Em um novo lar
4 Ele está doente
Peter olhava fixamente para a parede. Tudo parecia estranho e sem sentido. Em sua cabeça a única coisa que vinha era o corpo de May na cozinha e a voz que dizia sempre: É sua culpa, Peter. Você não impediu isso.
Ele tremia, foi ficando cada vez mais difícil respirar, seu coração começou a acelerar, suas mãos começaram a formigar e ele estava muito suado.
Peter agora estava deitado no chão e tentava desesperadamente tomar ar.
Steve preparava a comida para o menino que agora se encontrava em seu quarto descansando. De repente o homem ouviu um barulho no andar de cima e isso o preocupou.
— Peter! — Ele chamou, mas não ouviu nenhuma resposta, então, correu e abriu a porta e encontrou o garoto suado e encolhido no chão.
O garoto tentava a todo custo conseguir ar.
O soldado foi até Peter e o pegou no colo e carregando até a sala e o colocou no sofá.
Steve começou a procurar ás chaves do carro de Tony e o seu celular. Peter voltou a respirar, mas em seguida ele vomitou por todo o cômodo.
Quando pegou tudo que precisava, levou Peter para a garagem e o colocou dentro do carro. Ele acelerou o carro, pois queria chegar o mais rápido ao hospital.
Steve estava muito preocupado com o menino. Seu estado emocional já não estava bom. A dias não dormia, não saía seu quarto ou conversava ( O que já deixava Steve e Tony alertas, pois o garoto era extremamente comunicativo). Ele também não comia sozinho ou se quer mostrava interesse em alguma atividade.
Às lágrimas de preocupação caíam pelo rosto do soldado, ele queria Peter bem e saudável. Ele queria que o menino tivesse uma vida boa e feliz. Ele e Tony faziam tudo, mas nada fazia efeito.
Ao chegar no hospital o garoto foi atendido com urgência para fazer exames. Steve aproveitou para avisar Tony.
— Steve, eu estou ocupado
— Eu sei, Tony. Mas é urgente.
— O que aconteceu?
— Eu estou no hospital com Peter. Ele está muito doente, Tony. E... E-eu estou c-com medo, e-eu e Peter p-precisamos de v-você. — O Capitão estava soluçando e com a voz completamente embargada.
Quando chegou no hospital, Tony nunca imaginou que veria o Capitão América tão atordoado e pertubado.
O médico chamou os dois e os levou para uma sala reservada.
— Cadê o Peter? — Tony perguntou.
— Ele está bem. Demos alguns remédios para ele e agora ele está dormindo. — O médico falou calmamente. — Meu nome é Doutor Magnus Palmer e eu queria conversar com vocês sobre Peter.
— O que ele tem é muito grave? — Steve estava muito preocupado.
— Talvez. — O médico respondeu. Tony começou a olhar para o homem, prestar atenção ao que ele dizia. Ele era calmo, tinha uma aparência agradável, era um homem branco, seus cabelos negros tinham alguns fios grisalhos e seus olhos eram negros. O que chamou a atenção de Tony foi o crachá que o fez temer a conversa que teria com o médico: Doutor Palmer, Magnus — Psiquiatra.
— Você é um psiquiatra. — Tony disse com preocupação.
— Sim, senhor Stark. — Doutor Palmer respondeu. — Eu queria saber se Peter passou por alguma situação muito pertubadora ou um evento muito intenso.
— A tia dele foi assassinada. — Steve respondeu segurando a mão de seu marido. — Ele encontrou ela morta quando chegou em casa após um dia com seus amigos.
— Ele mora com vocês a muito tempo? — O médico mantinha o tom da voz inalterada e pacífica.
— Não. Ele passou a morar conosco após a morte da tia à duas semanas. — Tony respondeu.
— O que Peter teve hoje foi um ataque de ansiedade. — O médico falou. — Tem mais alguma coisa acontecendo com ele, como: insônia, raiva, comportamento destrutivo, culpa...
