Em busca da verdade

9 Capítulo 5 Parte 1-3


Longa tortura

O caminho foi longo até chegarmos em casa, abri o portão para meu pai guardar o carro e depois o tranquei. Minha mãe não estava com um dos melhores humores, mas enfim...

– Finalmente chegamos, estou louca para um banho bem longo e demorado. — A primeira frase de minha mãe desde que saímos do hospital. Ela se alongou jogando os braços para cima e depois para baixo. – Mais um pouco e eu ficaria dormente. – Só o papai riu. Fiquei só a observando ainda triste com a situação.

– Eu também. — Disse meu pai em um tom cansado de mais por ficar muito tempo sentado dirigindo. Depois deu um beijo bem longo e demorado em minha mãe. Não me importava se eles se beijavam na minha frente ou não, o que realmente importava era a felicidade deles. Se eles estavam felizes então... por mim tudo bem.

– Eu quero... Credo. — Nem me deixaram falar e já foram cada um para o seu canto, escutei a porta do quarto deles bater. — Obrigado mãe e pai por me escutarem e perceberem o que eu também quero. — Virei às costas e continuei meu caminho.

Segui até meu quarto, coloquei roupa de banho, peguei uma toalha e fui direto pra piscina. Ainda bem que os vizinhos não conseguiam ver a piscina que ficava nos fundos da casa. Assim teria mais privacidade e eu estava louca para usar minha perna novamente.

A piscina era bem grande, retangular com degraus que ficava mais fácil de entrar e sair, e não aquelas escadas de metal que não ajudam em nada.

Coloquei uma música pra tocar no meu rádio da época da pedra, apenas detalhes, ninguém notaria.

– Já que ninguém se importa... — Quase gritei — tudo bem, eu gosto de privacidade mesmo.

Antes de entrar na piscina tomei uma ducha para tirar a essência de hospital, pulei direto na piscina. A água estava t-t-tão... GELADA, que quase desisti, mas depois comecei a me acostumar com ela. Fiquei boiando e relaxando ao som da música que tocava. E músicas clássicas eram as melhores, sem duvida.

Ainda mais se for Canon de Johann Pachelbel.

Fiquei pensando em várias coisas, pensamentos diversos, mas nada que conseguisse focar.

Quanto tempo será que eu conseguia ficar embaixo d'água? Tampei a respiração e fui até o fundo da piscina. Tentei ficar por lá o máximo que conseguia, mas meu corpo insistia em flutuar de volta, quanto mais eu tentava ficar no fundo mais eu voltava a flutuar.

Chegou uma hora que desisti, deixei meu corpo flutuar, a diferença era que eu estava de barriga para baixo, com o rosto na água. Quem estivesse do lado de fora conseguiria ver perfeitamente uma bolinha flutuando ou um saco de lixo, pelo comprimento do meu cabelo. Depois de um minuto, sendo meu recorde, voltei a respirar ar puro. Relaxei por alguns minutos até a música parar.

Fui ver o que tinha acontecido e claro a pilha já era. O que significava que deveria voltar ao mundo real e tomar um banho, estudar com certeza, estava de castigo e ainda sem internet, até os créditos que eu tinha no celular minha mãe os cessou. E me deu um daqueles antigos que só fazem ligação de emergência. Há que ponto chegamos senhor?

– E voltamos à era medieval mais uma vez. — Sai da piscina, me enrolei na toalha, peguei o radinho, coloquei meu chinelo e fui tomar banho.

Tomei uma chuveirada bem quente, deixou minha pele vermelha, o espelho ficou embaçado em poucos segundos. O barulho da água escorrendo foi tomando lugar. Escorei-me na parede deixando a água escorrer pelas minhas costas. Tão relaxante. Pena que não pude ficar muito tempo, já que deveríamos economizar água.

Minha vontade era continuar lá. Às vezes penso se minha mãe não me achou na praia abandonada. Eu poderia ser uma sereia. Uma diva.

