Em Meio ao Caos

5 Capítulo 004 & 005 - Prós e Contras


Notas iniciais
Capítulo duplo nessa bagaça. Dá review aê, mano.

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Eram dez horas da manhã. Alice vestia um casaco de lã marrom, uma blusa regata verde por baixo e uma calça jeans. Ela estava se preparando para sair em busca de suprimentos, quando Isabella a chamou.

–Alice, espere!

– O que houve? – Disse Alice preocupada.

– Eu quero ir com você... Você sabe muito sobre sobrevivência, mas eu não... Eu tenho que aprender isso, nas circunstâncias atuais.

– Você quer vir comigo?

– S- Sim, eu quero.

– Pegue uma lanterna e uma faca. Estou com uma mochila, uma lanterna e meu canivete. Eu te espero no corredor.

– Certo. –Disse Isabella, enquanto saía para pegar os materiais.

Alice escreveu um bilhete, dizendo que tinham saído para buscar mantimentos e o deixou em cima da mesa da sala, para que Max não se preocupasse. Isabella pegou uma lanterna e uma faca e foi ao encontro de Alice. Ela estava realmente empolgada, mas Alice ensinou-a algumas coisas logo de cara.

– Olhe aqui, não podemos fazer muito barulho, pois pode haver algumas dessas coisas aqui, vivas. Se vir algo, segure sua faca com firmeza e só ligue a lanterna se for necessário. Não podemos nos dar ao luxo de gastar pilhas, pois elas são difíceis de achar.

– Ok...

– Vamos andando, temos que voltar ao meio-dia. – Disse Alice olhando no relógio.

– Sim, vamos.

Alice e Isabella saíram andando, vasculhando alguns apartamentos, acharam poucas coisas, garrafas d'água, comida enlatada... Entraram em um apartamento onde haviam três homens, mas a recepção não foi amigável.

–Olha só o que temos aqui! Duas garotas perdidas? Isso é bom...

Alice escondeu o canivete atrás das costas e esperou um deles vir atrás dela. Um homem agarrou Isabella e outro segurou os braços de Alice.

– Olhem só que gostosas! O que podemos fazer com vocês, meninas? – Disse um homem, sorrindo.

Um homem começou a revistar Alice e percebeu que ela tinha algo nas costas.

– O que é isso, doçura?

– A sua causa mortis, seu merda.

Alice desferiu um golpe na nuca do homem, e rapidamente, o arremessou na cabeça do homem que estava perto de Isabella. O único que sobrou sacou uma arma e apontou para Alice.

– Idiota. Você não tem balas. Acha que eu sou burra? Agora, abaixe essa arma, e talvez, eu te deixo sair daqui vivo.

O homem abaixou a arma e saiu correndo, assustado.

– Eu disse "talvez", idiota!

Alice arremessou o canivete na nuca do homem, que caiu no chão.

– Droga. No seu primeiro dia, você quase morre. Não foi uma boa idéia te trazer aqui, Isabella. – Disse Alice, enquanto arrancava o canivete da nuca do homem.

– N- Não, por favor. Eu estou ciente dos perigos, e sei que fui incapaz de contê-los, mas estava com a faca pronta para atacar aquele cara, Alice.

– Por que não atacou então?

– Eu... Não sei, meu corpo congelou...

– Bem, Isabella. Se quiser aprender a se manter viva, você primeiro deve aprender que nesse mundo, apenas os fortes sobrevivem. Deve enfrentar seus medos. Inteligência está em segundo plano agora. É você, ou eles...

– Acho que você está certa...

– Você quer mesmo continuar?

– Sim. Eu quero continuar.

– Então, tenha cuidado e não use sempre o instinto. Como eu falei, a inteligência está em segundo plano, mas nada te impede de usá-la.

– Sim, claro...

– Agora, vamos revistá-los. Talvez eles tenham coisas úteis.

Isabella procurou em seus coletes. Achou duas facas, analgésicos e garrafas d'água. Alice vasculhava o apartamento e achou um machado. Era leve, mas era poderoso. Ela achou também dois galões com água, luvas de borracha e algumas tábuas de madeira.

– Isabella, vem pegar o que eu achei. – Disse Alice dando o machado para Isabella. – Coloque as coisas que você achou dentro da minha mochila e bote ela nas suas costas. Eu vou pegar os galões e levar para o apartamento, guarde o machado e a mochila ao lado da cama e volte aqui para me ajudar. Rápido!

