Em família

6 Feliz aniversário, Temari


Notas iniciais
Eu sei que o aniversário da Temari foi ontem, por isso mesmo escrevi isso no dia de ontem, mas só consegui postar hoje (terminei as 23:30 do dia 23/08). A história saiu bem diferente do que eu tinha em mente quando comecei a escrever, mas espero que gostem Vihh, se você estiver lendo isso, também é fluffy fluffy fluffy hahaha

Os raios de sol de sol penetravam pela janela aberta, alcançando o fino cobertor que a cobria, e refletiam em várias direções com diferentes cores no teto. Temari estava acostumada com a visão, mas nunca se cansara do jogo de cores que seu quarto lhe brindava todas as manhãs. Uma parte de Temari acordava cedo apenas para ver essa exibição natural...

Subitamente, um braço a envolveu pela cintura. É claro, a outra parte dela acordava apenas para fazer com que seu marido levantasse da cama para ir trabalhar. Ele tinha uma posição muito importante para sua vila para que pudesse se dar o luxo de se atrasar.

“Ei, seu preguiçoso, está na hora de acordar, vamos.” Temari se virou ainda sob o abraço dele, e o balançou pelo ombro.

“Não...” Foi a resposta curta dele. Temari parou por um instante surpresa. Seu marido costumava fazer perguntas do tipo ‘eu tenho que ir mesmo?’ ou pedidos no estilo ‘só mais cinco minutos’ . Para ele dizer simplesmente ‘não’ significava que ele não pretendia mesmo ir trabalhar.

“Como assim ‘não’? Você não pode não ir! Vamos, levante!” Ela deu um empurrão um pouco mais forte dessa vez.

“Não,” veio a resposta curta dele mais uma vez, apertando o agarre na sua cintura. “eu não vou trabalhar hoje.”

“Sob as ordens de quem você não vai trabalhar?”

“Sob as minhas ordens...”

Temari suspirou. Ele não podia estar falando sério.

“Shikamaru, você não pode simplesmente decidir não ir trabalhar. Naruto não é ...” Ela se perguntou como poderia caracterizar o atual Hokage sem ofender sua imagem, “... eloquente e maleável como você. Se você deixá-lo sozinho por dez minutos naquele escritório sem ajuda, ele é capaz de botar fogo em tudo. Em toda vila!” Temari estava exagerando um pouco, ela sabia, mas queria deixar seu ponto claro. Deixar Naruto sozinho para resolver todos os assuntos da vila definitivamente não era uma boa idéia. Foi para ser possível que Naruto se tornasse Hokage que Shikamaru teve que assumir o posto de assistente do Hokage, para começo de conversa.

Shikamaru deu um riso abafado. Ele nem sequer se dera o trabalho de abrir os olhos ainda! “Eu sei disso. Naruto sozinho é inviável. Por isso mesmo pedi para Kakashi-sensei cobrir meu lugar hoje.”

Temari franziu o cenho. Kakashi-san estava cobrindo a falta de seu marido? Shikamaru planejara isso de antemão? Com que objetivo?

“Vamos mulher, deixe de ser problemática e relaxe um pouco. Vamos aproveitar deitados aqui um dia de folga...” Shikamaru a puxou para si, e para afirmar seu ponto, mergulho seu rosto nos cabelos da esposa e inspirou. “Você cheira tão bem...”

Não importa quantas vezes Shikamaru fizesse isso, Temari ainda ficava nervosa quando ele a elogiava, por mais bobo que fosse. Não é que Temari fosse uma menina tímida e envergonhada, ela só nunca imaginara que um dia estaria casada, e que alguém a elogiaria tão sincera e espontaneamente – e que ela se sentiria tão bem com isso.

Foi por isso – e só por isso, ela dizia a si mesma – que ela aceitou permanecer deitada mais tempo, na segurança e aconchego que os braços do seu marido em torno de seu corpo lhe ofereciam. A cortina balançava com a leve brisa que entrava pela janela, criando uma sombra oscilante no quarto.

A casa deles fora projetada para que tivessse bastante sombra durante todos os períodos do dia. Algumas pessoas achariam estranho conviver em um local que, ao mesmo tempo que era amplo e simples, era tão cheio de sombras. Ela não se importava – na verdade, se sentia até mais segura com a presença delas. Sombras eram a especialidade de seu marido – e agora de seu filho também – e eram uma parte dela tanto quanto era parte deles.

Shikamaru deu um suspiro satisfeito entre seus cabelos, e colou-a ao seu corpo. Temari deixou escapar um ‘pff’ com sua ação. “E então, você pretende me contar quando, e porque, você planejou um dia de folga?”

“Eu pretendia esperar até que você descobrisse, na hora certa.”

“E quando seria essa hora?”

Como se respondendo a sua pergunta, houve uma batida na porta. “Shikadai?” Temari estranhou o ato. Ao contrário de Shikamaru, Shikadai estava sem nenhum compromisso agendado pelo dia. Isso provavelmente significaria que seu filho não acordaria tão cedo hoje – e mais importante, ele dificilmente bateria na porta do seu quarto, qualquer que fosse o horário. Temari olhou para seu marido com suspeita.

“O que vocês estão planejando?” Seus olhos se estreitaram enquanto olhava para ele.

Shikamaru apenas lhe dirigiu um sorriso convencido – ou seria orgulhoso? – e então gritou: “Pode entrar!” No entanto, foi a própria sombra de Shikamaru quem girou a maçaneta.

