Em luta pelo amor
19 Recordando
CAPITULO XIX
Os passos rápidos soavam pelo piso da sala era evidente o nervosismo da pessoa que ali caminhava de um a outro lado, adentrou o local surpreendendo-se ao ver o filho naquele estado, as mão sobre a cabeça enquanto seu corpo parecia simplesmente mover-se por sua própria vontade, os olhos verde fitavam sem realmente ver o piso abaixo de si, não pode evitar o sentimento de angustia que se apoderou de si, onde estava com a cabeça ao pensar que o filho aceitaria tão fácil seguir sua vida quando a mesma parecia incompleta.
O toque do seu celular pareceu chamar a atenção de kuon que o fitou de modo confuso, como se sua mente demorasse um pouco a reconhece-lo, não esperou que o filho falasse algo, apenas a apanhou o celular e retornando ao escritório passou a falar com a pessoa que estava do outro lado da linha.
–boss
–felicitações
–hum...
–seu neto acabou de nascer, é um lindo e forte menino, parece ter puxado seu gosto por comida
–boss isso não é hora para brincadeiras
–não estou brincando
as palavras de lory reverberaram em seus ouvidos tornando suas pernas tremulas
–otou-san
kuon que acabara de adentrar o escritório correu em seu auxilio o ajudando a sentar-se no confortável sofá ali existente
–algo errado pai
fitou o filho por um momento como as palavras de lory poderiam fazer algum sentido, já fazia meses que kuon estava ali então como poderia...ao menos que fosse....
–kyoko chan?
–sim,nesse momento ela esta amamentando o bebe
kyoko chan...por que aquele nome lhe parecia estranhamente familiar, a sensação sufocante que o dominava minutos atras pareceu tornar-se ainda mais intensa, deixou o escritório no intuito de não permitir que seu pai percebesse sua aflição.
–quem é o pai ? Não me diga que aquele cantor o tal fuwa sho
–kuu o garoto é seu neto de verdade
–hum..?
–ele é o filho de kuon
o silencio se fez presente do outro lado da linha, sorriu ao pensar que kuu deveria estar em shock naquele momento, esperou mais alguns segundos antes de voltar a falar
–kuu, sei que esse não é o melhor momento mas preciso saber, o que faremos agora?
Kyoko chan...kyoko chan...onde já ouvira esse nome antes, adentrou o quarto passando a revirar as poucas coisas que haviam sido trazidas do japão, se era incapaz de recorda-la certamente se tratava de alguém do seu passado, após minutos tornando o arrumado quarto em uma verdadeira bagunça deixou-se cair na cama, sentia como se sua cabeça fosse explodir virou-se a fim de fitar o teto, respirou profundamente algumas vezes, nesse meses de tratamento descobrira que exercícios de relaxamento ajudavam a diminuir aquelas dores agudas que sentia as vezes.
Seu corpo estava agora completamente relaxado, a respiração calma e profunda bem como o torpor que se apossava de sua mente indicavam que estava prestes a cair no sono uma vez que suas noites haviam se tornado um martírio, por alguma razão sempre que adormecia tinha pesadelos, as vezes sonhava com um terrível acidente, outras vezes sonhava que era um assassino chamado bj um cara sem escrúpulo-los apaixonado por sua própria irmã, mas o sonho que mais o deixava angustiado eram aqueles em que a garota de olhos ambares aparecia, ao despertar não era capaz de recordar sua aparência, apenas sentia queimar em si o brilho triste daquele olhar, um olhar que lhe dizia o quanto ela amava.
A angustia que sentia com tal sonho não se devia ao fato de ser amado por ela e sim ao fato de que ao despertar percebia que aquele sentimento não era real mesmo que já desperto seu coração batesse de um modo que nunca sentira antes, sua mente não podia lhe dar qualquer certeza de que ela era alguém real o somente fruto de sua mente doente, era como se apaixonar por uma princesa de um conto de fadas e esperar um dia encontra-la no mundo real.
–hum...
o som de algo caindo ao chão o despertou do sono no qual estava sendo tragado, sentou-se na cama e ainda sonolento fitou a pequena caixa caída, os poucos raios de luz que adentrava a janela do seu quarto refletiam no objeto que escapara da caixa emitindo um pequeno brilho rosado, se levantou caminhando ate onde estava o objeto o qual apanhou tão logo o teve ao alcance de suas mãos, ergueu a fim po-lo frente a luz para assim identifica-lo melhor.
A pequena e delicada corrente certamente pertencia a uma mulher, seus olhos seguiram para o centro da mesma detendo-se ao ver a pequena joia ali incrustada,
–uma safira rosa...a rainha rosa
o objeto caiu ao chão enquanto as mãos do rapaz apertavam sua cabeça, a pressão dentro de seu cérebro lhe dava a sensação de a mesma explodiria, sua visão turva foi ainda capaz de ver as gotas de sangue que caiam em sua camisa branca.
As imagens surgiam em sua mente como se estivesse assistindo um filme enquanto o mesmo corria em alta velocidade, não era capas de identificar as diferentes face e vozes que preenchiam seus pensamentos, tudo parecia tão confuso e irreal, seus joelhos caíram contra o piso sendo seguido pelo corpo que tombava inconsciente ao chão.
–boss eu ainda não consigo acreditar no que você esta me dizendo
–é algo bem simples kuu, kyoko e ren estavam namorando quando o acidente aconteceu
–o que eu não acredito é que meu filho seja tão irresponsável para engravidar uma colegial de dezesseis anos
–dezessete
–hum...?