– Sim, sim.

Ela levou a mochila de Alice e o machado de volta ao apartamento e voltou para ajuda-la a levar os galões.

– Vamos os carregar apenas para passar por cima dos corpos, depois, vamos empurrando até o apartamento.

– Entendi.

Após guardarem o que tinham achado, Alice chamou Isabella.

– Isabella, eu estou indo treinar com o canivete. Você tem armas, mas não sabe manuseá-las. Eu posso te ensinar a usar contra um daqueles zumbis. Você quer vir?

– Sério!? Eu quero ir, muito!

– Escolha uma arma e venha comigo.

Isabella pegou sua faca e se juntou a Alice. Elas andaram por alguns minutos, até achar dois zumbis, eles estavam devorando um homem e foram atraídos pelo cheiro de Alice.

– Ei, seus idiotas! Venham aqui, não querem um pedaço do meu pescoço? – Gritou Alice, para chamar atenção dos zumbis.

Eles foram atrás de Alice e Isabella, devagar e quase caindo.

– Isabella, eles não têm reflexo, então o afaste com um chute e enfie a faca na testa! – Disse Alice, enquanto recuava para longe do zumbi.

– Certo!

E quando o zumbi chegou perto, Isabella o matou com apenas um golpe certeiro, no meio dos olhos, ele caiu ao lado dela.

– Consegui!

– Agora, vou chamar a atenção do outro, você mata ele por trás com um golpe na nuca!

– Ok!

Alice deu um fraco chute no zumbi, que caiu ajoelhado no chão, mas se levantou e foi em direção a ela.

– Agora, Isabella!

Isabella perfurou sua nuca, e a faca ficou presa no zumbi, que caiu no chão, já morto. Ela pegou a faca de volta e a limpou com o pano que Alice lhe deu.

– Ótimo, os golpes foram bons, mas devem ser mais rápidos, para acabar com qualquer chance de te atacar. – Disse Alice.

– Ah, certo.

– Vamos em frente, se acharmos outro, te ensino outros golpes...

Elas continuaram andando e acharam mais três zumbis, um deles, sem pernas.

– Olha, vou te mostrar uma coisa.

Alice fez um pequeno corte na mão, deixando escorrer sangue no chão e botou a mão no piso. Os zumbis se abaixaram e Alice matou os dois com uma facada na cabeça. O zumbi que estava com as pernas mutiladas estava se aproximar, mas Alice pisou em sua cabeça com muita força, o matando.

– Contra vários deles, você pode usar seu sangue como isca. Só é preciso fazer um corte na mão e deixar escorrer, botar a mão no chão para deixar uma marca, eles vão ir até o sangue, aí, eles ficam vulneráveis. E outra coisa, os ossos dos infectados são fracos, devido à baixíssima ingestão de cálcio, já que eles só comem carne, e também por andarem até quilômetros sem descanso. Você pode quebrar um osso deles apenas com um soco, os deixando incapacitados de andar ou te agarrar.

– Minha nossa, você sabe muito mais do que eu...

– Eu sei mais que você nisso, mas você sabe mais matemática do que eu, com certeza.

Alice esboçou um sorriso, mas durou pouco, pois outro zumbi apareceu.

– Vá em frente, Isabella.

Isabella esperou o zumbi, pacientemente... Ele foi chegando perto, até que ele caiu aos pés dela. Ela chutou sua cara, quebrando sua mandíbula, e ela rapidamente perfurou seu crânio com a faca.

– Droga, ele caiu na hora do golpe... Ainda bem que você foi rápida. – Disse Alice, congratulando Isabella.

– É... Acho que sim...

– Muito bem, Isabella, você fez progresso hoje. Agora você já sabe o básico para se proteger, vamos voltar para o apartamento. – Disse Alice, sorrindo.

– É mesmo, hehe...

Apartamento – 11h26min

Isabella aprendeu muito, estava se sentindo mais confiante, e Alice estava feliz de tê-la ensinado, pois teria uma ajuda, e mesmo que ela não deixasse perceber, ela considerava Isabella sua amiga.

– Alice... Obrigado por me ensinar tudo isso...

– Não tem problema, Bella. Fico feliz em ajudar. – Disse Alice, sorrindo.

Max estava na cozinha, arrumando suas coisas, para partir em busca de sua família novamente, quando Alice o chamou.

