Notas iniciais
Mais um... Boa leitura, espero que gostem !

A noite passou rapidamente e sem muitas interrupções, por incrível que pareça, consegui dormir bem, tia Jenna não desgrudou nenhum momento de mim. Pela manhã, o meu médico veio me avaliar junto com duas enfermeiras simpáticas. Ele não falou muita coisa, já era meio velho e um pouco carrancudo, disse apenas que por volta das 15:00 eu teria alta. Ao ouvir a notícia fiquei feliz, finalmente esse pesadelo de hospital iria acabar.

Durante o passar das horas, a manhã foi se arrastando, estava ansiosa demais por minha casa, pois por mais que minha situação não fosse de risco, é angustiante demais estar num quarto de hospital sem ter o controle de ir e vir quando quiser; sem falar que eu não conseguia tirar o Damon e o sonho que tive com ele na noite passada da cabeça. Estava tentando assistir a TV , quando o som do celular da Tia Jenna tocou interrompendo tudo, ela abriu um sorriso ao ouvir a voz do outro lado, quem seria? Não tinha a miníma ideia. Mas que aquilo me chamou a atenção, chamou. Tia Jenna não se envolvia com ninguém há muito tempo.

— Quem era ao telefone, Tia Jenna? – perguntei realmente interessada, sem medo de parecer invasiva.

— Então... era o Damon. –ela falou com um ar de riso, não entendi muito bem aquele tom na voz dela. Será que ela estaria flertando com ele? Como isso seria possível?

— Ué, o Damon te ligou? O que ele queria?

—Adivinha! Saber de você, né? — sorriu travessa me olhando nos olhos. _Ele está preocupado com você, Lena. Falei para ele que você teria alta logo mais e ele só faltou dar pulos de alegria, disse que assim que pudesse iria lhe visitar lá em casa. -tia Jenna fez uma careta engraçada ao pronunciar a ultima frase, porém não consegui rir de impeto como sempre fazia, pois tinha a plena convicção de que se o Matt descobrisse algo como aquilo, eu estaria completamente perdida.

— Quê? Como assim? Lá em casa, Tia? Não. ele não pode me visitar lá em casa, não faz sentido algum. –eu parecia que iria ter um treco a qualquer momento, se o Matt ficar sabendo disso ele vai me matar, o Damon não pode nem se quer cogitar em ir à minha casa, e por que ele iria querer ir lá? Caramba, ele já veio aqui! Já se certificou que estou bem, eu já o desculpei pelo acidente. Não há necessidades dele ficar de visitinhas. Ou será que?

—Querida, qual é o problema? Ele só quer fazer uma visita, e não vejo problema nenhum nisso, afinal você não tem muitos amigos. Seria bom conversar um pouco com ele, não acha?

—Não, Tia Jenna. Não acho. Isso é uma péssima ideia! O Matt...

—O Matt não vai dizer nada, Elena, eu estarei lá. Se for preciso eu explico a ele, não se preocupe.O Matt precisa parar de te prender tanto só a ele, entende? Isso não faz bem a você. Pensando melhor, independentemente, com toda certeza, conversarei com ele.

Meu Deus, e agora? Se o Damon aparecer na minha casa eu não sei o que será de mim, mas talvez com Tia Jenna conversando com o Matt, quem sabe ele não entenda tudo da maneira correta... Não. Eu conheço o idiota do meu namorado, ele nunca entende as coisas da maneira certa, sempre é tudo do jeito dele. "Porém, Elena, você precisa manter a calma. Apenas respire fundo." Repeti essas palavras para mim mesma umas quinhentas vezes.

O Jorge chegou por volta das 14:30. Jorge era o nosso motorista desde quando eu era pequena. Meus pais confiavam muito nele. No final do ano passado, um pouco depois da virada do ano, ele me pegou com o Matt próximo a piscina do meu apartamento numa briga daquelas e quando o Matt levantou a mão, ele o afastou de mim, eu congelei naquele momento, mas o cínico desconversou tudo, contudo, no fundo, eu sei que o Jorge não acreditou em nada.

Tia Jenna pediu para eu me levantar da cama que ela iria me ajudar a tomar um banho e trocar de roupas. Coloquei uma roupa leve, após o banho que, por sinal, foi horrível; não podia mover um dos braços e a perna esquerda, mas consegui sobreviver. De tudo, o mais complicado foi conseguir dar um jeito em meu cabelo, se não fosse a Tia Jenna teríamos uma mortiça saindo do hospital.

Não demorou muito e o meu namorado chegou no hospital, mas não subiu até o quarto, para meu alívio. Então, Tia Jenna pegou todos os meus pertences e colocou na mala, pedindo para a enfermeira pegar a cadeira de rodas. Nossa! Sair de um hospital numa cadeira de rodas era tudo que eu queria... Chegamos ao carro rápido, o Matt estava encostado na porta e assim que me viu saindo correu pra me ajudar. Em vez de só me dá apoio, ele me pegou no colo pra me levar até o carro. que ódio que eu sinto desse homem! Ele sempre faz um teatro na frente das pessoas, e todo mundo sempre acaba achando que somos um casal perfeito.

