As vezes quando acordo pela manhã, me pego olhando fixamente para o teto, eu busco ali mesmo respostas para minhas perguntas mais interiores, das quais me pergunto porque o tempo ainda não apagou as cicatrizes. Quando penso em você, meu antigo amor, eu penso que eu não costumava sentir aquele sentimento, eu nem sabia que era amor e descobri o que era quando o vi pela primeira vez, eu soube então com o passar do tempo que o amor era algo que poderia crescer com um olhar e desaparecer com a distância, talvez porque quem tivesse amado mais fosse eu. Mas quando tive que partir, eu tive certeza de que eu havia descoberto o mais puro sentimento dentro de mim, o que não era o mesmo no caso dele.

Passado dias, semanas e meses, o tempo que não para, não conseguia apagar aquele amor dos meus pensamentos. Porém me apagou dos seus quando vi que já estava feliz, não te via mais online como de costume, e eu me via perdida sozinha todo esse tempo, com meus problemas do dia a dia, e sem você. Com o tempo, os anos se passaram, eu não quis mais saber de ver sua felicidade e viver minha tristeza, então apenas respirava, fingia estar feliz quando por dentro eu sangrava, repetia os mesmos passos e no fim do dia eu estava sozinha.

Comecei a perceber que pessoas ao me redor começaram a querer me reviver, conheci pessoas no meu trabalho, um amigo legal e extrovertido, ele sempre tentava me animar contando sobre sua vida, que não foi fácil se assumir aos seus pais, mas que agora estava de pé sacudindo a poeira e aproveitando o tempo perdido que ficou "dentro do armário". Acabei que engatando esta amizade e de vez em quando saíamos para se divertir em baladas, as luzes fortes e o cheiro de bebida, as pessoas e os berros naquele lugar, as drogas e o sexo explicito. Nada me animava demais, eu sentia um vazio inexplicável, e me olhando no espelho naquela casa de show, onde eu olhava aquelas garotas tão bonitas e sorridentes, me sentia uma pequena e estranha mulher, sem alto estima, que preferia estar presa no seu mar de memórias e baixo astral, não sei mais me sentia mais feliz estando em minha casa ouvindo velhas músicas.

Quando estava naquele lugar, tudo que eu podia ver eram pessoas consumindo o que não era certo, eu olhava aquele mesmo cara, todos os dias naquela balada, oferecendo aquelas drogas e por impulso eu pensava em andar até lá, e comprar algumas. Eu pensava que talvez eu pudesse dar fim á mim mesma, era isso o que eu pensava todas as manhãs enquanto minha mente estava repleta de pensamentos, a única coisa no final de tudo, que vinha a mente, depois dos pensamentos e memórias perdidas, era justamente isso, a morte.