Em Ti, Violeta (One-Shot)
2 Por ti, Violeta
“Esta tudo bem” ela repetiu para si mesma enquanto o observava partir...
E de modo algum conseguia esquecer as palavras que ele costumava dizê-la, mas que essa noite ele não teve nem a intenção de repeti-las.
“Estará tudo bem sempre. Por que estaremos sempre juntos.”
Estava escuro e ela passava as mãos sobre os olhos tentando enxergar algo naquela escuridão, tentando enxerga-lo.
Ele estava partindo, já estava longe e ela não tentaria nem conseguiria correr até ele, seus ossos congelavam por dentro com uma dor que vinha de seu coração e a petrificava por inteiro, parada ali observando ele distanciar-se cada vez mais. Levando com ele cada palavra que um dia a fizera tão bem.
E ela mais uma vez se perguntava já deixando uma lagrima escorrer por sua bochecha rosada que agora estava branca como um papel, e seus olhos que antes tinha um castanho brilhante estavam cintilando ainda, mas não como antes, agora eram as lagrimas que o faziam brilhar, inundando-os de um brilho e de uma intensa angustia.
— Eu não preciso de você, eu vou ficar bem sozinha. – Ela tentou se convencer enquanto via-o partindo quase imerso nas luzes da rua fria e coberta de neve.
A noite estava calma, a rua que sempre costumava ser vazia estava do mesmo modo, casas com luzes apagadas, postes acesos e para ela... Para Violeta, tudo estava diferente, por que esta noite tudo parecia o fim do que antes fora... Ele partira, e não haveria de voltar. Aquilo era o fim de algo, mas ela não conseguia perceber que era apenas o fim deles dois, Violeta não conseguia perceber isso, por que passara tanto tempo idealizando que eles estriam bem e felizes para sempre, que o amor dele lhe era suficiente para suprir tudo.
A TV estava desligada, o que não era como de costume. Àquela hora da noite eles sempre ligavam a TV do quarto para assistir algum filme até sentirem sono e dormirem. Mas esta noite o espaço ao lado da cama dela estava ocupado apenas por travesseiros que ela jogou enquanto os socava para conter as lagrimas e a raiva.
Encolhida no canto da cama tendo a seu redor travesseiros espancados e uma dor que quase a fazia emudecer, Violeta pensava no que a trouxera até aquele ponto. Precisava ficar bem, sabia que ele não iria voltar, e mesmo que ele voltasse, mesmo se ele voltasse naquele mesmo segundo e instante não adiantaria, Violeta havia percebido que acabara, por mais que ela estivesse chorando por não tê-lo ela sabia que era em vão. A dor que sentia, não era uma dor de ter sido ferida, mas era uma dor causada pelo vazio que agora percebia em si.
Ele não apenas tinha partido daquela casa, daquela cidade, e da vida dela, Tyler partira também do coração dela. E as lagrimas que caiam de seus olhos enquanto refletia sobre isso, eram o resultado do espaço que ele havia deixado dentro dela... Sim, ele tinha um grande lugar dentro do coração de Violeta, e ao partir o deixou vazio.
A manhã seguinte estava fria e o céu nublado, o único barulho que vinha de fora da casa era o de um cachorro brincando com seu pequenino dono que parecia estar se divertindo mais que o cachorro com a brincadeira, barulho esse que acordou Violeta lentamente.
Seus olhos instintivamente olharam para o lado da cama, que estava ocupado por travesseiros, e não, nenhum rastro de Tyler. Mesmo sabendo que ele não estaria ali, Violeta pareceu desapontada a só encontrar travesseiros. Mas ela chorara tanto noite passada que não conseguia permitir-se chorar hoje, seria um novo dia. E ficaria tudo bem... Ela provaria a si mesma que a sua vida sem o Tyler seria muito melhor do que apenas “tudo bem”.
Começou a recolher da casa as fotografias nas quais o Tyler estava e colocou todas em um cesta e as jogou no porão. Tirou os objetos nos quais ela praticamente via os momentos dela e Tyler...
