Em busca de uma nova vida - 2ª Temporada

33 Enfrentando o passado - parte 1


Notas iniciais
Oláá meus amores! Td bem? O capítulo tão esperado por vocês :D Escrevi e reescrevi ele umas mil vezes... kkkkk Mas acho que agr ficou bom. Vocês vão entender um pouco mais a cabecinha do Tob. Eu prometi para vocês um momento FourTris, e eu não esqueci, mas como ficou muito grande esse "momento Tobias", eu dividi ele em duas partes. Por isso o FourTris vai ficar pro próximo POV da Tris, ta bom? A segunda parte eu vou postar ainda hoje! Obrigada de todo meu core choroso, por cada comentário! Vocês me derretem, sério, eu amo receber comentários de vocês! Beijoos... :* PS. Vou responder a todas daqui a pouco também ♥

Tobias

—Mamãe? – Chamei, ainda sonolento. O meu quarto estava quase todo escuro, apenas minha lâmpada de cabeceira estava acesa. Uma pequena luz fraca que me permitiu ver o rosto dela.

—Filho, volte a dormir, ta? – respondeu ela.

Eu estava sendo colocado na minha cama e mamãe estava puxando meu cobertor do homem aranha, me aconchegando nele. Eu me lembro de adormecer no tapete, ao lado da porta, enquanto ouvia mais uma briga dos meus pais. Eles brigavam com muita frequência. Às vezes mamãe chorava muito e papai quebrava as coisas.

Mamãe me deu um beijo no rosto, sorrindo ternamente. Fechei meus olhos de novo, enquanto ela enrolava mechas dos meus cabelos em seus dedos.

—Eu te amo... — ouvi, pouco antes do sono me levar.

Acordei ouvindo gritos, e quando olhei pela janela, vi que ainda era noite.

Os gritos vinham do andar de baixo. Levantei da cama quando os gritos aumentaram e em seguida veio um baque alto. Abri a porta do meu quarto e andei até o topo das escadas. Bem a tempo de ver meu pai puxando os cabelos da minha mãe para depois empurrá-la com força no chão.

—Você quer ir embora? – Ele rugiu para ela. Seu tom era baixo e controlado, mas eu podia ver que ele estava furioso. Mamãe se afastou, recostando-se à parede, sentando longe dele. Meu pai apontou a porta. – Vá! Suma daqui. Mas você vai sair sem nada. Essas merdas aqui – ele abaixou e pegou uma bolsa preta do chão. Abrindo, ele despejou várias roupas, enquanto falava: – Fui eu quem comprou. E você não vai levar nada!

—Marcus... – Mamãe chorou. – Você sabe que é melhor eu ir embora, não está dando certo entre nós, mas podemos tentar nos dar bem. Pelo Tobias!

Meu pai riu alto.

—Nos dar bem, sério Eve? – Ele se aproximou e a chutou na perna. Mamãe chorou mais forte. Se encolhendo diante dele. – Eu não sou homem pra ser abandonado! – Se inclinando, ele a pegou pelos cabelos de novo e a forçou a ficar em pé. A pressionando contra a parede e apertando seu pescoço. Mamãe tentou se libertar, mas não encontrou forças para abrir os dedos dele e seus pés mal tocavam o chão.

Nesse momento entrei em desespero e corri pelas escadas gritando.

—Não papai! Pare! Pare! Está machucando ela! – Tentei entrar entre eles, mas meu pai me empurrou para o lado.

—Vá para o seu quarto Tobias! – Ele gritou com raiva.

—Não! Papai pare, por favor! – Implorei chorando. Ele ainda impedia minha aproximação com um braço, enquanto apertava o pescoço dela com a outra mão.

Então, segurei a parte de trás de sua camisa, com força, e comecei a puxa-lo para longe dela. Mamãe aproveitou o momento de distração dele e conseguiu chutá-lo na perna. Ele gritou e a soltou. Nós três caímos no chão, meu pai e eu de um lado e minha mãe do outro. Ele segurando a canela e ela tentando recuperar o fôlego.

