Em busca da verdade
7 Capítulo 4 Parte 2-3
Algumas aulas passaram bem rápidas, no intervalo fiquei um pouco distraída, pensamentos jogados ao vento. Pensei em querer chegar logo em casa, tirar minha atadura, mexer na internet – como eu necessitava daquilo.
– Hei? – Duda começou a estalar os dedos na minha frente me tirando do transe.
– O que? – Encarei-a, sua expressão não era das melhores.
– O que você acha? – Bella só observava.
– Você estava me escutando?
– Sim claro... – Não!
– Então vermelho ou preto?
– Preto.
– Viu você não esta me escutando. Mais que saco, você não presta mais atenção em mim, em nós. – Ela fazia sinal com mão simbolizando ela e Bella. — Cass você está no mundo da lua. Não liga mais pra gente não manda mais mensagem nem conta mais as novidades ou as mudanças que esta acontecendo com você. Qual é, você é nossa amiga e nos trata como colega. – Oh quem fala, mas é melhor não arranjar confusão, pelo menos não agora.
– Desculpe, eu não posso dizer agora, mas eu prometo que quando chegar o momento eu contarei.
– Cass, olha pra mim, você mudou você não é mais a mesma. – Ela pegou meu rosto com as duas mãos me fazendo olhar em seus olhos cor chocolate.
– É... Acho que mudei mesmo... – Afastei-me dela. – ...deixei de ser trouxa. Deixei de me importar com quem não se importa comigo, deixei de acreditar em tudo o que os outros dizem, deixei de ser... Enfim, não quero brigar, depois resolvemos isso. Agora tenho que ir. — Segurei-me para não chorar.
Realmente eu era muito bipolar.
– Se é assim que deseja. — Seu olhar frio me magoou mais ainda.
– Cass... — Antes mesmo que Bella dissesse alguma coisa, Duda a puxou impedindo de dizer qualquer coisa, além disso, eu já estava longe mesmo.
Vou escrever um livro chamado: Como é difícil ser eu.
Cara, por que eu estou tão triste? Estou depressiva ou talvez com fome...
Ah não... Não acredito que ele estava vindo atrás de mim. Talvez porque ele estava vindo em minha direção, pensei que fosse falar comigo ou qualquer coisa do tipo, mas como o mundo não girava ao meu redor, ele simplesmente passou reto. Isso foi o fim da picada, ele só passou reto, agora seria o momento perfeito para me suicidar.
Logo mais eu estaria em casa me livrando daquele lugar. Sentei-me no chão em um canto escondido da população. Só lembro-me de ter jogado meu corpo para trás e me deitado lá mesmo. Se eu dormi ou não, não importa, só sei que quando olhei para o lado adivinha quem estava lá? Pois é... Ele mesmo.
– Ah... não, alien não estou muito bem hoje para você torrar minha paciência. — Estava deitada no chão com o braço apoiando no rosto cobrindo meus olhos por causa do sol, olhei para ele, coloquei meu braço de volta. O sol estava muito quente até que uma sombrinha não seria má ideia. Ou melhor, eu poderia mudar de lugar (sorriso irônico).
– E quem disse eu vim falar com você?
– Pelo que eu estou vendo: Primeiro, Eu estava aqui sozinha. Segundo... – Continuei sem olhar para ele.
– Conjugou o verbo correto. — Levantou o dedo concretizando seu argumento. — Estava! Não está mais.
– Enfim... Segundo e último motivo, porque motivo você viria aqui? Ah já sei. Deve ser por causa do sol que esta queimando o meu rosto e você pensou '' por que eu não vou lá queimar o rosto também? '' – Agora olhei para ele, e ele só me observava.
Não sou muito boa com as palavras, mas em sarcasmo e ironia já ganhei o troféu tipo umas três vezes.
– Ah, sim claro. Por que outro motivo eu viria?
– Bye! — Coloquei minha bolsa em meu rosto. – Vai, vai. — Fiz um aceno com a mão pra ele sair de lá.
– Eu não sou um pum, onde você solta e abana para o fedo sair do seu lado.
– Se você diz...
– Levanta.
– Não! Agora sai daqui. – Eu dizia quase morrendo.
– Levanta logo temos aula agora.
– Não, você tem aula eu tenho que ficar aqui deitada mais um pouco. — Ele levantou, espiei entre meu braço, voltei a fechar o olho e finalmente estava livre dele.
Espera a... o que ele estava fazendo como aquele copo? Ai não...
– Nãooooo. – Como se acontecesse em câmera lenta.
– Eu avisei você. – Ele ria.
