Aquele amanhã havia chegado, havia tambores por todos os lados do apartamento e não me recordava de ter adormecido. Deveria ser alguma hora da tarde, mas estava nem ai.

Estava, talvez, me tornando a velha preguiçosa que tanto temia.

"Vamos, Maria. Ignore a dor de cabeça e vá no mercado!" Minha mente tentava gritar.

Jogava as cobertas para o lado e saia da cama, como se tivesse feito sexo mil vezes em uma noite. O corpo implorava por descanso.

Caminhava até a caixa de correio e pegava as cartas, contas a pagar, convites a festas. Jack.

A carta brilhava, se insinuava, agitava, rebolava e dançava na minha mão.

Odiei-a desde o principio.

Abria o pacote e agia com frieza ao ler lida.

"Resolvi seguir sua dica, não deixar o medo comum — não ser correspondido — me abalar."

Dica.

Medo comum — não ser correspondido -.

Quem liga?

Jogava a carta na mesa e a deixava daquele jeito, indo para o chuveiro para aliviar a tensão.

Não era o 'es' e menos o 'ins'.

Era ódio.