– DIVAssoura. — Me julgo.

Enrolei-me na toalha, olhei no espelho embaçado e limpei-o com a mão. Só meu rosto ficava a mostra.

– E agora? — Tinha os olhos caídos pensando na vida, pensando em minha... Vó. — Engoli em seco.

Dessa vez poderia ter sido serio, pois isso já aconteceu antes, não precisou ficar internada, mas... Voltei a me olhar no espelho com olhos ainda perdidos, suspirei bem forte como se eu estivesse me limpando de dentro pra fora.

Fiz um rabo de cavalo bem alto, meu cabelo era muito pesado então não ficou como eu havia imaginado. Enfim... Melhor que nada. Passei uma maquiagem bem simples como lápis de olho, rímel aprova d'água e um gloss meio rosinha.

Fui direto para meu guarda-roupa, peguei uma camiseta cor vinho manga longa, a calça do meu pijama cor preta e meias. Visto cada peça de roupa com tanta preguiça que quase deitei na cama para dormi. Coloquei minhas pantufas também. Era de panda. Bem infantil, mas era meu e o que importava era que eu gostava. Fim!

Ainda eu estava sem meu celular, o que me deixava ainda mais frustrada. Bufei. Fui direto à geladeira em busca de comida rápida e gostosa.

Abri a geladeira, não tinha muita coisa do meu gosto, preferi ir ao congelador...

– Sorvete. Perfeito. — Peguei um potinho, coloquei um pouco de sorvete... Ok bastante sorvete, fiquei amassando até não caber mais. Quem nunca? Coloquei bolinhas de chocolate. Nada mais maravilhoso. Guardei o pote de sorvete.

Fui até a sala, arrumei meu cantinho no sofá com almofadas e meu cobertor, coloquei meu DVD favorito no qual nunca me cansarei de assistir.

– Sobrenatural Sam e Dean... Amo vocês. – Fiquei até emocionada. – Prometo não abandona-los novamente. — Coloquei no episodio que eu havia parado. – Meu precioso. – Parecia uma maníaca.

Voltei para o sofá com meu potinho de sorvete, me aconcheguei perfeitamente, tipo aquelas posições que nunca mais iremos se encontrar? Pois é...

Olhei pra TV e para o controle que estava ao lado dela. Merda! Como iria conseguir assistir com o volume tão baixo? Tentei ficar lá e escutar do jeito que estava, mas não deu certo. Coloquei o pote de sorvete no chão, me levantei esperneando como se fosse uma criança de quatro anos que não quer fazer o que a mãe manda.

– Merda! — Peguei o controle, fui deitar, peguei meu sorvete do chão antes que eu acabasse derrubando em todo o tapete. Tentei achar a posição perfeita de novo, e nada, nada, nada, nada.

Fiquei como estava, já não podia fazer mais nada. Por dentro eu estava chorando, chorando muito. Pude até sentir uma lagrima sendo derramada. Pelo menos ainda eu tinha meu sorvete. Sorvete, a solução para os meus problemas.

Depois de três episódios, percebi que já havia passado bastante tempo. Fiquei com vontade de ligar para Duda e Bella e contar tudo o que havia ocorrido hoje, eu precisava conversar com elas, precisava e muito. Pensei bem e estava decidido.

Meu sorvete havia acabado e claro, como toda criança eu havia me sujado. Minha blusa preferida. Levantei em um pulo do sofá, coloquei o potinho de sorvete na pia. A casa estava tão quieta, que nem parecia que pessoas moravam ali.

Fui direto para o telefone que ficava na cozinha. Estava frio, mas ainda bem que eu usava meias e pantufas, tentei me lembrar do número de alguma das duas, já que antes era só eu clicar no nome delas e já ligava, lembrei-me de um nuúmero, porém não sabia ao certo se era de Duda ou Bella. Arrisquei.

– Alô? – Era Bella.

