Notas iniciais
Gaara não sabia o que se passava na mente de seu futuro cunhado. "Eu não gosto dela."

- Você pode pegá-la, se quiser.

Seu futuro cunhado estivera encarando a fotografia por vários minutos enquanto Gaara revisava e assinava alguns papéis. Ele não se importava que Shikamaru estivesse olhando a fotografia, ele próprio gostava daquela em especial. Mas a forma como ele a encarava, intensa e incessantemente, causava um sentimento que Gaara não sabia definir. Ele esperava que em algum momento Shikamaru fosse dizer algo a respeito, mas como não houve nenhum sinal de que ele pretendia fazê-lo, Gaara tomou a frente e se manifestou, levantando os olhos dos papéis a sua frente para observá-lo.

Shikamaru desviou o olhar da fotografia para Gaara quando ouviu essas palavras, e ergueu ambas as sombrancelhas, perguntando silenciosamente a que ele se referia. Gaara permaneceu inexpressivo encarando o Nara. Por fim, Shikamaru suspirou em derrora.

- Eu não sei se gosto dela.

Foi a vez de Gaara erguer as sombrancelhas. O que ele estava tentando dizer? Shikamaru suspirou novamente e virou-se para a fotografia.

- Eu não sei se gosto dela. Temari não está precisamente triste, mas ela não está intrinsecamente feliz também. Ela tem uma aura... misteriosa, algo entre melancólico e pensativo... como se ela pudesse ver algo do futuro que ninguém mais é capaz de fazê-lo. Olhando para o céu... a luz da lua faz tudo parecer ainda mais surreal. Quase como uma aparição sobrenatural. Que pode simplesmente desaparecer a qualquer segundo... – O seu tom de voz foi diminuindo conforme falava, terminando a última frase com um fio de voz, como se tivesse medo da própria idéia.

Gaara conseguia entender o sentimento de incerteza de seu futuro cunhado com relação a expressão de sua irmã. Mas não entendia porque isso podia afetá-lo tanto.

- Eu gosto dessa foto. Temari pode não parecer nem feliz nem triste, mas ao menos ela não está com o rosto franzido. Ela não está em guarda eterna, ou com sua fachada agressiva e cruel... Me faz lembrar o quanto nós evoluímos como família... Ela não precisa mais se mostrar durona. Ela já é respeitada por sua competência e responsabilidade. É uma lembrança constante do caminho que trilhei até aqui.

Gaara também estava olhando a fotografia de sua irmã em sua mesa, mas podia perceber pela sua visão periférica o futuro marido dela fixamente concentrado no retrato. Gaara não sabia dizer o que ele estava pensando no momento, mas tinha certeza de uma coisa: o que quer que fosse o amor entre um homem e uma mulher, sem dúvida era diferente do amor entre família.

- Ela não gosta muito de tirar fotos. Eu ainda não tenho nenhum quadro dela no meu quarto, ela não me deixa tirar.

- Não é como se você não tivesse ‘roubado’ nenhuma foto, não é?

Shikamaru sorriu de lado ao receber essa resposta. Um sorriso de orgulho e admiração que lhe lembrava muito de sua irmã Temari. Isso fez Gaara involuntariamente abrir um pequeno e singelo sorriso. Shikamaru e Temari estavam unidos mesmo estando separados.

- Ela também não deixou tirar esta foto. Kankurou a pegou de surpresa, ela depois correu atrás dele e eles... discutiram. Kankurou escondeu a câmera, e Temari só não rasgou a foto porque eu pedi, disse que queria ficar com ela. Este é o motivo pelo qual essa foto está aqui na minha mesa, e normalmente fica virada de uma maneira que só eu possa ver. – Gaara percebeu que Shikamaru estava o observando agora, esperando uma resposta. – Hoje eu precisava de mais espaço.

Shikamaru assentiu, e voltou a olhar para a foto. Gaara tentou prestar atenção em seus papéis novamente, mas por algum motivo a insistência de Shikamaru em observar o retrato de Temari o distraia. Talvez Gaara precisasse tomar outra iniciativa.

- Você pode ficar com ela se quiser.

Notas finais
Isso foi um daqueles momentos em que eu imaginei uma imagem, e da imagem tive uma idéia, e resolvi escrever. Fui obrigada depois a tentar desenhar, e não estou satisfeita com o resultado, mas algo me diz que se não postar isso aqui hoje, esse texto se perderá para sempre.