– Ah fi de peste, volta aqui ser das profundezas... – Levantei com dificuldade, minha perna estava quase boa, até porque eu ia tirar a atadura hoje, mas isso não me impediu de correr (tentar) atrás dele.
Tentei correr, mas ele era muito rápido e também estava na vantagem. Ótimo além de correr igual um sapo agora eu estava toda molhada, pelo menos só a camisa.
Depois de tentar correr por um bom tempo, que não me levou a nada, bebi água Me deparei com o espelho vendo minha camiseta toda molhada, não chegava a ser encharcada.
– Ai. Meu. Deus. Não surta, não surta, não surta. Respira, respira, porque hoje o dia será longo. — Eu dizia a mim mesma.
É impressão minha ou ele estava rindo do outro lado do pátio? Ai não, todo mundo estava me olhando, por que eles estavam me olhando?
– Cassie? — Chamou Bella. Virei-me para olha-la, e ele fez uma cara de susto que a levou a colocar a mão na boca.
Quando eu me olhei no espelho eu só vi que estava molhada nem deu tempo de ver o resto, até que eu me olhei novamente e ...
– Arg! — Gritei, não estava só molhada, estava tudo transparente marcando tudo, o meu sutiã era meio que fluorescente, mas que peste de cidadão.
– Me leva para o banheiro, por favor.
Minhas amigas me levaram para o banheiro.
– O que aconteceu? — Perguntou Duda.
– Não o que, mas quem!
– David? — Bella arriscou um palpite.
– Nossa mais que vidente. – Fui irônica, quase surtei.
– Calma vamos dar um jeito. Fala com o dire... – Corte-a.
– Não! – Cerrei os dentes.
– Não? — Questionaram as duas confusas.
– Ele terá o que merece. — Fiz uma cara diabólica fazendo-as ficar assustadas.
– E agora o que eu vou usar? — Estiquei a camisa pra ver se melhorava, mas não adiantou, era uma regata. E agora estava marcando tudo. — Eu... eu... vou chorar... – Eu fazia biquinho ameaçando chorar.
– Bom se você usar o que esta em sua cintura... – Apontou para minha cintura.
– Você não está falando serio né? – Foi tipo ''você não tem escolha''.
– Bom... É isso ou fica nua! – Bella cruzou os braços.
Passando-se menos de cinco ou seis minutos estávamos saindo do banheiro. Um calor de trinta graus e eu de moletom, fala sério, pelo menos foi melhor que ficar nua.
– Pra que tanto calor meu Deus? — Levantei as mãos para o alto gritando.
Algumas pessoas passavam por nos me encarando, minha vontade era de bater neles, pena que não tinha permissão.
– Está gritando por quê? — Serio que eu tinha que responder? Minha cara de desleite para Bella foi a melhor.
– Talvez seja porque está um calor de quarenta graus e eu sou obrigada a ficar com esse moletom até eu chegar em casa. O que você acha? – Mais um pouco e eu a esganaria.
– Ta. Não precisa sem tão grossa. – Por favor, dá um tempo.
Nós três fomos para próxima aula, o intervalo acabou e o pátio já estava quase vazio. Eu não poderia ter mais reclamações ou advertências porque meu limite já estava estourado. Preferi não me atrasar para a aula. Não sei por que, mas comecei a pensar que o povo dessa escola me odiava.
Só pode.
Eu não aguentava mais olhar para a cara daquele alien, sentei-me o mais longe possível dele, não importava para onde eu olhava ele estava lá me olhando de volta. Até em meu sonho. Como esse cara conseguia manipular a vida das pessoas dessa maneira?
Não contei para minhas amigas, mas eu sonhei com ele noite passada, que loucura foi aquilo, foi tão real que mal pude acreditar que era um sonho e se eu contasse para Duda ou Bella com certeza eu teria um interrogatório no qual eu seria grossa, fechada e acabaríamos brigando. Nossa rotina diária.
– Ahh... Não. — No momento que eu percebi que disse isso em voz alta coloquei a mão a boca. Ops... Falei alto de mais. Acho que ninguém reparou, olhei para todos os lados ninguém olhava para mim, mas David havia sumido de vista Por que minhas amigas sempre somem do nada?
– Buuhh... — Dei um grito quase caindo da cadeira.
– Você... Você não tem mais o que fazer? – Tampei meu rosto com minhas mãos.
– Hum... Não! — Olhei para ele querendo enforca-lo no mesmo instante. — E o que você estava murmurando há alguns segundos atrás?
– Espera ai, o que? E por que eu estaria murmurando alguma coisa? — Ele levantou a sobrancelha.