– Oi. Não posso demorar muito tempo, não tenho permissão para usar o telefone, só queria dizer que quero conversar com você. É muito importante para mim. – Quase comecei a chorar no telefone, minha voz já estava começando a ficar rouca, senti minha garganta se fechar. – Tem como você vir aqui em casa agora?

– Cassie, o que houve? – Ela aparentava estar preocupada.

– Não tenho tempo para isso, por favor, só venha. E peça para Duda vir também. – Escutei o barulho da porta do quarto dos meus pais se abrirem de vagar. – Rápido. – Desliguei o telefone rapidamente, voltei para a sala.

Não vi ninguém descer, significava que eu estava livre dessa vez. Depois de um tempinho minha mãe desceu as escadas e fez um chá para ela. A campainha tocou, ela foi atender a porta.

– Olá Sr. Katie. – Espiei para ver quem era. Finalmente elas chegaram.

– Oi... O que fazem aqui? – Mãe, quanta indelicadeza.

– Viemos ver a Cassie... – Apareci repentinamente ao lado da minha mãe.

– Oi... Que surpresa... – Desviei o olhar.

– Tem algo a dizer em sua defesa Cassie? – Ela me encarou feio. Pensei na melhor resposta.

– Elas têm algo intuitivo que mostrou que eu precisava delas ou só estão com saudades. – Arrisquei com um sorrisinho.

– Tudo bem, não estamos na melhor hora para brigar... – Ela estava voltando para a cozinha.

– Significa que posso ter meu...

– NÃO! – Ela me cortou dando um grito tão alto que todos os vizinhos escutaram.

Nem queria meu celular de volta mesmo.

– Oi. – Ainda chateada com o castigo fiquei feliz que elas vieram.

– Então...? – Não entendi no começo.

– Vai convidar a gente para entrar ou não? – Curta e grossa essa é a Duda que conhecemos.

– Vocês são vampiras por acaso? – Brinquei. Elas não acharam graça. – Vamos lá pra cima, teremos mais privacidade. – Quase sussurrei para minha mãe não escutar. Por que eu estava sussurrando em minha mente?

Fomos para meu quarto, fechei a porta de vagar evitando o barulho. Quando me virei levei um susto com elas me encarando em pé. Logo mais voltei a minha expressão triste, elas vieram correndo me abraçar e mais uma vez não aguentei me segurar o que me fez começar a chorar de soluçar.

– Calma, vai ficar tudo bem. – Uma delas passava a mão em meu cabelo.

Curvei-me para frente me deslizando para o chão, ela fizeram a mesma coisa por mim. Com o tempo fui me acalmando de vagar até conseguir conversar com elas.

– Acho que vocês já podem imaginar o que aconteceu. – Continuei de cabeça baixa.

– Tenho minhas duvidas. – Encarei Duda. – Brincadeirinha. – Claro que elas sabiam o motivo, da última vez me senti bem pior, mas creio que ainda sim elas sabiam.

– E se... E se... – Soluçava tanto que não conseguia falar.

– Se nada, não aconteceu nada.

– Mas poderia...

– Mas não aconteceu. Você tem que se reerguer e olhar pra frente – Bella pegou minhas bochechas fazendo olha-la. – você entendeu? – Ela fez uma expressão severa, tudo o que pude fazer foi pular em seu colo a abraçando.

– Obrigada por vocês estarem aqui mais uma vez...

– Amigas são pra essas coisas – Duda pegou em minha mão a apertando forte. – Sempre, não importa quando ou onde. – Sua segurança me passava um pouco de conforto. Acenei com a cabeça concordando.

– Vocês não imaginam o quanto amo vocês. – Abracei-as tão forte que pude sentir seus ossos estralando.

– Já pode soltar a gente agora. – Disse Bella quase sem ar. Às libertei do meu amor incondicional.

Notas finais
E ai abiguinhos... O que estão achando? Não deixe de deixar sua opinião, logo mais a continuação desse capitulo kkk Beijinhos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.