Ainda tinha muita coisa que a fazia lembrar-se dele, mas caso ela fosse tirar todas acabaria por deixar a casa sem utensílio algum. Contentou-se em apenas tirar as fotografias e os enfeites que ele mais amava. Mas não tirou o elefante rosa que ficava sobre a mesa de jantar no lugar onde deveria estar uma jarra de flores ou algo assim. O elefante permaneceu em seu mesmo lugar, mesmo sendo o utensílio preferido de Tyler, ele também era o preferido de Violeta. Ele a fazia lembrar-se de Tyler, mas a fazia lembrar-se de si mesma também.
Se livrar daquelas coisas que a fazia lembrar-se dele a fez voltar ao estado da noite passada quando o vira partir.
Ela estava triste por tê-lo perdido, mas estava tão mais triste por não saber o que fazer ali sozinha... Passou grande parte do dia imersa na bagunça que fez na casa, largada no sofá tentando vãmente para de chorar.
Depois de tantas horas naquele estado Violeta levantou-se do sofá, deixando não apenas as lagrimas ali, mas deixando o seu lado triste por ter perdido o Tyler, deixou dormir seu lado que a fazia definhar só de lembrar-se dele, não apenas deixou-o dormir, como também depois de muito tempo deixou-o morrer.
Ela já não o adorava, não o amava da maneira de antes. Aprendeu que era estupidez permitir-se querê-lo.
Desde o dia em que Tyler partira ele nem se dera ao trabalho de procura-la para saber ao menos se tinha feito muito mal a ela por ter partido de uma hora para outra. Ela costumava checar a caixa de correio todos os dias com a esperança de uma carta dele dizendo que ainda a amava, mesmo que não fosse voltar. Mas a carta nunca chegou, e ela então repetiu o ato dele, saiu e abandonou algo ali, abandonou todas aquelas lembranças. Já não suportava mais ver aquela caixa de correio vazia todos os dias.
— Oh Deus – gritou ela abrindo a porta do apartamento, com um sorriso incomum no rosto. – Isso foi um dia!
Violeta entrou em seu apartamento, ela havia se mudado daquela casa na qual ela e Tyler antes dividiam e agora vivia sozinha em seu apartamento. Era um lugar grande e claro, já faziam alguns meses que estava morando ali, era muito longe de onde ela morava antes, agora estava em Moscou, e estava feliz com seu novo apartamento, sua nova vida, seu novo trabalho. Seu apartamento era diferente da antiga casa, a cama era menor, os móveis e os enfeites claros e clássicos, algo que sempre a agradou, haviam duas cestas de flores na varanda deixando assim a casa mais clara e cheirosa, a sala de jantar era pequena, mas decorada igual ao resto da casa, exceto um pequeno utensílio que estava na mesa de jantar. Um utensílio que não combinava com a decoração clássica escolhida por ela, ficava no centro da mesa de jantar era um elefante rosa.
Era o elefante que a lembrava de Tyler e que agora apenas a lembrava que caso ele não tivesse partido ela ainda estaria com sua rotina e sua antiga decoração, dividindo a casa com alguém capaz de deixa-la para traz tão rápido e facilmente.
E mentalmente enquanto ia a seu quarto ela agradeceu a ele. Agradeceu por ele ter ido e por tudo não ter sido uma imensa mentira quando muitas vezes ele a prometera que tudo ficaria bem porque eles estariam sempre juntos... Em uma parte disso ele estava certo. E agora ela poderia enxergar claramente, sim estava tudo bem e sempre iria ficar bem, mas ela, ela não precisava dele para isso. Nunca precisou e agora sentia e via que não precisava dele para poder ao menos sorrir.
Ela voltou á sala de estar e segurou com suas mãos esguias o pequeno item rosa sobre a mesa de jantar.
—Sim, — murmurou para si mesma – eu estou bem... E não vejo razão para não esta-lo. Afinal, o que realmente me poderia deixar triste?
Ela havia estado triste depois da partida de Tyler, mas foi através da dor que sentira que ela finalmente percebera que precisava de si mesma. Precisava de sua felicidade e de sua própria fidelidade.
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