Sweeney Todd esperava pacientemente. Como Mrs. Lovett havia dito: planeje sua vingança. Mas ele não mais suportava ter de esperar dia após dia o Juiz Turpin aparecer ao acaso em sua barbearia.

Olhou-se no espelho e num gesto vulgar de vaidade, passou uma das mãos nos cabelos, logo depois olhando as olheiras que circulavam seus olhos. Ah, que saudade daquele teu rosto jovem, temia nunca mais tê-lo.

Ah, não devia ligar para aquilo...

Alguns passos puderam ser ouvidos na escada de madeira que ligava a loja de tortas da Mrs. Lovett. Devia se apenas ela.

Duas batidas à porta.

É, não era ela.

- Sei que não marquei horário – disse a pessoa que batia à porta – Mas apreciaria se o senhor pudesse me atender agora – a voz dele era irritantemente familiar. Aquele tom rouco que dava característica à péssima e rude voz que o... Juiz Turpin possuía.

- Só um momento – exclamou Sweeney Todd, com um sorriso já enfeitando seus lábios. Ficava cada vez mais excitado com a oportunidade de matar aquele juiz que havia estragado toda sua vida.

O barbeiro abriu a porta com aquele mesmo sorriso. O juiz entrou, exibindo a única coisa que tinha: Sua enorme pança.

- Oh, juiz Turpin, a que devo a honra? – perguntou Sweeney Todd, tentando fazer cara de surpreso quando a única coisa que seus lábios conseguiam demonstrar era um maligno sorriso de vitória.

- Tu me pediste para vir aqui, não foi? – sorriu o outro, já tomando seu lugar na cadeira do barbeiro. Ele o olhou com escárnio, o sorriso já desaparecera de seus lábios – Queria uma barba bem feita, você é o melhor... – assumiu o outro.

- Ah, sim, meu amigo – o barbeiro extravasava ódio em suas palavras, mas não queria deixar que o Juiz percebesse aquilo. Sorriu, colocando o pano branco em volta do pescoço do juiz.

Finalmente...

- Minha amiga – murmurou o barbeiro, sem deixar que o outro o ouvisse. Segurou a navalha com um sorriso, deixando que a pouca luz que ainda se atrevia a entrar pela janela nela batesse. Era lindo o reflexo que se formava com a luz que batia na navalha.

Ele pôs-se a afiá-la no cinto de couro.

- Ah, há quanto tempo não faço a barba – disse o juiz, passando a mão no rosto áspero.

- Pois não irá se arrepender, senhor – sorriu o barbeiro, agora passando a espuma no rosto do homem.

Começou a tirar a barba do homem com a navalha.

- E, como agradecimento – sorriu Sweeney Todd – Essa barba sairá de graça.

- De graça? – o juiz parecia bastante agradecido. O barbeiro já havia feito quase toda a barba dele, deixando-a rente – Em nome da nossa amizade?

O barbeiro riu um pouco. Colocou a navalha no pescoço do homem, como se ainda fosse continuar a tirar sua barba, mas antes que o homem pudesse dizer qualquer coisa, cortou seu pescoço sem o mínimo remorso. Ah, quanto tempo esperara por aquele tão doce momento? E num pequeno movimento pudera acabar com aquilo.

Suspirou, olhando o juiz de frente e vendo a bela obra de arte que acabara de fazer. O sangue escorria-lhe pelo pano branco que colocara no pescoço dele, fingindo que ia lhe tirar a barba, embora já começasse a sujar sua gravata, sua blusa branca e seu colete cinza.

- Sim – respondeu ele, com um sorriso, pisando no lugar onde mandaria aquele juiz lá para baixo, onde Mrs. Lovett faria uma de suas horríveis tortas com ele – Em nome da nossa amizade fiz a barba que lhe devia, Juiz Turpin – cuspiu, finalizando seu horrível discurso.

Era como ele havia dito a ela: Me chame quando você tiver torta de Juiz.

Notas finais
Espero que gostem, apenas quis dar uma outra visão ao assassinato do Juiz Turpin.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!