Em Um breve Momento
1 - único -
Notas iniciais
O 11º esquadrão foi o encarregado esse ano de organizar uma comemoração para os capitães. Na verdade, só Yumichika se animou relativamente com a idéia... Ikkaku odiara logo de cara. Não gostava de preparar nada. Era do típico adepto “cheguei, bebi e saí”. Claro que... Fora difícil uma organização em um esquadrão tão... Desinteressado para aquela comemoração. Kenpachi se divertia, literalmente, vendo os esforços de alguns comparados com a vasta renúncia de outros, leia-se = a maioria.
A semana que o esquadrão tinha para concluir tudo chegou e claro que apesar das diversas desavenças conseguiram cumprir o prazo. Não que Kenpachi iria achar ruim caso não cumprissem... Mas o esquadrão se alimentou das conversas paralelas que percorriam os outros esquadrões sobre a incapacidade e a vergonha que seria a festividade. A praxe que levanta qualquer espírito: “Diga que não sou capaz que te mostro”.
Por mágica ou muita sorte tudo transcorreu bem, surpreendendo muitos taichou’s. Mas... O pior de tudo aquilo ainda chegaria e como havia sido a primeira vez, hm, do esquadrão de Kenpachi a arrumar algo, os pobres meninos não tinham idéia de quão desestimulante era... Limpar tudo.
Sim, aquela sensação de fim de festa, ver aquela bagunça toda e saber que você teria que fazer tudo voltar ao normal. Uma leve comparação de quando se chega de viagem... É, você que tem que desarrumar a mala, separar o sujo do limpo e voltar todas as coisas em seus lugares de origem. Fatal!
Outros dias se seguiram, a sujeira não era mais um empecilho tão grande... E lá estavam Yumichika e Ikkaku desmontando as barraquinhas... Lona por lona, ferro por ferro.
A base das barracas era presa fixamente no chão com um circulo também de ferro para dar estabilidade, nesse circulo era posto um ferro fino e posteriormente seguia-se um ferro mais grosso...
- Não dá pra soltar Yumichika! Dá essa merda aí que eu vou quebrar!
Madarame vociferava virando-se de costas para o esqueleto da última barraca. Estava muito, diga-se de passagem, irritado. Simplesmente o resto do esquadrão achou que “só” limpar o chão era o suficiente. “Como se o resto se desmontasse sozinho!” Era a frase que Ikkaku maisrepetira assim que viu as inúmeras barracas que teria que desmontar.
— Não reclame Ikkaku... Eu jamais iria recolher lixo... E já estamos na última barraca... Não pode quebrar ela! Já quebrou três! Depois se formos precisar de novo?
Hehe. Ah sim... Yumichika também desmontava. Bem, ficava ali, de apoio moral... Não gostava de se esforçar desnecessariamente. Não que aquilo fosse desnecessário entende? Mas... Ikkaku estava ali e com certeza fazia o trabalho rápido. Conhecia muito bem o outro ao ponto de saber que quando não gostava de algo procurava terminar logo tudo, do que enrolar para fazer. Totalmente seu oposto.
— O que?! Foda-se que essa seja a quarta!
Virou-se pegando impulso para poder torcer completamente aqueles ferros... Malditos... Miseráveis... Até fazer uma bolinha como já tinham por ali algumas... Que mal teria? Nenhum. Acabaria aquele serviço estressante com chave de ouro! Descontando toda a sua raiva naquela merda inanimada.
— Eu te ajudo! Assim você não se cansa tanto com isso...
Oh Clemente e Misericordioso... Yumichika trazia uma expressão serena um sorriso contente, aproximava-se de uma das bases da barraca. Madarame suspirou fundo, bem fundo. Se fosse qualquer outro sua reação seria completamente diferente. Caminhou até o moreno e voltou na tentativa de desmontar sem desfigurar a barraca.
Yumichika segurou com força enquanto o outro puxava. Em poucos instantes uma das bases já estava tirada. Seguiram com aquilo pelas outras duas, até parar na última. Claro, a última sempre é mais difícil...
O moreno aproximou a parte do cano do corpo, esticou uma das mãos mostrando com o indicador onde Ikkaku devia puxar. O outro passou a exercer mais força ali.