Me apressei em levantar e fui para abraça-la, mas meu pai estendeu um braço e me impediu, me lançando de volta ao chão e fazendo com que eu batesse a parte de trás da cabeça.

Desse momento em diante as coisas passaram em câmera lenta para mim. Eu levantei a cabeça, me sentindo tonto. Meu pai gritava insultos para minha mãe, tentando se levantar enquanto ela se atrapalhava recolhendo algumas peças de roupa do chão e colocava de volta na bolsa.

E em seguida, saiu correndo pela porta.

Ela não olhou para trás. Nenhuma vez.

Estava nevando, faltavam poucos dias para o natal. Eu queria gritar para ela voltar, dizer que estava muito frio lá fora e eu estava com medo. Papai estava muito bravo, ainda gritando.

Mas minha voz não saiu. Eu apenas fiquei lá, olhando ela se afastar.

Naquela noite eu chorei até adormecer.

Quando acordei, meu pai me levou até a sala de jantar e nos sentamos um de frente para o outro. E ele me contou a história toda. Disse que ela foi embora por que tinha conhecido outra pessoa e estava formando uma nova família. Por isso ela decidiu sair no meio da noite. E foi por isso ela não quis me levar.

Estava tudo acabado, ela não voltaria para casa.

No começo meu pai parou de falar comigo. Contratou uma babá para cuidar de mim em tempo integral, já que ele mal ficava em casa. Sempre fazia muitas viagens de negócio. E Eu até cheguei a descobri que ele tinha uma amante fixa em uma das cidades que ele frequentava para tratar dos negócios da empresa. Foi por acaso, quando meu notebook quebrou e eu tentei usar o dele para uma pesquisa da escola. E lá estavam, vários e-mails entre eles. Logo eu descobri outras amantes, aparentemente ele tinha várias, em várias cidades.

Conforme o anos foram passando, ele foi ficando pior. Sempre que ele estava em casa, ele bebia e me criticava por tudo. No começo eu só ouvia, mas um dia eu o respondi e ele me bateu. Desse dia em diante ele passou a me bater por qualquer motivo. Acho que ele acabou encontrando uma forma de extravasar sua raiva sem precisar beber.

E ele também odiava que eu tivesse amigos. Dizia que ter amigos era uma distração e que eu precisava estudar e me preparar para um dia assumir a empresa dele. Mesmo que eu odiasse a ideia.

Naquela época, eu tive minha primeira e única paixão adolescente. Era uma garota mais velha da minha escola. Foi com ela que eu perdi a minha virgindade. Eu gostava mesmo dela, mas quando meu pai soube que eu pretendia pedi-la em namoro, ele se revoltou comigo. Me chamou de fraco. Disse que as mulheres foram feitas só para diversão e que eu devia entender isso o quanto antes. Com isso, ele me bateu e eu fiquei vários dias indo apenas para a escola. Não saia mais com os meus amigos.

Aos poucos eles foram se cansando de mim e das minhas restrições, até que desistiram de vez. Assim como a menina que eu gostava. Ela arrumou um namorado de faculdade e nunca mais olhou na minha cara.

Durante todo esse tempo, eu não tive qualquer notícia da minha mãe. Muitas vezes esperei, desejei e a imaginei aparecendo para me buscar.

Às vezes eu pensava que ela tinha morrido.

E quando eu finalmente me convenci disso, ela apareceu na porta da minha escola.

Naquele momento, as coisas estavam começando a melhorar para mim. Eu tinha aprendido a lidar com meu pai. Aprendi que se eu seguisse as suas ordens e atendesse suas expectativas, ele me deixava em paz. Eu poderia ter uma vida de adolescente normal sempre que ele estivesse viajando. Então eu voltei a ter amigos, e tinha sido aceito no time da escola. Estava começando a me enturmar de novo. E foi o ano que eu conheci Zeke também.

E aí, minha mãe apareceu!

Ela não tinha mudado quase nada. E por um momento, eu fiquei feliz por vê-la. Eu tinha esperança de que ela me dissesse que esteve doente pelos quase sete anos, ou presa. Mas não. Ela chegou dizendo que não pôde vir antes. Sem nenhuma outra explicação. E assim que ela disse isso, toda minha mágoa, todos os dias que eu sofri e chorei por ela, o reconhecimento de que ela foi embora e me deixou para trás. Tudo me atingiu em cheio.

