Notas iniciais
Como pedido, eu melhorei a ortografia um pouco nesse capítulo, futuramente também vou arrumar a do primeiro, portanto perdão por qualquer erro ortográfico ou falta de espaço depois da vírgula que vieram a acontecer no primeiro capítulo.

O anônimo andava reto, ainda sem rumo, mas agora com uma faísca de esperança de que um dia ja foi alguém. Várias vezes rebobinava as mesmas memórias que o mesmo tinha até agora, que era a do palhaço o enforcando com seus dedos frios e duros como rocha enquanto ria de forma doentia, e a voz daquela mulher.
E então por um momento ele pensou... Algo lhe dava medo, e não era a expêriencia que teve no circo e... sim ... sentia medo de nunca descobrir quem é, sentia medo de não ter lugar, medo de morrer no anonimato.
O sol brilhava fortemente entre nuvens grandes e escuras, era começo de tarde e o rapaz sentia algo na barriga, talvez fome, ou então ansiedade por saber, mesmo que pouco, que ja teve nome,e que era uma pessoa... Um cheiro muito bom passava pelas suas narinas... algo meio distante... era o cheiro de queijo... Sim, era um cheiro muito familiar, e que ele gostava muito, mas não podia ser algo físico,por simplesmente não haver nada por perto dele além da estrada a sua frente e atrás.
Agora era certeza, sua sensação na barriga era mesmo fome. Mas ainda sim, sentia que era ansiedade. Denovo encontrava se perguntando por que diabos estava seguindo reto em uma estrada, e por que não havia nada além de planices, cheias de grama em volta dele. Depois que parou pra pensar,ele encontrou o circo por fora do caminho, quem sabe o que mais ele poderia encontrar se saisse dele?
Meio nervoso, colocou-se a andar para a direita. Ao colocar-se para fora do caminho, a luz do sol é tampada por uma grande e cinzenta nuvem. Um frio sobe a sua espinha ao se ver envolto pela luz muito fraca do sol tampado,sendo quase nula. Porém, o cheiro delicioso de queijo ainda continuava forte, para a direção que caminhava. Andou por pouco tempo,até achar uma casa muito grande, e também parecia muito antiga, coberta por cipós e tinha um campo de flores roxas em volta. Andou em direção a ela, e a cada passo o cheiro ficava mais e mais forte, e água escorria pela sua boca enquanto imaginava o que podia ser, e então,denovo sente um frio sobre sua espinha, e sua respiração começa a ficar pesada ao perceber que bem acima na casa, numa janela, havia um vulto, cuja silhueta parecia de uma mulher.
O andarilho sem nome ficou paralisado pelo enquanto o vulto ficava ali, olhando para ele, até que simplesmente desapareceu da janela. O rapaz então conseguiu voltar a andar, agora respirando pesado e com suor frio escorrendo pela testa, estava numa mistura de sensações estranhas como a fome, o medo, a paranóia de poder ocorrer algo ruim ao entrar na casa e a confusão de não saber quem é e o que está fazendo, só sentia que queria entrar debaixo da terra até que tudo acabasse,mas a vida é cruel e é real ; Tudo aquilo estava acontecendo, e ele não podia simplesmente parar, então criou um pingo de coragem e abriu a porta da casa.
Após abrir a porta se surpreendeu com o que encontrou dentro, era uma sala muito bem iluminada, com um caminho para um corredor,escadas e uma cozinha... O lugar passava uma sensação quente e agradável, enquanto ele sentia que, de alguma forma, ia ter um orgasmo nasal com o delicioso cheiro de queijo vindo da cozinha, ao aproximar-se do comôdo viu uma mulher tirando uma pizza de um forno a lenha. A cozinha tinha uma grande mesa com dois pratos e duas cadeiras, e um castiçal de ouro com três velas.
Ela vestia um grande vestido verde-escuro, que ia até os pés com enfeites de flores alaranjadas, vestia também longas luvas verdes, e um casquete que parecia ser feito de cipós lhe cobria o rosto, Tinha cabelos enrolados e uma pele escura, quase parecida com a do nosso herói.
De novo se sentia paralisado, mas dessa vez não por medo ou cousa do tipo, e sim pelo fato de supostamente encontrar outro ser vivo igual ele, e não era um palhaço torto nem um anão troncudo. A moça estava virada a sua direção, supostamente olhando fixamente para o andarilho, enquanto ele olhava boquiaberto para a pizza que a moça tinha tirado do forno a lenha com uma pá.
Por um momento, ficaram em silêncio. Até que a moça decidiu quebrar o horrível som do silêncio;


— Fiz essa pizza para você — Disse a moça, ela tinha uma voz suave como se fosse um leve canto de passáro numa manhã de verão. — Vai esfriar se você não comer.


— Sabia que eu ia vir aqui? — Indagou o rapaz.


— Estava te esperando — Disse a moça- Aqui, sirva-se — Falou enquanto colocava um pedaço de pizza num prato para o rapaz.


