Notas iniciais
Bom, lá vai mais um.

ALICE

– Que merda é essa?! — gritou Ralf entrando no quarto como um furacão. Todos nós paramos de dançar. Os risos e as conversas cessaram. Ralf desligou o rádio.

– Ralf, o que houve? — perguntei-lhe chocada.

– Eu que pergunto, Alice! — ele cuspiu meu nome. — O que houve aqui?! O que pensa que está fazendo?!

– Estamos nos divertindo um pouco, cara. Relaxa. — tentou suavizar Kyle.

– Cala a boca,s eu merdinha! Saiam todos daqui! — gritou ele imperativo. — Agora! — todos me olharam especulativos.

– Tudo bem, vão. — disse-lhes tentando parecer calma.

– Qualquer coisa é só ligar para gente, tá? Voltamos correndo. — sussurrou-me Rose. Assenti.

– Vamos lá, Alice. Estamos só você e eu. — disse ele quando todos saíram. — Que palhaçada toda é essa, hein?

– Não estou entendo, Ralf. Por que todo esse estresse? — perguntei-lhe em tom ameno. — Não estávamos fazendo nada de mais.

– Então por que não chamou? Se era algo tão inocente por que não me chamou? — questionou ele.

– Eu não sei. Acho que só esqueci. — dei de ombros.

– Esqueceu?! — ele voltou a gritar. — Esqueceu?! Esqueceu do seu namorado?!

– Desculpa, Ralf. Foi tudo tão rápido. O pessoal chegou, ligou a música e começamos a dançar. Só. Me desculpe se não te chamei.

– Estava esperando ele, não é?! Hein?! — ele deu passos largos até mim e me segurou pelos braços.

– Quem? Esperando quem? — perguntei-lhe confusa.

– Aquele babaca metido! Eathan! — ele apertou meus braços com força. — Estava esperando ele, não é?! Está me traindo, Alice?!

– Não, não, Ralf. Ai! — gritei quando ele me apertou mais. — Para, Ralf!

De repente ele me soltou. Colocou as mãos na cabeça e andou para trás. Seu rosto se transformara em uma máscara de dor. Ele caiu de joelhos fazendo uma careta. Corri até ele, ajoelhando-me a sua frente.

– Ralf, o que foi? — perguntei.

– Ele soltou um grito sufocado, depois caiu desmaiado. Entrei em desespero.

Tentei acorda-lo, mas nada aconteceu. Então liguei para o Kyle, pedi para ele me ajudar. Em poucos minutos ele e as meninas voltaram. Contei-lhes o que havia acontecido. Kyle chamou um táxi e levou Ralf embora. Sarah, Rose e Tessa ficaram comigo um pouco tentando me acalmar.

Quando já estava um pouco mais tranquila as meninas foram embora. Tomei um longo banho. Honestamente não entendia o que havia acontecido. Fazia semanas que eu não via o Eathan nem falava dele. De fato eu gostaria de tê-lo encontrado de novo, estava com saudade. Parece estranho eu estar com saudade de um garoto que mal conheço, mas é verdade. Só que eu não disse isso a ninguém.

Então não sei de onde o Ralf tirou essa ideia de que eu estava esperando o Eathan. Até porque eu nem sabia onde o Eathan estava.
Joguei-me na minha cama, exausta. Meus braços estavam com marcas avermelhadas onde o Ralf havia me segurado. Ralf nunca havia agido daquele jeito. Aquilo tudo era tão estranho. Queria poder pedir conselhos ao Eathan. Não. Não pense nele, disse a mim mesma. Não devia pensar mais nele. Ele sumira. Não deu notícias, nem me procurou. Era só um garoto que havia me ajudado e pronto. Nada mais. Não era meu amigo nem nada.

Rolei na cama por um tempo até conseguir pegar no sono. E quando dormi, sonhei com ele.

– Oi, Aly. — cumprimentou-me Eathan com um pequeno sorriso.