Por coincidência ou não... Não, não era coincidência, Renji percorria curiosamente aos arredores do esquadrão 11º. Tinha a esperança de encontrar Ikkaku lutando com as barracas desesperadamente... E assim riria escondido um pouco do quão ridículo alguém pode se tornar.
O ruivo ficou estrategicamente escondido, na moita (hm). Procurava uma forma de poder ver, sem ser visto. E isso tinha que ser bem feito já que o cabelo denunciaria, de longe, quem era...
O que leva alguém a fazer isso? Nada. Absolutamente nada a fazer.
O trajeto foi interrompido a ouvir sons suspeitos. O ruivo parou tentando compreender o que eram e se vinham mesmo no campo aberto que o esquadrão 11º tinha.
Vinha... E os sons passaram a ser mais que suspeitos. Longos e com ruídos altos soavam como gemidos. Renji permaneceu estático, os olhos bem abertos, perplexo com o que ouvia...
— Segura direito pra eu tirar logo!
E um novo gemido foi ouvido, parecia com Yumichika... Enquanto Ikkaku em um tom menor parecia fazer força.
— Ohhh!
O corpo de Yumichika fora para trás, caindo no chão com uma parte da barraca enquanto o de Ikkaku fora para o outro. Este por sua vez levantou-se rapidamente começando a rir. Ahh... A sensação de vitória sobre a barraca invadia o cérebro do careca.
Renji ergueu-se um pouco, e pode ver o que de fato tinha que ver. Sorriu revirando os olhos... Era aquilo... Voltou a se esconder, passando agora a olhá-los. Mas, ele não contava e nem percebera muito Yumichika.
Já Yumichika...
Enquanto Ikkaku erguia os braços comemorando estava ocupado demais para perceber um espião.
O moreno levantou-se, riu brevemente das atitudes que conhecia. Já tinha em mente que o outro ficaria assim após terminar. Uma vitória era uma vitória afinal.
— Parabéns Ikkaku! Viu? Conseguiu desmontar todas!
Dizia enquanto se aproximava do outro. Ikkaku parou e virou-se tendo Yumichika bem próximo. Parou de rir e fitou o moreno. No fim... A vitória maior vinha graças a ele... Mesmo que tivesse desmontado todas as outras sozinho, e quebrado algumas.. A última, que lhe traria um êxito maior, foi à paciência de Yumichika que o controlou... Controle, paciência. Se não fosse o outro, com certeza estaria muito mais parecido com Kenpachi.
Yumichika ergueu as duas mãos passando pelo rosto do outro, parecia cair em pensamentos... Sorriu com aquilo e logo pode sentir os braços de Ikkaku em volta da cintura, abraçando-o. Desviou lentamente o olhar para onde Renji estava, disfarçadamente, e logo voltou aos orbes negros, o qual sabia controlá-los bem.
— Digno de uma recompensa!
O moreno sorria divertido, tinha uma observação formidável ao ponto de notar a inquietação do amigo ruivo e poder decifrar que Ikkaku gostara do que lhe havia dito. As mãos mais delicadas desceram do rosto passando pelas vestes do outro, expôs um pouco do tórax e inclinou a cabeça recebendo rapidamente a língua e os lábios do seu companheiro de esquadrão. Um beijo longo... Pareciam cessar uma saudade. Com toda aquela confusão que teve em preparar e desfazer a comemoração...
As línguas se tocavam e uma presenteava a outra com carinho, os lábios roçavam e transmitiam um calor nostálgico para os dois. O moreno foi desfazendo-se do beijo enquanto o outro procurava mantê-lo. Prendeu a parte inferior do seu lábio como última tentativa errante.
Renji, transparente do jeito que era além de corado com aquela revelação que tão pouco acreditava, mas que agora passou a acreditar veemente procurou sair logo dali. Bem rápido. Precisava organizar uma boa parte dos seus pensamentos...
O moreno riu divertido no fim do beijo, deixando Ikkaku meio confuso. O abraço era mantido e os dedos no tórax começavam a fazer uma caricia boa.
— Não é nada... Mas a sua maior recompensa vem depois!
E dizendo aquilo Yumichika escapou do abraço e virou de costas saindo dali rapidamente, antes que o outro conseguisse segurá-lo por mais tempo.
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