Em Meio ao Caos
4 Capítulo 003 - Nada é Verdadeiro
Notas iniciais
Laurie não era o único infectado naquele apartamento. O rastro de sangue que sua ferida havia deixado no chão atraiu os outros zumbis que o seguiam. Alice não teve tempo de colocar um cadeado ou dois na porta, como ela geralmente fazia em suas outras moradias temporárias. Um erro quase fatal.
Um deles se aproximou de Alice, que estava de costas para a porta do quarto, acabara de matar Laurie. O zumbi estava pronto para mordê-la.
– Alice, cuidado! – Gritou Isabella, apontando para a porta do quarto.
Neste momento, Alice deu uma cotovelada na cara do zumbi, quebrando sua mandíbula. Ele caiu no chão, porém, ainda havia mais dois, dentro do apartamento. Um deles agarrou Isabella, que o chutou, num momento de puro reflexo. Enquanto o zumbi ainda estava caído, Alice perfurou seu crânio com o canivete. Isabella pegou a faca que tinha achado debaixo da bancada da cozinha e com muita dificuldade, desferiu um golpe no olho do zumbi, matando o maldito de uma vez só. Faltava mais um. Alice o esperou, pacientemente. Estava mancando, parecia ter sido baleado na perna, e preparou-se para atacá-lo.
– Deixe-me fazer isso. –Disse Isabella.
– Isabella, não precisa, eu-...
Isabella segurou sua faca e foi pra cima do zumbi, Alice tentou pará-la, mas já era tarde, Isabella já tinha perfurado sua cabeça com a faca. Alice se assustou. Nunca tinha visto Isabella fazer aquilo. Talvez porque elas se conheceram há dois dias, mas mesmo assim, foi surpreendida pela sua atitude...
Algum tempo depois, após se livrarem dos cadáveres, limparem o corredor, o carpete e o resto da casa, Alice e Isabella tentavam voltar a dormir, mas ela só pensava no que Isabella tinha feito. De onde ela tirou aquela atitude? E por que ela teve aquela reação?
Apartamento – 07h35min
Já tinha amanhecido, Alice havia acordado e começou a organizar os alimentos. Eram sete latas de atum, quatro latas de feijão, cinco latas de ervilhas pré-cozidas e um pouco mais de dois quilos de carne. Os armamentos eram um pacote de pregos, uma faca profissional, um canivete borboleta, uma 9mm do pai de Isabella com poucas balas e uma faca de cozinha. Os curativos eram algumas faixas, anti-inflamatórios, analgésicos e alguns esparadrapos. Na outra mochila, duas lanternas, um conjunto de pilhas e baterias, um pé de cabra, garrafas d'água, cadeados, alguns lápis, borrachas e um caderno de desenho. Isabella adentrou a sala de estar com uma expressão de preocupada no rosto.
– Alice, eu preciso contá-la algo...
– O que aconteceu? – Perguntou Alice.
– Aquele homem, Laurie. Ele não foi mordido antes de chegar ao apartamento. Quando estávamos tirando seu corpo do apartamento, eu reparei uma mordida em seu pescoço, que não existia quando ele chegou aqui.
– Droga. Eu deveria ter posto o cadeado na porta. Que merda. Procure nas gavetas, talvez tenha mais alguma coisa que possa ser útil...
Isabella procurava nas gavetas para achar algo que pudesse ser útil para Alice, e achou uma carta. A carta dizia:
"Olá. Meu nome é Max. Eu era o morador deste apartamento. Fui pego de surpresa por tudo isso, então tive que sair o mais rápido possível desse lugar. Enquanto escrevo esta carta, estou deixando o apartamento. O CCD estabeleceu várias áreas seguras em vários pontos do país, perto das rodovias. Estou indo em rumo a um deles, para procurar minha família. Se puder, tente procurar por eles, SÃO LUGARES SEGUROS SEM RISCO DE INFECÇÃO"
– Centros de resistência? Merda, esse cara é louco. – Disse Alice.