Ele me colocou no banco de trás da Land Rover preta do Jorge e sentou ao meu lado, Tia Jenna foi no banco da frente. A rua estava bonita, era uma tarde de quarta-feira, haviam poucas pessoas caminhando para lá e para cá, mas, em compensação, haviam muitos carros em movimento. Só de pensar que eu poderia ter morrido naquele acidente me faz sentir uma tristeza enorme, porém, ao mesmo tempo, seria um alivio para todo mundo, pois, finalmente, ficaria livre do Matt, e Tia Jenna e o Jeremy não sofreriam mais nenhum risco de vida.

Quando viramos à direita, consegui ver meu prédio, sendo esse imponente, alto. Lembro do dia em que o Papai e a Mamãe o compraram, eles estavam felizes e disseram pra mim e pro Jeremy que esse seria o nosso novo lar, e me entregaram uma cópia da chave, dizendo que eu já estava bem crescidinha e que já tinha responsabilidade suficiente pra isso, eu pulei de alegria... Nosso apartamento era espaçoso; a sala era belíssima com vista pro parque, a cozinha não era tão grande, mas, também, não era pequena, meu quarto e o quarto do Jeremy eram do mesmo tamanho, porém decorados do nosso jeito.

Pegamos o elevador, mais uma vez eu estava no colo do Matt, toda minha raiva era por não poder mudar aquela situação. Meu andar era o 16°, Tia Jenna passou a nossa frente para abrir a porta, o Matt me colocou em minha cama. Logo, minha tia veio atrás dele para me instalar direitinho, ela arrumou meus travesseiros e colocou um deles embaixo da minha perna.Por fim, me deu um beijo na face e disse que iria conversar com a Maria para explicar como as coisas teriam que ser de agora por diante, eu sorri e ela saiu do quarto, deixando-me sozinha com o embuste.

—Matt, -gritei num tom não muito alto, ele estava trazendo a mala pra dentro do meu quarto.

— sim, o que foi?- Ele respondeu sem me dar muita atenção

— será que você poderia ir agora, por favor? Estou cansada, gostaria de dormir um pouco, eu até queria ficar um pouco com você, mas minha cabeça ainda dói. Será que você poderia fazer esse favor? -Falei o mais doce que consegui, mantendo um sorriso nos lábios.

—Tudo bem, Elena, preciso ir mesmo.- ao dizer isso ele se aproximou de mim e me beijou nos lábios da maneira que eu mais odiava, com muita língua e voracidade.

Quando ele se afastou do meu rosto eu o agradeci com um sorriso forçado, mas ele não notou o esforço que eu fazia para lhe dirigir um sorriso. Confesso que fiquei um pouco assustada, por ele topar de primeira em ir embora, entretanto não falei mais nada, pois ele poderia desconfiar sobre minhas verdadeiras intenções.

Matt levantou e saiu, eu agradeci a Deus com todas as minhas forças, finalmente estava sozinha no quarto que tanto amava. Tia Jenna passou algum tempo conversando com a Maria que era nossa cozinheira, aos poucos fui adormecendo e acho que dormi por umas duas horas mais ou menos. Acordei com um barulho em minha porta, abri os olhos e ele estava lá parado com aquele sorriso nos lábios, e aquele olhar profundo, travesso. Ele simplesmente me deixa sem jeito.

— Oi, dorminhoca, como você está? -perguntou e foi se aproximando da minha cama, eu não o interrompi. No fundo, eu queria conversar com ele, mas outra parte de mim sabia que isso não poderia acontecer.

— Oi, pessoa que me atropelou. Por incrível que pareça, estou bem. -disse num tom brincalhão e sorri.

— Você parece melhor que ontem Eleninha. Seu quarto é a sua cara. Você já leu todos aqueles livros? -Disse isso apontando para minha prateleira abarrotada de livros.

— Sim. Eu amo os autores deles. As histórias são lindas, por quê? Você também gosta de ler? -de fato, estava curiosa para saber mais dele.

— Muito! -ele respondeu andando em direção a prateleira e pegou um livro dizendo seu título em voz alta “ A escolha, Nicholas Sparks” já ouvi muito desse livro.

Eu realmente gostei de ouvir o que Damon disse. Aquilo apenas confirmava a coerência do senhor que tive. Fiquei um pouco aérea ao lembrar do sorriso que ele esbanjava em meu sonho.

— O que houve? Ta sentindo alguma coisa? Quer que eu chame sua Tia ?

— Não, não, estou bem. É só que ...

— o que? Pode falar. -Ele disse com um ar de curiosidade, me olhando nos olhos. Ele bem que podia tentar não ser tão assustadoramente lindo.

Nesse momento ele estava sentado próximo a mim. Eu não consegui evitar de sentir o que estava sentindo, minhas emoções estavam confusas , meu coração batia num compasso muito rápido, eu queria contar o que aconteceu, contar o sonho, mas o que ele poderia pensar com tudo isso? Será que iria achar que eu estou interessada de alguma forma nele? Resolvi expulsar esses pensamentos de minha cabeça , afinal de contas ele sabe que tenho namorado.