— Ele não dorme direito, precisamos insistir para ele comer, tomar banho, tem se isolado, não tem falado muito e parece estar sempre assustado com algo. — Anthony listou para o médico.
— Peter está sofrendo de estresse pós traumático. — O doutor disse olhando para Tony e Steve. — Ele vai precisar de muita ajuda.
— O que devemos fazer? — Steve perguntou.
— Peter vai precisar tomar remédios e fazer acompanhamento médico. Vocês terão que acompanhar Peter e lhe dar toda a atenção e apoio possíveis. Tem a terapia familiar, onde vocês vão aprender a lhe dar com as situações. Também devem incentivar Peter a fazer atividades que diminuam o estresse. Ioga, meditação, entre outras. Não vai ser fácil, principalmente para Peter. Vão precisar de paciência e calma.
— Queremos o melhor para Peter. — Tony respondeu seguro. — Vamos fazer todo o necessário.
— Imagino que queiram ver o garoto, agora. — O médico os leva até o quarto onde se encontrava Peter. Ele estava dormindo.
O casal se sentou ao lado do rapaz que não demorou para acordar.
— Como se sente, Peter? — Steve perguntou fazendo carinho nos cabelos do rapaz.
— Bem... Eu acho. — O menino disse com a voz fraca.
— Vai dar tudo certo. Vamos cuidar de você e tudo vai melhorar. — O bilionário falou beijando a testa do garoto.
— Nada vai ficar bem... Ela está morta... E é culpa minha... E-eu não á salvei — Peter começou a chorar e o casal o abraçou.
— Não foi culpa sua. E não devia pensar dessa maneira. Você não tinha como saber ou como fazer algo. Você é um garoto que não tinha que csrregar esse peso ou sentimento de culpa. — Steve disse.
Quando teve alta, os dois homens o levaram para o McDonalds e depois foram comprar doces para deixar em casa. Pela primeira vez em dias, Peter estava calmo e não desejava estar morto. Ele estava normal, ainda não sorria ou conversava muito, só aproveitava o momento com Stark e Rogers. Por um tempo, mesmo que curto, ele esqueceu a morte da tia May e estava mais leve e tranquilo.
Quando chegaram na Torre, o resto dos Vingadores estavam lá e todos olharam para Peter com estranheza.
— Quem é o pirralho? — Bucky perguntou.
— Esse é o Peter, ele vai ficar com a gente. — Tony respondeu.
— Vocês se casam em uma semana e na outra voltam com um filho? Vocês não perdem tempo. — Natasha respondeu. — Senta aqui com a gente, pirralho.
Peter ficou sentado com Natasha, enquanto Steve e Tony foram até a cozinha.
— Esses são os remédios que ele tem que tomar. — Tony disse colocando os frascos na mesa. — Esses são os horários. — Ele entregou o papel com a dosagem e os horários que os remédios deveriam ser tomados. — Steve... — O menor o chamou.
— Sim, Anthony. — Steve disse enquanto lia.
— Eu estou com medo. Medo de isso fazer com que o juiz mude de ideia e decida dar Peter para outra família que estaja preparada para esse tipo de situação. — Tony olhava para Steve com os olhos cheios de lágrima.
— Não pense nisso... — Eles foram interrompidos por um barulho na entrada da cozinha. — Peter? Você está bem? — Steve perguntou para o garoto que estava chorando.
— E-Eu não quero ir para outra família. Eu quero ficar com v-vocês. — Ele disse chorando.
— Calma. — Steve se aproximou do garoto e secou as lágrimas dele. — Vai ficar tudo bem. Estamos aqui, não se preocupe com mais nada. — Eles escutaram um alarme de despertador.
— É o alarme dos remédios. — Tony disse. — Isso signica que você tem que tomar os remédios e ir dormir. — Peter, Tony e Steve foram para o quarto. O adolescente tomou um banho e se trocou de roupa. Quando saiu do closet, Steve e Tony o esperavam com os remédios. Peter tomou e se deitou. O casal ficou lá, e esperaram o garoto dormir para irem tomar banho e se deitarem ao lado de Peter.
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