Eu a mandei embora. E ela foi. De novo.

Passei muito tempo com raiva. Mas depois, simplesmente fechei os olhos para tudo e me deixei levar.

Frequentei a escola, fiz amigos, tive muitas namoradas — que eu nunca assumi. E fui o bom filho que meu pai esperava que eu fosse.

O plano era eu terminar a escola e ir para Stanford — como ele queria. Mas eu ia estudar sistemas de informação. Pelo menos isso eu poderia fazer por minha escolha. No começo meu pai insistiu que eu fizesse administração, mas eu não era mais um garoto que apanhava quando não obedecia. Eu consegui convencê-lo que eu poderia estudar o curso que eu queria e ainda assim trabalhar na empresa. Além disso, eu poderia fazer outro curso depois, se eu quisesse.

Tudo estava acontecendo como era para acontecer.

Até que eu conheci Beatrice.

Ela virou minha vida do avesso.

Me encantou com seu jeito doce, me deixou louco com sua teimosia e personalidade forte, mas também me queimou, torcendo cada um dos meus pedaços, me danificando totalmente. Eu nunca voltaria a encaixar em nada. Só nela.

Eu já não era o mesmo.

Tris me mudou. Ela me fez ver que eu merecia mais e podia mais.

O problema era eu ter forças para fazer isso. Velhos hábitos custam a morrer. E mesmo que eu quisesse uma vida diferente da que eu tinha, no fundo eu ainda era o filho obediente. Eu ainda vivia sob o olhar crítico do meu pai.

E tudo começou naquela noite fria, mais de dez anos atrás.

Era a hora de voltar ao passado e reunir o que não serve.

Respirando fundo e com as mãos tremendo, eu toquei a campainha.

Demorou alguns segundos, passos se aproximaram da porta e eu ouvi quando ela foi destrancada. A mulher loira de antes olhou para mim, curiosa.

—Posso ajudar? – Ela disse. Enfiei as mãos no bolso da minha calça e pigarreei.

—Er, oi. Eu sou Tobias, sou irmão do Thomas. – A mulher estreitou os olhos e me analisou brevemente.

—Thomas está no quarto agora. A moça, Beatrice, acabou de sair. Ele ficou muito abalado pelo acidente da mãe e está arrumando suas coisas, quer ir embora, estou tentando acalmá-lo. Posso pedir que você volte mais tarde?

—Na verdade – comecei. Reuni forças para fazer o que eu precisava. – Eu vim para busca-lo.

—Desculpe, mas Evelyn não me disse nada sobre isso. Não posso deixar que você leve ele – ela disse. Seu olhar desconfiado e eu vi que ela estava desconfortável. Gostei da atitude dela, ela estava protegendo ele.

—Eu sei. Eu não falei com a minha mãe ainda... – dizer "minha mãe" soou estranho, mas eu continuei: – Sobre Thomas ir para casa, mas eu vou levar ele ao hospital, acho que ele vai ficar feliz em vê-la, e também ficará mais calmo.

—Desculpe, não posso... – Ela disse, já fechando a porta. Coloquei a mão e a impedi de fechar.

—Por favor – pedi. – Eu não vejo minha mãe a muitos anos. E não conheço o Thomas direito. Eu só quero garantir que ele fique bem. – A mulher me analisou de novo. Me olhando de cima a baixo. Tentando decidir o que fazer.

—Eu vou deixar você conversar com ele – ela disse suspirando. – Mas não posso deixa-lo sair daqui sem a permissão da Evelyn, ela confiou em mim.

—Tudo bem – respondi.

Dando um passo para o lado, eu entrei na casa enorme e espaçosa. Como eu imaginava, essa casa se parece muito com a casa do meu pai. Um exagero de espaço.

Quando chegamos à sala, a mulher se virou para mim.

—Meu nome é Lucy – ela disse. – Vou subir para chamar o Thomas, fique à vontade.

Notas finais
Quero comentários!!!