O rapaz se sentia feliz porém confuso com tudo que está a lhe ocorrer. Quem é esta mulher? E por que o trata tão bem?. Sua dúvida falou mais alto do que a tentação de comer a pizza de mussarela, que por sinal parecia muito boa , porém não iria se arriscar novamente a se comunicar com alguém aleatório, e logo perguntou;


— Moça, quem é você? — Disse em um tom inocente e, de certa forma, curioso.


— Meu nome é Jade — Falou, enquanto soltava uma risadinha


— Como sabia que eu iria vir aqui? — Perguntou o rapaz, muito desconfiado.


— Estou te esperando desde sempre — Afirmou Jade.


— E como teria certeza que eu algum dia iria vir aqui? — Questionou o andarilho


— Por que estava traçado no seu destino algum dia passar aqui, e estava traçado no meu estar aqui para te receber. — Respondeu, de forma suave. — Olha, não estou aqui para te fazer mal, ok? — Disse a moça, enquanto abraçava o rapaz


Pela primeira vez, desde que tomou-se conta de que estava a andar sem rumo, o andarilho sentiu-se seguro, como se fosse um filhote de ave, sendo protegido pelas grandes asas de sua mãe. O anônimo então colocou a fatia de pizza na boca, ah! que sensação quente e prazerosa. Sentia-se como se, por um momento, tivesse invadido o jardim do éden e provado da fruta proibida. Ele rapidamente devorou a fatia, e logo após isso Jade pegou outro pedaço pra ele, enquanto estava a frente dele o observando comer. Enquanto comia o segundo pedaço o rapaz parou de comer por um tempo e ficou olhando para a moça com a cara triste. Logo então a mesma disse;


— O que? não gostou? posso fazer outra.... — Disse Jade, em um tom preocupado


— Não, não é isso — Disse o andarilho — É só que... é muito estranho tudo mudar assim de repente, até alguns minutos atrás eu estava com muito medo e sentimentos ruins de todos os tipos. E eu quero descobrir as origens deles, Mas não acho que vou descobrir ficando aqui comendo pizza.


Jade riu, de forma calorosa e logo após disse;


— Não é só de sentimentos ruins que vive o homem, descansar um pouco não vai te afetar.


— Acho que não faria mal — Disse o rapaz enquanto devorava o resto do segundo pedaço da pizza — A propósito, você estava me observando antes de eu chegar aqui?


— Òbvio que não, bobinho — Disse Jade rindo — Eu estava aqui em baixo fazendo uma pizza para você.


— Alguém além da senhora mora aqui? — Perguntou o andarilho


— Não, só eu e você. — Respondeu a moça


— Não posso ficar aqui para sempre. Tenho que seguir em minha jornada e descobrir quem eu sou e o por que de eu estar aqui. Muito obrigado pela comida moça,mas tenho que ir.


Logo após dizer tal, dirigiu-se a porta da frente e a abriu. Estava de noite e estava muito escuro do lado de fora. Sentia-se como se olhasse para as trevas e elas olhassem de volta para ele. Fechou a porta e quando virou-se, deparou com a mulher atrás dele.


— Vamos lá, ja que não pode morar aqui, pelomenos passe a noite — Disse Jade,em um tom meio triste.


— Tá bom, tá bom, eu fico aqui, mas só essa noite ! — Disse o andarilho


— Sim! Sim! Muito bem ! — Disse a moça,em um tom feliz — Se quiser tomar banho, siga reto pelo corredor, que vai te levar direto ao banheiro, você precisa trocar essa roupa está fedendo e está sujo! Vou deixar uma nova muda de roupas na porta para você!


Após isso o rapaz andou até o banheiro,lá tinha uma lâmpada com aparência antiga e uma banheira amarelada, porém bonita como se fosse nova, da torneira que enchia a banheira saia uma água quente e agradável. O rapaz despiu-se e entrou na banheira. Enquanto deitado dentro dela pensava em muitas coisas. Dentre elas, o por que da moça o ajudar tão de repente , e o por que dela saber que algum dia ele iria lá. Desde quando ela o espera? Desde quando ela mora nessa casa? e a maior dúvida de todas... Quem estava o observando antes dele entrar?. Após lavar-se, Encontrou na porta outra muda de roupas, similar a antiga, tirando o fato de que estavam limpas e sem nenhum dano.
Após voltar pra sala encontrou novamente a moça esperando ele.


— Vamos subir, te levo pro seu quarto e posso te contar histórias para dormir — Disse Jade.


— Histórias? Não sou mais criança! — Disse o rapaz envergonhado enquanto corava.


— Não seja tímido... — Murmurou a moça enquanto dava uma risadinha.


— AAAAH! Ok Ok — Disse o rapaz em um tom envergonhado e timido — Eu...eu posso ouvir sua história antes de dormir.


Logo após isso subiram para um quarto onde havia uma grande cama que parecia muito confortável, o rapaz deitou nela e sentiu como se tivesse deitado em uma grande nuvem. Logo após o rapaz deitar a moça disse;


— Muito bem, a história começou a muito muito tempo... — Disse a moça soltando uma leve risadinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.