pense que fugiu do caso, não. É igualmente culpada por me deixar aqui sem sua presença. Tô anotando esses furos mentalmente pra descontar depois! – num tom brincalhão e alto, Dora enfatizou sua fala. Acabou rindo ao ver as expressões surpresas e encabuladas dos dois. – Ah, vocês, minhas crianças, fico feliz que estejam aqui! É isso que essa velha quis dizer!

Redka riu escandalosamente diante da reação teatral da senhora, levando a mão à boca no intuito de diminuir a atenção; enquanto Degél se permitiu sorrir e rir baixo, um pouco mais contido.

– Olha outro que tá rindo agora! – mas Dora pescou aquela pequena “falha” do aquariano. – Tô gostando de ver vocês rindo!

– De quem mais está falando, Dora? – ele questionou, meio confuso e se recompondo. Redka, porém, nem se importou, riu mais ainda.

– Ah, daquele capricorniano safado que não trouxe mais a senhorita Clio pra me ver! Aliás, você e Kárdia fizeram essa gentileza pra mim, até ofereço a segunda taça por minha conta, querido. – tagarelou ela.

– Permita-me corrigi-la, Dora. Clio veio por si só, mas fizemos companhia a ela depois. – Degél só fez tal colocação por medo de que Redka entendesse errado as suas intenções no contexto que Dora citou.

– Ehh, isso não importa, querido. Até parece que Redka ia sentir ciúme de algo assim, não é, querida? – Dora se virou para a ruiva, que assentiu sinceramente. Ora, Dora sempre sacava de tudo e Degél, por vezes, esquecia-se disso. – Tá, chega de papo, vou trazer as taças e o que mais?

Após o pedido completo, Dora se retirou e voltou rapidamente com duas taças de vinho até a metade. Quando as colocou na mesa, lançou um olhar carinhoso para o casal e se retirou, quase saltitantemente. Era alegria demais para conter.

Degél e Redka brindaram por pura convenção, pois não sabiam muito bem como agir naquela ocasião inicial. Logo se envolveram em uma conversa, na qual se atualizaram dos cotidianos diferenciados.

– E então tive que trazer um pouco mais dessas venenosas. Ainda bem que foi fácil encontrá-las por mais barato na viagem. – Redka finalizou a fala.

– Hm... – Degél bebericou o vinho. – E por que você precisou pegar mais das espécies venenosas? Pelo que sei, você não as vende com facilidade.

– É, eu quase não as vendo realmente. Mas eu precisava – a ruiva parou. Por um segundo, quase revelou a verdadeira utilidade que as venenosas, ultimamente, tiveram. – para uma pesquisa maior.

– E você precisou aumentar a quantidade? – perguntou, sem muita importância, aparentemente. Apesar disso, Redka estranhou.

– Não exatamente, mas fiz alguns experimentos com uma grande parte e acabei reduzindo a quantidade das que tenho. Além disso, você sabe o cuidado que tenho com elas, não?

– Sei. Por isso mesmo estou estranhando. Que tipos de experimentos você andou fazendo? Posso saber? – novamente bebericou o vinho, porém, dessa vez, sem desviar o olhar do dela.

– Ah, eu... – Redka não quis mentir, ocultar a verdade de Degél a deixou incomodada desde o início, mas a necessidade de cobrir Mel sempre bateu mais forte. No entanto, ela sentia que o limite dessa ocultação estava perto...

– Redka. – o tom levemente autoritário com que Degél proferiu o nome a fez estremecer. – Nem pense em mentir. É bastante óbvio que algo lhe perturba. E eu gostaria de saber.

A ruiva olhou aqueles olhos recheados de preocupação e, lá no fundo, sentiu-se tremendamente mal. Colocando-se no lugar dele, exigiria a mesma coisa se percebesse uma mudança evidente de comportamento – o que provavelmente o fez constatar tal incômodo. Entretanto, a coragem de desafiar o parceiro era um ponto questionável. Talvez ele não entendesse se contasse.

– Há algo me incomodando sim... Mas não me diz respeito. – Redka pegou uma mecha do cabelo e enrolou-a várias vezes até suspirar. – Então não acho apropriado contar. – em momento algum, ousou fitar o olhar do aquariano novamente.

– Redka, olhe para mim. – precisou puxá-la delicadamente pelo queixo para que obtivesse a atenção. – Dependendo da ocasião, impor-se é necessário. Se isso está tirando-lhe o sono, então, provavelmente, não é algo bom, portanto você deve agir.

– Mas eu não sei como, sinceramente. É um dilema e tanto. Pode ser que eu decepcione alguém... E eu entendo o que envolve esse caso, porque-

– E quem está envolvido também deve compreender que um segredo maior pode fazer mal a você. – Degél interrompeu sem cerimônias, mantendo um tom sério. – Está encobrindo alguém, não está? Você sabe que pode compartilhar comigo. Não vou lhe julgar.

E ela sabia. Sabia que poderia falar para ele e que provavelmente conseguiria encontrar uma solução logo em seguida. Sabia que ele não a julgaria e que compreenderia o envolvimento de uma amizade nessa ocasião tão arriscada. Sabia que Mel não ficaria brava se compartilhasse o segredo com seu amor, pois, de certa forma, ela estava encobrindo um segredo para o amor de Mel. Era uma troca, porém na qual as duas poderia se prejudicar. Entretanto, no fundo, Redka já estava num nível de desespero por não saber mais que fim Mel procurou para se manter longe de si por tanto tempo. Queria notícias e, acima de tudo, boas respostas diante de sua preocupação. Talvez se abrir para Degél, seu único amor, pudesse ajudar em algum âmbito de sua angústia.

– Mel está se envenenando para poder desfrutar da companhia de Albafica. E eu ajudei e ajudo-a a elaborar elixires para que beba periodicamente, porém, quando ela se sente mal, aumentamos a dose. Por isso, estou preocupada. Ela não tem voltado. E mesmo sabendo que está tudo bem, sinto vontade de conversar com ela a respeito disso. Sinto-me inútil de alguma forma; sobretudo, culpada por ter colaborado com isso desde o início. Mas eu entendo ela e entendo o desespero diante de não poder ficar com quem gosta, por isso não me arrependo. – Redka disse tudo de uma vez. Se fosse para falar, que falasse tudo e logo. No entanto, sentiu o arrependimento de sua falta de escolha oportuna de palavras assim que percebeu o semblante chocado de seu amado aquariano.

Notas finais
POIS É, pooooois é, gente, pois é! Redka, não enfarte! Beijos, amores! Deixem os comentários do coração