– Max, eu preciso contar-lhe algo.

Isabella ficou preocupada, e tentou impedir Alice, mas ela continuou falando.

– Os centros de resistência são uma farsa. Não existem áreas seguras, tudo é rumor... Eu sinto muito...

Max ficou perplexo. Ele não acreditava que sua família tinha virado uma daquelas coisas, ou melhor, ele não queria acreditar que sua família tinha virado uma daquelas coisas.

– Não! Eu sei que existem! Eu sei! Eles estão seguros, em algum lugar! Eu sei... Droga...

– Eu sinto muito, Max... Se você morava aqui, eles podem ter ido para algum prédio mais seguro, algum grupo de resistência... Nós podemos te ajudar a procura-los...

– Eu... Ah, droga... Eu não posso ficar parado aqui. Eu preciso achá-los...

– Olha... Amanhã nós podemos começar a busca, eu, a Isabella e você, Max... Você não pode desistir... Você deve achar sua família, e viver com eles. Você vai conseguir, eu sei... – Disse Alice, tentando reconfortá-lo.

– Você está certa... Eu vou achá-los...

– Amanhã de manhã começaremos a busca, certo?

– Sim... Certo...

Alice sabe que tinha feito a coisa certa, apesar de ter ferido as esperanças daquele homem, então ela precisava achar a família de Max, senão, ficaria com a culpa para o resto de sua vida.

– Isabella, me dê os cadeados, por favor.

– Ah, sim.

Alice colocava os cadeados e pensava em quando a infecção começou, como ela negava o que tinha acontecido, não acreditava que tinha perdido sua família para sempre. Apesar de ela não ser uma pessoa que gosta de reuniões em família, lá no fundo, ela sentiria falta. Principalmente de seu pai, de quem ela era mais próxima...Max havia deixado a sala, em rumo ao seu quarto, então Alice se sentiu livre para falar.

– Isabella.

– Sim?

– O que você sentiu quando descobriu que jamais veria sua família de novo?

– Ah... Eu... Eu não sei... Sabe, eu já sabia que não tinha mais nada a fazer, então aceitei que era verdade, eu não podia mais fazer nada para reverter a situação.

– Ah. Sim, claro.

– E você, Alice? Você que sempre sonhou com este momento... Achou que fosse ser diferente?

– Hehe, você sabe, eu não gosto dessa matança toda, mas lá no fundo, eu amo matar zumbis. Para mim, a única desvantagem é que eu nunca mais vou ver meu pai ou minha mãe de novo...

– E quando foi a primeira vez que você se encontrou com uma dessas coisas? – Perguntou Isabella.

– Eu havia acabado de chegar em casa. Meus pais saíram, estava sozinha, finalmente. Cansada da escola, muitas tarefas da escola, meu quarto cheio de embalagens de biscoito. Liguei meu computador para fazer algumas... Coisas de mulher. Depois, fui até a cozinha para buscar algo para comer, e vi alguém... Parecia muito machucado, com várias feridas no braço e no abdômen. Tinha uma ferida em sua face, dava até para ver o osso, uma coisa horrenda. Perguntei se estava bem, e ele não respondeu, continuou andando até mim, com o braço esticado, fui andando para trás, ainda perguntando se ele estava bem, mas ele não me escutava. Percebi que havia algo de errado com ele, então ele tentou me agarrar com a mão, e rasgou minha blusa. Corri até o meu quarto, então, quando eu tentei me trancar, ele forçou a porta e sua mão ficou presa entre a porta e a parede. Tentei com todas as minhas forças fechá-la, então, fechei. A mão daquela coisa caiu do lado da minha cama e continuou mexendo, por uns 3 segundos. Argh, que nojento. E então, peguei uma caneta que estava na mesa do computador e abri a porta devagar e enfiei com toda a minha força a caneta no olho dele. Ele caiu estirado no chão, ainda agonizando, pisei em sua cabeça com muita força, até ele parar de se mexer... E desde então, eu soube que tinha começado o evento que eu espero desde quando eu nasci...

– Que sinistro...

– É, mas continuando, vamos guardar o que recolhemos hoje, pois amanhã começaremos a busca pela família do Max.

– Alice... Você acha mesmo que nós vamos encontra-los?

– Eu não sei, Bella... Eu realmente não sei... Mas se eles estiverem lá, eu darei o máximo para acha-los. Aquele homem merece ter sua família de volta.