– Fiquei pensando comigo mesmo duas coisas ou ela está murmurando ou é louca...
– Eu. Não. Sou. Louca. – O cortei sem perceber. Por que era tudo tão complicado?
– E por que você precisou pontuar suas palavras?
Peguei sua cabeça e a bati com na mesa com toda força, fez um barulho imenso, comecei a rir igual uma louca maníaca histérica diabólica.
Ele começou a estalar os dedos fazendo-me voltar à órbita. Tudo bem que não fiz isso de verdade, mas vontade é o que não me faltava.
– Ai garoto, como você é burro. Eu. Desisto. – Lembrei-me de algo — Ahhh safado se não me engano você me molhou toda há alguns minutos atrás, você tem sorte deu não ter feito nada ainda. – Sorrisinho diabólico — Agora me da licença e volte para seu lugar porque não quero mais conversar com você hoje! Ok? Ok! – Acenei com a cabeça o empurrando, foi hilário ele quase caiu. Não foi melhor que bater a cabeça dele na mesa, mas foi engraçado.
Tudo o que eu conseguia fazer era observar as pessoas ao meu redor, saber o que se passava em suas cabeças. Cada um tinha uma expressão diferente, alegre, triste, confuso... Seria bem legal saber o que se passa dentro de cada um. Será que querem crescer ou continuar na adolescência? Não terem responsabilidades ou coisa do tipo...
Isso deve ser crescer, deixar de ser tão pirralha e começar a me importar de verdade com o futuro. Tudo que eu queria era aproveitar a vida tendo várias aventuras com muita ação, drama, suspense e terror, claro que não pode faltar comedia agora o romance... Não sei se estava preparada, mas já que eu estava num dilema de mudanças então... isso seria bom, mas num futuro bem distante.
– Hei.
– Cassie, você prestou atenção no que acabaram de dizer?
– Oi? Sim, sim. – Mentira.
– E o que disseram?
– Que... que...
– Que... O que?
– Ai tem muito '' que '' nessa conversa. – Tentei disfarçar.
– Ai, às vezes eu sinto que você está acordada por fora, mas está dormindo por dentro, como uma daquelas estatuas do shopping. — Falou Duda.
– Não tem nada a ver, eu to aqui, pronto. Que foi? – Fechei os olhos cruzando os braços.
– Quer ser minha dupla? – É sério?
– Pra que? – Ai, não acredito que eu estava dormindo sentada de novo, olhei no relógio e se passaram vinte minutos de aula. Será que eu estava ficando doida?
– Desisto. – Bati minha cabeça na mesa com força. Fez um barulho engraçado. Eu devo ser retardada, porque ando achando graça em tudo, principalmente em coisas idiotas como essas.
– Não desiste... – Duda tentou dizer algo, mas David apareceu interrompendo-a.
– Não esquece que nós dois somos duplas. Fica para a próxima Eduarda. – Piscou para ela. Ele começou a brincar com fogo e nem sabia.
– Eduarda? — Achei que ela ia bater nele. Ela amaçou a folha que segurava. Ninguém a chamava assim, ela não gostava, melhor eu nem me meter.
– Calma Duda. Puts... Acabei de lembrar que ele ainda é minha dupla.
– Galinha pintadinha, o pintinho amarelinho. — Gritou bem alto.
– Não precisa gritar assim no meu ouvido seu encosto. — O empurrei, o sorriso em seu rosto meu deu um pouquinho de medo quando eu me virei e olhei para Duda ela estava com os olhos bem arregalados, vi que o negocio era serio. – O que aconteceu?
– Ótimo, saibam que não podem mais trocar suas escolhas nem suas duplas porque se o fizerem perderam metade da nota então pense bem antes de me dar a resposta. — Concretizou o professor.
– Pensar o que? – Fiquei aterrorizada.
– Ué para o nosso seminário. — A calma que utilizava para responder me fazia ficar mais irada.
– Que seminário? – Meus olhos começaram a piscar sozinhos.
– Ai, garota vê se não me atrasa.
– Cass, era isso que eu queria perguntar, se você queria ser minha dupla para o seminário de artes, que o tema tem que ser infantil, explicando tudo, quem criou, da onde veio, qual sua historia, se as crianças gostam...
– Por favor, não me diga que isso que ele gritou foi nosso te... — Antes de completar a frase olhei para ele, o sorriso dele me desafiava. Voei em seu pescoço sem nem pensar duas vezes.
– Cassie não! — Gritou Duda tentando me segurar.
– Eu vou te MATAR! — Tentei colocar minhas mãos em seu pescoço. Ele foi mais rápido e me segurou. Vi o espanto na cara de Duda.
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