–kyoko tem dezessete, faz dezoito no fim do ano
–ainda assim é apenas uma colegial
–quantos anos a julie tinha quando vocês dois se casaram mesmo kuu?
–naquela época foi diferente
–kuon é muito mais maduro do que você naquele época
–se fosse esse o caso ele não teria engravidado minha filha
lory não pode deixar de sorrir
–boss, eles se amam de verdade não é?
–apostaria toda a minha fortuna nisso
–como posso contar ao kuon que ele é pai quando ele sequer se lembra de quem kyoko chan
–você precisara faze-lo lembrar de tudo
–hum...?
–kuon precisa recuperar suas lembranças ou perdera o próprio filho
–por que diz isso boss?
–sho fuwa realmente tem fortes sentimentos pela mogami san, acredito que depois de toda a ajuda que ele tem prestado a ela o sentimento de ódio possa estar começando a ser menos intenso e assim ele pode simplesmente retornar ao coração dela, não acho que kyoko deixe de amar ren mas penso que considerando sua própria experiência de vida ela não privaria o filho de ter um pai ainda que não fosse ligado a ele por laços sanguíneos.
–acho que não tenho escolha a não ser ajudar o kuon a recuperar suas memorias
o som vindo do quarto do filho acima de seu escritório chamou sua atenção
–kuon, kuon
ouviu a voz de kuu chamando pelo filho
–boss eu ligo depois
tão logo desligou o celular subiu as presas rumo ao quarto do filho, sua intuição de pai lhe dizia que algo havia acontecido a kuon, bateu na porta algumas vezes e após obter o silencio como resposta, abriu a porta encontrando o quarto revirado e o filho caído no chão, por um momento pensou que alguém houvesse adentrado o quarto e machucado kuon mas rechaçou tal ideia ao se aproximar e ver o sangue que escorria de seu nariz
–kuon
apertou o corpo inconsciente junto de si, as lagrimas rolavam por seu rosto e seu coração temia pela vida do filho
dois dias depois
os olhos verdes fecharam-se novamente sentindo o incomodo da luz que adentrava pela janela do quarto hospitalar, levou a mão a cabeça recordando que a mesma estava ardente após o acidente mas não pode sentir qualquer curativo ali.
–kyoko
precisava saber se ela estava bem, fitou o quarto procurando qualquer coisa que pudesse ajuda-lo a chamar alguém, quando logrou encontrar a campainha apertou a mesma e minutos depois uma enfermeira de cabelos louros adentrava o local.
–bom dia senhor sente-se melhor
por um momento não acreditou em seus próprios ouvidos ao ouvir a garota sauda-lo em inglês, onde exatamente lory o havia internado?
–esse é o hospital central de tokyo ?
A garota o fitou como se não houvesse compreendido suas palavras, estava prestes a questiona-la novamente agora em inglês, quando duas pessoas adentraram o quarto
–meu filho
surpreso sentiu sua mãe o abraçar enquanto kuu o olhava sorrindo
–o que estão fazendo aqui?
–você desmaiou seu pai chamou a ambulância e eles o trouxeram para cá
–em que país estamos exatamente
julie sorriu como se o filho estivesse fazendo alguma brincadeira
–nos E.U.A kuon, onde moramos, você não se lembra
pos a mão sobre o ombro da esposa procurando acalma-la ao ver que a mesma estava começando a ficar aflita ao ver que o filho não sabia onde estava, aproximou-se do filho lhe entregando o objeto que trazia em mãos.
–kuon sabe o que é isso
fitou o pequeno objeto que seu pai lhe entregara, era evidente que ele sabia o que era aquilo afinal fora um presente seu para ela, a princesa rosa havia lhe sido entregue para ser seu amuleto, foi quando recordou a razão pela qual estava ali.
–onde a mogami san esta, ela foi resgatada?...preciso ligar para o presidente
kuu segurou os ombros do filho o mantendo na cama, o medico estava certo ao dizer que talvez ren houvesse recuperado sua memoria, não pode evitar sorrir ao pensar em como o destino gostava de pregar peças nas pessoas
–kyoko chan esta bem, o sequestro se passou a nove meses filho, nesse momento ela esta bem e feliz em tokyo, lory esta cuidando dela
sentiu o corpo relaxar, se kyoko estava bem então já não tinha por que se preocupar
–você esta bem kuon
–sim, apesar de não saber o que aconteceu por nove meses
fitou os pais que lhe sorriam e conversavam animadamente, sabia ao quanto aquele momento estava sendo feliz para os dois mais infelizmente teria de dar fim aquele sentimento, se fosse possível permaneceria ali junto dos pais e seguiria sendo seu antigo eu, mas o antigo kuon já não existia e kuu e julie precisavam compreender isso, sua vida agora era no japão seguindo seu sonho e ao lado da mulher que amava.
–pai, mãe vou voltar ao japão assim que possível
–hum...
os olhos aflitos de julie despedaçaram seu coração, mas se voltasse atras em sua decisão não conseguiria seguir com sua vontade.
–um dia irei retornar e então prometo deixar de ser a causa do seu pranto
–kuon...você nunca foi a causa do meu pranto, você é o meu maior motivo para sorri meu filho lindo
–julie, kuon precisa voltar por que ainda a muitas coisas a resolver por la
sorriu agradecendo ao pai por compreende-lo
–tenho certeza que a muitas surpresas agradáveis para ele lá no japão
não compreendeu ao certo o que o pai quisera dizer mas estava grato por ele apoia-lo.
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