– É plausível. O governo provavelmente já sabia disso antes de nós, então evacuou o máximo de pessoas que não estivessem infectadas para uma área fechada. Seria uma forma inteligente de conter o contágio, pelo menos, em algumas pessoas.
– Pare com essa baboseira toda, isso não existe! – Disse Alice, indignada.
– Só estando lá para ver, Alice. Não existem mais jornais nesses tempos.
– Isso não existe. Eles nunca existem. Tudo o que você aprende quando é vidrada em zumbis é que nada é verdadeiro. Nada pode nos salvar de ser mortos por essas coisas, é apenas uma questão de tempo! Nem o governo, nem Deus, nem ninguém pode nos ajudar nesse momento. Não existem centros de resistência, não existe cura ou vacina e não há outro jeito de se livrar desses malditos além abrir um buraco em suas cabeças, pois eles NÃO TÊM VIDA! O único motivo de eles ainda andarem é a sua fome insaciável! No caso, nós somos o seu alimento! Nós somos o porquê de eles ainda viverem! – Disse Alice, revoltada.
– Alice, se acalme, por favor.
– Droga. As pessoas acreditam nisso, e vão atrás com esperança de encontrar uma salvação, e tudo o que encontram é um bando dessas coisas devorando tudo o que vêm pela frente!
Alice foi interrompida por um barulho que parecia vir do corredor. Eram passos, pareciam coordenados, cuidadosos, e iam chegando cada vez mais perto do apartamento.
– Alice... – Isabella sussurrou.
– Fique calma e segure firme sua faca...
O momento era assustador. Alice sentiu como se andasse em direção ao perigo. Ela ficou ao lado da porta, pronta para qualquer coisa que saísse dali.
Pode-se escutar a respiração da pessoa que estava do outro lado da parede. Era um momento de tensão. A maçaneta se mexe. Devagar e cuidadosamente. A porta se abre bem devagar, então Alice desfere um chute no estômago do homem, que cai no chão. Pronta para o ataque, Alice empunha o canivete pronta para atacá-lo e tenta esfaqueá-lo, mas o homem desvia e se levanta.
– Calma! Calma! Eu não fui mordido, sou o antigo morador desse lugar! – Diz o homem, assustado.
– Qual é o seu nome? – Indagou Alice, ainda pronta para esfaqueá-lo a qualquer momento.
– Max! Max Hannigan! Esse é o meu nome!
– Isabella, veja se ele tem mordidas.
– Eu não tenho-
O homem foi interrompido pela voz forte de Alice.
– Isabella, agora!
– S- Sim, claro.
Após examinar seus braços e seu pescoço, Isabella viu que ele não tinha sido mordido, então Alice o deixou ficar no apartamento. Seu nome era Max Hannigan. Tinha 31 anos e de fato, morava no apartamento antes da infecção. Ele carregava um taco de baseball e uma mochila, que Alice pediu permissão para vasculhar.
– Três lanternas, algumas pilhas... Comida enlatada, garrafas d'água... Espere, o que é isso? – Alice pega uma foto.
– Ah... Isso... Essa é a minha família. Este é Christopher, meu primeiro filho, ele tem 14 anos – Max aponta para o menino sorridente da foto. – Esta linda garotinha é minha filha, Mary Ann. Ela tem 9 anos... – Esta mulher... É minha esposa, Linda. Ela e meus filhos foram evacuados para um suposto centro de resistência. Estou há algumas semanas atrás deles, mas não achei nada perto daqui. Talvez eles estejam em algum lugar mais longe da cidade.
Alice sabia que não devia falar nada. Se ela abrisse a boca, correria o risco de acabar com a esperança daquele homem.
– Tenho certeza de que vai achá-los. – Disse Alice.
Isabella olhou para Alice e esboçou um sorriso. Alice também era humana, apesar de ela mesma não gostar desse seu lado sentimental... Alice também era uma garota como qualquer outra, só que mais... Interessante...
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