A porta começou a abrir lentamente, e a primeira coisa que Temari viu atrás dela foi os olhos de seu filho, tão parecidos com os dela. Ao vê-la, ele sorriu – e como seu pai, muito mais com os olhos que com a boca – e então algo inesperado aconteceu: os dois começaram a cantar.

“Parabéns pra você!” Eles seguiram com a música, enquanto a porta se abria e revelava Shikadai carregando uma torta, com algumas velas simples em cima dela – nenhum deles ligava muito para luxos desnecessários. “Muitas felicidades... Muitos anos de vida!”

“Não se esqueça de fazer um pedido!” Seu filho exclamou, sorrindo.

Temari esperou alguns segundos e soprou as velas. Ela aprendera a comemorar aniversários com Shikadai – ou mais precisamente, com o nascimento dele. Não que não comemorasse antes com seus irmãos, mas as coisas eram diferentes agora. Agora ela conhecia todos aqueles pequenos rituais que envolviam um aniversário.

“E então, qual foi seu desejo?” Shikamaru perguntou quando todas as velas se apagaram.

“Se eu contar, ele não vai se realizar, certo?” Os três sorriram desdenhosamente com este comentário. Nenhum deles acreditava de fato em superstições. Eles apenas seguiam as tradições como um ato diplomático. Esta era uma das melhores coisas de passar seus aniversários apenas com a sua família: nenhum deles ligava para apresentações glamourosas ou grandes eventos. Para eles era suficiente manter tudo simples, o importante era passar um dia em família.

“Sabe, isso é um pouco injusto,” Shikadai resmungou “eu tenho que levantar e pegar o bolo, enquanto você fica aqui deitado esperando...”

“Ei, pequeno gamo, eu tive que resolver muitas coisas para podermos estar todos livres hoje, precisei -”

“Eu sei, eu sei, eu sei. Não precisa me dizer.”

Temari encarou seu marido. Ela deveria ter pensado nisso. Seria muita coincidência ela e seu filho terem o dia todo livre, e ele simplesmente conseguir um dia de folga também. Ele estivera planejando isso a algum tempo. Ele virou-se para ela e sorriu.

“Feliz aniversário.”

“É, feliz aniversário, kaa-chan!”

“Obrigada! Então me digam, o que os meus dois estrategistas planejaram para o resto do dia?”

Os dois sorriram amplamente. É claro que eles teriam pensado em algo. Provavelmente em todos os pequenos detalhes, e diversas soluções para imprevistos.

“Café-da-manhã em família, e depois um picnic na clareira do lago, perto da flor da kaa-chan. Só passar um tempo calmo e harmonioso, jogar shougi, olhar as nuvens e as estrelas, talvez. Ah, e você não vai fazer nada de casa hoje, kaa-chan!”

“Mas precisa ser feito.”

“Então nós faremos.” Shikamaru comentou, como se fosse óbvio e natural.

“Nós no sentido eu e vocês, ou nós no sentido vocês dois.”

Os olhares que eles lhe lançaram era resposta mais que suficiente. Ela sorriu, zombeteira.

“E não será muito problemático para vocês dois?”

Shikadai deu de ombros. “Vai. Mas você faz todo dia. Parece justo não fazer pelo menos em um dia.” Não é menos problemático para você, então nós faremos isso. Era o que ele queria dizer. Temari riu para si mesma. Ela não se sentia bem em não trabalhar, mas apreciava o carinho que os dois estavam manifestando. Por hora, era melhor não recusar.

“E então, vamos descer para comer esse bolo?”

“Ahhh...” Temari soltou uma gargalhada ao ouvir os dois praticamente gemerem.

“Eu não vou cortar esse bolo na minha cama para sujar tudo. Além do mais, precisamos dos pratos, talheres, e tomar o café-da-manhã. Vamos lá, vocês dois, hora de levantar.”

Shikamaru se sentou com um semblante ainda preguiçoso, enquanto ela largou o bolo na mesa de canto e se levantou. Shikadai, que se esticara sobre o cobertor, permaneceu onde estava.

“Vamos vocês dois!” Nenhuma reação. “Tudo bem então, vamos fazer assim: o primeiro a estar lá embaixo receberá o primeiro pedaço do bolo.”

Shikadai sentou-se com ímpeto com esta declaração, e logo se levantou com um sorriso vitorioso.

“Ei, isso é injusto!” Shikamaru colocara as pernas para fora da cama, mas seu filho passou pela porta do quarto antes que ele ficasse de pé. Temari sorriu como pedido de desculpas, mas divertida. Você está atrasado.

“Ah, tudo bem. Acho que tenho que me acostumar a ser o segundo melhor. O segundo homem da sua vida, o segundo pai de Shikadai...”

Temari se aproximou de Shikamaru, apertou sua mão com firmeza e olhou fixamente dentro de seus olhos.

“Você vai ser para sempre o homem com quem eu escolhi criar uma família. Nunca se esqueça disso.”

Ele assentiu. Ela largou sua mão e sorriu novamente.

“Te espero lá embaixo.”

Notas finais
Eu na verdade queria descrever o dia inteiro, mas já estava tarde e eu já tinha demorado bem mais nessa parte do que pretendia, então deixei muito mais para a imaginação. O bom é que isso fica de material para os próximos escritos. Por favor deixem comentários o que estão achando, para que possa atender suas expectativas (ou não).