— É que... bom, sei que você vai achar estranho, mas, na noite passada ... -agora ele olhava pra mim fixamente, quieto e prestando atenção em tudo o que eu dizia. Então, respirei fundo e mordi os lábios em sinal de nervosismo, mas continuei dizendo: _ É... eu sonhei com você, Damon. Estávamos numa especie de campo, haviam muitas flores, era fim de tarde e você estava lendo "Grandes Esperanças" do Charles Dickens e no fim do sonho você me fez uma pergunta. — Damon estava surpreso e ao mesmo tempo feliz por algum motivo, então segurou minha mão que não estava imobilizada e disse:

— até onde você iria em nome do amor, Elena?

Eu não entendi o que estava acontecendo naquele momento, como ele poderia saber disso? Ele sonhou o mesmo sonho? Na mesma noite? Eu não consegui pensar direito, e o calor de sua mão junto a minha... Meu Deus, alguém para esse homem, por favor!

— Foi exatamente essa pergunta que você me fez no sonho. Espera, você sonhou o mesmo sonho que eu e na mesma noite?

— Bom, acho que sim. Isso é surreal, Elena. Como conseguimos?

— Acho que foi o fato de você ter me atropelado, talvez o atropelamento tenha nos unidos de alguma forma. -disse risonha, tentando, ao máximo, expulsar para longe aquele clima que estava nos tomando. Eu não podia me deixar levar por aqueles orbes azuis como o oceano.

Ele não soltou minha mão e por algum motivo eu não tirei ela do lugar onde estava; sentir o calor do seu toque na minha mão era incrível. Há muito tempo que ninguém toca minha mão dessa forma, então eu olhei pra minha mão e para a dele, depois o olhei nos olhos e sorri. Então ele falou:

— E então, você não me respondeu. Até aonde você iria em nome do amor?

Pensei um pouco antes de responder , fiquei olhando para o livro que ele estava segurando, e depois nossos olhares se encontraram novamente, então finalmente respondi sem medo.

— Eu iria até o fim. Daria o meu melhor, o máximo de mim em nome de um amor verdadeiro. E você, oque faria?

— O mesmo, senhorita. É difícil encontrarmos um amor que nos arrebata a alma por inteiro. Se acontecesse comigo, eu jamais deixaria escapar.

Ele me olhou no olhos fixamente, então soltou minha mão e tocou levemente meu rosto, fechei os olhos para sentir o toque suave dele em meu rosto, e sorri de levemente.

— Elena, você estava tão linda em meu sonho, eu não queria ter acordado, seus cabelos estavam soltos, você parecia outra Elena... -Damon falava num tom tão doce e sedutor que eu não estava me contendo dentro de mim mesma. _seu sorriso estava estonteante e mesmo confusa, um pouco perdida, você continuava sorrindo, tão linda ...

Eu afastei a mão dele do meu rosto, e o olhei com firmeza, mas ele não me deixou dizer nada.`

— Te olhando agora posso ver a mesma Elena que vi no sonho, uma Elena encantadora e simplesmente adorável.

Senti minhas bochechas corarem ao ouvir o que ele disse, mas logo veio em minha mente a lembrança do Matt segurando meu rosto com força no hospital.

—Damon, você precisa ir embora, por favor, meu namorado não vai gostar de saber que você esteve aqui. -meu tom mudou completamente.

— Elena, por favor, me desculpe. Eu não quero que me entenda mal, é que quando te vi lá no hospital você parecia estar com um peso muito grande nas costas, não sei, estava meio triste demais. Elena, responda se quiser, tudo bem? Mas você é realmente feliz?

Senti um aperto forte no peito quando ele disse isso, eu não era nem um pouco feliz, meus pais haviam morrido, o Matt me faz querer morrer todos os dias. Eu não queria responder e não respondi, apenas abaixei o olhar. De repente, senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, então Damon se aproximou ainda mais de mim, e me envolveu num abraço apertado e eu desmoronei em seus ombros, não pude evitar. Enquanto eu soluçava baixinho em seu ombro ele sussurrava em meus ouvidos que iria ficar tudo bem, e que eu podia chorar o quanto quisesse, que eu podia ficar tranquila pois ele não iria me deixar sozinha.

— Me desculpe, sei que mal lhe conheço, mas eu perdi meus pais não faz muito tempo num acidente de carro e o M...

Ele não me deixou falar, simplesmente segurou forte minha mão e disse que entendia tudo, e então se aproximou de mim, nossos rostos ficaram a um palmo de distância um do outro e então ele me olhou nos olhos profundamente e tocou meu rosto suavemente, então fechei os olhos mais uma vez...

Notas finais
E agora, será que Helena vai se entregar aos encantos do Damon??? Iai mereço um comentariozinho? rsrsrs bjoôs amores até o próximo..