Estávamos no parque de diversão, sentados na roda gigante. Ele exibia uma aparência cansada e tristonha. Seu cabelo preto bem cortado e em geral arrumado, estava bagunçado.

– Sei que parece estranho tudo isso, mas eu preciso que calma e acredite em mim. — disse ele ficando sério.

– Do que você está falando? — perguntei-lhe confusa.

– Do Ralf. Preciso que me diga o que você está sentindo por ele. — pediu. — Acha que ele está estranho, diferente ou algo assim?

– É claro que sim. Esse não é o Ralf. Ele é ciumento sim, mas não é paranoico, agressivo nem nada disso.

– Foi o que eu pensei. Escuta, eu vou tentar resolver isso, mas vou precisa da sua ajuda.

– Minha ajuda? Com o quê?

– Quero que fique longe do Ralf. Tome cuidado.

– Ficar longe do Ralf?

– É. nós não sabemos o que está acontecendo então é melhor ficar longe dele por enquanto. — disse ele suavemente.

– Tanto faz. Isso tudo é só um sonho mesmo. — sussurrei para mim mesma.

– Não é só um sonho, Aly. — pontificou Eathan. — Isso é real. E preciso que você confie em mim.

– Por que confiaria em alguém como você, Eathan? Você sumiu. Simplesmente desapareceu. — acusei-o.

– Eu não sumi. Estou com você esse tempo todo. Sempre. — assegurou ele firme. — Nunca vou te deixar sozinha. Nunca vou te abandonar. Nunca, Aly. — ele estendeu a mão, acariciando levemente minha bochecha. — Só confie em mim.

Ele se inclinou e depositou um beijo na minha testa, depois evaporou. Desapareceu como fumaça no ar, dissipando-se. Fiquei sozinha na roda gigante. E por algum motivo a altura não me incomodou mais. Depois acabou e eu acordei sozinha no meu quarto.

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EATHAN

– E então? — perguntou Mason enquanto mastigava um pedaço de bolo de chocolate que ele havia encontrado na cozinha da Aly.

– Tinha algo errado com a cabeça do Ralf. — comentei distraído observando Alice dormir.

– Como assim?

– Parecia que tinha alguma coisa dentro da cabeça dele. Alguma coisa ou alguém.

– Por isso não conseguiu fazer ele só se afastar da Alice?

– É. Foi como tentar transpassar por um muro.

– Então você e esse negócio na cabeça dele estavam disputando espaço? Coitado. Por isso que pareceu que ele era um computador em curto. — ele riu.

– Preciso descobrir o que está acontecendo. — anunciei pensativo.

– Podemos falar com o guardião dele. — sugeriu Mason.

– Acho que nunca vi o guardião do Ralf.

– Tem razão. — concordou ele meditativo. — Será que ele não tem um?

– Todo mundo tem um. — contrapus. — Tem alguma coisa muito errada.

– E então, o que vai fazer?

– Falar com o Gate.

– Com o Gate? — ele pareceu surpreso. — Acha isso uma boa ideia?

– Na verdade essa é minha única ideia. — confessei.

– Qual é o plano?

– Vou falar com o Gate e tentar descobrir quem é o guardião do Ralf. E ver se o Gate sabe o que está acontecendo.

– E se você não conseguir nada?

– Não sei. Talvez eu tente entrar na cabeça do Ralf de novo.

– Podíamos falar com a Mary. — sugeriu ele sorridente. — Ela é incrível. Sabe de muitas coisas. Talvez possa nos ajudar.

– É, talvez possa. — concordei pensativo.

– O que a Alice disse no sonho? — quis saber ele curioso.

– Disse que esse não é o Ralf e que tem algo errado.

– Grande novidade. — debochou Mason comendo mais bolo. — Ela disse se estava com saudade de você? — perguntou ele rindo.

– Não, ela não disse.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar, anjinhos ;)